segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

AO1990 ADIADO

Governo adia novo acordo ortográfico para 2016

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/84859-governo-adia-para-2016-novo-acordo-ortografico.shtml

Reforma já é adotada pelos setores público e privado do país desde 2008
Adiamento de 3 anos abre brecha para novas mudanças; objetivo é sincronizar com Portugal, diz Itamaraty

Publicaram FERNANDA ODILLA, FLÁVIA FOREQUE, DE BRASÍLIA, em Folha de S. Paulo, de 20/12/2012-06h15

O governo federal vai adiar para 2016 a obrigatoriedade do uso do novo acordo ortográfico. As novas regras, adotadas pelos setores público e privado desde 2008, deveriam ser implementadas de forma integral a partir de 1º de janeiro de 2013.

A reforma ortográfica altera a grafia de cerca de 0,5% das palavras em português. Com o adiamento, continuará sendo opcional usar, por exemplo, o trema e acentos agudos em ditongos abertos como os das palavras "ideia" e "assembleia".
Editoria de arte/Folhapress
Além disso, o adiamento de três anos abre brechas para que novas mudanças sejam propostas. Isso significa que, embora jornais, livros didáticos e documentos oficiais já tenham adotado o novo acordo, novas alterações podem ser implementadas ou até mesmo suspensas.
"Há muita insatisfação. Ganhamos tempo para refletir, discutir e reduzir o número de regras irracionais", afirma o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), que defendeu o adiamento e quer promover audiências com professores e embaixadores dos países de língua portuguesa na Casa.
A maior pressão é de professores, que reclamam terem sido excluídos das discussões.
diplomacia
A decisão é encarada como um movimento diplomático, uma vez que o governo, diz o Itamaraty, quer sincronizar as mudanças com Portugal.
O país europeu concordou oficialmente com a reforma ortográfica, mas ainda resiste em adotá-la. Assim como o Brasil, Portugal ratificou em 2008 o acordo, mas definiu um período de transição maior.
Não há sanções para quem desrespeitar a regra, que é, na prática, apenas uma tentativa de uniformizar a grafia no Brasil, Portugal, nos países da África e no Timor Leste.
A intenção era facilitar o intercâmbio de obras escritas no idioma entre esses oito países, além de fortalecer o peso do idioma em organismos internacionais.
"É muito difícil querer que o português seja língua oficial nas Nações Unidas se vão perguntar: Qual é o português que vocês querem?", afirma o embaixador Pedro Motta, representante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).
A minuta do decreto do adiamento foi feita pelo Itamaraty. O texto precisa passar pela área jurídica da Casa Civil antes da assinatura da presidente Dilma Rousseff.

Adiamento do novo acordo ortográfico reacende debate sobre mudanças
DE SÃO PAULO20/12/2012-06h15
O adiamento do uso obrigatório das novas regras ortográficas da língua portuguesa reacendeu o debate sobre a reformulação de normas previstas no documento que ainda é alvo de controvérsia entre especialistas.
O professor de língua portuguesa Ernani Pimentel argumenta que o acordo, elaborado na década de 90, é fruto de uma educação baseada essencialmente na "decoreba" e, assim, não segue uma lógica clara.
"Como é que você vai ensinar que 'mandachuva' se escreve sem hífen e que 'guarda-chuva' se escreve com hífen, se os dois são formados de verbo e substantivo?", questiona Pimentel.
Para o professor, os brasileiros ainda não sabem efetivamente como usar as novas regras. "As pessoas se acomodaram", afirma.
Pimentel é o idealizador do movimento "Acordar Melhor", que defende a simplificação da ortografia.

Editoria de arte/Folhapress

ADAPTAÇÃO
Para o gramático Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras, ainda é muito cedo para fazer questionamentos.
"É preciso que essas normas entrem em vigor para que os problemas sejam aflorados e resolvidos."
Na visão do especialista, a sociedade brasileira já se adaptou às novas regras, e o país está preparado para adotar a obrigatoriedade do novo acordo ortográfico.
"Para o grande público, a implantação de um acordo depende da memória visual, de como as pessoas veem as palavras escritas", afirma o gramático, citando o papel da imprensa nessa função.
Bechara lembra ainda que o acordo é resultado do trabalho de especialistas brasileiros e portugueses muito qualificados para a função.
Da parte nacional, fizeram parte da elaboração do acordo nomes como Antônio Houaiss e Nélida Piñon.
pequenas mudanças
Representante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o embaixador Pedro Motta faz a ressalva de que, no fundo, são poucas as mudanças introduzidas pelo novo acordo ortográfico.
"Houve algumas pequenas mudanças na acentuação de palavras, eliminação de trema, mudanças na utilização do hífen", enumera Motta. (FERNANDA ODILLA E FLÁVIA FOREQUE)
Editoria de arte/Folhapress


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