sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

TIMOR-LESTE A SÓS




2013: Finalmente só, Timor-Leste inicia nova fase da independênciaImprimire-mail
2013-01-01 00:09:33
Díli, 01 Jan (Inforpress) - O ano de 2013 vai ser para Timor-Leste o início de uma nova fase da independência, em paz e pela primeira vez sem presença da ONU, mas com os desafios do desenvolvimento e combate à pobreza.
A 01 de janeiro, Timor-Leste vai estar "finalmente só", depois de nos últimos 13 anos ter partilhado o exercício de poder com cinco missões das Nações Unidas, e antes disso experimentado a colonização portuguesa e a ocupação indonésia.“Vivemos uma dependência de 500 anos de Lisboa, depois 24 anos muito duros de Jacarta e depois 13 anos desta coabitação democrática, mas de partilha de poder", com as Nações Unidas, afirmou à Lusa Mari Alkatiri, ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, alertando para “uma certa situação psicológica de dependência” dos timorenses em relação à missão da ONU, que termina o seu mandato no dia 31 de dezembro.
Mas o atual representante do secretário-geral da ONU no país, o dinamarquês Finn Reske-Nielsen, não tem dúvidas de que, “com todos os progressos que foram feitos, Timor-Leste está pronto para caminhar pelos seus pés”.
Finn Reske-Nielsen comandou também nos últimos meses a Missão Integrada da ONU em Timor-Leste (UNMIT), iniciada em 2006 na sequência de uma grave crise política e militar, que provocou dezenas de mortos, milhares de deslocados e a implosão da polícia nacional.
O ex-Presidente José Ramos-Horta admitiu porém à Lusa apreensão em relação ao final da missão da ONU em Timor-Leste e desejaria que, “por um ano ou dois, uma companhia da GNR se mantivesse no país”.
"Sinto alguma apreensão porque, por mim, teria preferido que a ONU mantivesse aqui uma missão política credível, forte, de total confiança das autoridades timorenses, para connosco monitorizar o controlo da situação”, declarou.
Para o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, a presença de uma missão de manutenção de paz já não se justifica, porque as forças de defesa e segurança timorenses provaram estar aptas a cumprir as suas obrigações.
Além da estabilidade e segurança, "Timor-Leste continua a enfrentar desafios significativos, entre os quais se destacam os de prestação de serviços de qualidade, os da falta de infraestruturas básicas e os do desemprego para reduzir de forma sistemática a pobreza", admite no seu programa o Governo, que conta com um fundo petrolífero de cerca de 8.677 milhões de euros.
Mari Alkatiri, líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), único partido na oposição no parlamento, considera que o Governo deveria investir na administração pública e num programa de emprego para “qualificar as pessoas e ao mesmo tempo investir nelas".
Se nos últimos anos Timor-Leste foi dominado por crises cíclicas e ameaças à paz, os próximos têm de ser dedicados à "unidade" e ao "trabalho", condições consideradas estratégicas pelo Presidente timorense, Taur Matan Ruak, eleito no início de 2012.
"As tarefas que temos pela frente não aparecem feitas sozinhas. Todos os cidadãos têm de contribuir", disse Taur Matan Ruak em Same, no sul do país, a 28 de novembro, dia do aniversário da proclamação unilateral da independência, uma semana antes da invasão indonésia.
Poucos dias antes das palavras de Ruak, uma cerimónia assinalou na capital timorense o fim das operações de cerca de 400 militares da Força Internacional de Estabilização, liderada pela Austrália.
O país que ajudou a estabilizar Timor-Leste é o mesmo com que as autoridades de Díli disputam a construção de um gasoduto, a partir de um campo petrolífero no Mar de Timor, num negócio milionário e considerado por Timor-Leste como a sua segunda independência.

Inforpress/Lusa

http://www.inforpress.publ.cv/index.php?option=com_content&task=view&id=73301&Itemid=2

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