Mostrar mensagens com a etiqueta áfrica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta áfrica. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

notícias de áfrica


Caso não esteja visualizando, acesse aqui.
Newsletter África 21 Digital 06/02/2013 - Ano V - Edição 765
Política, economia e cooperação
Logotipo da Newsletter
publicidade banco privado Atlantico
IIR Angola 2013 Newsletter

Governo angolano suspende igrejas "Mundial" e Pentecostal Nova Jerusalém

Luanda - O governo angolano decidiu interditar uma série de igrejas "Mundial", bem como a Evangélica Pentecostal Nova Jerusalém, (IEPNJ) por alegado recurso a "práticas similares às da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD)", que acaba também de ser suspensa por uso de publicidade "criminosa e enganosa".  Leia mais

Exportações para Angola estão a ajudar Portugal, diz Paulo Portas em Luanda

Luanda - "Gostava que os portugueses soubessem que em 2012 as exportações portuguesas para Angola cresceram mais de 30 por cento e isso ajudou muito a nossa situação económica que é difícil, mas que nós vamos ultrapassar", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, que está a efetuar visita a Angola.  Leia mais

Seleção de futebol de Cabo Verde foi recebida em festa

Praia - O governo de Cabo Verde concedeu tolerância de ponto terça-feira para permitir à população receber de forma calorosa a seleção nacional de futebol após a sua participação no Campeonato de África das Nações (CAN) de 2013 na África do Sul.  Leia mais

Volume de negócios em Moçambique recuou em Novembro, mostra índice do INE

Maputo - O índice geral do Volume de Negócios em Moçambique reduziu ligeiramente durante o mês de Novembro último, revelam dados do Instituto Nacional de Estatísticas.  Leia mais

Angola e Portugal preparam cimeira para reforçar parcerias e cooperação

Luanda - As diplomacias de Angola e de Portugal preparam para este ano uma cimeira bilateral, a ter lugar na capital angolana, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas.  Leia mais
publicidade TAAG linhas aéreas
BAI

Nova procuradora-geral da República de São Tomé e Príncipe toma posse

São Tomé - A nova procuradora da República de São Tomé e Príncipe, Elsa Pinto, foi empossada terça-feira em cerimónia presidida pelo chefe do Estado santomense, Manuel Pinto da Costa. Elsa Pinto prometeu um combate firme à corrupção. Nomeação foi criticada pelo ex-procurador da República.  Leia mais

Presidente da Petrobras diz que estatal terá primeiro semestre ainda mais difícil do que foi 2012

Rio de Janeiro - A presidente da estatal brasileira de petróleo e gás Petrobras, Maria das Graças Foster, previu que o primeiro semestre deste ano será ainda mais difícil para a companhia do que foi 2012, em que a empresa teve o pior resultado dos últimos oito anos. "Não utilizo a palavra pior, mas será um ano duro e certamente mais difícil do que foi ao longo de 2012”, disse.  Leia mais

Quatro equipas da África Ocidental disputam as meias-finais do CAN 2013

Joanesburgo - Quatro seleções de futebol de países da África Ocidental disputam hoje as meias-finais do Campeonato Africano das Nações (CAN). As meias-finais oporão o Gana ao Burkina Faso e o Mali à Nigéria.  Leia mais

Fuga de comerciantes provoca penúria de alimentos e combustíveis no norte do Mali

Dar-es-Salaam - Os preços dos produtos alimentares e combustíveis no norte do Mali registaram forte aumento devido à ruptura dos stocks e à fuga de vendedores desde o início das operações militares em curso, segundo a Organização não Governamental Oxfam.  Leia mais

Começa em Angola o novo ano escolar

Luanda - Os alunos do ensino primário e secundário de Angola regressaram às aulas esta quarta-feira depois da abertura oficial terça-feira do novo ano letivo 2013, numa cerimónia que contou com a presença do vice-presidente da República, Manuel Vicente. O governo diz estar apostado em garantir que o ensino chegue a todas as aldeias do país.  Leia mais
publicidade banco BNI
Copyright © 2013. Todos os direitos reservados.
Caso você não queira mais receber, acesse aqui para cancelar.
Para enviar este email para um amigo acesse aqui

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

ÁFRICA - AS VISITAS DA SEMANA

Secretário executivo da CPLP visita a Guiné Equatorial

Malabo - O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o diplomata moçambicano Murade Murargy, ex-embaixador em Brasília, está a efetuar uma visita de quatro dias à Guiné Equatorial, a convite do presidente deste país, Teodoro Obiang.  Leia mais

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal em Angola para reforçar cooperação

Luanda - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, chegou nesta terça-feira (05) a Luanda, para uma visita a Angola, visando o reforço da cooperação entre os dois países. Portas é recebido hoje pelo presidente José Eduardo dos Santos.  Leia mais

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

diáspora africana

DECENIO MUNDIAL DAS POPULACOES AFRODESCENDENTES (2012 -2022)
“NYINGI” ANGOLANAS ENRAIZARAM-SE NAS AMERICAS E CARAIBAS
E um dos principais factos que ressai da “Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana”, obra da autoria do imparável Nei Lopes, livro que acaba de ser reeditado em São Paulo, nas corretivas Edições Selo Negro.
Esta extraordinária presença linguística e antropológica, bem fixada, no Novo Mundo certifica a instalação, ai, de centenas de milhares de cativos arrastados do Quadrilátero.
 
Respeitável bloco, cobrindo 715 paginas, esta síntese de conhecimentos (nyingi, em lunda/luba/cokwe), prefaciada pela psicóloga Elisa Larkin, companheira, de origem norte-americana, do saudoso Senador Abdias Nascimento, e organizada, naturalmente, por ordem alfabética.
Contem cerca de 25 000 entradas dando informações sobre o continuum civilizacional niger no alem-Atlântico, em domínios de natureza social, económica e cultural.
Assim, nota-se, no registo biográfico, a inserção de, entre outras personalidades, dirigentes de insurreições, académicos, homens de ciências e letras, médicos, políticos, líderes religiosos, artistas, arquitetos, atletas, atores de cinema, jornalistas e ativistas civis.
Encontra-se, ai, referências sobre comunidades, grupos étnicos, associações e outras entidades.
O inventário fornece, igualmente, precisões sobre múltiplos acontecimentos históricos, e vários dados indo de navios negreiros a cemitérios.
Há, também, esclarecimentos sobre escolas músico- coreográficas, companhias de teatro e festivais.
Enfim, a relação proporciona elementos sobre a vida religiosa, singularmente, efervescente, dos afrodescendentes.
VERBETES
Algumas referências a apontar no registo das personalidades são as de Juan Lubola (1635 – 1664), líder marron, na Jamaica e de Musinga, chefe rebelde dos Becu- Musinga ou negros Mutuari, na Guiana, no seculo XVIII.
Uma alcunha inesquecível e do Príncipe de Bundo, figura social, controverso, da história da escravidão na Jamaica, entre os seculos XVIII e XIX.
Deve, também reter, o João Mulungu (1859-1876), líder do quilombo de Divina Patorra, em Sergipe.
Nota-se um verbete sobre Edison Carneiro (1912 -1972), historiador afro-brasileiro, autor do clássico “Negros Bantu”, publicado em 1937.
Releva-se um informe sobre a cantora lírica brasileira, soprano, formada no Conservatório Superior de Paris, Luanda Siqueira, que mereceu este apelido, por ter nascido, em 1975, ano da independência da sua terra de origem.
De salientar, entre as perpetuações etnonímicas, a, inesperada, notada nas margens do estuário de la Rio de la Plata, Lubolo.
Designa, igualmente, as “Sociedades Lubolos” ou os blocos “Negros Lubolos”, grupos carnavalescos de Montevideu, surgidos em 1874 e integrado por foliões brancos, com os rostos pintados, fantasiados de escravos.
OAXACA
Cujila e a comunidade de insurrectos que evoluía no Estado de Oaxaca, no México, no litoral do Pacifico, no seculo XVIII.
O autor de “Bantu, Males e Identidade Negra “ (1988), inscreveu, no domínio social, termos, bem reveladores, tais como cabunda, escravo fugido, que vivia em estado de cimarronagem ; cacanje, que designava o português mal falado ou mal escrito; sambo, negro que suportava, manhosamente, a humilhação esclavagista, nos EUA.
Incluiu, analogamente, mazombo, filho de português nascido no Brasil; minga, trabalho coletiva dos negros no Equador, malongue, companheiro, em Trinidad; cucufo, o diabo, e chimba, agir, com inteligência, no Peru.
Os “angolo-congueses” empregam, no Uruguai, o termo bambaquere, no sentido de carinho.
Nei Lopes confirma, neste capítulo, a influência dos mbika no Brasil, com a inclusão da expressão Fumo-de-Angola, que designa, recatadamente, a maconha; fumar o viril diamba, facto que podia levar para cafua, cela para castigo de escravos, do bantu kufua, morte ou ser marcado com calimba, ferro com que se assinalava os escravos teimosos, do bantu dimbu.
Simpáticos epicurianos, os Congo/Angola deixaram, irreversivelmente, o termo angoleiro, como o jogador da capoeira angola ou o adepto do candomblé angola.
Quanto a angolinha e um dos toques de berimbau no jogo da capoeira, tal como o Benguela-Sustenido ou o Cabula.
O pai do Dicionário Banto do Brasil (1996) indica que o candonga e um dos folguedos atestados no Equador.
Quanto ao termo canyengue , em uso na Argentina, e uma variante do tango, inicial, dança lasciva de negros portenhos, do bantu, kinyenge.
O povo djuka de Suriname exibe a dança bandamba, enquanto os Benguelas do Uruguai exibem a curimba, do umbundu, okuimba, cantar, e, os Atu em Trinidad e Tobago, organizam o ganga, uma bailada ritual.
ANGUILLA
A enunciação gumbé, na Jamaica e em Saint Thomas, e relativa a um tambor e a uma dança, enquanto nas Bermudas, refere-se a uma mascara tradicional.
Recordar – se-a que a ilha jamaicana atesta o conhecido ritual kumina, do bantu, mandar.
Uma das entradas da Enciclopédia e kabinda, que indica em Trinidad, um género de música e dança.
A manifestação coreográfica, ponto cardinal, expressiva, dos Bantu e referenciada como kofutu, uma dança dos maroons do Suriname, lando ou samba –lando, no Peru, maboba, na Republica Dominicana, madjoumbe, na Martinica, termo proveniente de mayombe,  mariyanda ou mariangola, em Porto Rico.
O investigador, sambista, identificou em Anguilla, o Mayoumba Folclórica Theatre e faz recordar que a catonga e uma brincadeira de roda das crianças no Uruguai.
A prática religiosa na diáspora alem-Atlântico e bem impregnada de componentes “congo-angola” como o inquice abanto atestado em alguns terreiros de Maranhão, o temível espirito errante, acufa, defunto, certificado nos cultos pernambucanos.
A inteligência medicinal atravessou o infinito kalunga. E, e atestado o alecrim-de-Angola, uma erva usada na preparação de banhos e defumações, da família de pimenteiro.
Os angolo-congues continuaram os seus cultos, o bacuro, espirito da natureza, do bantu nkulu, antigo. Precisaram, na Espanola, a designação bakoulou-baka, para designar o espirito maligno que perambulam nas noites, tal como o Bicho-Mongongo, personagem da mitologia afro-brasileiro.
Entre as numerosas divindades dos “Congos cubanos”, há os Baluande.
Enfim, o repertorio explica que em Santa Lúcia, nas Pequenas Antilhas, o kutumba e uma cerimónia religiosa.
De realçar na vasta bibliografia utilizada pelo historiador carioca, estudos tais como “Ta makuende yaya …” das cubanas Arosteguy e Villagas (1998), “Nzinga” de Glasgow Roy (1982) e “Um pedaço de Angola na Vila do João” de Cláudia Amorim (2002).
Obra de grande utilidade, a Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana apresenta-se como o único inventário, em língua portuguesa, sobre este domínio e um instrumento, essencial, no conhecimento da história extramuros do Quadrilátero, que esta a espera da constituição do seu Commonwealth.
 
Por
Simão SOUINDOULA
         Comité Cientifico Internacional
do Projeto da UNESCO « A Rota do Escravo »
C.P. 2313 Luanda (Angola)
Tel. : 929 79 32 77

domingo, 9 de dezembro de 2012

DEMOCRACIA E ÁFRICA



Na África de língua oficial portuguesa existem regimes democráticos?
 A resposta está na opinião  da jornalista Anne-Cécile Robert. Leiam  o artigo África, entre a democracia e os resquícios autoritários


Política Internacional
África, entre a democracia e os resquícios autoritários
Após um período de euforia democrática no início dos anos 1990, que viu desaparecer um a um os regimes de partido único e a adoção de Constituições que validavam a democracia liberal, os anos 2000 se caracterizam, na realidade, por inúmeros retrocessos políticos
por Anne-Cécile Robert (jornalista e autora, com Jean Christophe Servant, de Afriques, années zéro,Nantes, L'Atlante, 2008)
Estava com os nervos à flor da pele. Disparei contra o presidente, uma bala no lado direito da nuca. Ele caiu. Seu chefe da guarda presidencial chegou com uma arma pesada. Começou um tumulto. Escapei enquanto levavam o ferido1.” O “presidente” é o capitão Moussa Dadis Camara, que tomou o poder na Guiné após um golpe de Estado, em 23 de dezembro de 20082. O autor do tiro, seu ajudante de campo, Abubakar Toumba Diakite, está foragido desde 3 de dezembro de 2009. Hoje, o general Sekouba Konaté assumiu as funções de chefe de Estado “interino” enquanto Moussa Dadis Camara se convalesce em Burkina Faso, após ter ficado internado em um hospital de Rabat.

Encontramos na Guiné todos os ingredientes do pesadelo político africano: a pobreza; a violência; o golpe de Estado – antes da atual junta, o ex-presidente Lansana Conté havia chegado ao poder após tomada do poder em 1984; e o militar justiceiro, mais ou menos louco – a megalomania criminosa do capitão Camara ficou patente depois da repressão intensa às manifestações de 28 de setembro de 2009 na capital Conacri.

Após um período de euforia democrática no início dos anos 1990, que viu desaparecer um a um os regimes de partido único e a adoção de Constituições que validavam a democracia liberal, os anos 2000 se caracterizam, na realidade, por inúmeros retrocessos políticos na África.

O espectro da guerra civil, que assombra muitos países desde a colonização, não desapareceu. Ganhou inclusive força em uma nação renomada por sua estabilidade, a Costa do Marfim, em 2002. Incapaz de estabelecer um sistema eleitoral aceito por todas as partes em razão da instabilidade das instituições do Estado, o país não conseguiu, desde 2005, organizar eleições. Elas foram adiadas várias vezes, com o consentimento da “comunidade internacional”, fazendo do presidente Laurent Gbagbo uma espécie de monarca de fato3.

A essas ignomínias soma-se uma nova maneira de contornar a democracia: a manipulação ou a modificação autoritária da Constituição pelo chefe de Estado para poder se reeleger. Foi o caso da Guiné em 2001 e de Camarões em 2008, onde colocaram fim à limitação do número de mandatos presidenciais, e do Togo em 2002, com a adoção de um escrutínio de um turno, muito favorável ao poder vigente. Na Nigéria, em 2009, o presidente Mamadou Tandja dissolveu a Assembleia Nacional e organizou um referendo, boicotado pela oposição, a fim de aprovar uma revisão constitucional que permitia a ele se candidatar indefinidamente.

No entanto, se a atualidade se mostra muitas vezes violenta no continente, os progressos realizados nos últimos 20 anos são reais e ninguém ousará dizer, como o presidente francês Jacques Chirac em 1990, que “a África não está madura para a democracia4”. Em contrapartida, as liberdades conquistadas se exercem dentro de um conjunto de ameaças que as fragilizam constantemente.

1     Radio France International, 16 de dezembro de 2009. Disponível em: www.rfi.fr.2     Ler Gilles Nivet, “A La Guinée d’un putsch à l’autre”, Le Monde Diplomatique, novembro de 2009.3     Ler Vladimir Cagnolari, “Une génération à l’assaut de la Côte d’Ivoire”, Le Monde Diplomatique, novembro de 2009.4     Mesmo que, segundo o presidente Nicolas Sarkozy, “o homem africano não tenha entrado muito na história” (discurso em Dakar de 26 de julho de 2007).

leia o artigo na íntegra no 
http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=628

__._,_.___
|

__,_._,___

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A net é a arma de uma nova revolução africana





2012-11-24 12:11:00

O discurso dos media sobre a África em mudança foi analisado numa conferência internacional na Fundação Gulbenkian

"Use sempre a palavra 'África', 'Escuridão' ou 'Safari' no título.

Os subtítulos devem incluir as palavras 'Zanzibar', 'Masai', 'Zulu', 'Congo' (...). Há outras palavras úteis como 'Guerrilhas', 'Primordial' e 'Tribal'. Note que 'Povo' significa africanos que não são brancos enquanto 'O Povo' significa africanos negros (...). Uma AK-47, costelas salientes, seios nus: use-os. Se tiver de incluir um africano na capa do seu livro certifique-se que veste roupa Masai, Zulu ou Dogon. No texto, trate a África como se fosse um país".

Esta é a forma como o escritor e jornalista queniano Binyavanga Wainaina lança "Como escrever sobre África" (Granta 92). É uma ironia sobre a forma como os não africanos, nomeadamente europeus, escrevem sobre o continente. Faz um retrato claro do tipo de expectativas que os ocidentais têm em matéria da narrativa sobre África.

Comparada com os media, a literatura tem um papel "recatado". Daí que "O Tratamento dado à Informação sobre África nos Media" tenha sido o tema escolhido para a 3.ª edição do Observatório de África e da América Latina, organizado pela ACEP, que hoje decorre na Fundação Gulbenkian no âmbito do Próximo Futuro.

Wainaina ganhou o Prémio Caine para escrita africana, mas o valor da identificação das "instruções" que publicou na "Granta" (92), são inspiradoras para quem quer que pense no discurso que decorre do olhar sobre o outro.

É isso mesmo que se propõe fazer Lola Huete Machado, a participante (com António Pinto Ribeiro, Elísio Macamo, Fátima Proença, José Gonçalves e Sofiane Hadjeadj) do seminário de hoje, que cita o texto do escritor queniano na apresentação do seu blogue "África no es un país" (http://blogs.elpais.com/africa-no-es-un-pais/), com lugar cativo no sítio do diário espanhol "El País".

Distância e ignorância

"Perguntar aos nigerianos se falam suaíli é o mesmo que perguntar aos portugueses se falam russo", disse ao Expresso a jornalista, entrevistada a partir de Espanha, referindo-se às duas principais dificuldades em escrever sobre África: a distância cultural e a ignorância.

Lola Huete propôs que no seu blogue se escrevesse sobre a diversidade do continente para "começar a contrariar" a tendência do cliché. Lembra que Espanha, ao contrário de Portugal, nunca teve colónias na África subsariana e que este continente vibrante de diversidade continua preso à expectativa de que se fale "de fomes e desgraças".

Em "África no es un país", Lola Huete e outros autores tentam fazer o contrário: "Para evitar falar de África em geral, havia que falar dos países em concreto. O continente é ainda visto como imaginário porque o que se passa num lugar é muito diferente do que se passa noutro e tudo isso é África!".

A tendência é temperar as "desgraças" com "histórias positivas". E a maneira de o fazer de forma mais rica é através da mistura com a informação produzida naqueles 54 países. Daí que os blogues como este sejam catalisadores dessa "informação impressionante que está a ser produzida pelos africanos".

Política, economia, questões sociais, sim, mas também música, teatro, literatura, saúde, ideias...

"Temos obrigação de mudar essa pretensão que os brancos têm de que há que ajudar, mesmo sabendo que as mentalidades não mudam de um dia para o outro", disse Lola Huete.

Sem discriminação

Até que o discurso sobre África venha a ser normal, sem discriminação negativa nem positiva, "deixe-se que a internet, as redes sociais e os telemóveis continuem a fazer a sua revolução".

A jornalista e bloguista do "El País" gostaria que o seminário de hoje fosse "normal" e que decorresse na mesma linha daquela com que informamos sobre outros assuntos. "Somos deste continente Europa, mas a África está aqui mesmo ao lado. Gostaria que fosse possível informar sobre África com a mesma naturalidade com que o fazemos sobre França ou os Estados Unidos".

http://www.gulbenkian.pt/section49langId1.html


__._,_.___



__,_._,___

domingo, 18 de novembro de 2012

centralidade africana

ACABEI DE ESCREVER O PRIMEIRO VOLUME DE MINHA COLEÇÃO DE HISTÓRIA AFRICANA E PASSO A VOCÊS, PARA SUAS IMPRESSÕES, OS PRIMEIROS A RECEBEREM ESTE VOLUME.
TRATA-SE DA DEFESA DE UMA TEORIA SOBRE A CENTRALIDADE AFRICANA, CONTRARIANDO O EUROCENTRISMO, ADVOGANDO A ORIGEM DA CIVILIZAÇÃO NO CONTINENTE AFRICANO E DA HISTÓRIA ANTIGA DOS POVOS DA ÁFRICA, OCULTADA PELO LONGO PERÍODO DE CINCO SÉCULOS DE ESCRAVIDÃO E COLONIALISMO E A DEFESA DE UMA IMAGEM BELA DA CIVILIZAÇÃO AFRICANA, EM OPOSIÇÃO ÀQUELAS IMAGENS TRISTES QUE SÃO DIFUNDIDAS PELOS ESCRITORES E PELA IMPRENSA OCIDENTAIS.
BOA LEITURA,
ABRAÇOS,
JOSÉ LUCAS

__._,_.___
Attachment(s) from Rui Mendes
1 of 1 File(s)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

palavras africanas

Palavras na língua portuguesa de origem africana
retirado de diálogos lusófonos

A
abará: bolinho de feijão.
acará: peixe de esqueleto ósseo.
acarajé: bolinho de feijão frito (feijão fradinho).
agogô: instrumento musical constituído por uma dupla campânula de ferro, produzindo dois sons.
angu: massa de farinha de trigo ou de mandioca ou arroz.

B

bangüê: padiola de cipós trançados na qual se leva o bagaço da cana.
bangulê: dança de negros ao som da puíta, palma e sapateados.
banzar: meditar, matutar.
banzo: nostalgia mortal dos negros da África.
banto: nome do grupo de idiomas africanos em que a flexão se faz por prefixos.
batuque: dança com sapateados e palmas.
banguela: desdentado.
berimbau: instrumento de percussão com o qual se acompanha a capoeira.
búzio: concha.

C

cachaça: aguardente.
cachimbo: aparelho para fumar.
cacimba: cova que recolhe água de terrenos pantanosos.
Caculé: cidade da Bahia.
cafife: diz-se de pessoa que dá azar.
cafuca: centro; esconderijo.
cafua: cova.
cafuche: irmão do Zumbi.
cafuchi: serra.
cafundó: lugar afastado, de acesso difícil.
cafuné: carinho.
cafungá: pastor de gado.
calombo: quisto, doença.
calumbá: planta.
calundu: mau humor.
camundongo: rato.
Candomblé: religião dos negros iorubás.
candonga: intriga, mexerico.
canjerê: feitiço, mandinga.
canjica: papa de milho verde ralado.
carimbo: instrumento de borracha.
catimbau: prática de feitiçaria .
catunda: sertão.
Cassangue: grupo de negros da África.
caxambu: grande tambor usado na dança harmônica.
caxumba: doença da glândula falias.
chuchu: fruto comestível.
cubata: choça de pretos; senzala.
cumba: forte, valente.
Cumbe: povoação em Angola.

D

dendê: fruto do dendezeiro.
dengo: manha, birra.
diamba: maconha.

E

efó: espécie de guisado de camarões e ervas, temperado com azeite de dendê e pimenta.
Exu: deus africano de potências contrárias ao homem.

F

fubá: farinha de milho.

G

guandu: o mesmo que andu (fruto do anduzeiro), ou arbusto de flores amarelas, tipo de feijão comestível.

I

inhame: planta medicinal e alimentícia com raiz parecida com o cará.
Iemanjá: deusa africana, a mãe d’ água dos iorubanos.
iorubano: habitante ou natural de Ioruba (África).

J

jeribata: alcóol; aguardente.
jeguedê: dança negra.
jiló: fruto verde de gosto amargo.
jongo: o mesmo que samba.

L

libambo: bêbado (pessoas que se alteram por causa da bebida).
lundu: primitivamente dança africana.

M

macumba: religião afro-brasileira.
máculo: nódoa, mancha.
malungo: título que os escravos africanos davam aos que tinham vindo no mesmo navio; irmão de criação.
maracatu: cortejo carnavalesco que segue uma mulher que num bastão leva uma bonequinha enfeitada, a calunga.
marimba: peixe do mar.
marimbondo: o mesmo que vespa.
maxixe: fruto verde.
miçanga: conchas de vidro, variadas e miúdas.
milonga: certa música ao som de violão.
mandinga: feitiçaria, bruxaria.
molambo: pedaço de pano molhado.
mocambo: habitação muito pobre.
moleque: negrinho, menino de pouca idade.
muamba: contrabando.
mucama: escrava negra especial.
mulunga: árvore.
munguzá: iguaria feita de grãos de milho cozido, em caldo açucarado, às vezes com leite de coco ou de gado. O mesmo que canjica.
murundu1: montanha ou monte; montículo; o mesmo que montão.
mutamba: árvore.
muxiba: carne magra.
muxinga: açoite; bordoada.
muxongo: beijo; carícia.
maassagana: confluência, junção de rios em Angola.

O

Ogum ou Ogundelê: Deus das lutas e das guerras.
Orixá: divindade secundário do culto jejênago, medianeira que transmite súplicas dos devotos suprema divindade desse culto, ídolo africano.

P

puita: corpo pesado usado nas embarcações de pesca em vez fateixa.

Q

quenga: vasilha feita da metade do coco.
quiabo: fruto de forma piramidal, verde e peludo.
quibebe: papa de abóbora ou de banana.
quilombo: valhacouto de escravos fugidos.
quibungo: invocado nas cantigas de ninar, o mesmo que cuca, festa dançante dos negros.
queimana: iguaria nordestina feita de gergelim .
quimbebé: bebida de milho fermentado.
quimbembe: casa rústica, rancho de palha.
quimgombô: quiabo.
quitute: comida fina, iguaria delicada.
quizília: antipatia ou aborrecimento.

S

samba: dança cantada de origem africana de compasso binário ( da língua de Luanda, semba = umbigada).
senzala: alojamento dos escravos.
soba: chefe de trigo africana.

T

tanga: pano que cobre desde o ventre até as coxas.
tutu: iguaria de carne de porco salgada, toicinho, feijão e farinha de mandioca.

U

urucungo: instrumento musical.

V

vatapá: comida.

X

xendengue: magro, franzino.

Z

zambi ou zambeta: cambaio, torto das pernas.
zumbi: fantasmas.


fonte consultada: http://br.answers.yahoo.com
/question/index?qid=20080508162315AA1Lq6z

sexta-feira, 25 de maio de 2012

cheiros de áfrica

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10150839175602135&set=a.10150551229027135.375295.705172134&type=1&theater

quinta-feira, 24 de maio de 2012

o dia de áfrica por mário soares

in diálogos lusófonos



25 de Maio: dia de África

Portugal tem uma enorme tradição africana. Praticamente única. Foi o primeiro Estado europeu a viajar e a conhecer África, como os seus dedos, tratando os africanos, quando lhes fez filhos, de igual para igual. Depois da II Guerra Mundial - e do movimento da descolonização - foi o último país europeu, devido à teimosia cega de Salazar, a abandonar o chamado império (onde o ditador nunca foi) ou, como no final lhes chamou, o Ultramar. Com efeito, o ditador que nos governou por 48 anos e o seu sucessor, Marcelo Caetano, foram os principais responsáveis por treze anos de "guerras coloniais" cruentas, que não tinham solução militar, como se provou, e a abandonar, quase sem resistência, o chamado Estado Português da Índia, quando teria sido possível uma solução negociada.

Deveu-se à "Revolução dos Cravos" - e portanto aos militares de Abril e, depois, aos do 25 de Novembro de 75 - a abertura de negociações conducentes à paz e ao reconhecimento do direito à autodeterminação, como a ONU proclamava. A descolonização impunha-se para se chegar, como rapidamente se conseguiu, à normalização democrática, pluralista e civilista de Portugal, à entrada, de pleno direito, de Portugal na então CEE, hoje União Europeia, e a um período de grande desenvolvimento e de bem-estar social que durou nos últimos vinte e tal anos.

Depois das independências criou-se a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) uma associação que não é só de língua - embora o seja - ou de negócios, como muitos pensam -, sobretudo em tempo de crise, que hoje vivemos, mas, essencialmente, de afeto, de solidariedade, de ligações das diferentes culturas, embora com raízes comuns, de liberdade religiosa, do conhecimento e do modo de ser e de estar.

A CPLP difere da Commonwealth como inicialmente alguns terão pensado, porque representa um modelo muito diferente. Na Com-monwealth, há um Estado mentor, o Reino Unido, que, por isso, nunca quis que a América do Norte lá entrasse, apesar de ser uma antiga colónia inglesa. Enquanto na CPLP o Brasil está - e gostamos muito que esteja - sempre presente, porque ao mesmo tempo foi uma colónia portuguesa e também a capital do extenso império português, enquanto D. João VI esteve no Brasil. Quando regressou a Lisboa, por imposição das Cortes, foi o seu filho D. Pedro IV português e I do Brasil, que declarou: "fico", e com esse grito proclamou a independência do Brasil, sem efusão de sangue.

As relações entre Portugal e Brasil nunca foram por isso conflituosas. Foram e são, em virtude do nosso passado comum, de grande fraternidade. Como as que temos hoje, felizmente, com Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné- -Bissau, Cabo Verde - e também Timor -, porque todos nos batemos, no tempo do colonialismo, contra o mesmo inimigo comum: a ditadura de Salazar e de Caetano. Certamente por isso a amizade entre os Povos da CPLP é hoje tão fraterna, independentemente das diferenças políticas e económicas.



Adaptado de http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2535722&seccao=m%e1rio%20soares&tag=opini%e3o%20-%20em%20foco&page=-1
__._,_.___
|

V

terça-feira, 22 de maio de 2012

DIA DE ÁFRICA

IN DIÁLOGOS LUSÓFONOS 25 de Maio é o Dia de África. Sabe porquê? O segundo continente mais populoso do Mundo, depois da Ásia, com aproximadamente 800 milhões de habitantes, comemora hoje o seu dia. O "continente negro" celebra quarta-feira, 25 de Maio, 48 anos desde a criação, em Addis Abeba (Etiópia), da Organização de Unidade Africana (OUA), em carta assinada por 32 estados africanos já independentes na altura. O acto constituiu-se no maior compromisso político dos líderes africanos, que visou a aceleração do fim da colonização do continente. No dia 25 de Maio de 1963 reuniram-se 32 chefes de Estado africanos com ideias contrárias à subordinação a que o continente estava submetido durante séculos (colonialismo, neocolonialismo e "partilha da África"). Dessa reunião, nasceu a OUA (Organização de Unidade Africana). Pela importância daquele momento, o 25 de Maio foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1972, Dia da Libertação de África. O dia tem um profundo significado da memória colectiva dos povos do continente e a demonstração do objectivo comum de unidade e solidariedade dos africanos na luta para o desenvolvimento económico continental. A criação da OUA traduziu a vontade dos africanos de converterem-se num corpo único, capaz de responder, de forma organizada e solidária, aos múltiplos desafios com que se defrontam para reunir as condições necessárias à construção do futuro dos filhos de África. Entretanto, de todos esses pressupostos, é facto reconhecido que a libertação do continente do jugo colonial e o derrube do regime segregacionista do Apartheid, durante anos em vigor na África do Sul, foram eleitas como as tarefas prioritárias da OUA. Como a OUA mostrou-se incapaz de resolver os conflitos surgidos continuamente em toda a parte do continente, os golpes de estado tornaram-se uma prática. A construção de uma verdadeira unidade entre os países membros é ainda inexistente, sendo exemplos disto os golpes de estado e as guerras civis no continente. Economicamente, os indicadores também estavam longe de serem animadores, concorrendo para isso a própria instabilidade militar e as múltiplas epidemias. Assim, a 12 de Julho de 2002, em Durban, o último presidente da OUA, o sul-africano Thabo Mbeki, proclamou solenemente a dissolução da organização e o nascimento da União Africana, como necessidade de se fazer face aos desafios com que o continente se defronta, perante as mudanças sociais, económicas e políticas que se operam no mundo. Contudo, resolveu manter a comemoração do Dia de África a 25 de Maio, para lembrar o ponto de partida, a trajectória e o que resta para se chegar à meta de “uma África unida e forte”, capaz de concretizar os sonhos de “liberdade, igualdade, justiça e dignidade” dos fundadores. Outro objectivo principal da UA continuará a ser a unidade e solidariedade entre os países e povos de África, defender a soberania, integridade territorial e independência dos seus Estados membros e acelerar a integração política e socioeconómica do continente, para realizar o sonho dos “pioneiros”, que em 1963 criaram a OUA. Dos 54 estados africanos, 53 são membros da nova organização: Marrocos se afastou voluntariamente em 1985, em sinal de protesto pela admissão da auto-proclamada República Árabe Saharaui, reconhecida pela OUA em 1982. Apesar de se registarem actualmente em África alguns conflitos de carácter político, pode-se dizer que a maioria dos países do continente possuem governos democraticamente eleitos. De uma forma geral, os governos africanos são presidencialistas, com excepção de três monarquias existentes no continente: Leshoto, Marrocos e Swazilândia. Parcerias são formadas diariamente ao abrigo da NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África), um instrumento da União Africana que se baseia em relações e acordos bilaterais num ambiente de transparência, responsabilização e boa governação. A África tem aproximadamente 30,27 milhões de quilómetros quadrados de terra. Ao norte é banhado pelo Mar Mediterrâneo, ao leste pelas águas do oceano Índico e a oeste pelo oceano Atlântico. O sul do continente africano é banhado pelo encontro das águas destes dois oceanos. É o segundo continente mais populoso do Mundo (depois da Ásia), com aproximadamente 800 milhões de habitantes. Basicamente agrário, pois cerca de 63 porcento da população habita no meio rural, enquanto somente 37 % mora em cidades. No geral, é um continente que apresentando baixos índices de desenvolvimento económico. O PIB (Produto Interno Bruto) corresponde a apenas um porcento do produto mundial. Grande parte dos países possui parques industriais poucos desenvolvidos, enquanto outros nem sequer são industrializados, vivendo basicamente da agricultura. O principal bloco económico é a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), formada por 14 países: Angola, África do Sul, Botswana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe. AFRICA21 – 25.05.2011 http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2011/05/25-de-maio-%C3%A9-o-dia-de-%C3%A1frica.html

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

o afrodilema por joão melo


“O afrodilema”, por João Melo

"As mudanças que ocorrem em África e em outras partes do mundo não-ocidental, originadas ou influenciadas externamente, nem sempre significam uma efetiva modernização".
Redação revista África21
 
Brasília - A modernização política de África pode ser imposta de fora, pelo ativismo de antigos revolucionários de café, hoje uma mistura de ultraliberais e de vestais «politicamente corretos», quase mórmons, mas que não têm de enfrentar as dificuldades concretas e diárias dos povos africanos, pela influência de entidades que se acreditam especializadas em exportar a democracia e a transparência para as nações «bárbaras» ou pela pressão de governos estrangeiros, a qual, no limite, pode mesmo incluir, à moda do colonialismo tradicional, a força militar?

Só sendo, na melhor das hipóteses, naive para acreditar nisso. É certo que, presentemente, o fator externo tem uma influência jamais vista na história da humanidade, pelo que seria burrice ignorá-lo. Mas os acontecimentos recentes confirmam que os elementos internos continuam determinantes para que os diferentes países se modernizem de facto, não se limitando a ser uma espécie de cópias baratas, para não dizer caricaturas, daqueles que se modernizaram há mais tempo ou, pior ainda, sejam forçados a aceitar novas submissões.

Assim, por um lado, uma análise um pouco menos impressionista, apressada e superficial permite descobrir a hipocrisia que muitas vezes se esconde nas boas intenções, nas críticas e nas pressões daqueles que, de fora, em especial no chamado Ocidente, acham que têm a fórmula mágica para impor a democracia e tornar menos «corruptos» os africanos. Na realidade, a corrupção continua a ser frequente em tais países, enquanto a democracia é posta em causa todos os dias, como demonstram, só para dar um exemplo atual, os planos de vários países democráticos desenvolvidos para controlar a internet.

Por outro lado, as mudanças que ocorrem em África e em outras partes do mundo não-ocidental, originadas ou influenciadas externamente, nem sempre significam uma efetiva modernização política, social e cultural. Em alguns aspetos, acarretam mesmo um retrocesso. Como todos já parecem ter esquecido que o regime monopartidário, mas cultural e socialmente aberto, do xá do Irão foi substituído por uma ditadura islamista «pura e dura», a atual evolução da dita «primavera árabe» aí está para atestar a minha afirmação.

Tudo isso torna irrefutável que cada sociedade tem de encontrar o seu próprio caminho para se transformar e modernizar, política, económica, social e culturalmente.

Leia na íntegra a crónica do escritor angolano, na edição de fevereiro da revista África21.