Mostrar mensagens com a etiqueta 1º dezembro no brasil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1º dezembro no brasil. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Novelas brasileiras passam imagem de país branco


BIENAL DE BRASÍLIA

Novelas brasileiras passam imagem de país branco, critica escritora moçambicana

Alex Rodrigues, Agência Brasil
 
Brasília - "Temos medo do Brasil." Foi com um desabafo inesperado que a romancista moçambicana Paulina Chiziane chamou a atenção do público do seminário A Literatura Africana Contemporânea, que integra a programação da 1ª Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília (DF). Ela se referia aos efeitos da presença, em Moçambique, de igrejas e templos brasileiros e de produtos culturais como as telenovelas que transmitem, na opinião dela, uma falsa imagem do país.

"Para nós, moçambicanos, a imagem do Brasil é a de um país branco ou, no máximo, mestiço. O único negro brasileiro bem-sucedido que reconhecemos como tal é o Pelé. Nas telenovelas, que são as responsáveis por definir a imagem que temos do Brasil, só vemos negros como carregadores ou como empregados domésticos. No topo [da representação social] estão os brancos. Esta é a imagem que o Brasil está vendendo ao mundo", criticou a autora, destacando que essas representações contribuem para perpetuar as desigualdades raciais e sociais existentes em seu país.

"De tanto ver nas novelas o branco mandando e o negro varrendo e carregando, o moçambicano passa a ver tal situação como aparentemente normal", sustenta Paulina, apontando para a mesma organização social em seu país. 

A presença de igrejas brasileiras em território moçambicano também tem impactos negativos na cultura do país, na avaliação da escritora. "Quando uma ou várias igrejas chegam e nos dizem que nossa maneira de crer não é correta, que a melhor crença é a que elas trazem, isso significa destruir uma identidade cultural. Não há o respeito às crenças locais. Na cultura africana, um curandeiro é não apenas o médico tradicional, mas também o detentor de parte da história e da cultura popular", detacou Paulina, criticando os governos dos dois países que permitem a intervenção dessas instituições.

Primeira mulher a publicar um livro em Moçambique, Paulina procura fugir de estereótipos em sua obra, principalmente, os que limitam a mulher ao papel de dependente, incapaz de pensar por si só, condicionada a apenas servir.

"Gosto muito dos poetas de meu país, mas nunca encontrei na literatura que os homens escrevem o perfil de uma mulher inteira. É sempre a boca, as pernas, um único aspecto. Nunca a sabedoria infinita que provém das mulheres", disse Paulina, lembrando que, até a colonização europeia, cabia às mulheres desempenhar a função narrativa e de transmitir o conhecimento. 

"Antes do colonialismo, a arte e a literatura eram femininas. Cabia às mulheres contar as histórias e, assim, socializar as crianças. Com o sistema colonial e o emprego do sistema de educação imperial, os homens passam a aprender a escrever e a contar as histórias. Por isso mesmo, ainda hoje, em Moçambique, há poucas mulheres escritoras", disse Paulina.

"Mesmo independentes [a partir de 1975], passamos a escrever a partir da educação europeia que havíamos recebido, levando os estereótipos e preconceitos que nos foram transmitidos. A sabedoria africana propriamente dita, a que é conhecida pelas mulheres, continua excluída. Isso para não dizer que mais da metade da população moçambicana não fala português e poucos são os autores que escrevem em outras línguas moçambicanas", disse Paulina.

Durante a bienal, foi relançado o livro Niketche, uma história de poligamia, de autoria da escritora moçambicana. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1º dezembro no brasil

de diálogos lusófonos



1 de dezembro de 1640  no Brasil é uma data muito celebrada pelas comunidades portuguesas....Porque será?
Julgo que tem fundamento na própria participação do Brasil na luta pela Restauração da Independência de Portugal.


No Brasil existem várias Associações fundadas pelas comunidades de origem portuguesa com o nome 1 de dezembro.

Esta no Paraná, Curitiba

logo

A Sociedade Portuguesa Beneficente 1º de Dezembro, fundada em 10 de Novembro de 1878, por portugueses, com sede e foro na cidade de Curitiba, Estado do Paraná, agora denominada Sociedade Portuguesa 1º de Dezembro, é uma sociedade civil, com personalidade jurídica, sem objetivo de lucro e com duração ilimitada..


Em Uberaba também existe a

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA 1º DE DEZEMBRO 
Morada: PRAÇA COMENDADOR QUINTINO

Mantenedora do Hospital da Beneficência Portuguesa.
O artigo de Maria das Graças que podem ler a seguir conta-nos a história da entidade:
100 anos servindo Uberaba
 
Irmãos pelo sangue, unidos pelas mesmas tradições históricas, pelas mesmas lutas e mesmos propósitos, os portugueses decidiram criar a Associação Portuguesa de Beneficência 1º de Dezembro. Assim, foi fundada no dia 1º de dezembro de 1907 a associação, na residência de Antônio Sebastião da Costa, na praça Comendador Quintino, 23, onde hoje funciona o Hospital Beneficência Portuguesa.
A associação, que hoje completa 100 anos de fundação, é a mantenedora do hospital, que hoje também abriga a Maternidade do Povo. Os propósitos dos fundadores continuam os mesmos, cem anos depois: entidade filantrópica e sem fins lucrativos, e que atende a pessoas carentes de Uberaba, conta com 49 leitos, 25 médicos e presta atendimento ambulatorial em obstetrícia a cerca de 500 pessoas por mês, faz entre 120 e 130 partos normais e cerca de 60 cesarianas por mês, além de cerca de 200 internações clínicas/mês e 690 atendimentos/mês, em média.
O hospital Beneficência Portuguesa tem o reconhecimento do governo como entidade de utilidade pública em nível federal, estadual e municipal. "Seu atendimento básico, 90%, acha-se vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e o restante é de atendimento a convênios, como a Unimed, 4º Batalhão da Polícia Militar, Uniube e HSBC, além de atendimento particular", afirma o presidente do hospital, Nelson Santos Anjo.
"Os portugueses aportaram no Brasil e vieram para Uberaba. Acharam aqui o ponto de apoio; e para retribuir o tratamento recebido da população tiveram a idéia de criar uma associação de assistência e filantropia. Por muito tempo eles faziam consultas médicas gratuitas e, com o correr dos tempos, acharam que poderiam fazer mais por Uberaba e idealizaram a construção do hospital. Os sócios da Associação Portuguesa de Beneficência 1º de Dezembro sentiram o apoio dos uberabenses e de pessoas de outras origens, como italianos, sírio-libaneses, que somaram com a associação", resume Santos Anjo.
A associação foi criada por 115 sócios-fundadores, "uma entidade de alto grau de prosperidade, para assim ver realizados todos os ideais e mostrar, mais uma vez, nesta hospitaleira terra, o valor e heroísmo desta raça, a quem temos orgulho de pertencer", registram diversas atas da época.

Hospital - Na reunião realizada no dia 15 de março de 1914, segundo consta em ata, foi ventilada pela primeira vez a hipótese de se construir um hospital. A associação havia recebido doação de alguns imóveis "em ruínas" e foi feita a proposta de edificar três prédios, "para alugar a famílias que faziam tratamento". A proposta foi rebatida pelos consócios Júlio Pinto e Simplício Mamede Barreira, que deram a idéia de se construir um hospital. Foi formada na época uma comissão para fazer vistoria nos imóveis e uma reforma, já que "para manter um hospital era preciso renda fixa relativa aos movimentos do nosso hospital e essa renda só se conseguiria com aluguéis e dinheiro a juros etc."
Depois disto foram feitas reformas, novos terrenos foram doados à associação e na reunião de 30 de abril de 1939, após fazer balanço financeiro e mostrar a relação dos inúmeros imóveis ganhos, o presidente em exercício Justino dos Santos Anjo lembrou que "o assunto máximo das nossas cogitações é a fundação de um hospital".
Em 1943 assume a presidência da associação David Carvalho, com a "tarefa pesada" de construir o hospital. Em 1945 o presidente David Carvalho iniciou a construção da "obra grandiosa" do Hospital Beneficência Portuguesa, que foi inaugurado no dia 28 de dezembro de 1947 pela diretoria da Associação Portuguesa de Beneficência 1º de Dezembro, composta por David Carvalho (presidente), Alberto Lopes Manita (vice-presidente), José Maciotti (1º secretário), Bruno Martinelli (2º secretário), João Fernandes Corrêa (tesoureiro), Joaquim Martins (procurador), Silvano da Veiga (beneficente) e pelo Conselho Fiscal: Antônio Santos Anjo, Primo Ribeiro e Justino Santos Anjo. Suplentes: Alfredo Freire, João Gabarra, Gabriel Alves. Comissão Fiscal: José Sebastião da Costa, João Laterza, Antônio Dal Sacchi. Construtor, Conrado Del Papa, tesoureiro da obra, Antônio Sebastião da Costa e consultor jurídico, Jaime Santos Anjo.

Planos - Segundo Nelson Santos Anjo, o hospital tem sobrevivido graças aos planos de saúde, já que a tabela do SUS tem preço desatualizado, onerando os hospitais com ele conveniados, como a Beneficência. "Passamos por dificuldades porque temos de repor esta defasagem, principalmente em relação ao valor dos medicamentos. Mesmo assim o hospital corresponde aos anseios da comunidade. Por ser uma entidade filantrópica, o hospital pertence à comunidade uberabense, por isso pedimos que quem usou nossos serviços, para dar uma contribuição, em reconhecimento ao trabalho. Mesmo aqueles que nunca precisaram e puderem ajudar, estamos precisando do apoio da comunidade para concluir o que foi idealizado pelos portugueses em 1907", diz.
A associação está trabalhando para formar um grupo de voluntários, como a de outros hospitais na cidade. "Se alguém quiser ajudar basta procurar a recepção do hospital, dar o nome e endereço, que entraremos em contato. Vamos fazer uma reunião em janeiro para formatar o grupo. Será um grupo de voluntários voltado para a maternidade e a mulher e sermos referência em hospital da mulher. Vamos fazer uma integração com a sociedade, realizar palestras, reunião com associação de bairros, montar histórico das pacientes. Atualmente, as mulheres estão perdidas e não sabem onde ir. Vamos ter um banco de dados para saber as reais necessidades das mulheres. O ano de 2008 será o ano de virada da Beneficência. São 100 anos virando gente grande", afirma a administradora do hospital, Raquel dos Santos Anjo Rodrigues da Cunha.
O hospital também está construindo uma ala nova e quer reformar o prédio antigo, para atender às normas da Vigilância Sanitária. "Atualmente, são 49 leitos e vamos passar para 70, sendo seis para UTI adulto, que não tem. Atendemos maternidade e clínica médica de média complexidade e o PS é para gestante. A previsão é que em dois anos a reforma e ampliação esteja pronta. Na ala nova ficarão os consultórios médicos, lavanderia, cozinha subdividida e a parte de hotelaria [quartos para os pacientes]. Ganhamos um gerador, que chegou na quinta-feira, e os engenheiros estão instalando nas salas de preparo e cirurgia. Estamos pleiteando uma UTI neonatal intermediária e já enviamos projeto para o secretário de Saúde, Marcus Pestana. Vamos continuar zelando pela saúde da população e modernizar para prestar qualidade melhor na Beneficência Portuguesa - Maternidade do Povo", observa a administradora.
Hoje, às 16h, será celebrada missa em ação de graças aos cem anos da associação, na Paróquia de São Domingos. Todos estão convidados a participar da cerimônia religiosa.
 
Maria das Graças Salvador
http://198.106.42.1/?MENU=CadernoA&SUBMENU=Cidade&CODIGO=18476



__._,_.___