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domingo, 13 de maio de 2012

o nós contra o mercado por arturo de nieves


O Nós contra o Mercado

ARTURO DE NIEVES 12 DE MAIO DE 2012 2

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Nestes dias circula pola Rede e pola sociedade galega em conjunto o formosoManifesto Língua Solidária e lembra-me o Bourdieu e lembra-me o Habermas. O primeiro escrevia, na década de 90, uma série de textos sob o nome Contre-Feux, a denunciarem a barbárie neo-liberal, ultra-liberal já daquela, e que hoje tornou as democracias em ditaduras eufemísticamente chamadas “tecnocracias” e os cidadãos em súbditos do dono do mundo, que é o mercado, que é o dinheiro, que é o Capital. O dono do mundo e o dono dos parlamentos e dos governos. Lembra-me também o conjunto de textos editados por Laiovento há já anos, sob o nome ATTAC: Contra a ditadura dos mercados, onde inteletuais comprometidos do ATTAC denunciavam o que só podia acabar como acabou.
Com efeito, a lei do mercado é sempre barbárie, a lei do mais forte ou… nem sequer. A lei do mais trampulhão, de quem controla o mercado por ter dinheiro e, como tem dinheiro, controla o mercado. E penso que é velho este artigo, tão velho que podia estar escrito em 1931 ou 32, um ano antes de que acontecera o que aconteceu… e hoje vemos como na França, que há poucos anos teve capital em Vichy, dá um 17,9% de apoio eleitoral a quem lho dá. Ninguém se estranhe, é a lógica das cousas: a barbárie, que nos torna bárbaros. A barbárie e a violência exercida contra os corpos e as almas, que nos torna imbecis e duros e escuros. Que nos torna bárbaros, gente que fala como os cães, que daí vem a palavra.
Por isso o Manifesto Língua Solidária é maravilhoso, porque é um chamamento a falarmos como seres humanos solidários, que procuram o entendimento e a melhora conjunta de todos e de todas…. E sim, por aqui chega o velho Habermas, que disto sabe um mundo e há bem tempo que no-lo contou. Porque sabe que aí está o único futuro possível. Sabe que o todos contra todos é uma derrota conjunta da humanidade como tal e sabe que a esperança está na língua, na comunicação, na capacidade do entendimento, da compreensão solidária e mútua. E isso é o que nos está a dizer o formosoManifesto Língua Solidária. Somos Nós, em comum, quem temos a palavra civilizada, enquanto eles, fala-baratos de cento e uma línguas, cada um a sua segundo lhe convenha, a ladrarem… Bárbaros que são.
ARTURO DE NIEVES

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A banca no poder, ou o poder da banca.



Golpe de Estado:  tomada inesperada do poder governamental pela força e sem a participação do povo. (Dicionário Houaiss)
 
A banca no poder, ou o poder da banca.
As substituições de Georges Papandreou por Lucas Papademos e de Berlusconi por Mario Monti foram na realidade dois golpes de estado de um um novo género, sem tiros, sem sangue, orquestrados pelos mercados financeiros.
O método é simples: criar uma enorme pressão sobre as taxas de juros das dívidas dos países visados, o que desencadeia uma enorme instabilidade política e por fim, apresentar um tecnocrata para tomar conta dos destinos do país.
Estes golpes de estado não são perpetrados por um grupo político ou pelas forças armadas. As mudanças de chefias políticas são apresentadas como uma necessidade em consequência da engrenagem da desconfiança dos mercados sobre a capacidade de certos países em pagar as dívidas.
Ultrapassando as instâncias democráticas dos respectivos países, são então instalados no poder pessoas ligadas aos grandes grupos financeiros mundiais. Mario Monti está ligado ao Goldman Sachs, assim como Mario Draghi recentemente eleito presidente do Banco Central Europeu. Lucas Papademos foi governador do Banco da Grécia durante a falsificação da dívida grega pelo Golman Sachs. Todos são membros da Comissão Trilateral ou do clube de Bilderberg.
 Actualmente, os lugares-chave do poder na Europa estão nas mãos do Goldman Sachs. Como chegaram a esses cargos? Com que meios e com que fim? Salvar os Estados Unidos à custa dos europeus?
Portugal?
Em Portugal, daqui por umas semanas ou meses, pode muito bem vir a acontecer o mesmo. Perante a fraca liderança de Passos Coelho e a fraca alternativa política de António José Seguro, e com o crescente agravamento da crise financeira portuguesa, pode vir a ser imposto a Portugal um homem de confiança da banca.
Esse homem poderá ser António Borges. Tem todos os requisitos: para além de ter sido vice-governador do Banco de Portugal, é actualmente director do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional e sobretudo foi vice-presidente do Conselho de Administração do Banco Goldman Sachs International em Londres, entre 2000 e 2008.
António Borges é membro do clube de Bilderberg, tendo participado nas reuniões de 1997 e de 2002. Também é membro da Comissão Trilateral.
Curiosamente, ou não, ocorreu recentemente, de 11 a 13 de novembro, a reunião anual da Trilateral para Zona Europeia, em Haia na Holanda.
 Este texto foi extraído de um o artigo publicado em 15 de Novembro.
Em 16 de Novembro, foi laconicamente noticiada a demissão de António Borges, "por razões pessoais", do cargo que ocupava no FMI para as questões europeias. Foi de imediato substituído no cargo por uma iraniana, por certo não recrutada à pressa...