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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

CAMÕES E ROSALIA

Poema a Luís de Camões | Rosalia de Castro











Desde as fartas ribeiras do Mondego,

desde a Fonte das Lágrimas,
que na bela Coimbra,

as rosas de cem folhas embalsamam,
do Minho atravessando as águas mansas
em misteriosas asas,

de Inês de Castro, a dona mais garrida,

e a mais doce e mais triste enamorada,

do grão Camões que imortal a fez

cantando as suas desgraças,

de quando em quando a acarinhar-nos vêm

eu não sei que saudades e lembranças.

Lá deu seu fruto a planta abençoada
com sem igual pujança.
Daqui o germen saiu, sabe-o Lantanho

e a sua torre dos tempos afrontada.
Talvez por isso - ó desditosos - sempre
convosco foi o germen da desgraça:

Tu, pobre dona Inês, mártir do amor
e tu Camões da inveja empeçonhada.

Pesam dos génios na existência dura

Tanto a fama e as glórias quanto as lágrimas.


A que cantaste em peregrinos versos,
morreu baixo o poder de mãos tiranas.

Tu acabaste olvidado e na miséria
e hoje es glória da altiva Lusitânia,

ó poeta imortal, em cujas veias

nobre sangue galego fermentava!


Esta lembrança doce,

envolta numa lágrima,

manda-te desde a terra

onde os teus foram nados
uma alma dos teus versos namorada


CASTRO, Rosalia de. - Antologia Poética. Colecção Poesia e Verdade, 1885, Guimarães Editores, pág 11-12

sexta-feira, 8 de junho de 2012

homenagem a camões

Mega homenagem a Camões na Capital da Cultura

Mega homenagem a Camões na Capital da Cultura

Uma encenação épica d'Os Lusíadas e um colóquio internacional vão refletir sobre a extraordinária modernidade do poeta português

08-06-2012
A tarefa era árdua, quase impossível colocar em cena o poema épico Os Lusíadas. Mas o Teatro Meridional não se esquivou e o resultado pode ser visto sábado no Centro Cultural de Guimarães: um espetáculo único com a duração de 10 horas, encenado por António Fonseca e com a participação da comunidade vimaranense.
"Uma maratona de falação do épico poema português. Os 10 Cantos dados a ver, ouvir e sonhar de hora a hora", explica fonte do Meridional.
Na segunda-feira seguinte abrem-se as portas do colóquio internacional "Sob o Signo de Camões: Crise e Superação". Este evento que se estende até dia 12 vai contar com a participação, entre outros de Helder Macedo, do Kings College, em Londres, um dos mais influentes pensadores sobre a obra camoniana. Ler o artigo completo (DN)

sábado, 28 de janeiro de 2012

HUMOR: CAMÕES GLOSADO







I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!


Luiz Vaz Sem Tostões