Mostrar mensagens com a etiqueta Crise capitalista é uma crise civilizatória. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crise capitalista é uma crise civilizatória. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de março de 2012

não abusem


Por favor, Não Abusem!

Sou um homem de Paz, nunca fiz a tropa, bati-me contra a Guerra Colonial e as Guerras civis Angolanas e dei tudo de mim para  que em Angola a Paz se mantivesse, depois dos Acordos de Bicesse.

Mas nunca esqueci os versículos da Bíblia onde se relata que Jesus Cristo entrou no Templo e o destruiu, porque o mesmo estava a ser profanado por falsos religiosos e falsos profetas que nele e à custa dele comerciavam!

Há pois, sempre, um limite e por isso tratemos aqui da economia com os Valores milenares da Bíblia, um dos Livros Sagrados que enformou o Pensamento de economistas como Adma Smith, Ricardo e até, gostem ou não, Karl Marx.

Deus não penaliza os ricos, e a Bíblia diz somente que é mais difícil um rico entrar no reino dos Céus que um camelo passar um buraco da agulha, não diz que é impossível aos ricos chegarem ao reino dos Céus.

Porquê?

Porque o erro está na avareza, no fazer do dinheiro um “deus”, no desprezo pelo Outro, no fechar os olhos à infelicidade do Outro, à Dor do Outro.

Amar os Outros como a Nós Mesmos, eis o segundo Mandamento do revolucionário que foi, que é ainda, Jesus Cristo.

Esta, acreditem,  é a base da economia de mercado, da livre concorrência, do findar dos jugos feudais, das servidões.

Periodicamente, tudo corre mal porque, como diz a Bíblia,  tudo te é possível, nem tudo te é aconselhável, isto é a liberdade, o direito de opção está em nós!

E, periodicamente, lá somos dominados por loucos, como Hitler, Mussolini, Salazar, Franco, ou Pinochet, ou por Estaline, Lin Piao, (ou Mao e Lin Piao..?), ou Kim  Il Sung,  etc, que odiando o ser Humano o espezinham por todas as formas, ou somos alertados desse perigo com ataques suicidas de fanáticos, como os recentes que assassinaram Judeus e Magrebinos em França, ou os fanáticos bombas-humanos de 11 de Setembro e por aí fora.

E em todas essas circunstancias a economia sofre, a livre concorrência esvai-se, a Solidariedade deixa se ser considerado um Valor, porque se deixa de amar o Outro como as Nós mesmos, o monopolismo, de Estado ou privado domina em nome da imposição de Servidões antigas que Deus, conforme os Livros Sagrados, abomina.

Mas quando acontecem estes momentos de loucura humana, tendencialmente e cada vez mais, todos, ricos e pobres, acabam por pagar e por sofrer e muito!

A economia vive cada vez mais das Pessoas em geral, pelo que elas Consomem, e pelo que elas Produzem, e, assim, quando uma parte crescente das Pessoas deixa de Consumir, uma parte importante dos ricos deixam de o ser, gostem ou não!

É o Templo da avareza e da servidão a ser derrubado, pela própria avareza e pela própria servidão!

Por isso, por favor, Tenham Juízo, parem de abusar!

O que vi hoje nos media escandalizou-me.

Corte brutal na contratação coletiva defende  a OCDE?

Porque Portugal tem uma cobertura dos contratos colectivos de trabalho de 59,2% e a Alemanha de 48,1%?

11,1% de diferença não é nada na comparação salarial entre Portugal e a Alemanha, quando neste segundo país o salário médio é superior a 2500 euros, 260% mais que o português, (4 000 segundo outras fontes,…470% acima do português…), o que torna ridículas comparações “estatísticas” deste calibre, diria mesmo pecaminosamente escandalosas!

Chama-se a dita “técnica da OCDE” que surgiu a defender esta causa, também ao que dizem da troika, Orsetta Causa para que fique em nós o seu nome abominável!

Nos primeiros tempos da 1ª Revolução industrial houve também quem tenha defendido horrores deste calibre, por forma a que a servidão feudal passasse das mãos dos senhores feudais para os “ditos capitalistas”, boa parte deles, destes que defendiam as novas servidões, ou eram descendentes de famílias feudais ou eram puros piratas se valores além do “endeusamento” do dinheiro.

Foi perante os movimentos, de revolta uns revolucionários outros, que a sociedade dos poderosos entendeu que havia que ter juízo, que havia que não abusar, que havia que redistribuir a riqueza adequadamente.

E, por isso, morreram 70 milhões de Pessoas na II Grande Guerra.

Para não falar nos suicídios de capitalistas durante a Grande Depressão, nos milhões que morreram à fome em cada uma das crises engendradas por loucos.

Nesse percurso, os sindicatos, dos revolucionários aos cristãos, conseguiram, com Luta, com Dôr e Sacrifício, gerar a Contratação Coletiva de Trabalho, e gerar modelos de Contratação Coletiva de Trabalho que se estendiam para além dos trabalhadores associados nos sindicatos!

E progressivamente a comunidade humana evoluiu para a Participação dos Trabalhadores na economia, para a Responsabilidade Social das organizações para com as comunidade envolventes.

Alguém perdeu com tal?

Talvez.

Em aviões privados com sanitas de ouro, ( não existem? Podem crer que existem, já me foram mostrados em filme publicitário para o então ditador angolano…), e “luxos” equivalentes.

Que trazem zero de beneficio a quem os tem, além da demonstração de riqueza avara e inútil!

De repente renasce o mal na economia na mão dos neo liberais que na verdade entendem que a economia existe para servir os ricos por via da servidão de todos os outros!

E, nesse contexto ressurgem teses como esta – que haja um corte brutal na contratação coletiva de trabalho nos países já de si ricos, os da OCDE!

Ridícula e pecaminosa solução pois na verdade o que se defende, tão somente,  é que sejam menos os ricos e os seus servos com potencial para viver bem e que estes servos estejam mais distribuídos pelo planeta e não somente concentrados na Europa e nos atuais “países desenvolvidos”!

Porque o problema está na verdade mal colocado – o problema está na não sustentabilidade de uma economia de mercado onde as Pessoas aufiram uma malga de arroz, como acontece na RP da China, no Vietname, em Cuba, em Angola, no Sudão, na India  etc., e acontecia e tende a deixar de acontecer no Brasil, no México, na Venezuela, etc.

O que acontece é que precisamente porque como não houve anos a fio liberdade sindical e o direito à contratação coletiva, ( enão há ainda na maioria dos países acima citados), ou como só recentemente esses direitos começaram a ter direito de cidadania, é que esta sociedade nesta IV Globalização partiu mal, com disfuncionalidades graves.

E, a solução não está em entrar por Portugal a dentro, onde o SMN está nos 485 euros e o salário médio nos 700 euros e dizer, acaba-se com a Contratação Coletiva de Trabalho!

Tal só reduzirá o mercado interno, levará mais e mais empresas à falência, e nada dará no setor exportador porque as exportações portuguesas não conseguem concorrer com as exportações à malga de arroz da RP da China!

A solução está sim em apoiar o direito à livre sindicalização na RPChina e países equivalentes e claro no direito à Contratação Coletiva de Trabalho para que haja uma adequada distribuição da riqueza e, desta forma, mais Consumidores, mais mercado, mais economia de mercado e mais livre concorrência!

Não Abusem, porque o que vos cair em cima pelo Abuso, vai-vos doer muito!




Joffre Justino


E-mail :  jjustino@epar.pt


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Crise capitalista é uma crise civilizatória


Crise capitalista é uma crise civilizatória, defendem educadores no FST

Público lotou sala da Reitoria da UFRGS | Foto: André Carvalho/Sul21
Vivian Virissimo
“Um outro mundo é possível. Não estamos satisfeitos. Queremos um outro mundo com mais justiça social e ambiental”, resumiu nesta terça-feira (24) o conferencista Sérgio Haddad para uma platéia que lotava uma das salas da Reitoria da UFRGS, durante o Fórum Mundial de Educação, evento do Fórum Social Temático (FST).
“Essa crise mostra o fim do ciclo do capitalismo e do neoliberalismo que está levando a um retrocesso do processo civilizatório. Não é só uma crise econômica, é também social. Esse é um modelo que não conseguiu dar qualidade de vida para o povo”, falou o educador.
Com o tema Crise Capitalista: Causas, impactos e conseqüências para o mundo da educação, três conferencistas abriram o Fórum Mundial de Educação: o brasileiro Sergio Haddad, um dos coordenadores da Ação Educativa, a peruana Nélida Céspedes, do Conselho de Educação de Adultos da América Latina (CEAAL) e Aminata Diallo Bolu de Burkina Faso da International College of Advanced Education (ICAE).
O objetivo da conferência é fazer uma análise da conjuntura mundial de crise e do papel do mundo da educação para incentivar novos modelos de desenvolvimento. “A intenção é fazer uma reflexão do papel dos educadores frente à crise que se está desenvolvendo e os limites desse modelo que tem se mostrado insuficiente para resolver problemas sociais e ambientais”, explicou Haddad.
“O dilema é como sair dessa crise. Temos que achar luz onde está escuro", diz educador Sérgio Haddad | Foto: André Carvalho / Sul21
O contexto de análise são os recorrentes protestos anti-sistêmicos que vem ocorrendo com o movimento dos Indignados na Espanha, com os levantes da Primavera Árabe, com os acampamentos do Ocuppy Wall Street e com o movimento de estudantes no Chile. Segundo ele, esses movimentos demonstram que o modelo vigente se mostra insuficiente para a maioria dos povos, além de ser insustentável ambientalmente.
“Diversos movimentos brotaram e tratam de temas diretamente vinculados à crise. Os indignados criticam as altas taxas de desemprego e a forma com que a crise está sendo conduzida, a Primavera Árabe pede democracia e outras formas de governança, o Occupy critica a concentração de renda e os estudantes no Chile que fazem uma defesa da escola pública gratuita e de qualidade”.
Na avaliação de Haddad, todas essas convergências de movimentos internacionais não encontram eco nos movimentos populares brasileiros já que os reflexos da crise ainda não chegaram ao Brasil. “Nós educadores, que sabemos da gravidade da situação, sabemos que essa crise em algum momento vai chegar ao Brasil e temos que pensar como minimizar os impactos em relação a isso”, falou o educador.
“O dilema é como sair dessa crise. Temos que achar luz onde está escuro. Sabemos as causas, mas temos dificuldades de prever as alternativas. Esse receituário de cortar gastos, reduzir direitos não nos serve, é esticar o problema pra frente, empurrar com a barriga”, criticou Haddad.
“Uma pedagogia que combina com indignação”
Nélida Cespedes (d) e Aminata Diallo Boly participaram dos debates no Fórum Mundial de Educação | Foto: André Carvalho/Sul21
A educadora popular peruana, Nélida Céspedes, do Conselho de Educação de Adultos da América Latina (CEAAL) também destacou as lutas em nível local, regional e nacional que estão se desenvolvendo contra o sistema capitalista. “O mais perverso do sistema é que ele converte os cidadãos unicamente em consumidores. Isso deve ser combatido. Queremos lutar por uma nova humanidade, que se relacione melhor com os outros e com a natureza”, destacou.
Para colocar em prática uma democracia radical, Nélida acrescentou que o conjunto das lutas devem enfrentar a corrupção, o autoritarismo e violência de todos os tipos. “Nestes momentos de construção de um sistema democrático multicultural, precisamos de uma democracia radical que enfrente esta democracia formal. Estamos diante de uma crise de grande complexidade e ante uma crise de proporção civilizatória”.
Para uma plateia formada por educadores, Nélida também falou na necessidade de romper com esse sistema para construir novas alternativas. “Na realidade esse sistema se baseia numa irracionalidade, uma cultura patriarcal da supremacia do homem sobre a mulher, uma cultura monocultural que não assumiu a diversidade como um valor”.
Nélida reconhece que são muitas as perguntas e que as respostas ainda estão sendo construídas. “Temos que continuar aprofundando as perguntas, por exemplo, que paradigmas sustentam uma outra forma de educação? Os educadores estão construindo em nível local e nacional essas articulações necessárias para a justiça social?”, questionou Nélida, respondendo em seguida: “Parece-me que não, são ações muito parciais e fragmentadas. Os educadores estão trabalhando sem parar e desligados das lutas políticas”, criticou a peruana.
Debates no Fórum Mundial de Educação vão até a quinta-feira | Foto: André Carvalho/Sul21
“É um momento de afirmação, estamos convencidos que todas as partes do planeta estão construindo pensamentos alternativos, com uma educação libertadora e popular. Não podemos suportar que existam grandes supressões de direitos. Não há mudança sem um contexto político de grande participação, uma pedagogia que combina com indignação, rompendo com esta educação eurocêntrica”, finalizou a peruana.
“Vivemos um novo momento na resistência global contra o capitalismo”
A educadora Aminata Diallo Boly ressaltou que se vive um período de lutas de longo prazo e que a educação tem papel central nesta nova conjuntura. “Vivemos num mundo feroz. A elite capitalista que está na linha de frente é incapaz de reagir às questões sociais que surgiram ao mesmo tempo e com graves consequências no norte, sul, leste e oeste”, falou Aminata que é de Burkina Fasso.
Ela analisa que a crise econômica provocou a quebra de vários contratos sociais com diferentes públicos, inclusive sindicatos e educadores. “Esses contratos sociais foram fragmentados e tudo isso é resultado da busca de acúmulo financeiro por uma elite financeira, capitalistas que deixaram para trás quaisquer valores para o bem estar da população”.
Para romper com esse paradigma, Aminata destacou como fundamentais as lutas das mulheres feministas que questionam a relação patriarcal, além dos movimentos dos povos indígenas que estão na frente da luta em defesa dos recursos naturais. “Temos que aprender com a história. Os capitalistas não têm compromisso com princípios, apenas com a produção mais rápida, maior lucro, no menor tempo possível”, lembrou a educadora.
“Vivemos um novo momento na resistência global contra o capitalismo. Os educadores tem que corporificar o espírito dessa resistência para que avancem as lutas contra grandes países e ao lobby. Não vamos deixar o poder na mão do restante dos 99%.”