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terça-feira, 22 de maio de 2012

PORTUGUÊS ENSINADO COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA EM TIMOR

 Taur Matan Ruak quer que o português, língua oficial de Timor-Leste, passe a ser leccionado como língua estrangeira, para que "numa década o panorama linguístico seja, de facto, alterado".
Taur Matan Ruak já tinha afirmado em entrevista ao PÚBLICO que o português, como língua oficial, tinha sido uma opção política que veio para ficar. Ontem salientou-o de forma oficial, já como Presidente da República, perante Cavaco Silva e a comunidade portuguesa no seu país. E disse-o de forma absolutamente inequívoca. "Para que não restem dúvidas: fizemos uma opção política, estratégica e identitária. O português está para ficar", afirmou numa recepção que Cavaco Silva ofereceu à comunidade lusa em Timor, precisamente na escola Ruy Cinatti, a escola portuguesa de Díli.

O Presidente de Timor-Leste tinha, porém, "um reparo crítico", mas "com genuíno espírito construtivo", a fazer. "Nesta fase, e para que numa década o panorama linguístico esteja, de facto, alterado, o ensino do português deve assumir características de ensino de língua não materna, de língua estrangeira. Não pode nem deve ser administrado como língua-mãe." A frase, até porque dita pela primeira vez e não explicada, deu logo falatório em Díli, quer entre portugueses quer entre timorenses. Uns diziam que era um retrocesso, outros juravam que não.

Uma fonte próxima de Taur Matan Ruak, que pediu o anonimato por não trabalhar oficialmente com o chefe do Estado, explicou ao PÚBLICO que não existe nenhum retrocesso, lembrando a defesa que o Presidente sempre fez da língua portuguesa. "Apenas se deseja mudar a metodologia do ensino, para que as crianças continuem a aprender em português mas de acordo com a realidade local e não de acordo com a realidade de Portugal", afirmou.

Segundo a mesma fonte, não faz sentido as crianças aprenderem com livros que vieram de Portugal, que falam em quatro estações do ano e de cidades portuguesas. "Tem de se adaptar o ensino à realidade local para que as crianças o entendam", frisa. É certo que os pais, "quando colocam os seus filhos na escola portuguesa, já sabem que eles vão ser ensinados e avaliados na metodologia portuguesa", só que "a realidade em Timor é completamente diferente e o ensino do português só vai funcionar se for adaptado a essa realidade", acrescentou. Na escola portuguesa há mil alunos, em Timor existem 350 mil crianças e adolescentes.

Taur Matan Ruak já antes tinha feito uma revelação que deixou bem claro o seu apoio ao ensino do português: "Pessoalmente, esta escola [Ruy Cinatti] tem um significado especial para mim e para a Isabel, a minha mulher, pois os nossos filhos estudam aqui e é aqui que recebem uma parte significativa da formação que ditará o seu futuro." Acrescentou ainda que esse facto "revela claramente" que a posição que assume em relação à língua portuguesa, como língua oficial, está "constitucionalmente consagrada".

Poucos falam português

Desde 2000 que o ensino é dado em língua portuguesa e é ensinado por professores preparados por portugueses, mas, muitas vezes, com grandes debilidades. O PÚBLICO visitou mesmo escolas onde o português não é ensinado, ou o é de forma frágil, porque os professores não falam a língua. Por outro lado, o português quase só serve mesmo para escola, porque em muitas casas não se fala a língua de Camões. O Governo diz que cerca de 20% da população fala português, mas nem é preciso ir para o interior do país, basta passear por Díli, para perceber que é falado por muito pouca gente.

Cavaco Silva colocou o ensino do português como tema principal na sua agenda em Timor e como um dos pontos da cooperação que devem ser reforçados. Tem abordado o assunto desde que chegou, no sábado, e ontem voltou a fazê-lo no Parlamento timorense e perante Taur Matan Ruak e a comunidade portuguesa. "É fundamental vencer o desafio da formação em língua portuguesa, o que tem sido compreendido e abordado com convicção pelos nossos dois países e pela CPLP", afirmou na escola Ruy Cinatti, salientando que Portugal tem feito "os maiores esforços nessa matéria" em parceria com as autoridades timorenses.

"Portugal tem orgulho nos que aqui se encontram. Timor-Leste, enquanto país soberano, livre e independente, foi também um sonho português. Hoje, Portugal continua a contribuir para a consolidação do Estado de direito democrático e para o desenvolvimento social e cultural de Timor-Leste", afirmou ainda o Presidente português.As reportagens em Timor-Leste são financiadas no âmbito do projecto Público Mais.

Texto substituído às 10h30 de 22 de Maio

CAVACO E SILVA E NOVO ASO1990

Cavaco elogia Acordo Ortográfico mas confessa que em casa ainda escreve à moda antiga O Presidente da República, Cavaco Silva, salientou hoje a sua participação na ratificação do Acordo Ortográfico em Portugal, mas confessou que em casa ainda escreve como aprendeu na escola. Cavaco Silva com Xanana Gusmão em Timor Imagem: António Dasiparu Durante a inauguração da Feira do Livro de Díli, Cavaco Silva visitou as várias bancas e, numa delas, destacou os livros já adaptados ao novo Acordo Ortográfico (AO). Questionado se já se adaptou à nova grafia, o Presidente da República lembrou que o AO já foi ratificado pela Assembleia da República e entrou em vigor para os serviços públicos em 2012. "Todos os meus discursos saem com o acordo ortográfico mas eu quando estou a escrever em casa tenho alguma dificuldade e mantenho aquilo que aprendi na escola. Mas isso é algo privado em casa, coisa diferente é a divulgação oficial de todos os documentos da Presidência", sublinhou, salientando que não só concorda com este Acordo como participou ativamente na sua ratificação. "Quando fui ao Brasil em 2008, face à pressão que então se fazia sentir no Brasil, o Governo português disse-me que podia e devia anunciar a ratificação do acordo, o que fiz", lembrou, remetendo a questão de se Timor-Leste deve adotar este acordo para as autoridades timorenses. Na visita à Feira do Livro de Díli, um dos últimos pontos da sua agenda em Timor-Leste, Cavaco Silva esteve acompanhado do Presidente da República Democrática de Timor-Leste, Taur Matan Ruak, e a meio do percurso juntaram-se também o primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão e o ex-Presidente timorense Ramos Horta. No seu discurso na cerimónia de inauguração da Feira, o presidente português sublinhou a importância de iniciativas como esta para a promoção da língua portuguesa. "Não ignoro a complexidade de que se reveste, para as autoridades timorenses, o problema da alfabetização (...) Estou certo de que Timor-Leste tudo fará para continuar, como até agora, a participar empenhadamente na tarefa, difícil mas grandiosa, que é a afirmação internacional do espaço da língua portuguesa", disse. Na Feira, foi lançado o primeiro Dicionário de Malaio/Indonésio-Português, de Geoffrey Hull, que Cavaco Silva irá agraciar com o grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique. O Presidente entregou ainda duas bibliotecas itinerantes às autoridades timorenses e lembrou a importância que teve em Portugal este tipo de iniciativas. "Isto em Portugal foi um sucesso, foi a Fundação Gulbenkian que lançou estas bibliotecas e que deu um contributo importante na divulgação da leitura principalmente nas freguesias mais distantes das cidades", disse. Na Feira do Livro de Díli, que já vai na V edição, os timorenses têm à disposição mais de 25.000 volumes, entre livros infantis, académicos e de ficção, coexistindo lado a lado autores da lusofonia como José Eduardo Agualusa, Pepetela e António Lobo Antunes, clássicos como Eça de Queirós ou Camões e campeões de vendas como Margarida Rebelo Pinto e José Rodrigues dos Santos. Agência Lusa Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Presidente da República visitará Timor-Leste,


quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012 | 13:43

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PR: Cavaco Silva anuncia visita a Timor-Leste este ano



O Presidente da República anunciou hoje que visitará este ano Timor-Leste,
onde participará nas comemorações dos 10 anos da independência, visita que
integrará num «périplo» por diversos países asiáticos.

Cavaco Silva anunciou esta visita a Timor-Leste durante uma intervenção
perante o corpo diplomático acreditado em Portugal, que hoje lhe apresentou
cumprimentos de Ano Novo no palácio de Queluz (Lisboa).

Em 2012, sublinhou, Portugal continuará a assinalar os «500 anos da chegada
dos Portugueses a diversos pontos do continente asiático, um acontecimento
histórico que deixou marcas indeléveis em Portugal e em muitos desses
países, seja na língua, no património ou nas tradições.»

Diário Digital / Lusa