Mostrar mensagens com a etiqueta SARAMAGO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta SARAMAGO. Mostrar todas as mensagens

domingo, 16 de setembro de 2012

NÃO HÁ RUA SARAMAGO NO PORTO

SABE PORQUÊ? NÃO HA RUA SARAMAGO NO PORTO,

CARTA ABIERTA A JOSE SARAMAGO

[CARTA ABIERTA A JOSÉ SARAMAGO] Muy señor mío Me perdonará Usted mi pobre castellano, pero desde anteayer me entero de la urgencia de praticarlo. Al "Diário de Notícias" de Lisboa predijo Usted esto: "acabaremos por integrar-nos" en España. Preguntado por el periodista Joao Ceu e Silva si nuestro país seria entonces "una província de Espanha"(le sigo citando en nuestro antiguo idioma), Usted contestó: "Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal". Claro, nos asegura, podremos conservar nuestra lengua, nuestras costumbres, y así mismo creo yo nuestro fado, pero (no lo dijo, uno entiende) nos gobernaria el jefe de estado madrileño del momento. Y aunque diga Usted que no es profeta, no hay que olvidar su proverbial modestia. En fin, para gente sencilla como yo, sus palabras son un caritativo aviso del destino. Pues, señor, no y no. Usted, el más famoso de mis compatriotas, se permite en público unos juegos muy guapos de futurología. Pero se los guarde para sus libros, los cuales están perdiendo el suspense de antaño. Créame, el real futuro de un Portugal integrado en España lo conocemos ya muy de cerca. Está visible en la Galicia de hoy, donde la lengua dominante, y los derechos dominantes, y los partidos dominantes, son los de Madrid. Esto no es futurología, si no lo qué uno ve.

Si quiere verlo. No creo que sea su caso, Don José. Me contaran que, hace poco, visitó Usted Galicia invitado por el Pen Club. Le rogaran que hiciera su discurso en Portugués. Todos podrían entenderle, sin problema, si hablara en nuestra hermosa variedad de gallego.

Usted - como otras veces ya en Galicia - recusó y habló en Español. Muchas gracias en realidad. Ahora sabemos cómo hablarán, en la Província española de Portugal, los futuros traidores. Amsterdam, 17 de Julio de 2007 Fernando Venâncio (Professor universitário e crítico de literatura

SANTO SARAMAGO

] Santo Saramago Naïf: uma visão galega

Quinta, 19 Julho 2007 (7:00)

Por Edelmiro Momán Um dos mais sedutores charmes dos grandes homens é o de serem um pouco crianças. Se calhar requisito imprescindível para conservarem acesa a chama da criatividade, se calhar resultado dum processo maturativo como aquele que descrevera o Nietzsche no seu Zaratustra: o homem deve ser primeiro camelo, logo leão e à fim, ai, criança. [+...] Não fica dúvida de que José Saramago pertence por méritos próprios à categoria dos grandes escritores e, tarefa existencial muito mais árdua e raramente levada a termo com sucesso na agitada banalidade dos tempos que nos tocou viver, também dos grandes homens. Também não fica duvida a respeito de ter ele completado com grande sucesso o ciclo existencial prescrito pelo pensador alemão. Sim, José Saramago é já, podemo-lo anunciar, criança. Bom, não me façam muito caso, também sou eu, sem possuir, claro está, as portentosas dotes criativas do génio português, um pouco criança. Gosto de brincar. Brincar, como brincava, ou não, aquela ministra de cultura espanhola quando, colhida com a guarda baixa por maliciosos jornalistas, declarava que a sua escritora portuguesa favorita não era outra que a incomensurável Sara Mago. Ai, Espanha, essa Espanha tão equívoca e travestida como o nosso escritor em mente de ministra. Essa Espanha de regoliz que seduz com a sua arteirice o magim ingel da nossa criança. Pois é. Quer a nossa criança que Portugal devenha Comunidade Autónoma espanhola. Não falamos nem mesmo daquela Confederação Ibérica com a que sonharam os nossos galeguistas. Não. Região. Espanhola. Talvez, talvez, com um parlamentinho de cartão-pedra como a nossa Junta/Xunta da/de Galiza/Galicia. Um guinholzinho para alegria e divertimento de crianças como nós. Joseíto de mi vida, eres niño como yo. E logo? Não havia ser engraçada a cousa? Uma cousinha pequena, nada mais para estarmos entretidos você e mais eu. Como havíamos gozar, como havíamos rir com os bonequinhos do nosso parlamentinho de guinhol. Mas, de facto, a profecia saramaguiana corresponde com exactidão matemática com os planos que a Espanha tem para a República Portuguesa. Sim, a acumulação de capital, planificada desde bem antes, dos oitenta e noventa está a servir agora para que as caravelas madrilenas se lancem na reconquista das antigas colónias e outros territórios, próximos e distantes. E Portugal, bom, nos delírios néo-imperiais da direita espanhola, Portugal foi sempre um erro. Uma aberração. Portugal, simplesmente, não tinha direito a existir. Portugal, quantas vezes levamos escutado esse mantra maçador do espanholismo, es el brazo que le arrancaron a España, e a Espanha, graças ao avances cirúrgicos das ultimas décadas, tem toda a intenção de se fazer reimplantar o seu braço. Já o está a fazer. A penetração, leva razão Saramago, do capital espanhol em Portugal semelha já imparável e, na estratégia espanhola, resulta fulcral o controlo dos meios de comunicação. Claro que, sendo assim, para o capital espanhol a opinião dos portugueses relativamente a este processo conta mais bem pouco. Por um lado, em coerência com marco interpretativo que vimos de descrever, Portugal é espanhol, foi sempre espanhol, polo que a Espanha não faz mais do que tomar o que é seu. Por outro lado, as opiniões, sabemo-lo bem, fabricam-se. Existe ainda um terceiro factor dentro do mais profundo pensamento cavernário da Meseta que contribui para restar importância ao sentir dum povo português que, como vimos de ver, para qualquer uns quase nem existe porque, na verdade, são humanos os portugueses? Alguns jornalistas espanhóis parecem por em questão a exacta natureza biológica do português. Assim, um jornal espanhol dando conta dum fatal acidente de tráfico, subintitulava: «Mueren dos personas y un portugués». Seres vivos, são, por quanto podem morrer. Não é brincadeira. Tristemente, essa Espanha existe. Pode não ser quantitativamente maioritária, mas qualitativamente é poderosa, dominadora. Também existem outras Espanhas, sem dúvida, as que foram quem de seduzir Saramago na sua idílica ilha. Porém, não esqueça o leitor português que a “transição” espanhola, que converteu Espanha numa anacrónica monarquia, não foi tal. Não esqueça que os franquistas, sim, aqueles que queriam conquistar Portugal pola força das armas, seguiram a dominar em grande medida a sociedade espanhola, seguiram a se enriquecer e que hoje seguem a ocupar postos de poder proeminentes a todos os níveis e a receber prebendas do Estado, governe quem governar. Dessa Espanha não fala Saramago, como não fala da intransigência linguística, politica e cultural, como não fala da negação contumaz do direito de autodeterminação e do carácter plurinacional do Estado, como não fala do retorno à caverna que está a sofrer a direita hegemónica espanhola, como não fala da acumulação de capital e investimentos em Madrid, como não fala da proposta de modificação da lei eleitoral para favorecer a alternância no poder dos dous partidos hegemónicos (“nacionais”, espanhóis, os únicos que podem aspirar a ter maiorias absolutas), como não fala da manipulação informativa que já começa a salpicar dum falso iberismo os periódicos portugueses controlados pola banca espanhola e não só... Não esqueçamos, por último, que na linguagem financeira moderna “fusão” significa decote “absorção”. Negociar? Para que haviam negociar o que podem conquistar?

quarta-feira, 13 de junho de 2012

fundação saramago


A fundação dedicada à vida e obra do único Prémio Nobel da Literatura português abre hoje ao público na Casa dos Bicos, em Lisboa, uma nova exposição sobre Saramago, que morreu em junho de 2010.
Lisboa - A Fundação José Saramago abre hoje as portas ao público na sua nova sede, a Casa dos Bicos, edifício histórico e emblemático da capital portuguesa que a Câmara Municipal de Lisboa cedeu por dez anos para dar espaço a exposições sobre a vida e obra daquele que foi o único vencedor português de um Prémio Nobel da Literatura.
A Fundação José Saramago, presidida por Pilar del Rio, viúva do escritor português, inaugura uma exposição sobre Saramago com a presença do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e a partir das 14h (hora de Lisboa) as instalações serão abertas ao público.
A fundação vai viver dos direitos de autor da obra do escritor, que morreu a 18 de junho de 2010, e do trabalho que se for fazendo nesta instituição.
A Casa dos Bicos abrirá ao público todos os dias úteis das 10h às 18h e, aos sábados, das 10h às 14h, com um bilhete cujo preço deverá oscilar entre os três e os seis euros a partir de julho.

Adicionar comentário

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Uma língua que não se defende, morre

de DIÁLOGOS LUSÓFONOS



"A lusofonia mais que um projeto ou questão cultural e até linguístico-literário é um projeto ou uma questão de Língua e, sobretudo, um projeto ou uma questão de desenvolvimento economológico e de estratégia geopolítica".
( Lusofonia não é só a língua e a literatura, Fernando dos Santos Neves (Reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no Congresso Internacional de Literaturas Africanas, realizado em Coimbra )
===============================================================

Uma língua que não se defende, morre

José Saramago **

Texto escrito especialmente para o Ciberdúvidas pelo Prémio Nobel da Literatura José Saramago (1922-2010), depois da sua interrupção, em 2002.

Uma língua, num instante dado, ainda não existe, noutro instante depois já poderemos identificá-la, reconhecê-la, dar-lhe nome. Entre esses dois instantes, por assim dizer unívocos, é grande a dificuldade de apurar até que ponto o que há-de ser já está sendo, ou se o que foi já se transformou bastante para que seja possível antecipá-lo como forma do que será. É a mil vezes repetida metáfora da crisálida, vida entre duas vidas, simultaneamente criadora. Assim se terá feito a passagem do latim ao português, com aquela crisálida linguística pelo meio a tentar chegar aos mesmos significados através doutros significantes.
Abusando dos privilégios generalizadores do ficcionista, em quem sempre habita alguma animadversão contra a inamobilidade dos factos, tenho afirmado que bem mais importante que o facto em si é o momento em que ele se produz, e que, sem uma compreensão geral de quanto no tempo os envolve, os factos tornam-se, não raro, ininteligíveis, apenas os salvando de se tornarem em enigmas o seu próprio peso bruto, que acaba por constituí-los como evidências mais ou menos incontornáveis. É por isso que alusões à hora, ao instante, ao momento, à época regressam com insistência a uma reflexão que deveria orientar-se unicamente para a situação actual, uma vez que é do actual estado da língua portuguesa que me propus ocupar. Ainda que, confesso-o, me fosse de grande gosto, além do proveito que me traria, saber que causas se congregaram para que o português escrito, e presumo que também o falado, atingisse um tão alto grau de beleza no século XVII, por exemplo, e que enfermidades o atacaram depois e o trouxeram, com algumas intermitências fulgurantes (Almeida Garrett em primeiro lugar), a esta outra crisálida em que se está preparando não sei que insecto, por todos os indícios, provavelmente, um mutante.
Porém, muito mais do que saber que maleitas terão surgido nesse e noutros passados, importaria averiguar as causas, e propor os remédios, se ainda os há, para a acelerada degradação que está corroendo a língua portuguesa, essa que tanto nos envaidece chamar língua de Camões, sem nos perguntarmos se o mesmo Camões não a cuspiria da sua boca. Eu sei, ai de mim, que os optimistas são doutro parecer: dizem eles que a língua portuguesa não precisou de quem a cuidasse durante todos estes séculos e nem por isso se finou, que uma língua é um ser vivo e, como tal, eminentemente adaptável, que essa capacidade de adaptação é a própria condição da vida, e que, outra vez metaforicamente falando, depois de bem baralhados os naipes, sempre estarão na mesa as mesmas cartas, isto é, haverá língua portuguesa bastante para que os portugueses saibam do que estou a falar. Oxalá. Mas eu, se é preciso dizê-lo, por deformação original de espírito ou cepticismo que veio com a idade, não sou optimista. A convivência pacífica nunca foi a característica principal das coexistências linguísticas: por modos mais ou menos sub-reptícios sempre se estabeleceram modalidades de cerco, sempre se delinearam manobras de penetração, mas os vagares da História e a rudimentaridade das técnicas de comunicação, no passado, retardaram e alargaram os processos de envolvimento, absorção e substituição, o que nos permitia, sem maior inquietação, considerar que tudo isso era da ordem do natural e do lógico, como se na torre de Babel tivesse ficado traçado o destino de cada língua, vida, paixão e morte, triunfo e derrota, ressurreição nunca.
Ora, as línguas hoje, batem-se. Não há declaração de guerra, mas a luta é sem quartel. A História, que antes não fazia mais que andar, voa agora, e os actuais meios de comunicação de massa excedem, na sua mais simples expressão, mesmo o poder imaginativo daqueles que, como o autor destas linhas, fazem precisamente da imaginação o seu instrumento de trabalho. Tecnicamente, a única diferença entre Homero e nós é que ele, segundo consta, falava apenas, e nós, mesmo quando falamos, temos uma escrita a informar o nosso discurso. Claro que desta guerra de falantes e escreventes não se esperam, apesar de tudo, resultados definitivos em pouco tempo. A inércia das línguas é um factor de retardamento, mas as consequências derradeiras, verificáveis não sei quando, mas previsíveis, mostrarão, então demasiado tarde, que o emurchecimento prematuro daquela árvore anunciava já extinção de toda a floresta.
Línguas que hoje se apresentam como apenas hegemónicas em superfície tendem a penetrar nos tecidos profundos das línguas subalternizadas, sobretudo se estas não souberem, a tempo, encontrar em si próprias uma força vital que lhes permitisse resistir ao desbarato a que, de forma quase sistemática, se vêem sujeitas, agora que as comunicações no nosso planeta são o que são. Num livro que escrevi há alguns anos, chamado Viagem a Portugal, dei a um breve capítulo da parte consagrada ao Algarve o título “ O português tal qual se cala”. Não preciso de explicar porquê. Hoje, uma língua que não se defende, morre. Não de morte súbita, já o sabemos, mas irá caindo aos poucos num estado de agonia desesperada que poderá levar séculos a consumar-se, dando em cada momento a ilusão de que continua viva, e por esta maneira afagando a indolência ou mascarando a cumplicidade, consciente ou não, dos seus suicidários falantes.
O quadro é, evidentemente, sombrio. Não faltará entre nós quem alegue, para contrariá-lo, a nova possibilidade de renovação e florescimento da língua portuguesa que nos é oferecida pelos países de África que, miraculosamente, no acto da sua independência, decidiram adoptar o português para sua língua oficial. Foi um acontecimento de grande importância, sem dúvida, mas que não seria prudente sobrestimar: mais do que uma decisão motivadamente sociocultural, foi um gesto de política pragmática que o futuro virá a confirmar ou não, quer por força das razões próprias, quer pela pressão envolvente das línguas periféricas. Acresce ainda que seria um acto de inadmissível abdicação entregar a outrem responsabilidades que são conjuntamente nossas, de nós, portugueses, que, sendo certo que não merecemos mais do que outros a língua por termos sido os criadores dela, também seguramente a não merecemos menos, quer nos direitos, quer nos deveres. Aliás, a frente principal da luta pela sobrevivência da língua portuguesa está no próprio país de origem: se nele se perder, há muitas probalidades de que venha a perder-se nos outros lugares do mundo que a falam. Não esqueçamos que as línguas se cercam umas às outras, não esqueçamos que a língua inglesa as cerca a todas e a todos nos cerca.
Uma reflexão mais, esta sobre o ensino da língua nas nossas escolas. Não quero duvidar da competência de quem ensina nem da vontade de saber que morará no espírito de quem aprende, mas interrogo-me com apreensão sobre os motivos do baixíssimo nível de conhecimentos e da confrangedora inépcia com que gerações de estudantes de todos os graus lidam com a nossa língua quando a escrevem e quando a falam. Dizem que se trata de um fenómeno mundial, dizem-me que também no estrangeiro o erro de ortografia é rei e pouco lhe vai faltando para ser lei. Será, assim, mas evidentemente não é dos males alheios que poderemos esperar a cura das nossas próprias doenças. A escola, que tão mal ensina a escrever, não ensina, de todo, a falar. A aprendizagem elementar da fala e o desenvolvimento do falar estão entregues às famílias, ao meio técnico e cultural em que a ciência vai crescer, o que em si mesmo não é um mal, uma vez que assim costuma decorrer todo o processo de aprendizagem, pelo exemplo e pela exemplificação, sucessivos e constituidores. Mas a escola, não intervindo, como efectivamente não intervém, no processo edificador da fala, demite-se de uma responsabilidade em que deveria ser parte privilegiada, e, pelo contrário, vai receber o influxo negativo dos surtos degenerativos externos, assim “oficializando”, indirectamente, o errado e o vicioso contra o harmonioso e o exacto. E é facilmente verificável que a escola, não só não ensina a falar, como fala mal ela própria.
 

03/01/2003

Sobre o Autor

José Saramago nasce a 16 de Novembro de 1922 em Azinhaga, no Ribatejo. Publica o primeiro romance em 1947, “Terra de Pecado”. Foi funcionário de uma companhia de seguros, editor e jornalista, poeta e dramaturgo. No romance atinge notoriedade mundial. Em 1998 é o primeiro autor de língua portuguesa a ser galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Traduzido nas principais línguas europeias e também em turco, hebraico, chinês e japonês. Publica os seguintes romances: “Manual de Pintura e Caligrafia” (1977); ”Levantado do Chão” (1980);” Memorial do Convento” (1982); ”O Ano da Morte de Ricardo Reis” (1984); “A Jangada de Pedra” (1986); “História do Cerco de Lisboa (1989); “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991); “Ensaio sobre a Cegueira” (1995); “Todos os Nomes” (1997); “A Caverna” (2000) e “O Homem Duplicado” (2002). [Posteriores desenvolvimentos aqui » http://www.ciberduvidas.com/aberturas.php?id=987]