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terça-feira, 5 de março de 2013

AÇORES A ILHA VERDE


https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=j_1qTHchEx4#!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

açores o falhanço

O grande falhanço!

A par da saúde, o sector do turismo é um dos maiores falhanços da nossa Autonomia.
O sector que iria ser a alternativa (ou o complemento) da agro-pecuária, na diversificação da riqueza açoriana, tornou-se num autêntico pesadelo para quem nele apostou legitimamente.
Podem-se atribuir as mais variadas causas a este insucesso, mas há uma que é inquestionável: a falta de uma orientação estratégica consistente e altamente profissional.
Acreditou-se que a atribuição de muitos milhões, a fundo perdido, era razão suficiente para o sector fazer caminho por si próprio.
Estimularam-se os investidores e criaram-se expectativas demasiado altas, sem se curar de saber as consequência e as alternativas a eventuais insucessos.
Os últimos seis anos foram mesmo de uma grande desorientação, sem um fio condutor que nos trouxesse a valia económica tão prometida em estudos, seminários, conferências, promoções, planos e outros documentos mirabolantes.
Era tudo facilidades.
Em meados de 2008 foi criado aquele que era considerado o documento mais ambicioso alguma vez para o sector, o POTRAA (Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores), tão optimista, tão optimista, que poderia ser assinado pelo ministro Vítor Gaspar, porque não acertava com nenhuma previsão.
O Plano previa – imagine-se – taxas de crescimento anuais do turismo de 7%, quando já naquele ano o turismo descia 5% e, em 2009, teve um trambolhão de 11%.
Foi o documento por água abaixo, apesar de ainda vigorar por aí, assim como um outro, denominado “Plano de Marketing Estratégico”, que promovia a “Marca Açores”, de que nunca mais se ouviu falar, e ainda o célebre “Plano de Promoção Turística”, de 2010, que previa mais de 30 milhões de euros para a promoção.
No mesmo ano, uma resolução do governo concedia 10 milhões de euros às associações sem fins lucrativos na comparticipação de projectos de interesse público na área do turismo.
Não faltavam milhões.
Até o portal de turismo, a página oficial do sector na internet, foi adjudicado a duas empresas diferentes em 2010 e 2011, custando à região mais de 320 mil euros.
O primeiro tinha erros de informação de bradar aos céus e o segundo parece que não teve melhor sucesso.
Ambos estavam enquadrados numa candidatura a fundos comunitários de quase 1 milhão de euros, destinados à promoção dos Açores.
Entretanto, mais estudos encomendados.
O Observatório de Turismo dizia, com base num destes estudos, que a nossa salvação estava no segmento do Turismo de Saúde e Bem-Estar.
Mais tarde apontava para o Turismo Religioso.
Depois fez um outro, onde se concluía que o golfe não se encontrava entre as preferências dos turistas.
Conclusão para os três: no Turismo de Saúde, se os turistas idosos souberem do descalabro que vai pelos nossos hospitais, nunca mais põem os pés cá; no Religioso, tivemos há três anos a presidir às Festas do Senhor Santo Cristo o Cardeal de Boston, que regressa de novo este ano, e o melhor atractivo que demos aos turistas americanos foi aumentá-los as passagens; no golfe, os campos de S. Miguel foram “regionalizados”.
Ou seja, tudo ao contrário.
Outra história semelhante: há uns anos atrás trouxeram a um seminário sobre turismo, na Universidade dos Açores, um “guru” americano, Jafar Jafari, professor da Universidade de Wisconsin e consultor da Organização Mundial de Turismo.
Quando lhe perguntaram o que fazer para atrairmos o turista americano, respondeu: “A primeira grande ajuda é conseguir chegar aos principais operadores turísticos americanos. Mas, desde logo, uma das grandes lacunas dos Açores em relação aos EUA, é a dos voos directos, que têm de ser aumentados, pois esta será também uma grande ajuda”.
O que fez a região?
Promoveu os Açores nos táxis de Boston, retirou o voo directo do aeroporto de Providence e aumentou as tarifas!
Depois, a SATA veio dizer que o mercado da América do Norte é “estratégico”.
Em quê? Só se for na exploração dos emigrantes açorianos.
Nesta questão dos mercados, a desorientação é ainda mais incompreensível.
A operação de Munique foi um desastre deficitário, a Escandinávia é cada vez mais uma miragem, anunciou-se em 2011 uma operação turística dirigida ao mercado belga para o verão de 2012, que deveria proporcionar 28 mil dormidas, lançou-se um pacote turístico em 2011 “Tudo incluído 5 dias”, agora há outro para visitar quase todas as ilhas em menos de uma semana...
O fomento da hotelaria foi outra desorientação.
Houve hotéis que, espantosamente, na cerimónia de inauguração, já anunciavam o seu encerramento temporário para 15 dias depois.
Hoje, é o que se vê: hotéis que estão a encerrar nos Açores e, no Continente, 27 vão abrir este ano (duas inaugurações por mês).
O “Hotel voo incluido” serviu para dividir agentes de viagens, hoteleiros e câmaras de comércio.
Em todo este decurso, o turismo nacional e mundial continuou sempre a subir (aumento de 4% no ano passado e previsão de 3 a 4% este ano).
E nós, sempre a descer.
Já se experimentou de tudo, até nomear Pedro Pauleta “Embaixador do Turismo dos Açores”.
Causas para a decadência?
Já ouvimos de tudo no discurso oficial: uma vez é porque não temos “notoriedade suficiente”, outras porque há uma “acentuação da sazonalidade” e a última é por causa da “crise no Continente”.
Já não sei o que diga.
Citando o meu amigo Gilberto Vieira, da Quinta do Martelo, “algo vai muito mal no reino dos abexins”...

Pico da Pedra, Fevereiro 2012
Osvaldo Cabral

sábado, 23 de fevereiro de 2013

salvem este forte


S.O.S.  Forte de São João Baptista - ILHA DE SANTA MARIA

Forte de São João Baptista da Praia Formosa, também denominado como Castelo de São João Baptista ou Castelo da Praia, localiza-se na Praia Formosa, na freguesia da Almagreira, concelho da Vila do Porto, a SSO na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Em posição estratégica sobre este trecho da costa da ilha, constituiu-se em um forte destinado à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do Oceano Atlântico.

As recentes campanhas de prospecção arqueológica nele desenvolvidas levantam a possibilidade de constituir-se na mais antiga estrutura de fortificação no arquipélago.

A praia onde se localiza encontra-se referida no mapa dos Açores, de autoria de Luís Teixeira, datado de 1584, com o nome de "Plaia Hermosa".

The Forte de São Brás do Porto Formoso (Saint Brás’ Fort of Porto Formoso, or Fort of Saint Brás of Porto Formoso), also referred as Castelo do Porto Formoso (Porto Formoso Castle, or Castle of Porto Formoso), Forte do Porto Formoso, (Porto Formoso Fort, or Fort of Porto Formoso), and Forte de Nossa Senhora da Graça (Our Lady of Grace’s Fort, or Fort of Our Lady of Grace), is located in the parish of Porto Formoso, in the municipally and city of Ribeira Grande, the north of São Miguel Island, on the Azores.

In a dominate position over this littoral space, constituting in a fortification intended for defence of this anchorage against the pirate and corsair attacks, once commonly frequent in this Atlantic Ocean region.

The recent archaeological prospecting campaigns developed into the possibility of becoming the oldest fortification structure of the archipelago.

The beach where this fortification structure is located is found on the Azores map, the authorship of Luís Teixeira, dated in 1584, with the name “Plaia Hermosa”.

English translation: @[505232655:2048:Kevin de Ávila]

>> VISIONAR VÍDEO: http://youtu.be/4IqmKs8SVV8
>> O Forte nos anos 70 do Séc. passado:https://www.facebook.com/photo.php?fbid=290370431067816&set=a.197643377007189.35037.197544470350413&type=1&theater 

Por: Amigos da Praia "SOS Castelo"
(FF)
S.O.S. Forte de São João Baptista - ILHA DE SANTA MARIA

Forte de São João Baptista da Praia Formosa, também denominado como Castelo de São João Baptista ou Castelo da Praia, localiza-se na Praia Formosa, na freguesia da Almagreira, concelho da Vila do Porto, a SSO na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Em posição estratégica sobre este trecho da costa da ilha, constituiu-se em um forte destinado à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do Oceano Atlântico.

As recentes campanhas de prospecção arqueológica nele desenvolvidas levantam a possibilidade de constituir-se na mais antiga estrutura de fortificação no arquipélago.

A praia onde se localiza encontra-se referida no mapa dos Açores, de autoria de Luís Teixeira, datado de 1584, com o nome de "Plaia Hermosa".

The Forte de São Brás do Porto Formoso (Saint Brás’ Fort of Porto Formoso, or Fort of Saint Brás of Porto Formoso), also referred as Castelo do Porto Formoso (Porto Formoso Castle, or Castle of Porto Formoso), Forte do Porto Formoso, (Porto Formoso Fort, or Fort of Porto Formoso), and Forte de Nossa Senhora da Graça (Our Lady of Grace’s Fort, or Fort of Our Lady of Grace), is located in the parish of Porto Formoso, in the municipally and city of Ribeira Grande, the north of São Miguel Island, on the Azores.

In a dominate position over this littoral space, constituting in a fortification intended for defence of this anchorage against the pirate and corsair attacks, once commonly frequent in this Atlantic Ocean region.

The recent archaeological prospecting campaigns developed into the possibility of becoming the oldest fortification structure of the archipelago.

The beach where this fortification structure is located is found on the Azores map, the authorship of Luís Teixeira, dated in 1584, with the name “Plaia Hermosa”.

English translation: Kevin de Ávila

>> VISIONAR VÍDEO: http://youtu.be/4IqmKs8SVV8
>> O Forte nos anos 70 do Séc. passado:https://www.facebook.com/photo.php?fbid=290370431067816&set=a.197643377007189.35037.197544470350413&type=1&theater

Por: Amigos da Praia "SOS Castelo"
(FF)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ILHA DAS FLORES EMIGRAÇÃO


                                       A  Emigração Florentina
 
Desde a sua ocupação o arquipélago dos Açores foi terra de emigrantes. A constituição vulcânica, sujeita a periódicos desastres naturais, e a distante posição geográfica e politicamente periférica,  em relação à metrópole portuguesa,  favoreceram à debanda dos habitantes mais carentes toda a vez que surgia uma urgente situação de sobrevivência.
Se o Brasil foi o foco nas busca dos ilhéus para a emigração desde o século XVI, a partir da segunda metade do século XIX a America do Norte tornou-se a preferência. Para isso influenciaram a proximidade geográfica, a baleação luso-americana, e as histórias bem sucedidas daqueles que para lá foram tentar uma vida com melhores perspectivas de conforto e desenvolvimento.
 
Foi em 1765 que começaram a surgir nas águas das Ilhas das Flores e Corvo os barcos baleeiros da então Colônia Britânica da América. Em tempos certos,  chegavam à caça da baleia ( cachalotes) para a extração do óleo, âmbar e espermacete, produtos altamente valorizados naquele tempo. Meses passados no mar, era nos longínquos ancoradouros açorianos das Flores e da Horta ( Faial) que os baleeiros encontravam refresco, gêneros alimentícios e gente.  Herman Melville em 1851 no seu mundialmente conhecido livro, Moby Dick, escreveu que os baleeiros procedentes dos Açores traziam entroncados campesinos que completavam a tripulação como marinheiros e trancadores de baleias.
 
 Para os florentinos ( naturais da Ilha das Flores), por mais de um século,  os barcos da baleação foram o meio de transporte mais utilizado na fuga para as terras idealizadas da América. Apesar da preocupação das autoridades do reino em conter e reprimir a evasão de jovens em idade produtiva, através de patrulhas marítimas, as fugas continuavam de forma ininterrupta.  Embora sem estadistas oficiais, sabe-se através de jornais da época que entre 1864 e 1920 saíram das Flores quase dez mil pessoas ( das ilhas açorianas), a maioria clandestinamente, com a escandalosa inobservância,  e até anuência, das autoridades locais que faziam vista grossa, mediante pagamento. Eram jovens que vinham de outras ilhas para as Flores, onde sabiam que encontrariam facilidade em embarcar em navios que os levariam para Boston ou New Bedford, destino preferido pelos ilhéus. Provincetown, Nantucket, New Bedford, Boston, Califórnia, Nevada,  era terra de açorianos na America. De nada serviram as canhoneiras que fiscalizavam as águas florentinas e os sermões encomendados dos padres, que falavam das agruras e sofrimentos daqueles que emigravam  para terras estranhas. O som tonante das "águias americanas"( moedas de ouro de 20 dólares)que chegavam com os retornados e a aversão ao serviço militar em terras distantes tropicais, para defender um espaço que nada lhes dizia, falavam mais alto ao ilhéu.
Com os anos, tantos foram os emigrados e tão estreita se tornou a relação com a América baleeira, que pelo menos dois florentinos, Manuel Borges de Freitas Henriques e Manuel José de Avelar adquiriram embarcações ( Kate Williams e Pimpão, respectivamente) destinadas às ligações marítima entre a Ilha e a América.  
 
Quando o petróleo descoberto no século XX  sobrepujou em importância econômica o óleo de baleia, o que havia sobrado da frota baleeira americana estava em mãos de açorianos ou de seus descendentes. ANTONIO INÁCIO BIXO, ANTONIO TEODORO ARMAS, ANTONIO CAETANO CORVELO, HENRY CLAY ( ou AQUILIA RODRIGUES), WILLIAN F.JOSEPH, FRANCISCO AUGUSTO, NICHOLAS RODRIGUES VIEIRA, JOHN VIEIRA, JOSEPH A. VIEIRA, ANTONIO JOSE DE FREITAS, JOSEPH THOMAS EDWARDS, e outros mais foram capitães,  pela experiência adquirida  na labuta de anos em águas do Pacifico e do Atlântico, que  levaram a saga florentina baleeira em terras luso-americanas.
 
 Nos Açores e na América a vida do ilhéu se alterou. A linguagem, o comportamento social e a cultura açoriana sofreram influencia de americanismos. O trabalho passou a ser facilitado pelo emprego de instrumentos e utensílios importados. Trouxeram o rádio, as impressoras tipograficas, a canoa baleeira, as caliveiras para o milho, as ideias e as biblias protestantes. O açoriano conheceu as comodidades da vida norte-americana. 
 
O distanciamento, a pouca importância e visibilidade da metrópole portuguesa em relação ao ilhéu, a proximidade e relacionamento histórico com a América tornaram em geral, até hoje, o açoriano um americanófilo e, para outros, simpatizantes da pouco viável independência.
 
Maria Eduarda Fagundes.
Uberaba, 19/02/13
 
Compilação de dados do livro de Francisco Antônio Nunes Pimentel Gomes, " A Ilha das Flores:
da redescoberta à atualidade
( Subsídios para a sua História) "

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

açores a autonomia muda


A autonomia muda
Manuel Leal
 no Expresso das Nove

A autonomia está sob um ataque matreiro, subtil e silencioso. É o prosseguimento da política de contenção iniciada ainda em 1975 pelo general Altino de Magalhães, um militar ardiloso como uma raposa. Desde então, todas as chamadas conquistas autonómicas não passaram de concessões táticas da República. O governo central beneficia ainda da conspiração de interesses internacionais que o dominam.
Seria de esperar, todavia, que os órgãos do Governo Regional reagissem a esta nova investida. Não há uma estratégia credível das chamadas hostes autonómicas para resistir como em termos históricos antes ocorreu. Porque é preciso colocar o Governo da República perante um nó górdio. Ou respeitaria a autonomia, ou teria de acabar com ela, forçosamente. Mas seria preciso coragem, e lealdade aos Açores, para se colocar a justiça desta posição, sistematicamente e de modo insistente, à avaliação do povo açoriano. Por isso a TV regional, independente e isenta de cordelinhos prosélitos, é mais necessária do que os «melhoramentos» de fachada com propostos publicitários.
A oposição a este assédio cada vez mais apertado tem de fazer-se através da voz popular. De maneira que o governo central se veja forçado a intervir diretamente ou a respeitar a vontade açoriana. A primeira seria recebida no mundo, e sobretudo onde a diáspora açoriana possui uma presença numerosa, com um vozeirão de protesto. A segunda, porém, não enfraqueceria a integridade da nação. Não está em disputa o gestalt nacional, mas o processo neocolonialista no exercício do poder central.
Independentemente dos erros que o governo de Carlos César cometeu ao longo dos anos, em alguns dos momentos mais graves ele identificou-se, pelo menos de modo simbólico, com a defesa da autonomia. Mas o governo do seu sucessor, Vasco Cordeiro, parece manifestar uma timidez incómoda, evocativa dos últimos anos, anémicos, da governação de Mota Amaral.
Nenhum dos partidos no Governo Regional soube ainda lutar pela autonomia numa aliança inequívoca com o povo, após o período inicial do entendimento entre o PPD/ PSD e a FLA. Por isso caiu a administração social-democrata de Mota Amaral, que abandonou o governo apadrinhado pelo seu partido nacional. O atual elenco socialista, tanto no Executivo como na Assembleia, de que muito se esperava, prefere funcionar no silêncio no relacionamento com a metrópole . Fora da observação popular, francamente, ninguém sabe o que faz.
Os partidos com assento nos órgãos do governo do Arquipélago são extensões dos partidos nacionais, como as vacas à corda. Só assim se explicam as verbas eleitorais e outros privilégios que os reizetes regionais recebem dos sobas nacionais. Naturalmente, presume-se que têm de obedecer à estratégia eleitoralista, e não só, das estruturas centrais sedeadas em Lisboa.
Por outro lado, os açorianistas ainda não souberam trazer para as eleições líderes relevantes e geralmente respeitados como tal, e populares, a fim de conquistarem a confiança dos eleitores. Nem possuem os meios financeiros e a organização para competirem com as associações nacionais. A legislação portuguesa, como todos os sistemas centralizados e neocoloniais depois da doutrina de Woodrow Wilson, criou uma organização enganosa e legalista que favorece os chefes partidários e os grupos de interesses apostados na minimização do poder regional.
A autonomia perdeu credibilidade. Não alimenta a esperança, nem oferece uma alternativa, de que as instituições açorianas se possam opor ao centralismo da metrópole. O Governo Açoriano, e o partido que o mantém, caminha para um fiasco sem uma postura claramente autonómica.     

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

AÇORES MÁSCARAS DE CARNAVAL

Máscaras de Carnaval

O entrudo termina hoje, mas era bom que o espírito carnavalesco prosseguisse o seu desfile contra a crise depressiva.
   
Imbuído deste espírito, aqui vão algumas máscaras de carnaval mais marcantes do corso político da nossa paróquia.

VASCO CORDEIRO – Devia disfarçar-se de Passos Coelho. Está a léguas dele, mas começa a apanhar os mesmos “tiques” do Primeiro-Ministro ao introduzir, paulatinamente, o discurso da austeridade.
Quando diz que este ano não haverá a construção de obras de raíz, é um eufemismo carnavalesco.
O Presidente do Governo quer dizer, preto no branco, que a região está de pantanas e não há dinheiro para nada!

SÉRGIO ÁVILA – O homem do “super-ávite” vai neste desfile disfarçado de ministro da propaganda de Sadam Hussein. Lembram-se dele? Nós a vermos em directo as tropas americanas a tomarem o poder em Bagdad, e o artista, em conferência de imprensa, a anunciar que estava tudo sob controlo e não havia descarrilamento...

FAGUNDES DUARTE – Vai disfarçado de “Brutus”. O homem desferiu uma punhalada em Carlos César, sem dó nem piedade, ao garantir que o Cais de Cruzeiros em Angra nunca será construido, para proteger o património subaquático da baía.
Recordam-se de quem disse que o Cais seria construido contra todos os “velhos do restelo”?

LUIS CABRAL – Entre seringas, luvas e compressas, o novo Secretário da Saúde vai disfarçado de “anjinho”.
Ainda não percebeu que quem manda mais são os administradores hospitalares escolhidos pelo aparelho do partido.

VITOR FRAGA – Até ver, vai desfilando como viajante, representando as inúmeras viagens que gentes ligadas ao turismo oficial estão a efectuar neste início do ano por todo o mundo, num frenesim estonteante, para participar em feiras e promoções à procura de turistas.
O dinheiro que esta gente está a gastar, muitos deles de empresas públicas ou intervencionadas, completamente falidas, dava para fretar montes de aviões cheios de turistas.

DUARTE FREITAS – Tem um disfarce secreto. Quando chegar à altura das eleições, vai dizer que não é candidato à Presidência do Governo e anunciará, como candidato do PSD, o seu amigo Vitor Cruz.
Brincadeira de carnaval? Brincando, brincando...

AUTARCAS – Vão todos disfarçados de “virgens marias”. Em ano de eleições autárquicas vão fazer balanços mirabolantes da sua actividade e só não anunciam mais obras, mais rotundas, mais empresas municipais e mais festas, porque aqueles bandidos da república não autorizam.
MIGUEL RELVAS – Não precisa de disfarçar. Já é conhecido como o Rei Momo.

                                                                                                ****

AGORA A SÉRIO – O conjunto de grandes reportagens que a SIC transmitiu, sobre o caso BPN, é um hino ao jornalismo de investigação.
Pedro Coelho e a sua equipa desmontaram a grande fraude, confirmando-se o escandaloso envolvimento de figuras influentes da política, incluindo o governo de Sócrates/Teixeira dos Santos, o fechar de olhos de Vitor Constâncio e Banco de Portugal, a vergonhosa administração da Caixa Geral de Depósitos e o prosseguir do desastre pela governação de Passos Coelho.
Ainda há jornalismo de qualidade em Portugal.

Pico da Pedra, Fevereiro 2013
Osvaldo Cabral

PDL ANTIGA

poesia açoriana

A poesia açoriana fora de portas (1):

The sea within (A Selection of Azorean Poems)

Translations by George Monteiro.
Selection, Introduction and Notes by Onésimo T. Almeida.

Providence, Rhode Island, Gávea-Brown, 1983.
A poesia açoriana fora de portas (1):

The sea within (A Selection of Azorean Poems)

Translations by @[100001600427558:2048:George Monteiro].
Selection, Introduction and Notes by Onésimo T. Almeida.

Providence, Rhode Island, Gávea-Brown, 1983.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quando é que açorianos vão começar a ....


li hoje e não me escandalizei nem me admirei...até parece lógico ou a autonomia não se estende ao pensamento?

QUANDO É QUE OS AÇORIANOS VÃO COMEÇAR A PENSAR COMO AÇORIANOS E NÃO COMO PORTUGUESES?
@[100003915784835:2048:Ryc]RULE : [ O FACTO DUMA GRANDE PARTE DAS NOSSAS "ÉLITES" (culturais, económicas e politicas) PENSAREM EM PORTUGUÊS, E PIOR, PENSAREM COMO PORTUGUESES, TEM SIDO INDUBITAVELMENTE UM DOS FACTORES DETERMINANTES DO NOSSO ATÁVICO E HISTÓRICO SUBDESENVOLVIMENTO]

* Há que mudar urgentemente o paradigma, a começar pelas gerações mais novas, e cortar com a matriz cultural sebastianista, fadista, livresca, provinciana e até salazarenta que, por paradoxal que vos pareça, está mais viva e actuante do que antes do 25-A....

By RyC
RycRULE : [ O FACTO DUMA GRANDE PARTE DAS NOSSAS "ÉLITES" (culturais, económicas e politicas) PENSAREM EM PORTUGUÊS, E PIOR, PENSAREM COMO PORTUGUESES, TEM SIDO INDUBITAVELMENTE UM DOS FACTORES DETERMINANTES DO NOSSO ATÁVICO E HISTÓRICO SUBDESENVOLVIMENTO]

* Há que mudar urgentemente o paradigma, a começar pelas gerações mais novas, e cortar com a matriz cultural sebastianista, fadista, livresca, provinciana e até salazarenta que, por paradoxal que vos pareça, está mais viva e actuante do que antes do 25-A....

By RyC

-- 
Chrys Chrystello, An Aussie in the Azores /Um Australiano nos Açores, http://oz2.com.sapo.pt      

BOBOS NA CORTE



Bobos nas funções do estado

Manuel Leal

Aumenta no nosso arquipélago o número dos que lhe viram as costas de novo. A emigração incrementa, subtil. Muitas vezes clandestina como noutros tempos. Vão de passeio para fora. E por lá ficam. 

Eu sou apenas um individuo a testemunhar que os emigrantes serão bem recebidos. Existe na diáspora uma legião que me daria a razão. O trabalho e a motivação que aí não conduzem a parte nenhumas serão recompensados. Quem trabalha e cumpre com os seus deveres civis tem direito à felicidade. 

Pena é que fiquem sempre alguns para que o sistema continue. Para se manter num modo insidio de escravatura implícita no centralismo. Bem diz Carlos Melo Bento de modo quase explícito no medo críptico e tradicional de ser-se português. Saem os açorianos que não sabem fazer a revolução. O melhor seria ficarem todos. Mas todos como um só, como os baleeiros de antanho de arpão nas mãos.   

Aquele homem tem autoridade experiencial para o afirmar: foi vítima um dia dos processos de intimidação do governo quando a farsa política da integridade nacional saiu à rua na máscara imperial e militar de armas aperradas. As mesmas transportadas de avião para Ponta Delgada em 1975 na missão falhada de prender ou assassinar José de Almeida. Português que sempre foi porque assim o ensinaram, e quis ser como gente das ilhas, um dia descobriu, maravilhado e finalmente livre, que poderia ser açoriano. 
 
Imaginem o que aconteceria se amanhã a maioria da população se congregasse de pau nas mãos a fim de dizer aos donos de Portugal que o embuste chegou ao fim. Vocês, os professores e os mangas-de-alpaca, os médicos, os licenciados que conseguem ter emprego, os polícias, os escritores e os jornalistas, os advogados e os economistas, os psicólogos e os enfermeiros e todos os agentes do neocolonialismo são os responsáveis pelo estado em que se encontra o povo açoriano. Vocês aceitaram o status quo. E ergueram-lhe a estátua evocativa da autonomia alegórica, sem pernas nem vontade. Um espantalho de palha, vigiado pelo Representante da República.

Quando as aves de rapina descem em voo picado sobre os esquilos só comem os que se agacham. Os que mordem e de pé nas patas traseiras as enfrentam de unhas afoitas em grupo espantam-nas. Na nossa terra,
todavia, só há pintos. E ratos que se escondem nos buracos das lavas negras da costa.
 
Quando se fala de crise é preciso defini-la. Há uma crise de identidade, sustida com o comodismo. Há também uma crise das instituições criadas para acomodar a desconfiança nas políticas roubando aos açorianos a liberdade de decidir, de serem donos do mar e das ilhas, de legislar o seu presente e o futuro sem intermediários de partidos de fora. A crise económica, simultânea às circunstâncias internacionais, é uma consequência da falta de visão, da capacidade criadora e da solidariedade social no investimento subsidiado pelos procuradores do poder.     

Viver nos Açores e bater no peito medalhado que os Açores «são aqui» não é ser açoriano. É preciso sentir a chama dentro, profunda, o vulcão que estoira em oposição à prepotência de um estado padrasto. E ranger os dentes de raiva contra a opressão. Por isso seria preferível ficar para apontar o mar aos juízes de fora. Vai-te, patife!

Porque Portugal morreu, vendido aos interesses financeiros dos bossas do mundo. Os Mindelos, infelizmente, já não são possíveis, defensada a praia pelo governo dos banqueiros aplaudidos pelos bobos nas funções do Estado. 

Vai-te, patife!

 
    
 MANUEL LEAL

TANTO MAR 1975



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

NOSTALGIA DO CINEMA


A nostalgia do cinema

O Pico da Pedra teve, outrora, uma casa de cinema, mas a juventude da minha geração foi criada na cinefilia das duas casas de Rabo de Peixe: Cine S. Sebastião e Cine Mira Mar.
Aos domingos seguíamos na camioneta das 13 horas, para assistir à matinée no S. Sebastião, que começava às 14h, com dois filmes de rajada, quase sempre uma cowboiada (Gringo, Trinitá, Django), seguida de uma película qualquer de partir corações.
Entre os dois, um intervalo para o cigarro ou para o pirolito na tasquinha ao lado da bilheteira.
Quando o filme era para maiores de 18, lá nos juntávamos aos mais velhos, para parecermos como eles e passarmos despercebidos pelo polícia, sempre colocado estrategicamente à entrada. Quando havia problema, como houve tantas vezes, o Sr. Peixoto, proprietário da sala e que controlava as entradas, dava uma palavrinha ao polícia (“é gente boa, do Pico da Pedra”), e a porta abria-se.
Vem esta noltalgia a propósito do encerramento das salas no Parque Atlântico, em Ponta Delgada, deixando a ilha de S. Miguel sem cinema.
Já as freguesias,como a nossa, tinham perdido, há muito, as suas salas.
São os sinais dos tempos, que agora também afectam as cidades e os grandes centros comerciais.
Hoje já é possível ter cinema em casa e, não sendo a mesma coisa, contribui certamente para a diminuição dos espectadores das salas públicas, que têm vindo a cair a pique no nosso país.
O cronista Pedro Mexia, ainda há pouco tempo, também se queixava, nostálgico, do fim do “tempo das catedrais” em Lisboa, como o Tivoli, o S. Jorge, o Éden, o Império e o Monumental, a que se seguiram as salas de “multiplex”.
O cinema marcou várias gerações e, provavelmente, terá terminado a sua função com o fim da minha geração, que ainda assistiu ao ritmo pujante de salas cheias.
Até aos dias de semana, as salas do Mira Mar e S. Sebastião enchiam-se às quartas-feiras, com filmes mais atrevidos, para adultos. Mais uma vez tentávamos ludibriar o polícia, pedindo a companhia de um homem mais velho que se fazia passar por pai. Até que um dia, na exibição do filme “Helga”, para maiores de 21, durante a cena em que se via o nascimento de uma criança, o polícia irrompia na sala com uma pilha e procurava os mais novos para sairem...
Na sala do Pico da Pedra, as cenas eram semelhantes. Até que um dia, durante as cenas escabrosas de “A grande farra”, alguns pais que levavam, inadvertidamente, os filhos mais novos, encarregavam-se de os conduzir cá fora para não verem “aquelas poucas vergonhas”...
O cinema no Pico da Pedra era uma institução, assim como o jovem que colocava a fita a rodar na máquina de cinema - o nosso bom amigo e bem humorado João Almeida - que acalmava toda a gente com os seus gracejos, quando o filme começava com a última bobine (parte final)... por engano. Aconteceu algumas vezes e poucos davam por isso, estranhando no entanto que o filme tivesse demorado tão pouco tempo. Outras vezes vinha o filme enganado, que nada tinha a ver com o previamente anunciado.
Num quadro preto colocado no largo da Igreja era sempre anunciado, a giz, o filme da semana seguinte, acompanhado, invariavelmente, pela frase “grande filme”! Também invariavelmente, sem que ninguém visse durante a noite, eu ia sorrateiramente ao quadro e escrevia: “Grande rosca”!
Hoje, tudo é virtual e digital, cadeiras que parecem sofás, três dimensões, pipocas a rodos e carro à porta.
Naquele tempo íamos de camioneta, mas o regresso era a pé, mesmo depois das soirées, pela Canada Grande acima, aos grupos, a passo largo (e de corrida quando passávamos no cemitério...).
Mais de trinta anos depois, perdeu-se quase tudo.
E o quase tudo era a mística de todo o frenesim da ida ao cinema, misturada com o ambiente das salas (em Rabo de Peixe batiam-se palmas quando o actor salvava a actriz!), para além da nossa identificação com os personagens.
A historiadora Margarida Acciaiuoli, no livro “Os cinemas de Lisboa”, citado por Mexia, explica que “o espectador liga as salas aos filmes que nelas viu, e as emoções que estes desencadeiam entranham-se nesses espaços povoando-os como fantasmas. Talvez por isso se tivesse quase sempre a sensação de que não havia salas vazias. Nelas pareciam habitar espectros que conviviam com as imagens e os sons que os cineastas montavam e que se fundiam com o lugar numa presença única”.
Perdeu-se tudo isso.
Como diz Pedro Mexia, “talvez não seja uma calamidade, mas é uma tristeza. Talvez por isso eu sinta saudades daquilo que nem cheguei a tempo de perder”.

Pico da Pedra, Fevereiro 2013
Osvaldo Cabral (pubicado no jornal da freguesia)


ACABARAM AS SALAS DE CINEMA NOS AÇORES...

tiros de pólvora seca

crónica de osvaldo cabral ex diretr da RTP Açores

Tiros de pólvora seca

A bernarda que vai no PS nacional pode vir a ter reflexos nos Açores.
Que Carlos César tenha uma admiração – e justa ambição para outros voos – por António Costa, está no seu pleno direito, mas envolver todo o PS dos Açores e o líder da governação, Vasco Cordeiro, é jogada muito arriscada.
Foi notória a provocação no Congresso do PS-Açores na cidade da Horta, que António José Seguro certamente não se esquecerá.
Já todos percebemos que, no PS nacional, cheira a poder.
Quem quer que esteja à frente da estrutura socialista, vai ser seguramente o próximo primeiro-ministro.
A “entourage” de António Costa começa a ficar preocupada ao vislumbrar que o cargo vai cair nos braços de António José Seguro, sem que tenha que fazer muito por isso.
Era preciso fazer alguma coisa para substitui-lo por António Costa, até mesmo com o apoio da “tralha socrática”.
Só que o tiro foi de pólvora seca.
António Costa, num registo que lhe é habitual como político, hesita sempre à última da hora, deixando muita gente em estado de orfandade.
Se José Seguro for eleito primeiro-ministro, como tudo indica, o relacionamento com os Açores poderá não ser tão profícuo como todos queremos que seja.
Seguro poderá deixar Vasco Cordeiro à porta de S. Bento, como este deixou-o pendurado no aeroporto da Horta.
É por isso que o Presidente do Governo não se deve deixar enredar nestas disputas de grupos internos.
Os Açores têm que estar primeiro e à frente dos partidos.
Deixe estas guerras para os outros, para os que estão habituados nestas andanças de se apunhalarem pelas costas uns aos outros.
António Costa perdeu esta guerra e a região não se deveria envolver nela.
Como escreveu o cronista Daniel Oliveira no “Expresso”: “Toda esta novela de António Costa, toda esta indecisão, toda esta falta de clareza, obrigam-nos a pensar se ele tem o que o próximo primeiro-ministro precisa de ter. Em bom português: tomates”.
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ESCÂNDALOS – Anda toda a gente escandalizada com a nomeação de Franquelim Alves, dirigente do ex-BPN, para Secretário de Estado. Com razão.
Mas não se escandalizaram com a nomeação de Vitor Constâncio para Vice-Presidente do Banco Central Europeu? O tal que, como governador do Banco de Portugal, não viu nada no BPN, não auditou, não descobriu nada, não regulou, e ainda foi “chutado” para cima?
E ninguém se escandaliza com a nomeação do ex-Secretário Regional da Saúde para administrador dos portos da Terceira e Graciosa? O tal que deixou o sector em pantanas e continua a administrar a coisa pública?
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FALHANÇOS – Raghuram Rajan é um reputado economista internacional, Professor de Finanças na Escola de Administração Booth da Universidade de Chicago e conselheiro económico principal do Ministério das Finanças da Índia.
Ele escreveu o seguinte na sua última crónica internacional: “A pior coisa que os governos nos países desenvolvidos podem fazer para combater a crise é financiar empresas inviáveis ou sustentar a procura em indústrias inviáveis através do crédito fácil”.
Acham que ele visitou os Açores nos últimos tempos?
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TABICO – Morreu António Tabico. Era o canadiano mais açoriano que conheci até hoje. Vivia em Toronto, mas era como se estivesse nos Açores. O seu restaurante era tipicamente açoriano, as suas cantigas ao desafio eram sempre em homenagem aos Açores, trouxe inúmeros canadianos para fazer turismo na região e fundou o grupo de romeiros que se deslocava todos os anos do Canadá em romaria de saudade.
A Região, como vem sendo timbre com os seus emigrantes, pagou-lhe com longas facturas de viagens na SATA que custam os olhos da cara.
É a sina da diáspora.

Pico da Pedra, Fevereiro 2012



 amigos  açorianos
 há feridas antigas que ainda estão em carne viva mais de 35 anos depois...umas foram feitas em combates ideológicos e outros aqui nos Açores, outras em Timor onde já depois do 25 de abril me tentaram desterrar para a frente de combate em Moçambique, e tanta outra coisa que não  foi sarada o suficiente para entrar no ChrónicAçores...Foram tempos alterosos aqui nos Açores e lá longe em Timor e nunca o tempo sarará tais feridas, uns mais feridos que outros mas todos por curar que o tempo por vezes é curto demais para a profundidade  gravidade dos ferimentos. Fiz os meus exorcismos e catarses em relação a Timor que culminaram agora na edição em CD-livro de mais de 3760 páginas, e posso prosseguir em frente ... mas os males do país onde nasci são comuns a Timor e Açores, não desapareceram com o arremedo de democracia de 3 décadas e meia, e deram lugar a esta sabujice do FMI, troica e  neoliberalismo selvagem que de todos quer fazer escravos não-pensantes



...olho em volta e nem sequer conto espingardas...também não estou pronto para por no papel todos os sentimentos que ainda me assolam...os dois livros ChrónicAçores foram o ponto de partida e  a discussão intelectual partirá daí conjugada com as obras completas em poesia que irei apresentar em março na Maia. é a minha forma de lutar contra a apatia, o esquecimento da história recente, os paternalismos e o mero olvido. respeito as opções dos outros e exijo reciprocidade sem conselhos que não pedi nem sugestões ...luto à minha moda e nem açoriano de nascença sou (isso era um requisito essencial???) para que o arquipélago não seja uma fábrica de corpos como balas de canhão a exportar para outras guerras e países, antes se erga altivoe  orgulhosos nos escritos dos seus homens e mulheres obnubilados de tudo e  de todos nesta voragem portuguesa de nunca reconhecer os seus a menos que venham envoltos em brilhante folha de Flandres com reflexos dourados da estranja...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

judeus no Faial

Os judeus nos primordios da ocupação da ilha do Faial
 
Terra periférica, o Arquipélago dos Açores nos tempos iniciais do povoamento também foi local escolhido por famílias  cristãs-novas  para fugir às perseguições de que eram vítimas. Segundo pesquisa de Isaías da Rosa Pereira, em seu trabalho "Alguns açorianos na Inquisição de Lisboa" ( O FAIAL e a periferia açoriana nos séculos XV a XIX- Núcleo Cultural da Horta),   existe um relato documentado na Biblioteca da Ajuda ( Symicta Lusitana ) de uma pequena revolta de judeus, na Ilha do Faial, contra os demais habitantes da Ilha que os hostilizavam. Datado de 06 de janeiro de 1532, o episódio descreve a encenação que fizeram na Praça da então Vila da Horta. Armaram uma tribuna onde havia uma criança, um mascarado fingindo ser judeu e um boneco de palha . Acenderam uma fogueira e disseram à criança que mandasse queimar aquele judeu que havia cometido pecado contra a fé. Em seguida jogaram o boneco de palha na fogueira para ser queimado. Por falta de documentos, não se sabe mais acerca de outros acontecimentos.  
 
 O episódio demonstra que , claramente, havia judeus na ilha e  uma repressão psicológica sobre eles. Acredita-se que a maioria  tenha assumido a religião católica por toda essa situação conflituosa e pelos casamentos que sucederam entre os cristãos-novos e os velhos. Porém, percebe-se em certas família açorianas ( portuguesa), comportamentos e costumes  que fazem suspeitar a influência judaica sobre elas. Como o habito de, antigamente,  se eleger o sábado  como o dia da higiene, do banho geral, de vestir roupa lavada, de colocar velas ardendo até o final do dia; o costume de sangrar o animal antes de prepará-lo para comê-lo, a preferência, na alimentação, pelos peixes de escamas ( os de couro não são aceitos pelas leis dos judeus), o  atributo feminino na educação dos filhos, o dualismo na maneira de ser, isto é, dizer ou mostrar uma coisa na aparência e pensar ou ser outra por dentro, jurar pela alma de alguém ( rito judaico), pagar a siza ( Sizah do hebraico ), o emprego de palavras que fazem lembrar a história judaica, como judiar e massada ( fortaleza de Massada onde pereceram 800 judeus). Muitos são os hábitos e costumes que nos recordam que, em tempos passados,  também tivemos a contribuição marcante da presença judaica na formação da nação portuguesa.  
 
Maria Eduarda 
Uberaba, 05/02/13

açoriano premiado