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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
morreu Fátima Sequeira Dias
Açores e UAç ficam mais pobres
O secretário regional da Educação, Ciência e Cultura manifestou pesar pela morte de Fátima Sequeira Dias.
O secretário regional da Educação, Ciência e Cultura manifestou ontem profundo pesar pelo falecimento da Professora Doutora Fátima Sequeira Dias, docente na Universidade dos Açores e escritora.
Luiz Fagundes Duarte salientou que Fátima Sequeira Dias permanecerá, por via da sua obra, na memória de todos aqueles que, ao longo dos últimos anos, como alunos ou estudiosos, se interessaram pela história e pela economia dos Açores.
Segundo o secretário regional, com a morte de Fátima Sequeira Dias, que também deixa larga participação cívica na imprensa açoriana, a Região e, em particular, a Universidade dos Açores ficam “mais pobres”.
Fátima Sequeira Dias, que faleceu na passada segunda-feira com 54 anos, é autora, entre outras obras, de “Os Açores na História da Arte” e do “Dicionário Sentimental da Ilha de S. Miguel”.
JornalDiario
2013-01-09 12:40:00
Etiquetas:
açores
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
SANTA MARIA ILHA-MÃE, ILHA AMARELA
d Jornal O Baluarte's photo.
Documentário "TESOUROS FÓSSEIS DA ILHA AMARELA"
(RTP 2012)entre os 4 documentários em exibição permanente no
Museu Nacional Soares dos Reis
O Documentário "Tesouros Fósseis da Ilha Amarela" que aborda uma viagem surpreendente à ilha de Santa Maria, única ilha do arquipélago com fósseis de 5 e 6 milhões de anos, da autoria do jornalista Luís Henrique Pereira, com imagem de Marcos Prata, é uma das obras seleccionadas que irão fazer parte da exposição Ciência e Arte no Museu Nacional Soares dos Reis instalado no Palácio dos Carrancas, na cidade do Porto.
Esta exposição, subordinada ao tema "Ciência e Arte", é uma iniciativa da Ciênc ia 2.0 e o Museu Nacional Soares dos Reis que inclui trabalhos de "Fotografia", "Ilustração", "Documentário Audiovisual", "Animação", "Artes Plásticas" e "Arte Interativa Multimédia".
A exposição com as obras escolhidas estará presente no Museu Nacional Soares dos Reis, entre os dias 19 de janeiro e 24 de fevereiro de 2013.
Esta exposição pretende dar espaço e oportunidade a autores e artistas de arte ligada a temas de ciência para exporem as suas obras num espaço de divulgação privilegiado, no centro da cidade do Porto. O projeto Ciência 2.0, desenvolvido na Universidade do Porto, procura, através deste tipo de ações e da criação de conteúdos multi-plataforma, promover um maior diálogo entre ciência e sociedade, abrindo ao público a possibilidade de participar com conteúdos de divulgação científica.
O Documentário "Tesouros Fósseis da Ilha Amarela" que aborda uma viagem surpreendente à ilha de Santa Maria, única ilha do arquipélago com fósseis de 5 e 6 milhões de anos, da autoria do jornalista Luís Henrique Pereira, com imagem de Marcos Prata, é uma das obras seleccionadas que irão fazer parte da exposição Ciência e Arte no Museu Nacional Soares dos Reis instalado no Palácio dos Carrancas, na cidade do Porto.
Esta exposição, subordinada ao tema "Ciência e Arte", é uma iniciativa da Ciênc ia 2.0 e o Museu Nacional Soares dos Reis que inclui trabalhos de "Fotografia", "Ilustração", "Documentário Audiovisual", "Animação", "Artes Plásticas" e "Arte Interativa Multimédia".
A exposição com as obras escolhidas estará presente no Museu Nacional Soares dos Reis, entre os dias 19 de janeiro e 24 de fevereiro de 2013.
Esta exposição pretende dar espaço e oportunidade a autores e artistas de arte ligada a temas de ciência para exporem as suas obras num espaço de divulgação privilegiado, no centro da cidade do Porto. O projeto Ciência 2.0, desenvolvido na Universidade do Porto, procura, através deste tipo de ações e da criação de conteúdos multi-plataforma, promover um maior diálogo entre ciência e sociedade, abrindo ao público a possibilidade de participar com conteúdos de divulgação científica.
--
Jornal O Baluarte's photo.
The Guardian recomenda Santa Maria como um dos
melhores 20 destinos de praia para 2013
O jornal The Guardian, um dos maiores tablóides ingleses, recomenda Santa Maria como um dos melhores 20 destinos de praia para 2013.
A Pousada de Juventude de Santa Maria é recomendada para a estadia e referida como o local ideal para "relaxar junto à piscina ou desfrutar do bar"
Link do jornal: http://www.guardian.co.uk/ travel/2013/jan/04/ 20-best-beach-bargain-holidays- 2013
O jornal The Guardian, um dos maiores tablóides ingleses, recomenda Santa Maria como um dos melhores 20 destinos de praia para 2013.
A Pousada de Juventude de Santa Maria é recomendada para a estadia e referida como o local ideal para "relaxar junto à piscina ou desfrutar do bar"
Link do jornal: http://www.guardian.co.uk/
--
domingo, 6 de janeiro de 2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
temática literária dos Açores
Land of Milk and Money
(Tagus Press) is a novel about a fight among the
descendants of Azorean immigrants to inherit a
Central California dairy farm. Two book events are
scheduled in the near future:
Sunday, January 20, 2013,
1:00 pm
Portuguese Historical and
Cultural Society
St. Elizabeth’s Church, 12th
& S Streets, Sacramento
Friday, February 15, 2013,
7:00 pm
Books, Inc., Opera Plaza
601 Van Ness Avenue, San
Francisco
The author will read selected
passages and sign copies of his book. (See the link
below for the novel’s website.)
--TB
Anthony Barcellos
Davis, California
**************************
2.
--- On Wed, 12/26/12, portuguesestudiesctr@umassd.edu
|
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
DEPUTADOS AÇORIANOS ETC
Os deputados Hobbit
Por estes dias ouço, à mesa do
café, que os deputados regionais tornaram-se numa raça esquisita
que não querem trabalhar.
De nada valem as minhas explicações
sobre o trabalho das comissões parlamentares, pouco conhecido, é
certo, mas que ocupa, ao que parece, muitos dos deputados, no período
em que não há plenário.
Por mais que alguém se esforce em
defesa do parlamentarismo regional, a verdade é que as gentes destas
ilhas, no intervalo da “Gabriela”, têm como principal desporto
malhar na deputação de cá e de lá.
Deveriam os nossos deputados
melhorar esta imagem junto da população?
Claro que sim.
Então o que fizeram no início
desta nova legislatura?
Meteram férias!
Trabalharam 15 dias em plenário,
fazem gazeta durante o mês de Dezembro e voltam à actividade no
dia... 15 de Janeiro!
E desta vez não vale a pena
argumentar com o trabalho das comissões.
É que a própria Presidente do
parlamento veio, desastradamente, explicar o motivo das “férias”
forçadas: “Não houve tempo de preparar matéria para ir a
plenário”!
Uma casa que gasta 12 milhões de
euros por ano não teve tempo para preparar matéria para levar a
plenário?
Então só vem dar razão aos que
defendem a redução do número de deputados e dos seus vencimentos.
Bonito exemplo para os que labutam
diariamente, de manhã até à noite, no meio de tantas dificuldades,
e que têm de apresentar matéria todos os dias para laborar.
Já imaginaram os professores não
darem aulas porque não tiveram tempo para preparar a matéria?
Já imaginaram os médicos deixarem
de operar porque não tiveram tempo para preparar o material?
Já imaginarem os jornalistas não
darem notícias porque não tiveram tempo para recolher a matéria?
Os deputados deveriam estar, todos,
em plenário neste mês de Dezembro, porque quando estão
desocupados, fazem ou dizem as coisas mais absurdas.
Por exemplo, acabo de ler algures
que um deputado do Pico propôs “um governo para cada ilha”!
E para cada concelho, não seria
mais prático? E porque não para cada freguesia?
Já há uns tempos atrás, um
candidato à liderança nacional do PSD foi ao Pico propor a
construção de um túnel entre aquela ilha e o Faial...
Há inspirações que não deviam
passar dos muros vaporizados das adegas do Pico.
****
JÁ VAI TARDE I – A Universidade dos
Açores enviou uma carta ao Ministério da Educação a informar que
encerrará as portas se não receber financiamento até Fevereiro. Se
eu fosse o Ministro, responderia como de professor para aluno: “Não
tomas juízo, não te reorganizas, não estudas, mereces ser
chumbado!”.
****
JÁ VAI TARDE II – Vasco Cordeiro foi
aos EUA pedir para que o choque na Base das Lajes não seja altamente
voltaico. Se eu fosse Obama, responderia como de pai para filho:
“Chegaste tarde e a más horas, agora vais de castigo!”.
****
JÁ VAI TARDE III – Afinal os
pescadores de Rabo de Peixe sempre tinham razão.
As obras no porto daquela vila nunca
poderiam resultar como, teimosamente, os políticos quiseram.
Já lá vão uns bons milhões ali
enterrados e começa a ser um sintoma doentio enterrar os nossos
impostos em mamarrachos, cujo maior exemplo continua a ser o fúnebre
Casino, as Termas das Furnas e a Biblioteca de Angra.
Nunca mais aprendem!
Pico da Pedra, Dezembro 2012
Osvaldo Cabral
-- Recebeu esta mensagem porque está inscrito no grupo "World Azorean Internet Meeting Place" dos Grupos do Google.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
univ dos açores ameaça fechar
A
Universidsade dos Açores suspende todas as suas funções em fevereiro de
2013, caso se mantenham as atuais condições de financiamento.
A informação consta de uma carta enviada pelo reitor, Jorge Medeiros, ao ministro da educação, Nuno Crato.
O documento explica que há um buraco de quase três milhões de euros entre as receitas e as despesas previstas para 2013.
A Universidade dos Açores receberá 12,2 milhões de euros do Orçamento Geral de Estado, as propinas deverão render cerca de 3,7 milhões e não estão previstas receitas de prestação de serviços.
Nas despesas, o peso dos vencimentos é de quase 17 milhões de euros, o funcionamento custa 1,8 milhões e os empréstimos mobilizam 400 mil euros em 2013.
Antena 1 Açores
, osvaldo.cabral wrote:
A informação consta de uma carta enviada pelo reitor, Jorge Medeiros, ao ministro da educação, Nuno Crato.
O documento explica que há um buraco de quase três milhões de euros entre as receitas e as despesas previstas para 2013.
A Universidade dos Açores receberá 12,2 milhões de euros do Orçamento Geral de Estado, as propinas deverão render cerca de 3,7 milhões e não estão previstas receitas de prestação de serviços.
Nas despesas, o peso dos vencimentos é de quase 17 milhões de euros, o funcionamento custa 1,8 milhões e os empréstimos mobilizam 400 mil euros em 2013.
Antena 1 Açores
, osvaldo.cabral wrote:
Há muito tempo que se sabia que a Universidade dos Açores
tinha que se regenerar.
Os seus responsáveis deixaram arrastar a situação e agora
estão com a bomba a rebentar-lhes nas mãos, sem saber o que
fazer.
Há muito que a UA deveria ter aberto um debate sobre o seu
futuro e o papel da região no mesmo.
Em Outubro, chamei a atenção no seguinte artigo nos jornais:
Salvar a Universidade
É curioso que, 37 anos depois da
nova Autonomia, dois dos seus principais pilares estejam hoje
ameaçados pela sustentabilidade: a Universidade e a
RTP-Açores.
Sobre o futuro da televisão,
reflectiremos nos próximos dias. Dediquemo-nos agora à
Universidade.
É inegável que a Universidade
dos
Açores constitui, hoje, o motor regional do conhecimento, da
investigação e da formação.
A academia açoriana tem dado um
contributo impagável à fixação de jovens e à qualificação dos
nossos recursos humanos (90% dos seus alunos são açorianos).
Sendo uma instituição
estratégica
no nosso modelo autonómico, a Região não pode voltar as costas
aos
problemas da Universidade dos Açores, sem menosprezar a sua
autonomia académica.
E os problemas, pelo que vamos
assistindo, são graves.
Começando pelo seu
financiamento, a
Universidade vai perder no próximo ano mais de meio milhão de
euros
nas transferências do Estado e vai ter que pagar, a breve
trecho,
400 mil euros de um empréstimo contraído ao Ministério das
Finanças.
Certamente que a Região não
deixará que problemas de subfinanciamento afectem o
funcionamento e
a qualidade da Universidade, mas a nossa academia também terá
que
fazer um esforço para se reestruturar e adaptar-se à nova
realidade
deste tempo.
É preciso que a Universidade dos
Açores se envolva mais com a sociedade, a fim de percebermos e
nos
envolvermos no apoio ao seu funcionamento.
A Universidade deveria
esclarecer, a
todos nós contribuintes, qual a estratégia que pretende
assumir
para a sua sobrevivência e como resolve inúmeros problemas de
gestão – exploração e investimentos -, para os quais só se
ouvem interrogações e grandes preocupações.
São muitas as questões que a UA
deveria esclarecer publicamente e explicar, serenamente, do
que
precisa para resolvê-las.
Eis uma lista delas:
-
A UA tem uma estratégia a curto ou longo prazo para o seu funcionamento? Qual? Como vai aplicá-la?
-
O “Plano Estratégico de Desenvolvimento da UA para o período 2012-2015” que encomendou está a ser aplicado? Com que resultados?
-
Os problemas financeiros da UA são de exploração ou de investimento?
-
Quanto custa a tripolaridade? Ela está adaptada a esta situação de restrições? Há ou não sobreposições nos 3 pólos?
-
A construção do novo pólo de Angra está na base dos problemas financeiros da UA? Em que dimensão e que erros se cometeram?
-
Quais são os resultados das inúmeras investigações das várias unidades orgânicas? Elas gerem receitas?
-
É verdade que as verbas destinadas aos projectos de investigação são desviados para pagar custos fixos?
-
Como e onde são aplicadas as verbas do IMAR e da Fundação Gaspar Frutuoso?
-
A UA tem recorrido a parcerias com empresas e ao financiamento europeu?
-
É verdade que há professores que não trabalham, mas recebem o ordenado no fim do mês?
-
É verdade que foram organizados cursos apenas para não dispensar professores?
-
A UA tem cursos a mais? Estão todos adaptados ao mercado de trabalho ou está-se a formar jovens para o desemprego certo?
-
Há alunos que estão a abandonar a Universidade porque não lhes resolvem os problemas e até são obrigados a comprar materiais para os seus trabalhos?
-
É verdade que a maioria dos alunos que ingressam na UA são oriundas de famílias com menores rendimentos? Metade dos matriculados recorrem a bolsas? Que respostas a UA dá a estes alunos em dificuldades?
-
As várias unidades orgânicas da UA são tratadas por igual ou as que melhor gerem os seus departamentos são incentivadas e premiadas? E aos que gerem mal, o que acontece?
Estas são apenas algumas das
preocupações do cidadão comum.
Este contexto de restrição
orçamental não pode servir de desculpa para entraves
tradicionais
que impedem a melhoria dos índices de desempenho da nossa
Universidade.
Há que reformular atitudes,
acabar
com “capelinhas”, desmantelar teias instaladas e impor
soluções
inovadoras e corajosas em toda a actividade académica.
Deixar o problema arrastar-se, é
pôr em causa a nossa própria Autonomia.
Pico da Pedra, Outubro 2012
Osvaldo Cabral
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
ser escritor no Faial
http://www.youtube.com/watch?v=Y421LFraZEc&feature=share
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sábado, 8 de dezembro de 2012
A BASE DAS LAJES - AÇORES
irei publicando as minhas crónicas semanais do "Correio dos Açores", "Diário Insular", "Portuguese Times" e "LusoPress de Montreal".
Esta vem a propósito da Base das Lajes, uma das polémicas da actualidade nacional e regional.
POLÍTICOS DISTRAÍDOS
É surpreendente a “surpresa” dos governos da república e regional sobre a redução de efectivos na Base das Lajes.
Na senda típica da política à portuguesa, quando a classe é confrontada com um desfecho desfavorável que estava à vista de todos, mostra-se uma “surpresa” para esconder a forma desprevenida como é apanhada nas suas trapalhadas.
O caso da Base das Lajes é, apenas, mais um exemplo desse comportamento de empurrar com a barriga os assuntos melindrosos e complicados de resolver, para depois manifestar espanto pelo desastre final.
Há muito tempo que se sabia das intenções da Casa Branca.
Os próprios congressistas luso-americanos, que ainda vão fazendo “lobby” a favor dos Açores, vieram no início do ano a Lisboa e à nossa região para deixar alertas concretos do que aí vinha.
Ninguém lhes deu ouvidos.
É timbre, desde há algum tempo, a política nacional e regional desvalorizarem o potencial que possuimos em Washington através do influente grupo luso-americano.
Trata-se de uma atitude altamente prejudicial aos Açores.
Os Açores maltratam a comunidade açoriana radicada nos Estados Unidos via SATA; não assumem um relacionamento de vanguarda com os políticos luso-americanos; tem uma visão folclórica e de procissão com as autoridades norte-americanas; limita-se a estender a passadeira vermelha a um simples Sheriff que alberga o pessoal a repatriar.
É deplorável a ausência de uma estratégia concertada e inteligente no relacionamento dos Açores com as autoridades americanas.
Perdemos, nestes últimos anos, oportunidades irrepetíveis para estarmos na linha da frente desse relacionamento.
Pelo contrário, permitimos que a diplomacia lisboeta ocupasse todos os caminhos que nos eram estendidos, para benefício de alguns sectores continentais, como as contrapartidas em equipamentos militares ou o financiamento da FLAD.
Há muito que deveríamos ter tomado a dianteira na exigência da renovação do Acordo de Cooperação e Defesa com os EUA, caduco e desactualizado há quase duas dezenas de anos.
Desde 1995 que o açoriano ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof. Medeiros Ferreira, vem alertando para a fragilidade do Acordo em vigor, classificando-o como “o pior de sempre”.
Mais uma vez não lhe deram ouvidos.
Outro especialista nacional em estratégia, o açoriano Prof. Miguel Monjardino, também vem alertando há muito tempo para as profundas mudanças na política internacional dos EUA, que agora se concentra na vasta região do Médio Oriente ao Pacífico Ocidental.
Ninguém quis saber.
Quando o Prof. Luis Andrade, da Universidade dos Açores, especialista em assuntos internacionais, assessorou o Governo Regional, era notória uma maior preocupação açoriana nestes assuntos de geoestratégia e uma maior valorização da nossa presença na Comissão Bilateral.
Perdeu-se tudo isso.
O resultado é histórico: o caso do campo de treino para os modernos F-22 nas Lajes foi conduzido de forma trapalhona; a polémica sobre quem pagaria a repavimentação da pista das Lajes foi outra trapalhada; no Acordo Laboral e na extinção do inquérito salarial manteve-se a trapalhada.
Ou seja, de incompetência em incompetência, chegamos a este resultado final, com os Estados Unidos a aplicar-nos uma espécie de diplomacia prostituida: usar e meter fora.
Só faltava agora a hipocrisia das virgens ofendidas... ou “surpreendidas”.
Haja paciência!
***
JORNALISMO – As mortes de Manuel Ferreira, em S. Miguel, e do jornal “A União”, na Terceira, são um duro golpe no jornalismo açoriano.
O que vem aí em relação à RTP-Açores também não é boa notícia.
Desde há muito que Miguel Relvas e a administração da RTP resolveram deixar cair a televisão açoriana, o único canal do grupo que não viu um cêntimo de investimento na última década, deixando-a apodrecer para dar a machadada final no início do próximo ano.
Ao que sabemos, Miguel Relvas já enviou uma carta a Vasco Cordeiro, dando conta do golpe de misericórdia.
Escandalosamente, o Presidente da RTP deslocou-se na semana passada a Angola, onde prometeu investir num acordo de cooperação com a TPA, Televisão Pública de Angola, fornecendo pessoal e equipamentos para formação de quadros angolanos, realização de co-produções de conteúdos e até a reprodução de uma Academia RTP naquele país...
Infelizmente os Açores não têm petróleo.
Pico da Pedra, Dezembro 2012
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açores
RABO DE PEIXE PELA POSITIVA
A agora denominada Vila de Rabo de Peixe, em S. Miguel, é quase sempre notícia pela negativa na imprensa regional e nacional.
Desta vez o jornal "Público" abriu uma excepção e reportou uma bela peça, no seguinte endereço:
http://www.publico.pt/cultura/ noticia/esta-orquestra-e-uma- ilha-1575667
--osvaldo cabral http://www.publico.pt/cultura/
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
crise do jornalismo nos açores
A crise do jornalismo
Osvaldo Cabral
Há jornais que estão a fechar nos Açores e outros que ameaçam encerrar se não se reestruturarem.
A televisão açoriana corre o risco de desaparecer, se a região não
assumir a sua gestão, como pretende o Ministro Miguel Relvas, que enviou
carta nos últimos dias a Vasco Cordeiro, segundo sei, a informá-lo da
intenção.
É um cenário semelhante ao que se vive no panorama nacional, com as devidas dimensões.
Quais as causa e as consequências?
A crise económica tem contribuído, sem sombra de dúvidas, para este quadro, mas não explica tudo.
Na imprensa tradicional, a inadaptação às novas tecnologias e a
incapacidade para inovar em toda a linha da actividade, parecem ter uma
quota parte.
É difícil encontrar dados objectivos na nossa
região para uma análise objectiva e conclusiva deste panorama, mas se
olharmos para o cenário nacional, não andaremos muito longe dos mesmos
reflexos entre nós.
O mercado publicitário em Portugal perdeu 280 milhões de euros nos últimos cinco anos.
Só este ano é muito provável que os media portugueses consigam um
volume de receitas comerciais, na melhor das hipóteses, de meio milhão
de euros, o que significará uma quebra de 15% face ao ano passado.
Quer isto dizer, para quem não sabe, que o bolo publicitário poderá atingir este ano o valor mais baixo dos últimos 14 anos.
A piorar este quadro, temos ainda a quebra de vendas.
Os jornais diários generalistas, em Portugal, vendem hoje menos 100 mil
exemplares por dia do que há dez anos atrás (253 mil exemplares por dia
em 2012, contra os 354 mil em 2002).
Nos Açores não há números
registados sobre as receitas publicitárias e relativamente à venda de
exemplares não há fiabilidade porque a tiragem dos jornais açorianos não
é controlada, à boca das impressoras, pela Associação Portuguesa para o
Controlo de Tiragem e Circulação.
Mas o cenário não deve ser muito diferente.
No caso das receitas publicitárias, é certo que elas têm caído em todos
os media açorianos, com a agravante de muitos se queixarem dos atrasos
de pagamentos de publicidade institucional e outros fornecedores
habituais de publicidade.
Quanto à tiragem, regista-se uma
ligeira quebra, comparada com tiragens de há cinco anos atrás,
explicando-se esta diferença em relação aos jornais nacionais com o
facto dos media açorianos basearam, ainda, grande parte das suas vendas
nas assinaturas pagas.
Estes factores têm concorrido para a
crise que se vive nos media, provocando fecho de jornais, despedimentos,
restrições na actividade, adiamento de projectos, cortes nos ordenados,
menor número de páginas e venda de activos ou de património.
Claro que esta fragilidade tem consequências óbvias nos conteúdos,
enfraquecendo não só a qualidade, como pondo em causa a independência,
rigor e isenção da actividade profissional.
Mas a situação torna-se ainda menos sustentável quando as empresas não se inovam e recusam adaptar-se aos novos tempos.
A imprensa tradicional já não é o que era e vai continuar a enfrentar “choques tecnológicos” a cada ano que se passa.
É curioso que o único suporte onde esta tendência de quebra se inverte é na Internet.
Embora de forma ainda tímida, as receitas estão a subir nas plataformas
de multimedia, não admirando, por isso, que muitos jornais tradicionais
estejam a transferir todo o seu potencial para as multiplataformas
digitais.
Nos Açores, onde tudo chega sempre mais tarde, há
também algumas mudanças, mas ainda muito incipientes e com falhas
clamorosas ao nível da imprensa escrita.
Apesar de tudo, temos o
exemplo da plataforma multimedia da RTP-Açores, que já faz o seu
caminho de sucesso, com um número interessante de visualizações,
destacando-se também o sucesso do portal do seu Correspondente na
Graciosa, que já é considerado um "case study".
A emigração
açoriana tem um efeito multiplicador nestas novas plataformas, coisa que
a imprensa não deveria descurar e apostar mais em força.
Outro
factor essencial na geração de hoje, são os jovens que consultam as
redes digitais, em detrimento da imprensa tradicional.
O imediatismo que se ganhou nos últimos anos ultrapassou a paciente laboração das redacções.
Há quem diga mesmo que a reconversão tecnológica apanhou desprevenido o
jornalismo, com as redes sociais a ultrapassarem a lógica do
funcionamento do jornalismo tradicional.
Daí ao mercantilismo da profissão foi um ápice.
Deixou-se de optar pelo jornalismo puro e duro, em que pontificavam
profissionais audazes e com talento natural, em detrimento de jovens
qualificados, é certo, mas com uma formação prática pouco adequada à
actividade e adaptados a uma precaridade que o mercado rapidamente
absorveu, para colmatar a frágil situação financeira dos media.
A regeneração trouxe outros problemas, como a facilidade de utilizar
todos os instrumentos tecnológicos ao dispor, mas sem tempo para
tratá-los e sem base de reflexão.
A visão romântica do
jornalismo da minha geração está ser esmagada por esta forte competição
do imediatismo do digital e do lucro das empresas.
Neste cenário competitivo perdem-se algumas qualidades, com os naturais atropelos na técnica e no conteúdo.
A prova está no estudo “Desafios do jornalismo”, que a Obercom realizou
em 2010, com base numa amostra de 212 profissionais da comunicação
social, onde se conclui que grande parte dos jornalistas reconhece que
as notícias estão “cada vez mais cheias de erros factuais” e as peças
jornalísticas tratadas de forma cada vez menos rigorosa e precisa.
Outro problema detectado é o desinteresse em abordar temas de maior
complexidade, que exigem mais tempo e um tratamento profissional mais
aprofundado, como é o caso do jornalismo de investigação.
Conclui-se neste estudo que a pressão do imediatismo a preocupação com
as audiências passaram a marcar a agenda noticiosa nas redacções, em
prejuízo da maior disponibilidade dos media para a abordagem rigorosa
dos acontecimentos actuais e de interesse público.
Quase todos
os especialistas que se dedicam a analisar o comportamento dos media
convergem neste diagnóstico, que é comum nos Açores.
José Luis
Garcia, sociólogo e investigador no Instituto de Ciências Sociais da
Universidade de Lisboa, publicou o livro “Estudos sobre os jornalistas
portugueses”, onde faz um retrato duro da situação: “o jornalista está
quase a ser obrigado a esquecer a sua profissão de fé, o seu juramento
com a vida pública. Isto deve-se à pressão que está a ser exercida pelas
novas formas de gestão, que estão acavalitadas pela revolução
tecnológica digital e que produzem uma possibilidade de expansão do
negócio para além de conteúdos jornalísticos, que são todos os conteúdos
vendáveis do ponto de vista do mercado”.
Por outras palavras, o
produto jornalístico tende a ser tratado como mera mercadoria, em vez
de um “bem de conhecimento”, pelo que os media passam, assim, a tratar o
leitor não como um cidadão, mas como um mero consumidor.
José
Luis Garcia está contra esta dicotomia, porque entende que o jornalismo é
uma actividade que nasce da necessidade da esfera pública ser “munida
de informações, de conhecimentos que dão sentido à vida pública e
social. Não nasce da necessidade de se obter lucro para as empresas. O
jornalista tem um vínculo ético com a sociedade e não pode prescrever
falsas informações, propaganda ou conteúdos mediáticos ao serviço apenas
das audiências que gerem lucro. O espaço público está inundado por
formas corruptas de jornalismo ou informação”.
É neste dilema,
entre o compromisso profissional e a sobrevivência económica, que o
papel do gestor se torna figura central na redacção.
A polémica
do envolvimento dos jornalistas na própria gestão dos media é uma
discussão antiga que nasceu em vários media internacionais.
Não sei o que se passou no jornal "A União", mas não seria de descurar
se os seus responsáveis, antes de tomarem a drástica decisão, tentassem
envolver jornalistas e restantes quadros na própria gestão do jornal.
Em 1976, no I Seminário de Jornalismo realizado em Lisboa, o
responsável pela concepção do semanário francês “Le Nouvel Observateur”
introduziu o debate.
Dizia Bernard Le Roy: “Parece-me
fundamental que nós, jornalistas, nos interessemos pelos domínios da
técnica e da gestão se quisermos conservar o controlo sobre o jornal, em
cuja feitura a nossa participação é de facto importante.
Quaisquer que sejam as nossas opiniões políticas ou filosóficas, não
creio que no mundo da tecnologia em que vivemos, seja possível ir contra
a evolução dessa tecnologia, pois não podemos de modo algum perder o
comboio do progresso.
Se nós, jornalistas, não compreendermos o
que se passa no domínio das técnicas, escapar-nos-á completamente o
controlo do jornal.
É, pois, muito importante sabermos aquilo
que as nossas máquinas podem ou não fazer, qual o tempo que gastam na
realização das suas tarefas, em que condições as executam, com que
qualidades e por que preço teremos os resultados do seu trabalho.
De outro modo, arriscamo-nos a ver chegar à nossa empresa técnicos cujo
calão profissional ignoramos em absoluto e que, em breve, acabariam por
controlar o jornal”.
Ou seja, o jornalista, hoje, não pode
permanecer apenas na redacção sem conhecer, também, o restante circuito
laboral da sua empresa.
Trata-se de um debate interno, nos media de hoje, que não anda muito longe das preocupações de Le Roy há 36 anos atrás.
Foi com base nestes argumentos que, no início dos anos 80, conseguiu-se
alterar a gestão gráfica e jornalística do jornal “Correio dos Açores”,
que é um exemplo de recuperação de jornal praticamente perdido no
mercado. Os seus jornalistas e funcionários assumiram a gestão do jornal
e conseguiram recuperá-lo até aos dias de hoje.
O choque
tecnológico trouxe alguns dissabores, mas permitiu salvar este diário de
Ponta Delgada e guindá-lo para outro patamar da modernidade.
Todas as alterações profundas têm custos, mas recusar a adaptação às próprias mudanças da sociedade, é ficar para trás.
Por exemplo, há umas décadas atrás, ainda na era do “off-set” (e alguns
sobrevivendo nas velhas “linotypes”, como os da minha geração, que
apanharam todas estas transições), jamais se imaginaria o jornalista a
ter como missão escrever a reportagem para o jornal, gravar o
acontecimento em vídeo e editá-lo, colocar um “post” no multimedia,
gravar alguns sons e colocá-los com dois ou três parágrafos nas várias
plataformas (telemóvel, ipad, etc.).
Foi uma evolução rápida, mas também com consequências.
Desde logo, o jornalista ficou com menos tempo para pensar, corrigir ou voltar a confirmar.
Dir-se-á que o jornalismo enriqueceu no imediatismo, mas empobreceu na riqueza do conteúdo.
A agravar o novo paradigma, temos nos Açores, pela sua dimensão, um
espaço público pouco diversificado, pouco dado ao debate e ao confronto
de ideias, e muito ausente dos grandes temas que afectam a cidadania.
É por isso que as excepções são sempre notícia, mas acabam por cansar o
público porque as figuras mediatizadas são sempre as mesmas.
Se os media não se abrirem à cidadania correm o risco de afunilarem o
seu pensamento, anulando, assim, o contributo para um debate aberto e
plural que a sociedade requer.
É disto que se queixam alguns
estudiosos, apontando como defeito a proliferação dos mesmos
comentadores, os mesmos opinadores, as mesmas vozes, os mesmos
protagonistas, diminuindo o espaço plural e a participação de outros
cidadãos.
Acresce a tendência, cada vez maior, do poder
político dominar o discurso dos media, através da criação de gabinetes
de assessores e assistentes recrutados, exactamente, nas redacções dos
jornais.
O colunista Leonel Moura defende que, perante este cenário,
é preciso um novo poder, dando como exemplo a internet: “Não foi criada
por políticos, empresários, gente influente ou filósofos. Emergiu de um
conjunto de saberes dispersos e muito voluntarismo de jovens
libertários. Mas mudou radicalmente o mundo. Hoje bem podem os poderes
convencionais tentar controlá-la, transformá-la num simples produto
mercantil ou procurar desviá-la para o serviço ideológico, mas a
internet, ou pelo menos parte dela, continuará a evoluir no sentido da
sua génese de dotar a sociedade humana de um espaço único de liberdade e
partilha global de saberes e experiências”.
Em resumo, os meios convencionais não podem deixar-se morrer sem que experimentem uma regeneração a meio termo.
A sociedade mudou e há que adaptar novas formas de aproximação aos
cidadãos, bombardeados diariamente com uma actualização de todos os
assuntos, graças aos novos meios de comunicação.
Os jornais têm
que encarar este novo paradigma com toda a frontalidade, porque
ignorá-la, como alguns estão a fazer, é o suicídio certo do jornalismo
em papel.
Nestes últimos cinco anos, meia dúzia de jornais
desapareceram da circulação nos Açores, outros estão mergulhados em
dificuldades e até o serviço público de rádio e televisão vive os piores
dias da sua história.
Há que provocar um sério debate, com
reflexão serena, sobre o futuro do sector e o que pretendem os açorianos
do serviço público regional.
Este debate é oportuno e oxalá se estenda a outras ilhas.
É que matar a imprensa açoriana é matar a história dos Açores, porque,
como alguém já alertou, a partir da primeira metade do século XIX, a
história dos Açores é, em boa parte, a história dos seus jornais.
Mário Bettencourt Resendes, de saudosa memória, jornalista açoriano,
Director do “Diário de Notícias” durante doze anos, lançou o alarme em
2004, como orador convidado do Dia da Região Autónoma dos Açores, que
decorreu na ilha Graciosa.
“A imprensa nasce então na ilha
Terceira por obra dos liberais, e não é por certo coincidência o facto
de as grandes inovações em matéria de comunicação social chegarem às
ilhas como consequência da acção de movimentos revolucionários de pendor
democrático”, lembrou Bettencourt Resendes, numa intervenção recheada
de desafios para os tempos actuais.
A leitura que fazia então
dos Açores na relação com a imprensa era assim sintetizada: “A
sintonização da vida dos açorianos com o tempo da modernidade
confronta-se agora com outros patamares em matéria de sociedade
mediática. As novas tecnologias de Informação, e em particular a
Internet, são instrumentos indispensáveis de acesso ao saber e, num
cenário arquipelágico, ganham um significado acrescido de esbatimento
das distâncias face aos centros de decisão e às bases de concentração de
dados”.
É neste contexto que a imprensa açoriana tem que se regenerar.
Com muitas dificuldades, é certo, mas se optarmos por seguir caminhos
convencionais já desajustados do nosso tempo, ou se preferirmos dar o
salto sem cuidar do rigor e seriedade da profissão, como acontece em
muitos jornais nacionais, então o melhor é mesmo ir pensando no fim da
etapa.
É que os novos leitores, das próximas gerações, vão ser leitores digitais.
Poucos irão aderir ao papel, como hoje. A evolução e o rápido acesso
aos equipamentos digitais vão obrigar os media a alterar as suas rotinas
e os seus suportes.
E não será apenas no sector da comunicação
social. Será, também, nas escolas, onde os livros também serão
substituídos pelos equipamentos tecnológicos.
Já é assim em várias partes do globo.
Por exemplo, no estado norte-americano da Florida, o quarto maior dos
EUA, as 400 escolas públicas de Miami Dade (Grande Miami), já funcionam
apenas recorrendo a instrumentos digitais.
Curiosamente, o
autor desta revolução é um luso-americano, Alberto Carvalho, de 48 anos,
Superintendente do Condado de Miami Dade (o equivalente ao Secretário
Regional da Educação de Miami), gerindo um orçamento de mais de 2 mil
milhões de euros, com 53 mil empregados, 23 mil professores e 500 mil
estudantes.
Alberto Carvalho implementou o Wi-Fi nas 400
escolas e adoptou uma política que permite todos os alunos terem o seu
equipamento electrónico, com um programa académico personalizado.
Com este método, os alunos deixam de utilizar o papel.
É um exemplo do que poderá ser o futuro também nos Açores.
“Vai haver muita resistência – avisa Alberto Carvalho – devido à
mudança das coisas que conhecemos, o cheiro do papel, etc. A indústria
não se vai adaptar rapidamente, porque ganha muito dinheiro com os
livros escolares impressos. Essa mudança digital vai ser tectónica – a
tensão será criada pelos estudantes digitais, que estão aborrecidos”.
Não custa acreditar que, a partir daqui, o mesmo acontecerá com os jornais em papel.
Não significa que todos irão desaparecer, mas o número de vendas
diminuirá com as novas gerações e, consequentemente, alguns terão muitas
dificuldades em sobreviver.
A procura de notícias e de
informação através dos meios digitais será cada vez maior, até porque os
açorianos já passam várias horas, diariamente, diante do computador
(média em Portugal de uma hora e meia só nas redes sociais).
Bettencourt Resendes, numa visão correcta do que vinha aí, avisou: “À
imprensa escrita cabe ainda, nos tempos de tempestades deontológicas que
atravessamos, ganhar o distanciamento suficiente de reflexão face à
vertigem dos ritmos audiovisuais. Os episódios dramáticos que têm
abalado a sociedade portuguesa nem sempre foram tratados com o rigor e o
enquadramento recomendáveis pelo melindre de tudo o que estava – e está
– em causa. Só uma utilização cuidadosa de filtros de bom senso e
inteligência pode funcionar como mecanismo de auto-regulação capaz de
prevenir as tentações de excessos regulamentadores que vêm à tona nestes
períodos conturbados e que encontram um eco compreensível em colectivos
chocados com o ruir de valores ou de protagonistas que se tinham por
irrepreensíveis”.
Saibam os Açores, os açorianos e os seus
profissionais de informação dotarem-se deste bom senso para levar o
jornalismo da nossa região à categoria do melhor que já se fez e que se
fará ao longo dos novos tempos.
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
AÇORES DOS AÇORES
http://www.lusofonias.net/cat_view/107-textos-escolhidos/125-acores.html?view=docman
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012
A CHINA E A BASE DAS LAJES NA TERCEIRA
1ª Página » A China quer as Lajes
http://inteligenciaeconomica.com.pt/?p=15485
http://inteligenciaeconomica.com.pt/?p=15485
A China quer as Lajes
19/11/2012
Há poucos meses, sugerimos aqui
(como ironia e para sublinhar os limites estreitos do quadro
financeiro-económico em que Merkel e amigos puseram a Europa a definhar)
que os responsáveis portugueses deveriam antecipar as ordens de Merkel e
do ‘Bild’ para “vender as ilhas” e começarem já a trabalhar nesse
cenário. Mal adivinhámos na altura que o trágico da realidade vai bem à
frente da nossa ironia. Não que Cavaco, Passos, Gaspar & Cª
antecipem o quer que seja mas sim porque alguém o faz. Não são os
portugueses que pensaram em vender as ilhas… São os chineses que
pensaram em comprá-las! A começar pela Terceira, nos Açores, a da Base
das Lajes! O ‘Bild’, entretanto, não deu a notícia deste interesse
chinês… Pena que assim seja.
No
fim de Junho passado, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao fez por
arranjar, no regresso de uma viagem à América do Sul, uma “escala
técnica” nas Lajes. Durante 4 horas, Wen Jiabao visitou (e também os
homens da sua comitiva…) a base e a ilha. As campaínhas de alarme
tocaram nas grandes capitais europeias e em Washington.
Bizarro…
A delegação chinesa partira do aeroporto de Santiago do Chile e a
viagem normal de regresso à China seria, simplesmente, um atravessar do
Pacífico. Como é, aliás, habitual os chineses fazerem. Então,
perguntou-se alguma gente, o que levou Wen Jiabao a mais que duplicar o
percurso de regresso? Olhando para o percurso, a resposta parece
simples. A alteração do percurso de regresso tinha apenas como
objectivo encontrar um pretexto para esta “escala técnica” que não era
tal mas sim a oportunidade para Jiabao inspeccionar a base e a ilha…
Essa era a única razão para o seu avião não estar no Pacífico mas no
Atlântico.
Em
Washington, houve imediatamente quem interpelasse o Pentágono sobre os
seus planos para ‘desinvestir’ nas Lajes (decisão que de um ponto de
vista técnico-militar pode fazer sentido mas que de um ponto de vista
estratégico é muito questionável). Com o já alto desemprego existente na
Terceira (10%) e dado que a base assegura 5% dos empregos da ilha, a
conclusão em certos círculos de Washington é que Portugal terá de
encontrar um novo ‘inquilino’ para as Lajes. Como também é conhecido que
Pequim escolheu Portugal como a sua grande porta de entrada na Europa
Ocidental e no Atlântico, as contas não foram difíceis de fazer quando
Wen Jiabao desembarcou nas Lajes.
A
Base Aérea nº4 é uma grande atracção para Pequim. Se lá puser o pé, a
China pode patrulhar as zonas norte e centro do Atlântico, pode mesmo
cortar o tráfego aéreo e marítimo entre a Europa e os EUA (que vingança
para quem tem o poderio naval americano no estreito de Taiwan e em todo o
chamado mar da China…) e também negar o acesso ao Mediterrâneo.
Uma,
apenas uma, das ilhas portuguesas do Atlântico chega para fazer ‘tocar
campaínhas’ de Pequim a Washington passando pela Europa e por Moscovo…
Para evitar mais alarmes, o Pentágono que faça o favor de proibir Merkel
de dar ‘ordens’ para “vender as ilhas” e mandá-la portar-se bem. Talvez
que Putine também possa ajudar nisso… É que pode haver alguém que siga a
‘ordem’ à risca… “Quantos milhões são precisos para tomar conta desse
partido no governo?”, perguntava, já há tempos, um ‘jornalista’ oriental
aos seus convidados na mesa de um restaurante de Lisboa. Não foi
possível ouvir a resposta.
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sábado, 3 de novembro de 2012
alma açoriana
copiei este bonito artigo publicado no Jornal Açoreano Oriental a 13 de Junho de 2011
Identidade açoriana
Somos de alguma parte, de uma terra, de um país.
Dentro de nós há um lugar, que surge como um filme que se revê, sempre
que fechamos os olhos. Cores, cheiros e até sons ou vozes animam a tela
da nossa mente, quando recordamos lugares de infância, a casa dos avós
ou a freguesia onde ainda temos família, que agora visitamos nas férias.
Um lugar onde aprendemos a ser pessoas e onde, quis o destino,
aprendêssemos a falar com um determinado sotaque e onde aprendemos a
descobrir quem somos e porque estamos aqui.
Dentro de nós há
raízes profundas que nos agarram por dentro e, por mais que viajemos,
representam um lugar seguro, onde respiramos melhor e nos sentimos em
casa.
A identidade é essa forma própria de ser, que não se
molda nem se desfigura, que não se verga nem pode ser destruída, mesmo
quando os dramas da história comprometem a sua existência, como
aconteceu com comunidades da América latina, exterminadas pela
colonização, que hoje sobrevivem no seu património e sabedoria
ancestrais.
Dentro dos açorianos, há uma fibra que não se
verga, uma rocha que não quebra, um cheiro a mar que não se apaga.
Dentro de cada açoriano, há a certeza de pertença a estas ilhas, mesmo
quando o destino quis que vivessem longe, em terras da emigração ou no
continente. Dentro daqueles que, não sendo açorianos, adoptaram esta
terra por sua, há um sentimento de pertença. E não é por acaso.
Viver nestas ilhas cria raízes. É difícil escapar à força desta gente
que soube transformar pedreiras em terras de pão, enfrentou baleias em
mar alto e se defendeu dos ataques da pirataria.
A identidade
açoriana dificilmente pode ser entendida fora do universo de crenças que
marca a história deste povo, que viu na natureza a força de um Deus que
castigava e na oração um laço que transformava o medo em esperança. As
romarias, as coroações, os bodos de leite e as promessas são bem a
imagem desse povo crente que, perante a desgraça se volta para o outro,
reforça a solidariedade e é capaz de mudar de vida.
Somos um
povo de crentes, por isso o Espírito Santo não é apenas mais uma
festividade, mas a expressão da própria identidade açoriana. Durante
semanas, as famílias que aceitam uma “dominga” nas suas casas, rezam em
comunidade; os mordomos que se dispõem a organizar a festa, preparam as
pensões, as dádivas e fomentam a partilha.
Em dia de festa, a
coroação é sem dúvida o seu momento mais importante, mas quem é coroado é
sempre o mais humilde, aquele que se dispõe a aceitar a protecção do
divino.
Somos um povo de gente humilde que aprendeu, na
adversidade, a partilhar a fartura e a se alegrar com isso. Não se
recusam convivas à mesa das sopas e ninguém nega um lance nas
arrematações, em louvor do Senhor Espírito Santo.
Somos um
povo com raízes. Raízes no mar, mas que identificam e nos prendem a
estes pedaços de terra onde nos sentimos em casa, envoltos pelo cheiro
do incenso que cobre o chão dos quartos, em dia de festa, e veste as
ruas em dia de procissão.
Não há melhor traço para unir os
açorianos, onde querem que vivam, do que invocar o Espírito Santo, que o
povo aprendeu a venerar, fora e dentro das igrejas.
Por isso,
o povo se sente identificado por ser na oitava da festa de Pentecostes
que a Região festeja o seu dia e reaviva as suas raízes, que afirmam e
distinguem a açorianidade.
(publicado no Açoriano Oriental, a 13 Junho 2011 - Dia dos Açores)
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açores
seara democrática da açorianidade
MEMORANDUM
João-Luís de
Medeiros
(em Portuguese Times, 24 Out 12)
|
Seara Democrática da
Açorianidade
Na (minha) veterana condição de imigrante, com a memória a oscilar entre a
imensidão oceânica do pacífico e a seara democrática da açorianidade,
gostaria de confirmar que cultivo o hábito de oferecer uma ‘olhada’ aos louvores
e aos epitáfios democráticos subscritos pelos habituais comentaristas da
nossa praça intelectual, mormente nesta quadra eleitoral em que o coro dos
deserdados vem à rua gritar: ‘de pé, óh vitimas da fome, não mais, não mais a
servidão’…
Ora, o resultado das recentes eleições regionais não me causaram surpresa.
Digo isto sem escorregar no lamaçal da trivialidade. Em democracia, não há
derrotas – há esperas!
Já clarifico o meu lampejar linguístico: à distância de seis mil milhas (e
cerca de 80 horas antes do anúncio do resultado legalmente conferido ao
PS/A), arrisquei adivinhar em linguagem irónica, através de um dos mais
populares programas radiofónicos da diáspora lusófona, que o jovem açoriano, dr.
Vasco Cordeiro, iria ser ‘punido’ com uma vitória absoluta…!
Vejamos: afinal, cavalheiras(os), as eleições acontecem para seleccionar
projectos ou para escolher individualidades? Estou em crer que o que
eleitorado açoriano poderá ser comparado a um idoso em busca de sossego para acender
uma velinha na escuridade. Nada se esgrimir certezas! O medo (perdão! melhor
dizendo, o pavor da tortura repetida) inspira muitos cidadãos a inventar
governos; depois (dentro desses governos) a cultura do medo engrossa a
perpetuidade institucional, a fim de evitar o apagão do desemprego, segundo o novo
evangelho troikista.
De resto, a sabedoria inerente à autonomia pessoal (não estou a falar de
competência tecnocrática) só é possível quando o cidadão aprende a
controlar-se. Neste contexto, vou já socorrer-me da poesia de Sophia de Mello Breyner
Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não…
Adiante. Há cerca de dez anos, o economista Gualter Furtado (um dos poucos
cavalheiros açorianos que não pertence à família socialista mas que merece a
minha consideração democrática) teve valentia de afirmar a diferença entre
o exercício do ‘poder’ e a assunção da ‘responsabilidade’, e entendeu
desabafar na imprensa regional o seguinte:
“ (…) Portugal está a viver dos fundos comunitários e dos empréstimos. O
país está a sofrer dois choques, o interno, devido à baixa produtividade, e o
externo pela situação internacional que não é muito favorável. O sector
público é uma autêntica ruina para o país, que não tem capacidade produtiva e
não tem produção de impostos suficientes para fazer face às necessidades do
sector público, que tem que ser fortemente redimensionado”… (vide “Correio
dos Acores” - 10 Fev. 2002).
Meus caros: caso fosse apóstolo da Verdade (mas… o que é afinal a Verdade?)
anunciaria não hesitar em apetrechar os autonomistas açorianos com
eficientes asas angélicas; todavia, com uma meiga condição a prori: cada qual teria
de aprender a voar sozinho…
Digo isto, porque chegámos ao ponto de nos sentirmos felizes com a boa
gerência da nossa tristeza… Se calhar, morrer é emigrar um pouco. Afinal, quem
anda por aí a repetir que a morte nos torna eternos...?
Vamos até à avenida da Verdade: a partir de1963 (sobretudo a partir de
Abril-74) tive a boa-sorte de usufruir do acesso (gratuito) a mestres valiosos
que me ensinaram a comparar ideias e a compreender noções básicas da ciência
política. A minha ignorância nunca foi retalho escondido no colete da
vaidade.
Clarifico: algum tempo após a minha experiência na ALRA, assentei praça na
bancada parlamentar do PS, em San Bento (Janeiro. 1978), onde me foi dado
conviver com alguns dos veteranos mais ‘sabidos’ da engrenagem política do
tempo – camaradas que depressa notaram o meu sincero (embora tímido) apetite
pelo saber. Refiro-me a Jaime Gama, Medeiros Ferreira, Mário Mesquita, Mário
Cal-Brandão, Teófilo Carvalho dos Santos, Igrejas Caeiro, António Guterres.
Naquele tempo, tive a boa sorte de aprender que o ‘saber’ e a ‘liberdade’
não são adquiríveis pela via decretal das capelitas maçónicas… Ainda hoje,
continuo a aprender que o ‘hímen’ da autonomia politica continua a ser
amarfalhado pelo ceptro do capital internacional. De resto, nunca subscrevi a
portaria de que os Açores são uma região oceânica formada por São Miguel
rodeado por oito ilhas…
Seja-me permitido recordar que cerca de dois anos antes da primeira vitória
do PS/A (já lá vão 18 anos), deixei registado na comunicação social da
diáspora lusófona, o seguinte comentário:
“ (.../…) uma crise é como uma febre: não define claramente a natureza da
doença, mas serve ao menos para alertar quem tem a indeclinável
responsabilidade de diagnosticar e de ministrar a subsequente terapêutica aconselhada
(…) a gritante crise social que grassa nos Açores, embora acelerada na última
década pelo social-narcisismo do PPD/PSD, não deve ser vista como
fatalidade acontecida a um povo mal treinado para suportar penitentes necessidades.”
Ora, para muitos açorianos, a coragem de aprender não é vista como acto da
inteligência, mas sim como admissão pública duma inconfessada enfermidade.
Lamentavelmente, nunca chegou a ser encetada nos Açores uma experiência
autonómica assente num regime (inequivocamente) social-democrata… Assim sendo,
incumbe ao PS/A a tarefa de viabilizar a social-democracia nas ilhas, sem
complexos teocráticos nem teimosias jesuíticas…
Em Outubro de 2012, o povo açoriano ofereceu ao PS/A um grande bolo de
massa-sovada de responsabilidade. Não apreciamos o ‘balho-furado’ celebrativo
da pequena-burguesia socialista. Não desejamos ver os socialistas como
“peixinhos vermelhos a nadar em água benta” . Afinal, a inveja comunitária é uma
“guerriha inventada pela genética e praticada pelo biologia”. O mundo é
redondo e todos andamos curvados para entender o (des)equilíbrio do momento que
passa…
Há fome nos Açores? Ora vejamos: na edição do “Correio dos Açores”, de 29
e Agosto de 1999, a dra. Luísa César afirmava com invulgar sentido de
oportunidade: “… temos 6.000 bocas com fome em S. Miguel… situações graves que
estamos aquém de dar resposta às necessidades. Temos de ter um máximo rigor na
distribuição, de forma a que os apoios cheguem às pessoas que de facto
precisam…”
Bom dia, estimado camarada, dr. Vasco Cordeiro: se calhar vamos precisar da
Secretaria Regional da Verdade! Não me agrada saturar os olhos do prezado
leitor com louvores ao futuro gestor da administração regional, embora já no
Verão de 2004 mencionasse Vasco Cordeiro como potencial successor de Carlos
César… Felizmente, os actuais governantes da Autonomia não estarão ocupados
em resolver ‘os problemas da evacuação da humanidade para o exterior, antes
da morte do Sol…’
Caríssimo camarada Vasco Cordeiro: confesso que não recordo de vos ter
visto, na tarde de 27 de Abril de1974, junto às Portas da Cidade, quando por ali
andei com um filho em cada braço, à espera do major Melo Antunes rebentar a
fechadura da entrada da nojenta PIDE/DGS. Mas dado que, na altura, contava
apenas um ano de idade, está desculpado…!
(Hoje, vim aqui para sugerir que não seja mais um gestor da Autonomia a
refrescar o estilo presidencialista, ou seja, imitador dos grandes maestros
musicais que controlam as suas orquestras com o respectivo traseiro voltado
para a assistência)…
P.S. (…) falta referir que este singelo conselho vai assinado pelo modesto
camarada que, em Outubro de 1980, partiu para melhor ficar. Trata-se de um
veterano democrata-imigrante que prefere viver à custa do que é, do que
existir à custa do que tem…
Rancho Mirage, California - USA
Na (minha) veterana condição de imigrante, com a memória a oscilar entre a
imensidão oceânica do pacífico e a seara democrática da açorianidade,
gostaria de confirmar que cultivo o hábito de oferecer uma ‘olhada’ aos louvores
e aos epitáfios democráticos subscritos pelos habituais comentaristas da
nossa praça intelectual, mormente nesta quadra eleitoral em que o coro dos
deserdados vem à rua gritar: ‘de pé, óh vitimas da fome, não mais, não mais a
servidão’…
Ora, o resultado das recentes eleições regionais não me causaram surpresa.
Digo isto sem escorregar no lamaçal da trivialidade. Em democracia, não há
derrotas – há esperas!
Já clarifico o meu lampejar linguístico: à distância de seis mil milhas (e
cerca de 80 horas antes do anúncio do resultado legalmente conferido ao
PS/A), arrisquei adivinhar em linguagem irónica, através de um dos mais
populares programas radiofónicos da diáspora lusófona, que o jovem açoriano, dr.
Vasco Cordeiro, iria ser ‘punido’ com uma vitória absoluta…!
Vejamos: afinal, cavalheiras(os), as eleições acontecem para seleccionar
projectos ou para escolher individualidades? Estou em crer que o que
eleitorado açoriano poderá ser comparado a um idoso em busca de sossego para acender
uma velinha na escuridade. Nada se esgrimir certezas! O medo (perdão! melhor
dizendo, o pavor da tortura repetida) inspira muitos cidadãos a inventar
governos; depois (dentro desses governos) a cultura do medo engrossa a
perpetuidade institucional, a fim de evitar o apagão do desemprego, segundo o novo
evangelho troikista.
De resto, a sabedoria inerente à autonomia pessoal (não estou a falar de
competência tecnocrática) só é possível quando o cidadão aprende a
controlar-se. Neste contexto, vou já socorrer-me da poesia de Sophia de Mello Breyner
Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não…
Adiante. Há cerca de dez anos, o economista Gualter Furtado (um dos poucos
cavalheiros açorianos que não pertence à família socialista mas que merece a
minha consideração democrática) teve valentia de afirmar a diferença entre
o exercício do ‘poder’ e a assunção da ‘responsabilidade’, e entendeu
desabafar na imprensa regional o seguinte:
“ (…) Portugal está a viver dos fundos comunitários e dos empréstimos. O
país está a sofrer dois choques, o interno, devido à baixa produtividade, e o
externo pela situação internacional que não é muito favorável. O sector
público é uma autêntica ruina para o país, que não tem capacidade produtiva e
não tem produção de impostos suficientes para fazer face às necessidades do
sector público, que tem que ser fortemente redimensionado”… (vide “Correio
dos Acores” - 10 Fev. 2002).
Meus caros: caso fosse apóstolo da Verdade (mas… o que é afinal a Verdade?)
anunciaria não hesitar em apetrechar os autonomistas açorianos com
eficientes asas angélicas; todavia, com uma meiga condição a prori: cada qual teria
de aprender a voar sozinho…
Digo isto, porque chegámos ao ponto de nos sentirmos felizes com a boa
gerência da nossa tristeza… Se calhar, morrer é emigrar um pouco. Afinal, quem
anda por aí a repetir que a morte nos torna eternos...?
Vamos até à avenida da Verdade: a partir de1963 (sobretudo a partir de
Abril-74) tive a boa-sorte de usufruir do acesso (gratuito) a mestres valiosos
que me ensinaram a comparar ideias e a compreender noções básicas da ciência
política. A minha ignorância nunca foi retalho escondido no colete da
vaidade.
Clarifico: algum tempo após a minha experiência na ALRA, assentei praça na
bancada parlamentar do PS, em San Bento (Janeiro. 1978), onde me foi dado
conviver com alguns dos veteranos mais ‘sabidos’ da engrenagem política do
tempo – camaradas que depressa notaram o meu sincero (embora tímido) apetite
pelo saber. Refiro-me a Jaime Gama, Medeiros Ferreira, Mário Mesquita, Mário
Cal-Brandão, Teófilo Carvalho dos Santos, Igrejas Caeiro, António Guterres.
Naquele tempo, tive a boa sorte de aprender que o ‘saber’ e a ‘liberdade’
não são adquiríveis pela via decretal das capelitas maçónicas… Ainda hoje,
continuo a aprender que o ‘hímen’ da autonomia politica continua a ser
amarfalhado pelo ceptro do capital internacional. De resto, nunca subscrevi a
portaria de que os Açores são uma região oceânica formada por São Miguel
rodeado por oito ilhas…
Seja-me permitido recordar que cerca de dois anos antes da primeira vitória
do PS/A (já lá vão 18 anos), deixei registado na comunicação social da
diáspora lusófona, o seguinte comentário:
“ (.../…) uma crise é como uma febre: não define claramente a natureza da
doença, mas serve ao menos para alertar quem tem a indeclinável
responsabilidade de diagnosticar e de ministrar a subsequente terapêutica aconselhada
(…) a gritante crise social que grassa nos Açores, embora acelerada na última
década pelo social-narcisismo do PPD/PSD, não deve ser vista como
fatalidade acontecida a um povo mal treinado para suportar penitentes necessidades.”
Ora, para muitos açorianos, a coragem de aprender não é vista como acto da
inteligência, mas sim como admissão pública duma inconfessada enfermidade.
Lamentavelmente, nunca chegou a ser encetada nos Açores uma experiência
autonómica assente num regime (inequivocamente) social-democrata… Assim sendo,
incumbe ao PS/A a tarefa de viabilizar a social-democracia nas ilhas, sem
complexos teocráticos nem teimosias jesuíticas…
Em Outubro de 2012, o povo açoriano ofereceu ao PS/A um grande bolo de
massa-sovada de responsabilidade. Não apreciamos o ‘balho-furado’ celebrativo
da pequena-burguesia socialista. Não desejamos ver os socialistas como
“peixinhos vermelhos a nadar em água benta” . Afinal, a inveja comunitária é uma
“guerriha inventada pela genética e praticada pelo biologia”. O mundo é
redondo e todos andamos curvados para entender o (des)equilíbrio do momento que
passa…
Há fome nos Açores? Ora vejamos: na edição do “Correio dos Açores”, de 29
e Agosto de 1999, a dra. Luísa César afirmava com invulgar sentido de
oportunidade: “… temos 6.000 bocas com fome em S. Miguel… situações graves que
estamos aquém de dar resposta às necessidades. Temos de ter um máximo rigor na
distribuição, de forma a que os apoios cheguem às pessoas que de facto
precisam…”
Bom dia, estimado camarada, dr. Vasco Cordeiro: se calhar vamos precisar da
Secretaria Regional da Verdade! Não me agrada saturar os olhos do prezado
leitor com louvores ao futuro gestor da administração regional, embora já no
Verão de 2004 mencionasse Vasco Cordeiro como potencial successor de Carlos
César… Felizmente, os actuais governantes da Autonomia não estarão ocupados
em resolver ‘os problemas da evacuação da humanidade para o exterior, antes
da morte do Sol…’
Caríssimo camarada Vasco Cordeiro: confesso que não recordo de vos ter
visto, na tarde de 27 de Abril de1974, junto às Portas da Cidade, quando por ali
andei com um filho em cada braço, à espera do major Melo Antunes rebentar a
fechadura da entrada da nojenta PIDE/DGS. Mas dado que, na altura, contava
apenas um ano de idade, está desculpado…!
(Hoje, vim aqui para sugerir que não seja mais um gestor da Autonomia a
refrescar o estilo presidencialista, ou seja, imitador dos grandes maestros
musicais que controlam as suas orquestras com o respectivo traseiro voltado
para a assistência)…
P.S. (…) falta referir que este singelo conselho vai assinado pelo modesto
camarada que, em Outubro de 1980, partiu para melhor ficar. Trata-se de um
veterano democrata-imigrante que prefere viver à custa do que é, do que
existir à custa do que tem…
Rancho Mirage, California - USA

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Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem
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