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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

spa e ao1990

Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) não adopta o novo acordo ortográfico perante as posições do Brasil e de Angola sobre a matéria


A SPA continuará a utilizar a norma ortográfica antiga nos seus documentos e na comunicação escrita com o exterior, uma vez que o Conselho de Administração considera que este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra longe de estar esclarecido, sobretudo depois de o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor do Acordo.
Assim, considera a SPA que não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola tomaram posições em diferente sentido. Perante esta evidência, a SPA continuará a utilizar a norma ortográfica anterior ao texto do Acordo, reafirmando a sua reprovação pela forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado Português, designadamente no período em que o Dr. Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas. Refira-se que também a Assembleia da República foi subalternizada no processo de debate deste assunto.
O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso, prejudicou seriamente todo este processo e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola.


Lisboa, 9 de Janeiro de 2013 

http://www.spautores.pt/comunicacao/noticias/spa-nao-adopta-o-novo-acordo-ortografico-perante-as-posicoes-do-brasil-e-de-angola-sobre-a-materia

domingo, 20 de janeiro de 2013

POR QUE SOU A FAVOR DO ACORDO ORTOGRÁFICO

DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

POR QUE SOU A FAVOR DO ACORDO ORTOGRÁFICO


1º - Porque não somos donos da língua portuguesa. Existem cerca de 225 milhões de lusófonos e nós, em Portugal, somos apenas 10 milhões.
Fundámos a sociedade, mas detemos só 5 por cento das acções. Queremos mandar em quem?
Esse notável instrumento de comunicação representa, a par das Descobertas, um dos nossos maiores legados para a cultura universal. Criámo-la, mas constituímos uma minoria das pessoas que a falam. Ela é já muito maior do que nós. Fernando Pessoa, cidadão da palavra, compreendeu isto quando afirmou, há um século: “A minha Pátria é a Língua Portuguesa”.

2º - Porque considero necessário e útil um instrumento regulador.
As línguas são vivas e tendem a diversificar-se em cada dia que passa. Basta pensarmos no crioulo de Cabo Verde e lembrar os escritos de Mia Couto.
As pressões de outros países sobre os PALOPs não vão deixar de crescer e hão-de ter também repercussão linguística.
Dentro em breve, com acordo ou sem ele, os livros escolares dos PALOPs serão feitos no Brasil, onde os custos de produção são mais reduzidos. As telenovelas brasileiras constituem um instrumento poderoso de divulgação da língua. Não somos suficientemente competitivos nessa área.
Quer nos agrade, quer não, se a língua portuguesa perdurar no mundo, será na versão brasileira.

3º - Porque considero melhor existir um mau acordo do que não haver nenhum e deixar a língua à solta, sem nenhum mecanismo que tente, ao menos, regulá-la. São necessárias directrizes que exerçam um papel de contenção e de estruturação nas variantes que estão a nascer espontâneamente, um pouco por toda a parte.
E, tanto quanto sei, o acordo nem é assim tão mau. Não sou linguista e mal me atrevo a meter a foice nesta seara mas, a meu ver, boa parte das alterações propostas vem apenas apressar uma evolução que iria ter naturalmente o mesmo resultado, anos mais tarde. Para que servem as consoantes mudas ou não articuladas?
E não lhe chamem novo! Tem 19 anos, embora tenha sido recentemente ratificado por Portugal. Provavelmente, está ultrapassado. Nos “SMS” dos telemóveis, o K está a fazer ao QU, quando o U não se pronuncia, o mesmo que o F fez ao PH, tempos atrás. Mais tarde ou mais cedo, este fenómeno terá repercussão na escrita formal.

Há questões que ultrapassam os acordos. Em primeiro lugar: quem irá cumpri-lo?
Eu, não! Tenho 66 anos e não vou mudar agora. Sou incoerente? Nem tanto. A mudança deve começar nos bancos da Escola Primária. Será opcional nas Universidades da Terceira Idade… A transição poderá ser fácil se a nova grafia conquistar o seu espaço no Windows.
E os brasileiros? Sabem que são os mais fortes nesta área e que o tempo joga a favor deles. Será que o vão mesmo cumprir?
Tanto dá! Acreditem ou não, tenho poucas saudades do tempo em que farmácia e outras palavras correntes se escreviam com ph.

António Trabulo

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

I porqe naum?..


   *Divirtam-se...*

ACORDO ORTOGRÁFICO - JOSÉ MANUEL FERNANDES - DE RIR ATÉ ÀS LÁGRIMAS

Não deixem de ler este fabuloso texto sobre o Acordo Ortográfico. De rir
até às lágrimas:
Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua
evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e
acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .
Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que
este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada,
tornando-a
mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .
É um fato que não se pronunciam .
Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?
O que estão lá a fazer ?
Aliás, o qe estão lá a fazer ?
Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e
simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e
das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .
Porqe é qe "assunção" se escreve com "ç" "ascensão" se escreve com "s" ?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada
letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome.
Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se
eliminássemos liminarmente o "ç" .
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o "ç" e o
substitua por um simples "s" o qual passaria a ter um único som .
Como consequência, também os "ss" deixariam de ser nesesários já qe um "s"
se pasará a ler sempre e apenas "s" .
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências
económicas,designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar.
Claro, "uzar", é isso mesmo, se o "s" pasar a ter sempre o som de "s" o som
"z" pasará a ser sempre reprezentado por um "z" .
Simples não é? se o som é "s", escreve-se sempre com s. Se o som é "z"
escreve-se sempre com "z" .
Quanto ao "c" (que se diz "cê" mas qe, na maior parte dos casos, tem valor
de "q") pode, com vantagem, ser substituído pelo "q". Sou patriota e
defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras
estrangeiras.
Nada de "k" .Ponha um q.
Não pensem qe me esqesi do som "ch" .
O som "ch" será reprezentado pela letra "x".
Alguém dix "csix" para dezinar o "x"? Ninguém, pois não ?
O "x" xama-se "xis".
Poix é iso mexmo qe fiqa .
Qomo podem ver, já eliminámox o "c", o "h", o "p" e o "u" inúteix, a tripla
leitura da letra "s" e também a tripla leitura da letra "x" .
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida,
maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .
Não, não leiam "simpléqs", leiam simplex .
O som "qs" pasa a ser exqrito "qs" u qe é muito maix qonforme à leitura
natural .
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar
qonsideravelmente .
Vejamox o qaso do som "j" .
Umax vezex excrevemox exte som qom "j" outrax vezex qom "g"- ixtu é lójiqu?
Para qê qomplicar ? ! ?
Se uzarmox sempre o "j" para o som "j" não presizamox do "u" a segir à
letra "g" poix exta terá, sempre, o som "g" e nunqa o som "j" .
Serto ?
Maix uma letra muda qe eliminamox .
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a
língua portugesa tem !
Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta,
qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?
Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante
se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?
Outro problema é o dox asentox.
Ox asentox só qompliqam !
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox .
A qextão a qoloqar é: á alternativa ?
Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra "a" .
Umax vezex lê-se "á", aberto, outrax vezex lê-se "â", fexado .
Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax .
Vejamox o "o": umax vezex lê-se "ó", outrax lê-s

Se u som "u" pasar a ser sempre reprezentado pela letra "u" fiqa tudo tão
maix fásil !
Pur seu lado, u "o" pasa a suar sempre "ó", tornandu até dexnesesáriu u
asentu.
Já nu qazu da letra "e", também pudemux fazer alguma qoiza : quandu soa
"é", abertu, pudemux usar u "e" .
U mexmu para u som "ê" .
Max quandu u "e" se lê "i", deverá ser subxtituídu pelu "i" .
I naqelex qazux em qe u "e" se lê "â" deve ser subxtituidu pelu "a" .
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u "til"
subxtituindu, nus ditongux, "ão" pur "aum", "ães" - ou melhor "ãix" - pur
"ainx" i "õix" pur "oinx" .
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de
arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe
exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a
simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer
vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu
mundu .
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?...


I porqe naum?...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

os coveiros do AO1990

concordo devemos todos voltar à escrita antes de 1911 e cada um escreve como quer, valeu?

Professor apresenta queixa para desvincular Portugal do Acordo Ortográfico

Posição chega esta semana à Provedoria da Justiça

O professor da Faculdade de Direito de Lisboa, Ivo Miguel Barroso, defende que a Assembleia da República deve aprovar uma norma que desvincule o Estado português do Acordo Ortográfico (AO) em vigor.
Ivo Miguel Barroso defende esta posição numa fundamentação da queixa contra o AO, que entrega esta semana na Provedoria da Justiça.

“A Assembleia da República deve repor a normatividade violada, operando um autocontrolo da validade, fazendo aprovar um acto que, reconhecendo a inconstitucionalidade das normas contidas no AO e, também, na resolução parlamentar n.º 35/2008, retire eficácia a essa, autodesvinculando o Estado português”, lê-se no documento a que a Lusa teve acesso.

Ivo Miguel Barroso argumenta também que os cidadãos “gozam direito de resistência” ao acordo, referindo o artigo 21.º da Constituição Portuguesa, e também “de objecção de consciência e do direito genérico de desobediência a normas inconstitucionais”.

Numa fundamentação de 275 páginas o professor da faculdade lisboeta apresenta argumentos pelo “demérito do AO” pela “violação de regras extra-jurídicas da variante do português de Portugal”.

Segundo Barroso, o “AO não assenta em nenhum consenso alargado” e “não serve o fim a que se destina – a unificação ortográfica da língua portuguesa”.

Afirma ainda o docente que “há múltiplos reparos que podem ser feitos, do ponto de vista das formulações”. No seu entender, o “AO é um texto cheio de vulnerabilidades no domínio ortográfico” e “a aplicação do AO cria palavras homógrafas, fazendo com que palavras distintas sejam confundidas”.

O novo AO começou a ser aplicado a 1 de Janeiro deste ano nos documentos do Estado, vigorando em todos os serviços, organismos e entidades na tutela do Governo, assim como no Diário da República, que também o aplica. A decisão de adopção foi tomada em Conselho de Ministros, a 25 de Janeiro do ano passado.

O acordo foi assinado em Lisboa, em 1990, começou a ser aplicado em 2009 e tem um período de adaptação até 2015, durante o qual são aceites as duas grafias.

Os objectivos deste acordo são reforçar o papel da língua portuguesa como idioma de comunicação internacional e garantir uma maior uniformização ortográfica entre os oito países que fazem parte da Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

uma resposta à petição REVOGAÇÃO DO ACORDO ORTOGRÁFICO


De: Director da Escola Superior de Turismo e Hotelaria
Enviada: segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012 13:07
Para: 'mailto:cdl333@clix.pt'; 'ajferreira1974@gmil.com'
Assunto: FW: SUSPECT: Fw: FW: Desacordo ortográfico

Bom dia

Desagrada-me o tom com se que trata este assunto e se  ofendem as pessoas que, de forma honesta e científica, trataram da questão do AO e têm a maior consideração pela nossa amada Língua Portuguesa que, como é natural, teve e continua a ter o seu inerente processo de evolução.

Parece-me ignorância, muita ignorância, referir-se a este assunto desta forma, para além de falta de ética e educação. Estes assuntos tratam-se com o devido respeito e conhecimento sobre a matéria.

Quem é o senhor “Thiago”, que nem sequer sabe que qualquer pessoa de bem se deve identificar pelo nome e apelido, para fazer este tipo de afirmações?

Eu sou pela mudança, quando existem  razões importantes para a mesma, como é o caso do Acordo de 1990, e não considero que ninguém ande aos pontapés/coices ao Nosso Património cultural, a não ser mesmo uma série de ignorantes que não têm mais nada do que fazer.

Já agora, porque não escrevem “Orthographia da lingoa portuguesa”, como se fazia em 1576, ou orthografico, ou archaico, phrase, rhetorica, theatro, estylo, etc. ou aucthor, fructo, phleugma, assignatura, damno, prompto… ou, como antes de 1911:  prohibido, collocar, annuncios, etc., etc., etc. Ou pharmácia….

Já agora, sabe quantas reformas ortográficas existiram ao longo dos tempos?

Já pensou verdadeiramente nos aspetos positivos deste acordo? Não? Pois reflita bem sobre o assunto.

Não quero resposta a este e-mail, nem que me volte a enviar este tipo de correspondência.

Passe bem.

Anabela Naia Sardo



De: Escola Superior de Turismo e Hotelaria
Enviada: segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012 11:13
Para: Directora da ESTH (director.esth@ipg.pt)
Cc: Subdirector da ESTH (subdirector.esth@ipg.pt)
Assunto: FW: SUSPECT: Fw: FW: Desacordo ortográfico



De: jose pedrosa [mailto:cdl333@clix.pt]
Enviada: sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012 21:24
Para: Undisclosed-Recipient:;
Assunto: SUSPECT: Fw: FW: Desacordo ortográfico

----- Original Message -----
From: 
Sent: Wednesday, February 15, 2012 1:23 AM
Subject: Fw: FW: Desacordo ortográfico

É bem vinda, atendendo ao pontapé/coice que foi dado na gramática do PORTUGUÊS, pelos senhores do canudo, pagos pelo erário público!!!!!!

Entendemos que A Língua Portuguesa deve ser legada na sua forma mais pura, como aconteceu com o hebraico há 60 anos.
Pelos vistos andaram aos pontapés/coices ao Nosso Património cultural, divertindo-se com a porca maçonaria que defendeu um património que não tinha e que tornou rigoroso!


Thiago

----- Original Message -----
Sent: Tuesday, February 14, 2012 5:13 PM
Subject: Fwd: FW: Desacordo ortográfico
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: paulo rato <>
Data: 13 de fevereiro de 2012 23:13
Assunto: FW: Desacordo ortográfico
Para:
Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar a petição online: «» 
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=

Pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar. 

Subscreve a petição e divulga-a pelos teus contactos.

Obrigado,

Paulo Rato

Date: Mon, 13 Feb 2012 10:14:47 +0000
Subject: Fwd: Desacordo ortográfico
From:
To:
Também assinei.
A. Mota Redol
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: "Júlio F. Andrade" <>
Data: 12 de Fevereiro de 2012 23:19
Assunto: Desacordo ortográfico
Para:


Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar a petição online: «REVOGAÇÃO DO ACORDO ORTOGRÁFICO»

http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N18406

Pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.

Subscreve a petição e divulga-a pelos teus contactos.

Obrigado,
Júlio Pedro Freire de Andrade

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

voltemos ao tratado de tordesilhas

tenho estado a pensar que isto de aceitar as imposições arbitrárias e antipatrióticas do governo é uma seca...falo do AO1990

Constituirá também uma autentica violência para os falantes da terceira idade, em quem, como em toda a gente, a representação mental das palavras é indissociável da grafia que aprenderam.”
As mesmas palavras foram antes usadas e em relação a mesma camada populacional, aquando da introdução do Euro… E hoje essa adoção é pacifica. E o Acordo não terá força de Lei; isto e ninguém será detido ou multado por não escrever segundo a nova grafia pelo que não faz sentido falar em “violência”. Além de que se hoje é possível a um idoso ler Os Lusíadas, com um muito maior número de palavras alteradas, porque seria violentado por uma alteração de um número muito inferior de palavras?

depois de ouvir isto, não tenho dúvidas é mesmo uma violência que nos impõem pelo que devemos voltar aos valores básicos da civilização lusitana, não é só ao que vigorava antes deste acordo de 1990, devemos voltar aos territórios do ultramar, devemos voltar à monarquia, devemos parar em 1640 ou em 1580? voltemos aos dobrões, ou reais e escudos..anulemos o mapa cor de rosa retrocedamos já ao Tratado de Tordesilhas, menos do que isso é antipatriótico. pode ser que devamos retroceder a Dom Afonso Henriques  por causa da ameaça islâmica que mina as nossas crenças católicas....Ou pararemos  em 1492 e o  mundo divide-se em duas metades a espanhola e a portuguesa e nada mais, esta invenção da UE tem de ser desmontada e já...só assim imporemos o respeito que merecemos à senhora Merkel e outros que por aí apoucam o nome de Portugal. Obrigado Vasco Graça Moura por nos lembrares como somos grandes é um ato corajoso próprio de Camões a quem te deves querer igualar mas a tua poesia não tem a beleza desta
As armas e os barões assinalados, Que da ocidental praia Lusitana, Por mares nunca de antes navegados, Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados, Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram;
sabes VGM esqueceste um pequeno pormenor na tua argumentação: o reino está velho, os mares já foram todos navegados, ninguém quer ir em guerras nem andar em perigos esforçados, nem conseguem mais do que prometia a força humana, já nada edificam, os portugueses de que falas morreram - não agora - mas há séculos e não é contrariando este ou outro acordo que os vais ressuscitar até porque a ocidental praia lusitana já não é portuguesa mas de todos em especial dos credores...e se não te precavês ainda te hipotecam a língua e os teus livros...Chrys

Cruzada contra o acordo


do blogue sem rede respiga-se:
sEXTA-FEIRA, 3 DE FEVEREIRO DE 2012
Cruzada contra o acordo
A recente intervenção de Graça Moura como diretor do CCB levou-me a republicar este artigo.

Basicamente, acho que a mudança da ortografia não tem nenhuma das consequências ditas gravosas para a língua portuguesa que Graça Moura anuncia. Em segundo lugar, a ortografia não é um sistema fechado, feito de regras universais. Não há nenhum princípio universal violado no novo acordo. A ortografia sempre foi uma manta de retalhos. Este acordo não a melhora nem a pioraApenas a unifica um pouco mais. Esta é a opinião da maioria dos dos estudiosos da língua portuguesa que conheço, entre os quais, Malaca Casteleiro.

Vasco Graça Moura e Maria do Carmo Vieira encabeçam ao que parece um movimento de resistência contra o novo acordo ortográfico.
Num vídeo, aqui no Sapo, Maria do Carmo faz afirmações fáceis e sem qualquer fundamento.
Basicamente, temos que nos unir contra os políticos porque a língua é de todos e não só dos políticos e linguistas, pois a língua desenvolve-se muito lentamente e não por ordem política.
Tudo errado, meus caros! A verdade é que a língua portuguesa é uma realidade política desde o princípio. A variante escrita existe e impôs-se com a criação de um estado nacional, desde o rei D. Dinis até ao nosso tempo. A escrita que temos hoje resulta dos acordos ortográficos do século XX.
Quer o leitor voltar a escrever "mãi"? Olhe que José Saramago aprendeu a escrever assim: "mãi". Quer saber a minha opinião? Tanto faz! Desde que nos punhamos todos de acordo sobre a maneira como escrever a nossa língua. Ora um acordo é coisa que só pode ser feita pelos políticos.
Há alguma razão para os brasileiros e os portugueses deixarem que as normas ortográficas divirjam cada vez mais? Já leu Jorge Amado, Machado de Assis ou Lins do Rego? Sentiu alguma dificuldade? Há algum brasileirismo ortográfico que o perturbou na sua leitura? A mim, não! Porque sou tolerante a essas pequenas diferenças superficiais de que estes senhores fazem um cavalo de batalha. Injustos, ainda por cima, porque os brasileiros cedem também em muita coisa para se porem de acordo connosco.
Veja o sucesso das novelas brasileiras em Portugal. Sente que a sua língua está a ser agredida, que eles falam mal, ou, antes, que falam muito bem e que nós os compreendemos sem qualquer dificuldade?
Então é porque temos a mesma língua falada! E as diferenças dialectais dentro do Brasil e dentro de Portugal são maiores do que as diferenças entre as normas oficiais portuguesa e brasileira. Ah não acredita? Então divirta-se com o seguinte: compare um falante de uma telenovela com uma gravação de um falante de uma variante açoreana. Tem aí a evidência do que eu digo: quando aparece um açoreano ou um madeirense na televisão, por vezes, a RTP põe legenda, mas não precisa de o fazer nas telenovelas.
A minha opinião sobre os resistentes é a seguinte: estão apenas a defender a sua maneira de escrever que é filha de acordos ortográficos do passado! Não estão a defender nenhuma pureza etimológica, porque por esse caminho teriam que rever muita coisa na ortografia actual.
Chamo a atenção para o facto de que este artigo não ter sido escrito de acordo com a nova ortografia.
Veja as declarações da Maria do Carmo Vieira:




Vasco Graça Moura ataca o nosso patrono Malaca Casteleiro




Chrys 



Segue um  artigo  enfadonho, publicado no DN 
 mas bem significativo da personalidade do autor ,  o indivíduo que foi nomeado pelo governo português para presidente do Centro Cultural de Belém e que tomou como primeira medida suspender a prática do Acordo  Ortográfico naquela Fundação. Lembro que Graça Moura tem sido um dos maiores combatentes ao Acordo Ortográfico. Também  é estranhíssimo que alguém que nunca leu um livro, pode fazer considerações sobre o mesmo, ao ponto de o achar "perfeitamente detestável"?  Agora que  ao homem tem as costas quentes… .lá isso tem.  
Embora contrariados  há que acompanhar  esta comédia da direita portuguesa ortodoxa!  Lamento tomar o tempo precioso de vocês. 
Será que estas desconversas são a causa das resistências  de Angola e Moçambique a adotarem o AO?

Intimação ao Professor Malaca

por VASCO GRAÇA MOURA
VASCO GRAÇA MOURA
Num esgar de arrogância despeitada, o Prof. João Malaca Casteleiro diz ao Expresso de sábado passado, sobre a minha tomada de posição contra o Acordo Ortográfico: "É um autêntico disparate e uma atitude mesquinha, revelando espírito de vingança. Quem vai pagar estes custos?".
Tenho pouca paciência para os trejeitos do autor de um livro intitulado O Novo Acordo Ortográfico, que não li, não tenciono ler e achei, de resto, perfeitamente detestável. Num gesto largo e moscovita, deixo essa ocupação para a moleirinha ociosa do Dr. António José Seguro que decerto muito lucrará com isso.
O professor Malaca tem-se especializado em produções de medíocre qualidade, como o famigerado e redutor dicionário da Academia das Ciências, abominável exercício de encolhimento do português contemporâneo, de cuja revisão ele parece agora ter sido dispensado. Mas não vale a pena gastar cera com ruins defuntos. E quanto a quem paga custos e que custos, estamos conversados...
Também não vale a pena tratá-lo como interlocutor capaz quanto a questões jurídico-constitucionais relativas à recepção na ordem interna dos tratados e convenções internacionais. Prefiro poupá-lo aos custos desse ingente esforço intelectual.
Mas já vale a pena intimar o professor Malaca a responder muito concretamente aos pontos seguintes:
O art.º 2.º do AO dispõe: "Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de Janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas."
Sendo certo que o prazo inicialmente referido foi modificado, deve o professor Malaca responder sem subterfúgios onde é que está esse vocabulário comum.
Não existindo esse vocabulário comum, deve dizer sem subterfúgios onde é que está a plataforma ou instância formada por instituições e órgãos competentes dos Estados signatários, com o mandato e o objectivo de elaborá-lo, qual o seu calendário de reuniões e qual o teor daquilo que tenha deliberado.
Ainda quanto a este aspecto, deve responder, sempre sem subterfúgios, quais são, em Portugal e nos outros países as instituições e órgãos competentes para o efeito.
Caridosamente, informo-o de que não vale a pena fazer batota: em Portugal, a instituição competente é a Academia das Ciências, o que o Governo Sócrates esqueceu em patente violação da lei, e não o ILTEC (Instituto de Linguística Teórica e Computacional), que é um simples instituto universitário e não tem qualquer competência formal ou institucional na matéria (tem financiamentos da FCT cujos montantes podem ser objecto de indagação, já que o professor Malaca se mostra tão preocupado com custos).
Supondo que ele respondeu correctamente às questões que antecedem, fica intimado a explicar também como é que entende que o AO de 1990 pode ser aplicado sem a verificação desse pressuposto.
A segunda ordem de questões prende- -se com regras do próprio AO.
Diz a al. c) do n.º 1 da Base IV do AO que o c, com valor de oclusiva velar, das sequências interiores cc (segundo c com valor de sibilante), cç e ct, e o p das sequências interiores pc (c com valor de sibilante), pç e pt, se conservam ou eliminam "facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres, dicção e dição; facto e fato, sector e setor; ceptro e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção".
Sendo assim, é o professor Malaca intimado a esclarecer, imediatamente e sem subterfúgios, se a aplicação de uma ferramenta de conversão automática que elimine na prática a possibilidade de opção entre essas facultatividades corresponde a cumprir o AO.
E por fim é o professor Malaca intimado a identificar, localizar e caracterizar as pronúncias cultas dos sete países signatários do AO, de modo a que a base IV seja exequível.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico
__,_._,___

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Jornal de Angola faz duas críticas ao acordo ORTOGRÁFICO


IN  diálogos_lusofonos


Jornal de Angola” faz duas críticas ao acordo na sequência da reunião dos ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
 
Este espaço não é para uso ideológico ou partidário nem se admitir agressões pessoais entre os associados. , mas o "diálogos_lusofonos" é  aberto a todas opiniões.  A diversidade de opiniões só nos enriquece e amadurece!  Embora o Fórum "dialogos" defenda certas posições, como por exemplo "ser a favor do Acordo Ortográfico", isto porque não acreditamos na "neutralidade absoluta".
Cada opinião vale o que vale, até porque nada sabemos sobre as razões ocultas do Jornal de Angola , mas o editorial do Jornal de Angola vale a nossa reflexão, sem dúvida!  Até porque Angola e Moçambique ainda não ratificaram o acordo ortográfico, realçando que "até lá, muita água vai correr debaixo da ponte" Duvidam? .  E há que estar atento e tentar compreender as "malhas que o império tece".
 
  • “Jornal de Angola” ataca Acordo Ortográfico e recusa negócios

    Por Luís Claro, publicado em 9 Fev 2012 - 08:40 | Actualizado há 2 horas 14 minutos
    Em editorial, o jornal escreve que “há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios”

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      D.R.

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    terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

    a voz das consoantes sem voz


    A voz das consoantes sem voz *

    Rui Tavares **


    Crónica do autor, na sua coluna no jornal "Público" de 6/02/2012, a propósito do cancelamento do Acordo Ortográfico no Centro Cultural de Belém em Lisboa, ordenado pelo seu novo presidente, Vasco Graça Moura.

    Salvé, Vasco Graça Moura, insigne auctor que desafiaste o dictame do Governo e reintroduziste a escripta antiga no teu Feudo Cultural de Belém! Povo português, imitai o exemplo deste Aristides Sousa Mendes das consoantes mudas, como lhe chamou o escriptor e traductor Jorge Palinhos. Salvai as sanctas letrinhas ameaçadas pela sanha accordatária.
    Mas ficai alerta, portugueses! As consoantes mudas são muitas mais do que julgais! O "c" de actual e o "p" de óptimo são apenas os últimos sobreviventes de um extermínio secular que lhes moveram os medonhos modernizadores da escripta. Há que salvar agora estas pobres victimas, até à septima geração.
    Acolhei-as pois a todas, portugueses, recolhei-as agora em vossos escriptos como a inocentes ameaçados por Herodes. Se há uma consoante muda a salvar em factura, há outra em sanctidade, e esta ainda mais sancta do que aquela. O Espírito Sancto tem uma. Maria Magdalena tem outra. E Jesus Cristo? Ora! O fructo do vosso ventre, Maria, já tinha consoante muda mesmo antes de nascer. Não sabíeis? Assim Ele se conformou, e nós nos inconformaremos.
    Há quem diga que o accordo ortográfico é um tractado internacional que foi já transcripto para as nossas directivas internas. Dizem que o assumpto morreu.
    Balelas! Nada nem ninguém nos obrigará a cumprir obrigações internacionais. Vasco Graça Moura mostra o caminho, e eu – peccador que fui – vejo agora a luz. Depois da summa missão de salvar as consoantes mudas que resistem, e ressusciptar as que foram suppliciadas no passado, há que supplementar este grande desígnio com outras acções.
    O conductor da ambulância que leva doentes oncológicos a serem tractados, pode desobedecer ao corte de subsídios de transporte fazendo o serviço gratuitamente. O quê, a austeridade, a troika? Balelas! O memorando não passa de um simples accordo internacional que o Governo quer implementar. Se Graça Moura faz lei, de graça poderão também entrar os passageiros nos transportes públicos. E se o seu chefe for um republicano e patriota daqueles que não se contentam com andar com a bandeira num pinda lapela? Pois decrete que o fim dos feriados não vale lá na repartição. E o paginador do Diário da República pode rasurar as nomeações partidárias e alguns zeros dos salários de administrador, para dar espaço às consoantes mudas. O Governo entenderá.
    Néscio António Mega Ferreira que, apesar da sua gestão impeccável, foi demitido. Nada lhe succederia se, em vez de padecer de "falta de sintonia política", tivesse antes violado um accordo internacional que o Governo decidira fazer entrar em vigor meras semanas antes.
    Insensato Pedro Rosa Mendes, que foi censurado por contrariar o Governo de Angola. Se contrariasse a CPLP inteira, ainda tinha crónica, e applauso da imprensa!
    Longe vai Diogo Infante, demitido por não ter dinheiro para fazer teatro no Teatro Nacional. Mas João Motta, que o substituiu, pode agora imitar a Nova Estrela de Belém. Mande as restricções às malvas, gaste o que tiver a gastar, desde que mande os actores pronunciar as consoantes que agora já não são mudas mas mártires, e que nunca mais se calarão, e que orgulhosamente transformaremos em oclusivas, fricativas ou até explosivas, se nos der na bolha, numa aKção aFFirmativa e peremPtória!
    Está assim lançado um movimento que fará os gregos corar de vergonha e os alemães tremerem das pernas. Vamos dar voz às consoantes sem voz! E depois, quem sabe, aos portugueses sem voz, sem trabalho e sem futuro.

    * In jornal "Público" de 6 de Fevereiro de 2012 :: 06/02/2012

    ** Historiador e deputado português ao Parlamento Europeu

    sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

    AO 1990 A BRIGADA DO ASTERISCO


    Acordo  Ortográfico ou des'acordo!  E as palavras sábias do antigo embaixador de Portugal no Brasil agora na França, Francisco Seixas da Costa .


    A brigada do asterisco

    Desde 1 de janeiro, os serviços públicos estão, no cumprimento da lei, obrigados a utilizar o novo Acordo ortográfico, em toda a sua documentação. 

    Para o vulgar cidadão, o uso ou não do acordo é naturalmente facultativo, como se nota, por exemplo, na significativa "brigada do asterisco", composta por colunistas que esclarecem, em orgulhosos pés-de-página, nos jornais em que debitam doutrina, a sua inquebrantável fidelidade à escrita do "tempo da outra senhora". Estão no seu pleníssimo direito, como o estava um velho familiar meu, que sempre dizia que ia à "pharmácia com 'pêagá' ", seguindo o "acordo ortográphico" do seu tempo de infância.

    Ontem, ficou-se a saber que o novo diretor do Centro Cultural de Belém mandou desinstalar os corretores ortográficos existentes nos computadores e determinou o regresso à vetusta ortografia. Uma coisa é, desde já, mais do que certa: com esta decisão, aliás plenamente coerente com o que sempre defendeu, Vasco Graça Moura passou a ter, como turiferários da sua nomeação, todos quantos militam contra o Acordo, como se observa nas imensas loas que já está a receber, na blogosfera e na imprensa. Além de coerente, Vasco Graça Moura provou, uma vez mais, ser hábil, inteligente e destemido.

    Teremos que aguardar as cenas dos próximos capítulos para perceber se o Acordo Ortográfico está mesmo em vigor ou se, afinal, subsiste por aí uma "região autónoma" impune, espécie de aldeia de Astérix que resiste à "ditadura" da lei democrática, escudada num preciosismo interpretativo do estatuto da instituição. Para sermos mais claros, vamos ter oportunidade de observar se a aplicação do Acordo Ortográfico, na área oficial, é, afinal, "à vontade do freguês", isto é, sujeita a uma singular interpretação do Direito internacional "à moda dos Jerónimos", o que deixaria em alguma dificuldade a própria autoridade do Estado. Seria, aliás, o cúmulo da ironia se o "novo" CCB viesse, por esta via, a transformar-se na fortaleza do "regresso ao passado" ortográfico, uma espécie de sede informal da "brigada do asterisco" e outros protestantes correlativos, reunidos em eventos contestatários, perante o olhar embaraçado das autoridades e impotência do contribuinte que alimenta a instituição.

    Valha-nos a certeza de que, com tudo isto, Portugal continua a provar que é um país muito patusco.

    (Sei que muitos leitores deste blogue não concordarão com este post e, quiçá, estarão já entoando um renascido "Força, força, companheiro Vasco!"...)

    Passos Coelho garantiu que o acordo está em vigor e será cumprido.



    Passos Coelho contraria Vasco Graça Moura no Acordo Ortográfico

    A aplicação do Acordo Ortográfico foi suspensa no Centro Cultural de Belém. O novo presidente, Vasco Graça Moura, considera que as novas alterações à Língua Portuguesa são um erro grave e que ainda por ser evitado. O assunto já deu que falar na Assembleia da República e Passos Coelho garantiu que o acordo está em vigor e será cumprido.


    ORGULHOSAMENTE SÓS


    E DIÁLOGOS LUSÓFONOS CITO:
    
    "Orgulhosamente sós", a célebre frase de Salazar é guardada até hoje na memória lusa. Sobre esta época em Portugal encontrei um texto que esclarece como Portugal se relacionava com o exterior nos anos 60.
    
    Trata-se do trabalho de Luís Nuno Rodrigues : "Orgulhosamente Sós"? Portugal e os Estados Unidos no início da década de 1960 , 
    Política Externa e Política de Defesa Portuguesa  
    
    Comunicação apresentada ao 22º Encontro de Professores de História da Zona Centro, Caldas da Rainha |Abril de 2004|
    do Instituto Português de Relações Internacionais, http://www.ipri.pt/investigadores/artigo.php?idi=8&ida=140
    
    Bem esclarecedor de uma certa mentalidade.Salazar sabia com quem falar! E os "Salazares" continuam por aí?
    
        Diz o autor Luís Rodrigo:
     O "isolamento" internacional de Portugal na década de 60
    
    Foi a 18 de Fevereiro de 1965 que Oliveira Salazar proferiu a célebre expressão que, a partir de então, foi frequentemente utilizada para caracterizar a política externa portuguesa durante a década de 1960: o "orgulhosamente sós". Salazar defendia, nesse discurso, a manutenção do esforço de guerra português nas colónias africanas, definido como uma "batalha em que – os portugueses europeus e africanos – combatemos sem espectáculo e sem alianças, orgulhosamente sós"[1]. Estas duas últimas palavras iriam de imediato causar sensação. Ao relatar este episódio na sua biografia de Salazar, Franco Nogueira (que era Ministro dos Negócios Estrangeiros no momento em que Salazar profere o discurso) sintetiza bem as consequências duradouras do "orgulhosamente sós": "Esta expressão… logo se transformou num estribilho ou bordão político, invocado por uns como título de nobreza e coragem nacional, por outros como indicativo de isolamento
     perante o mundo"[2].
    
    Na verdade, a generalidade das análises da política externa portuguesa deste momento para a frente chocou, de forma inevitável, com as palavras de Salazar e o mito da "solidão" da política externa portuguesa nos anos 60 foi ganhando terreno. A divulgação e consolidação deste mito beneficiou de dois tipos de análise ou discurso diferentes: por um lado, o discurso oficial do regime e a propaganda do Estado Novo utilizaram o tópico do "orgulhosamente sós" para demonstrar a alegada superioridade moral e política de Portugal no contexto da civilização ocidental e também o modo corajoso e esforçado como o Estado Novo agia para, mesmo isolado, defender os princípios ideológicos em que acreditava e, acima de tudo, para defender a preservação do seu império colonial. Mesmo isolado, mesmo atacado, traído, sem as ajudas que esperaria, Portugal permanecia firme na defesa do seu império e dos seus princípios civilizacionais. Por outro lado, o
     tópico do "orgulhosamente sós" assentava, também, como uma luva às pretensões e aos discursos das oposições. Tratava-se aqui de salientar o isolamento do regime como prova do seu anacronismo, do seu desfasamento com as realidades políticas e culturais do mundo ocidental, do seu desfasamento, enfim, com o processo de descolonização por que passara a Europa desde o pós-guerra.
    
    [1]Franco Nogueira, Salazar. Vol. VI. O Último Combate (1964-1970), Porto, Livraria Civilização, 1985, pp. 7-8.
    
    [2] Franco Nogueira, Salazar. Vol. VI. O Último Combate (1964-1970), p. 8, nota.

    navegar é preciso AO1990


    in diálogos lusófonos
    Prezad@s Lusófon@s:

    Na sua coluna semanal publicada na Folha de S. Paulo de ontem, quinta-feira, o professor Pasquale menciona o artigo do João Pereira Coutinho, tal como aparece no texto que lhes reproduzo a seguir.

    Saudações,
    Isac Nunes 
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    PASQUALE CIPRO NETO
    Notícias de Portugal
    É, caro Coutinho, navegar é preciso, naufragar não é preciso, mas parece que a tripulação da nau lusófona...
    Na semana passada, em Lisboa, constatei, mais uma vez, que a maior parte dos portugueses ainda dá de ombros para o "(Des)Acordo Ortográfico". Como se sabe, entre nós 2012 é o último ano de "acomodação", ou seja, do período em que valem as duas grafias, a "velha" e a "nova" (o decreto 6.583, de 29.set.2008, deixa claro isso).
    A observação que fiz no fim do parágrafo anterior se deve ao fato de que parte da nossa imprensa afirma, erroneamente, que a transição já acabou. Não acabou. Até o último segundo do ano em curso, pode-se escrever "tranqüilo" ou "tranquilo", "auto-regulamentação" ou "autorregulamentação", "pára" (forma verbal) ou a inacreditável "para".
    Lá vai o que diz o texto legal: " A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida".
    Mas voltemos a Portugal. Como bem disse nosso companheiro João Pereira Coutinho ("Naufragar É Preciso?", Ilustrada, 10.jan.2012), a barafunda ortográfica parece imperar na terra de Camões e Pessoa.
    Peço licença a Coutinho para transcrever este trecho de seu artigo: "Em Portugal é outra história. E não deixa de ser hilariante a quantidade de articulistas que, no final dos seus textos, fazem uma declaração de princípios: 'Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia'. A esquizofrenia é total, e os jornais são hoje mantas de retalhos. Há notícias, entrevistas ou reportagens escritas de acordo com as novas regras. As crônicas e os textos de opinião, na sua maioria, seguem as regras antigas. E depois existem zonas cinzentas, onde já ninguém sabe como escrever e mistura tudo: a nova ortografia com a velha e até, em certos casos, uma ortografia imaginária".
    Como exemplo do que diz Coutinho, cito o site da revista semanal portuguesa "Visão", em que há uma seção chamada "Actualidades" (note o "c"). O detalhe é que, no corpo da seção, a revista usa a grafia "nova", ou seja, escreve "atual", "atualidades" etc. A também lusitana "Sábado" parece ignorar por completo o "(Des)Acordo Ortográfico". Nas ruas de Lisboa e do Porto, nada de nada de nenhum sinal da "adopção" das normas do "(Des)Acordo". Anúncios publicitários, cartazes, panfletos, placas públicas etc. ignoram a lambança. O que vale mesmo é a velha grafia lusitana.
    Enquanto isso, na TV, num boletim de dois ou três minutos, que conta com o apoio da importante Porto Editora, uma repórter vai às ruas e pergunta ao povo como se escrevem determinadas palavras. Num dos boletins, perguntava-se se "massagem" se escreve "com 'jota' ou com 'guê'". Sim, com "guê" (e não com "gê"), como diz a antológica canção "ABC do Sertão" (Luís Gonzaga e Zé Dantas). Sim, caro leitor, em algumas regiões do Brasil e em Portugal, o "g" pode ser "gê" ou "guê".
    Ao dar a resposta, a repórter afirmou que "massagem" se escreve com "guê", mas... Mas disse que "massajem" (com "j") é do verbo "massajar". Lambança! A pergunta foi feita sem contextualização da palavra, portanto não faz sentido dar como correta a forma "massagem", se existem as duas... Bem, as duas existem em Portugal. No Brasil, os dicionários e o "Vocabulário Ortográfico" não registram "massajar" (registram o que se usa entre nós, ou seja, "massagear"; os dicionários portugueses registram as duas).
    É, caro Coutinho, navegar é preciso, naufragar não é preciso. Só falta os passageiros e os tripulantes da nau lusófona saberem disso. É isso.