Mostrar mensagens com a etiqueta ao1990. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ao1990. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 4 de março de 2013

padronização da ortografia

in diálogos lusófonos


PADRONIZAÇÃO DA ORTOGRAFIA
Para o professor Pasquale Cipro Neto, a gravidade de erros de ortografia "depende do território em que eles estão". "É desejável que, em documentos oficiais, a grafia seja a oficial, senão vira bagunça", diz. A questão, para ele, é de padronização.

"Mário de Andrade dizia que não tinha nada contra 'jente' com 'j', desde que todos escrevessem assim", brinca.

A palavra "portuguesa" perdeu o acento circunflexo no acordo ortográfico que entrou em vigor em 18 de dezembro de 1971. Segundo o professor, no entanto, a mudança parece não ter sido "totalmente absorvida".

"Eu comparo as mudanças ortográficas a garrafas pet. Elas levam centenas de anos para serem absorvidas pela natureza." As últimas mudanças na ortografia da língua portuguesa foram implantadas no Brasil por um acordo regulamentado em 29 de setembro de 2008, e passaram a valer em 1º de janeiro de 2009.

O revisor Leonardo Fatore diz que erros de ortografia não devem ser minimizados. Ele trabalhou como examinador de concursos públicos em São Paulo e afirma que, em geral, um terço da nota da redação de um candidato depende da ortografia. "Os erros são contados numericamente. Um erro de ortografia numa redação tem o mesmo peso de um erro de concordância, por exemplo."

http://camelonoradio.blogspot.pt/2011/04/gafe-ortografico.html

sábado, 23 de fevereiro de 2013

padronização da ortografia

in diálogos lusófonos


PADRONIZAÇÃO DA ORTOGRAFIA
Para o professor Pasquale Cipro Neto, a gravidade de erros de ortografia "depende do território em que eles estão". "É desejável que, em documentos oficiais, a grafia seja a oficial, senão vira bagunça", diz. A questão, para ele, é de padronização.

"Mário de Andrade dizia que não tinha nada contra 'jente' com 'j', desde que todos escrevessem assim", brinca.

A palavra "portuguesa" perdeu o acento circunflexo no acordo ortográfico que entrou em vigor em 18 de dezembro de 1971. Segundo o professor, no entanto, a mudança parece não ter sido "totalmente absorvida".

"Eu comparo as mudanças ortográficas a garrafas pet. Elas levam centenas de anos para serem absorvidas pela natureza." As últimas mudanças na ortografia da língua portuguesa foram implantadas no Brasil por um acordo regulamentado em 29 de setembro de 2008, e passaram a valer em 1º de janeiro de 2009.

O revisor Leonardo Fatore diz que erros de ortografia não devem ser minimizados. Ele trabalhou como examinador de concursos públicos em São Paulo e afirma que, em geral, um terço da nota da redação de um candidato depende da ortografia. "Os erros são contados numericamente. Um erro de ortografia numa redação tem o mesmo peso de um erro de concordância, por exemplo."

http://camelonoradio.blogspot.pt/2011/04/gafe-ortografico.html

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ao1990


Pesquisador português aponta diferenças entre vocabulários editados no Brasil e em Portugal

Por Leonardo Cazes


As dúvidas quanto ao uso dos acentos e hifens no novo Acordo Ortográfico da língua portuguesa não se resumem aos leigos. O pesquisador Rui Miguel Duarte, do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras de Lisboa, analisou diferentes vocabulários ortográficos editados no Brasil e em Portugal e constatou diversos exemplos de divergência entre eles. Duarte identificou alguns pontos em que as obras não respeitam as próprias normas estabelecidas no texto da reforma. A maioria dos problemas está em publicações portuguesas, como o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), elaborado pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) e apontado pelo governo de Portugal como livro de referência; e o Lince, ferramenta de consulta online desenvolvida pelo mesmo instituto. Mas também há erros no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), produzido pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

Entre os exemplos destacados no estudo está a palavra “adoção”. De acordo com o Acordo Ortográfico, apenas essa grafia é aceita, mas tanto o Volp quanto o Lince apontam como possíveis “adoção” e “adopção”. Situação parecida é da palavra “objeção” — única ortografia correta depois da unificação, embora o Volp dê como opção também “objecção”. No caso do termo “mandachuva”, o VOP e o Lince aceitam, erroneamente, a forma com hífen, “manda-chuva“. O acordo só prevê a primeira.

Resistência em Portugal

O resultado do levantamento foi entregue por Rui Miguel Duarte ao ministro da Educação e Ciência português, Nuno Crato, no dia 6 de janeiro, junto com uma carta pedindo a revogação da adesão de Portugal à reforma ortográfica. Na mesma semana, o parlamento do país aprovou a criação de um grupo de trabalho, proposto pelo Partido Comunista Português, para o acompanhamento da implantação da reforma. Segundo Duarte, o movimento luso ganhou força após a decisão do governo brasileiro de prorrogar o prazo de adequação à nova ortografia — que se encerraria em dezembro do ano passado — até o fim de 2015.

Os críticos em Portugal centram fogo em uma possível descaracterização da língua falada no país. Um trecho da carta diz que “a suposta unificação da língua é impossível, porquanto persistem diferenças inconciliáveis”. Para o pesquisador, as discrepâncias entre os vocabulários que deveriam servir como obras de referência são a prova mais bem acabada da afirmação.

— Antes do acordo, nós sabíamos quais eram as diferenças entre o português falado no Brasil e em Portugal e tínhamos muito mais segurança. Com o novo acordo, as facultatividades são mais numerosas, o que vai contra a proposta de unificação e harmonização. Para dar abrigo ao princípio da fonética, foram promovidas várias grafias distintas para as mesmas palavras — critica o pesquisador, em entrevista ao GLOBO por telefone. — Eu assumi esse risco de organizar a tabela comparativa. Não é um estudo exaustivo porque não abarca todas diferenças, mas muitas palavras que ali estão dão origem a muitas outras derivadas.

Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Ana Teresa Peixinho vê diferentes motivações para a resistência à adoção do Acordo Ortográfico em Portugal: há quem creia que a unificação representaria uma submissão ao Brasil, pois a reforma teria contemplado mais as formas brasileiras do que as portuguesas. Outra razão é uma suposta perda de identidade linguística nacional, pois foram abandonadas as origens etimológicas latinas das palavras, além de incongruências na reforma. Segundo ela, existem ainda os críticos que veem mais motivos econômicos e políticos do que linguísticos e educacionais para a unificação. A professora, porém, discorda.

— Alguns dos argumentos apresentados podem ter bom fundamento, mas sempre encarei este acordo de outro modo. Nenhum preconceito me move relativamente ao Brasil, pois entendo que a língua portuguesa é um tesouro comum aos dois países, além dos países africanos lusófonos e, embora residualmente, a Macau e Timor. Direi mais: entendo que uma política de internacionalização da língua, como língua de cultura, de ciência, de negócios, não pode ficar enconchada no retângulo português e deve ter como parceiros os outros Estados da lusofonia. Considero ainda que se deu demasiada importância a esta questão. Aquilo que muda não é a unidade da língua, nem tampouco a sua diversidade — diz a professora.

Os críticos daqui e de além-mar divergem, entretanto, sobre as melhores alternativas para o futuro do Acordo Ortográfico. O professor Ernani Pimentel, criador do movimento Acordar Melhor, defende que a atual unificação precisa ser revista, porque foi definida há mais de 20 anos e estaria envelhecida. Para o professor, as regras são muito confusas, difíceis de serem aprendidas e “é impossível alguém escrever corretamente”.

— Este Acordo foi pensado em 1975 e só assinado em 1990. Foi pensado dentro de uma didática que não existe mais, a didática da memorização, a vulgar decoreba. A educação moderna fez com que o foco saísse da memorização para o entendimento. Como você vai explicar para o aluno que “cor de capim” e “cor de jabuticaba” não têm hífen e “cor-de-rosa” tem? — argumenta Pimentel. — A primeira parte da batalha foi ganha, que era conseguir um adiamento. A segunda parte começa agora. Temos que conseguir a simplificação.

Já Rui Miguel Duarte se coloca frontalmente contrário a qualquer mudança nas regras para simplificar a língua portuguesa.
— Eu pergunto como alguém que foi educado tendo como língua materna o inglês ou francês, onde o afastamento entre a língua falada e a escrita é muito maior do que no português, se habitua a essa grafia? Os próprios franceses cometem erros por conta dessas dificuldades, mas nunca passou pela cabeça de ninguém simplificar a língua — questiona.

O adiamento do início da vigência em definitivo da reforma no Brasil, de 2013 para 2016, foi repudiado pela ABL, responsável pela implantação das mudanças. Por meio de nota oficial, a Academia disse que, este ano, “pretendia iniciar um amplo movimento para que o idioma fosse adotado como língua de trabalho oficial na ONU (Organização das Nações Unidas) e outros organismos internacionais. Não haveria mais desculpas para que os fóruns oficiais de política exterior continuassem a passar ao largo de um idioma de mais de 260 milhões de falantes, a pretexto das discrepâncias de grafia entre os países que compõem seu universo”. Contudo, a empreitada ficou inviabilizada.

ABL admite problemas no Volp

Sobre as incongruências entre o Volp e o Acordo Ortográfico, o acadêmico e gramático Evanildo Bechara, que coordenou a quinta edição do vocabulário ortográfico, reconheceu os problemas e prometeu corrigi-los na sexta edição.

— O problema central é que o Volp que implementou o novo Acordo Ortográfico teve como base o vocabulário ortográfico editado a partir de 1981, pela Bloch, que era orientado pelo Acordo de 1943. Na época, eram aceitas as formas brasileiras (“adoção” e “objeção”) e portuguesas (“adopção” e “objecção”). Quando foi feita a quinta edição, o trabalho se concentrou nas palavras que sofreriam alterações, e as formas duplas, não mais aceitas pelo acordo de 1990, permaneceram. Isso será corrigido na sexta edição. Mas num universo de cerca de 360 mil palavras, três, quatro ou cinco casos como esse são perfeitamente desculpáveis — diz Bechara, que é contra mudanças imediatas. — Se formos resolver os problemas unilateralmente, corremos o risco de incorrer em soluções piores do que outras propostas pelos países lusófonos. Não é possível resolver problemas antes de implementar o acordo. A prudência manda, e as experiências anteriores indicam que não se deve ter pressa. 

[Fonte: www.globo.com]

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

AO1990


Não há divergências quanto ao acordo ortográfico garante ministro

Não há divergências quanto ao Acordo Ortográfico garante ministro
  • Áudio “Serão cumpridos os prazos e que as novas regras”
Paulo Portas explica que acordo ortográfico entrará em vigor na totalidade em Portugal em Maio de 2015 e no Brasil apenas seis meses depois.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

ao1990 engenharia política?


Acordo Ortográfico é uma "engenharia política" que empobrece o português
Acordo Ortográfico é uma "engenharia política" que empobrece o português

“Uma sociedade que tem dificuldades em exprimir pensamentos complexos, que tem dificuldades em usar de forma criadora a sua própria língua, uma sociedade que fala como se enviasse mensagens no Twitter ou SMS, portanto de uma forma mais ou menos gutural, perde a sua riqueza e o acordo ortográfico acelera esse processo”.

01-02-2013
O acordo ortográfico, que está no centro das preocupações em relação ao futuro do português, é uma medida de engenharia política que provoca o empobrecimento da Língua Portuguesa, disse hoje, em Lisboa, José Pacheco Pereira.
“O acordo ortográfico é a típica medida de engenharia política. É a ideia de que, a partir da política, pode-se moldar a língua, moldando, neste caso, a grafia”, declarou Pacheco Pereira.
O ex-deputado do PSD fez estas declarações à margem da conferência “A Sociedade Civil no Plano de Ação de Brasília”, na Academia das Ciências de Lisboa, evento que abordou o envolvimento da sociedade civil na promoção e divulgação da Língua Portuguesa no mundo.
“Do meu ponto de vista, isso (o acordo ortográfico) é muito empobrecedor em relação à riqueza do português”, referiu o também comentador político.
De acordo com Pacheco Pereira, está-se a “assistir ao empobrecimento sucessivo do português, por problemas de leitura, porque o vocabulário circulante é cada vez menor”.
“Uma sociedade que tem dificuldades em exprimir pensamentos complexos, que tem dificuldades em usar de forma criadora a sua própria língua, uma sociedade que fala como se enviasse mensagens no Twitter ou SMS, portanto de uma forma mais ou menos gutural, perde a sua riqueza e o acordo ortográfico acelera esse processo”, acrescentou o ex-deputado.
“O acordo está a ser empurrado pela maior das forças, que é a inércia. Está a ser introduzido no ensino, nos órgãos de comunicação social um bocado à revelia, esta força da inércia é muito grande e vai abastardar a língua portuguesa”, sublinhou Pacheco Pereira.
Por seu lado, a presidente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, Ana Paula Laborinho, sublinhou que o acordo ortográfico está a ser aplicado, com maior ou menor rapidez, dependendo de questões internas de cada um dos países lusófonos.
Ana Paula Laborinho disse ainda que existe muita desinformação sobre o prolongamento do prazo de transição para a adoção do acordo ortográfico no Brasil, “já que foi somente isso mesmo, uma extensão do prazo (de 2013 para 2016), mas isso não quer dizer que já não esteja a ser aplicado”.
O Governo brasileiro decidiu pelo prolongamento da transição do acordo ortográfico em dezembro. O prazo de adoção do acordo em Portugal é em 2015.
Ana Paula Laborinho declarou ainda que há um crescente interesse internacional pelo português, nomeadamente na África Austral, como na Namíbia e Senegal, e na Ásia, sobretudo na China.
“É preciso políticas públicas (para a promoção do português), mas também o envolvimento da sociedade civil, para que esta realidade se mantenha. As línguas não vivem por si eternamente, é preciso também desenvolver esforços no sentido de mantê-la num patamar de língua global”, avaliou ainda a presidente do instituto Camões.
Carla Oliveira, professora da Universidade Aberta, considerou, durante o evento, que “falta uma política internacional de promoção do português coerente e sustentada, que a coloque no mesmo nível do inglês, seja para o mundo dos negócios, no ensino e em outras áreas”.
A docente universitária acredita que é tarefa do Estado coordenar o ensino e promoção do português, porém deve haver um envolvimento significativo da sociedade civil neste processo.
Ana Paula Laborinho referiu ainda que a realização da “II Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial” vai realizar-se, como data indicativa, em novembro, em Lisboa.
CSR // VM.
Lusa/Fim
Fotos:
Afonso Camões (D), presidente do conselho de administração da Lusa, troca impressões com José Pacheco Pereira momentos antes do debate " A língua Portuguesa na comunicação social" no âmbito da Conferência "A Sociedade Civil no Plano de Ação de Brasília" na Academia das Ciências de Lisboa, em Lisboa, 31 de janeiro de 2013. JOAO RELVAS/LUSA

Afonso Camões usa da palavra no debate " A língua Portuguesa na comunicação social" no âmbito da Conferência "A Sociedade Civil no Plano de Ação de Brasília", 31 de janeiro de 2013. JOAO RELVAS/LUSA


http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/noticias/empobrece-o-portugues

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Conflito de paixões no idioma – Aldo Rebelo



Conflito de paixões no idioma – Aldo Rebelo

Aldo Rebelo é ministro do Esporte do Brasil e ex-presidente da Câmara dos Deputados.
O ministro do Esporte do Brasil e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, escreveu um artigo recente contestando as críticas que se levantaram contra o Acordo Ortográfico de 1990, elaborado e firmado por todos os países de Língua Portuguesa.
.
O ministro brasileiro fez lembrar que todo pacto e acordo de âmbito internacional, em qualquer tema, “demanda estudos, debates e concessões, ou seja, muita costura diplomática”.
“Oito países, que usam o mesmo idioma com variações tão profundas, chegarem a um acerto foi uma vitória da Lusofonia. Reúnam-se os críticos para emendar as regras, e teremos uma nova Torre de Babel.”
.
Ventos da Lusofonia reproduz na íntegra o texto de Aldo Rebelo em defesa do Acordo de 1990 e do esforço de unificação das regras de escrita da Língua Portuguesa.
*              *              *
–– Conflito de paixões no idioma ––
Aldo Rebelo,
ministro do Esporte do Brasil
25 de janeiro de 2013
“Oito países, que usam o mesmo idioma com variações tão profundas, chegarem a um acerto foi uma vitória da Lusofonia”.
 
O Brasil fez a lição de casa, mas foi obrigado a adiar a vigência da segunda etapa do Acordo Ortográfico.
Em 2009 adotamos novas formas de escrever palavras, em simultaneidade com as antigas (vôo / voo, manda-chuva / mandachuva) e em 1º. de janeiro de 2013 deveríamos usar unicamente a grafia concertada pelos países de Língua Portuguesa em 1990.
A resistência de Portugal, que ainda se considera síndico do idioma, e mais um ou outro país africano, nos fez manter a simultaneidade de grafias por mais três anos.
Em rigor, os brasileiros aderimos ao Acordo Ortográfico com boa vontade imediata. Até a imprensa, em geral avessa a iniciativas desse naipe, passou a escrever “voo” e “mandachuva”. Os dicionários e livros escolares adotaram as novas regras. É visível o interesse das pessoas em saber se “epopeia” tem acento ou quais são as mudanças do hífen. Não se vê ninguém pedir a volta do trema.
Chama atenção, no entanto, a resistência de filólogos de plantão, em aliança curiosa de puristas e jacobinos. Continuam a criticar o Acordo Ortográfico com ranhetice e açodamento. Uns pregam a mumificação; outros, a simplificação radical da Língua nacional.
Falta a esses críticos a compreensão de que, se qualquer pacto demanda estudos, debates e concessões, ou seja, muita costura diplomática, um acordo linguístico é o palco perfeito do que o gramático Celso Cunha (1917-1989) chamou de “Língua, conflitos de paixões”. Oito países, que usam o mesmo idioma com variações tão profundas, chegarem a um acerto foi uma vitória da Lusofonia. Reúnam-se os críticos para emendar as regras, e teremos uma nova Torre de Babel.
O Brasil demonstrou maturidade nesse episódio. Como o maior falante do português, com toda sorte de influências a preservar, vai esperar a adesão dos parceiros porque tem interesse geopolítico em harmonizar uma comunidade idiomática.  :::
.
REBELO, Aldo. Conflito de paixões no idioma.
Publicado em: 25 jan. 2013.

sábado, 26 de janeiro de 2013

MANUEL VEIGA E O AO1990

Manuel Veiga, linguista, professor e escritor: “O acordo ortográfico vai contribuir para afirmação da Língua Portuguesa no mundo”

O professor, linguista e ex-ministro da Cultura, Manuel Veiga mostra-se a favor do Acordo Ortográfico (AO) e garante que este será determinante para a afirmação da Língua Portuguesa no mundo. No entanto, alerta que, internamente, o mesmo poderá gerar uma certa resistência, “passageira”, junto dos profissionais que têm a escrita e a língua como instrumento de trabalho.

Cabo Verde esteve presente pela primeira vez nas discussões sobre o Acordo Ortográfico em 1986, num encontro promovido no Rio de Janeiro, Brasil, pelo então presidente José Sarney. O arquipélago fez-se representar pelo linguista Manuel Veiga e pelo poeta Corsino Fortes.

A eles juntaram-se, na altura, representantes de Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Do encontro resultou o Memorando sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e foi criada também a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), à qual mais tarde se viria a juntar Timor-Leste.
Manuel Veiga recorda que “nessa altura já havia toda a abertura para o AO porque isso vinha ao encontro da afirmação, da valorização da língua portuguesa no mundo”.
A esse encontro viriam a seguir-se muitos outros, incluindo o de 1990, promovido pela Academia de Ciências de Lisboa, onde foi assinado oficialmente o AO, que viria ser aprovado apenas em 1995, no Brasil.
AFIRMAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA
Este professor e linguista, também escritor, autor do primeiro romance escrito em crioulo, “Oju d’agu”, mostra-se plenamente a favor do AO e defende que “não podemos ter uma língua com cerca de 200 milhões de interlocutores, com normas diferentes”.
Pelo contrario, acrescenta, “era preciso dar um sinal ao mundo e mesmo a nós que fazemos parte da CPLP, que não podemos estar com normas diferentes para escrever a mesma língua. Se queremos afirmar a Língua Portuguesa temos de ter aquilo a que o Celso Cunha chamava a unidade superior da língua. A uniformização não é possível, mas a unidade é”.
Unidade essa que, na sua opinião, vai beneficiar, e muito, a internacionalização da Língua Portuguesa. “A vantagem é da Língua Portuguesa porque a nível internacional ela passará a ser utilizada com mais facilidade devido à unificação de algumas regras e normas da ortografia”, sustenta.
Além da internacionalização, o nosso entrevistado acredita que o AO vai trazer vantagens ao nível da cultura, também. “Vai facilitar a divulgação de filmes, de livros, de tudo aquilo que a língua é portuguesa é suporte da cultura”, afirma.
Este ex-ministro da Cultura teve aquilo a que chama de “oportunidade” de em 2009 levar o AO a Conselho de Ministros, depois de terem sido feitas todas as ratificações. “O Conselho de Ministros tinha que definir o período de estágio do AO. Na altura, só o Brasil e São Tomé e Príncipe é que já tinham definido esse tempo. O Brasil optou por cinco anos e nós por seis anos de experiência”, conta.
CORRER CONTRA O TEMPO
Agora, passados mais de três anos da referida resolução, Manuel Veiga não esconde considerar que já deviam ter sido dados alguns passos para difundir o AO junto não só dos profissionais que trabalham directamente com a escrita, mas da população em geral. “Cabo Verde já devia estar a fazer alguma coisa ao nível de informação sobre as diferenças que o AO traz na comunicação social, que não são muitas. Até à sua implementação obrigatória é preciso todo um trabalho de promoção e de explicação, mas, efectivamente, houve um compasso de espera”, explica.
No entanto, mostra-se benevolente quanto a esse compasso de espera e argumenta: “Houve mudança de Governo e quem tem a mão na massa tem que empurrar o carro, mas depois entra outra pessoa e até conhecer as engrenagens do AO, isso leva o seu tempo. Acho que foi isso que aconteceu em Cabo Verde”.
RESISTÊNCIA
Questionado sobre o nível de resistência que o país irá enfrentar durante a implementação do AO Manuel Veiga é peremptório e alerta que “toda a mudança gera resistência”.
Na sua opinião, tal atitude será mais visível ao nível dos utilizadores mais directos da língua. “Os jornalistas, professores e escritores que têm a língua como instrumento de trabalho e que já têm o conforto da norma antiga, poderão mostrar alguma resistência, por questões de conforto e facilitismo e, por isso, dizerem que são contra”, refere.
Não entanto, desdramatiza o assunto, por acreditar que a resistência será “passageira”. “É tudo uma questão de dominarem as normas e de conhecerem realmente as diferenças e alterações introduzidas e as dominarem. Para isso, terão de fazer um esforço”.
Em jeito de achega entre a simbiose entre o Acordo e a Língua Crioula, Manuel Veiga diz-se seguro e determinado que o AO vem dar razão ao ALUPEC e dá como exemplo o caso das consoantes mudas que caíram primeiro no Brasil e depois em Portugal. “Se é muda, não existe. Então porque é que está lá? Qual a vantagem? O que não tem função não está lá e nisso as consoantes mudas não podem estar no sistema fonológico, porque é mudo, é ausente”, conclui.

domingo, 20 de janeiro de 2013

7 razões a favor do AO1990

Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

7 razões a favor do novo Acordo Ortográfico.



Não é miragem nem alucinação e também não é sarcasmo! Existe de facto alguém que escreve intercedendo a favor do acordo ortográfico. Como já devem ter subentendido, não sou um “purista da língua portuguesa” (seja lá o que isso for), no entanto, como ainda não me sinto confortável na redacção à luz do novo acordo deixo-vos o presente artigo de opinião no velho português que aprendi.
Invoco diversos tipos de argumentos com a promessa, porém, de não cair na superficialidade de alguns depoimentos básicos que tenho assistido. Tão básicos como este pequeno comentário que recebi por e-mail faz poucos dias e que reza assim:

“Mas, afinal de onde vem a origem das palavras da nossa Língua? Do Latim!! E desta, derivam muitas outras línguas da Europa.
Até no Inglês, a maior parte das palavras derivam do latim.
Então, vejam alguns exemplos:

   Latim        Francês    Espanhol      Inglês       Alemão  Português Português(AO)
   Actor         Acteur        Actor          Actor        Akteur        Actor         Ator
  Factor       Facteur       Factor        Factor       Faktor        Factor        Fator
Protector   Protecteur   Protector    Protector   Protektor   Protector   Protetor

na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras destas línguas europeias mantiveram-se tal como se escrevia originalmente. Se a origem está na Velha Europa, porque temos que imitar os do outro lado do Atlântico?
Porque será que os Ingleses não fizeram o mesmo com os Americanos?
Mais um crime na Cultura Portuguesa e, desta vez, provocada pelos nossos intelectuais da Língua de Camões.
Circulem este e-mail até chegar aos intelectuais que fizeram este acordo.”

Este depoimento para além de contar com todo o tipo de falácias possíveis e imaginárias (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%A1cia) está repleto de uma tamanha estupidez. A dimensão da boçalidade está inclusive ao nível das seguintes questões:
•    Então porque não falamos todos Latim?
•    Desde quando é que Acteur, Actor (Castelhano) e Akteur têm consoantes mudas?
•    Quem são os seres perigosos que habitam do outro lado do Atlântico?
•    Será que este acordo foi assinado por intelectuais de Camões?
O conteúdo da mensagem transcrita – claramente provido de sentimentos pouco ortodoxos em relação aos do outro lado do Atlântico – revela a maior das insensibilidades face a uma posição firme que o autor pretende demonstrar (É de salientar que os exemplos apresentados como Actor, Factor e Protector são uma pequena parcela da totalidade dos exemplos levantados).
Por mais voltas que dê à cabeça apenas consigo inventariar um argumento válido em oposição ao novo acordo ortográfico: “Não sou capaz de mudar” / “Não consigo aprender uma nova forma de escrever”. Antes de escrever o presente artigo realizei uma colheita de opiniões a desfavor de acordo ortográfico das quais destaquei:
•    Sou um purista da língua portuguesa;
Nesse caso escrevo: pharmácia, escriptório e cousas.
•    Considero um acto de subserviência ao povo Barsileiro.
Sem comentários (vide mais adiante).
•    Incomoda-me começar a escrever agora de um forma diferente do que aprendi.
Citando Nelson Mandela “Os tempos mudam e nós temos de ser suficientemente inteligentes para mudar com eles”.

Infelizmente constatei que no meu não pequeno inquérito ninguém utilizou o único argumento que consideraria válido.
Terminado este ataque à oposição ao acordo vamos ao que verdadeiramente interessa:

Razão n.º 1 – O novo acordo ortográfico promove a comunidade científica.
Falo um pouco da minha experiência pessoal. Como investigador na área de engenharia escrevi já alguns artigos científicos. Como bom profissional que tento ser, faço os possíveis por publicar em revistas com um bom impacto. De facto, já escrevi em português mas não para revistas portuguesas (não por falta de patriotismo mas sim pela primeira razão indicada). Não sou caso isolado, existem bastantes portugueses a publicar em revistas brasileiras mas o contrário já não se passa. A utilização do novo acordo ortográfico não só promove que os autores das ex-colónias portuguesas escrevam em revistas nacionais (aumentando o seu factor de impacto) como facilita as parcerias e criação de revistas “Luso-Tudo”.

Razão n.º 2 – O novo acordo ortográfico promove a cultura.
Quem já ouviu um ex-primeiro-ministro dizer que podia ter feito algo mais pela cultura? Um acordo ortográfico até que nem é mal jogado Sr. Sócrates. Quem nunca leu um livro de Jorge Amado, Paulo Coelho ou até poesia do grande Vinícius de Moraes? O Brasil recebe alunos universitários de todo mundo para estudar estes autores e poucos serão os portugueses que nunca ouviram falar deles. Em contrapartida, poucos serão os brasileiros que conhecem Saramago, Lobo Antunes ou até mesmo o grande Luíz de Camões que alguns exortam como o melhor poeta de sempre. Imaginem o grande mar de oportunidades que se abre para a literatura e cultura portuguesa com uma gramática unificada. Falo de cultura pois um raciocínio semelhante deve ser aplicado às restantes artes.

Razão n.º 3 – O novo acordo ortográfico promove a economia.
Sabiam que a língua castelhana está cotada entre as 5 maiores economias Espanholas? Olhando para a história, a aprendizagem de uma língua revela ser um ciclo virtuoso. Quanto maior o número de pessoas a falar determinado idioma maior o número de pessoas a querer aprendê-lo. Por outro lado, quem já foi ao estrangeiro e viu um menu de um restaurante traduzido em 10 línguas sem que o português conste na ementa? Sabiam que o português é o 5º idioma mais falado do mundo e o 6º idioma mais falado na Internet? Porque não aproveitar este pequeno tesouro que está à nossa disposição e utilizá-lo para estimular a nossa economia? Não sou especialista na matéria mas apreciaria receber turistas com vontade de conhecer o berço da língua portuguesa. Gostaria de observar pessoas intrigadas perguntando-se “que língua será esta?” enquanto olham o menu de um restaurante. Adoraria ter áudio-guias em português para quando visitasse uma exposição lá fora. Tal como no Brasil, gostaria de receber alunos estrangeiros interessados em estudar autores portugueses.

Razão n.º 4 – O novo acordo ortográfico promove o emprego.
Recentemente o nosso primeiro-ministro, com uma tirada infeliz, propôs a saída dos professores para leccionar no estrangeiro. Ora, a mensagem subliminar é clara: O governo não tem capacidade para resolver os problemas dos professores durante o/s seu/s mandato/s. A aplicação do novo acordo associada a todas as razões já enumeradas faria com que a língua portuguesa tivesse mais valor (sentido financeiro do termo). Maior valor na língua significaria mais gente querendo aprender Português (dentro e fora de Portugal). Faria com que textos, livros, artigos escritos em português tivessem valor acrescentado. Estimularia a procura de profissionais portugueses capazes de interpretar esses mesmos documentos. Acima de tudo abriria um mercado de emprego cada vez mais global e onde Portugal não se deve atrasar (outra vez).

Razão n.º 5 – O novo acordo ortográfico promove o alfabetismo.
Apesar de sermos considerados a geração mais formada de sempre os problemas de analfabetismo em Portugal não estão resolvidos. As vantagens da aplicação do novo acordo neste ponto preciso são evidentes. Conceptualmente, uma das razões da sua existência consiste na aproximação da fonética à escrita. Com efeito, a aprendizagem correcta da língua portuguesa dar-se-ia com muito maior facilidade não só pelos próprios portugueses como também por estrangeiros interessados em conhecer o nosso idioma.

Razão n.º 6 – O novo acordo ortográfico não é subserviente.
Na altura da separação das colónias espanholas, o império tomou uma decisão humilde e inteligente. Para manter a língua unificada, perspectivando possível valor futuro, a côrte espanhola implementou como gramática oficial do ex-império a que na altura era utilizada pelo povo Mexicano. A unificação mantém-se até aos dias de hoje sem nunca ter sido necessário recorrer a acordos posteriores. Este “rebaixamento” face ao novo mundo deveu-se exclusivamente ao maior número de mexicanos face a espanhóis. Sem querer colocar-me na cabeça de todos os espanhóis afirmo: Devem ser poucos os espanhóis que vivem incomodados com a constante subserviência face ao México desde há tantos anos.

Razão n.º 7 – O novo acordo ortográfico é solidário.
As razões que apresentei até agora são sustentadas por uma base de raciocínio um tanto ou quanto egoísta. Para vos defender a minha tese coloquei todas as razões sobre a perspectiva de como Portugal poderia retirar partido do acordo ortográfico. Países há, de língua oficial portuguesa, bastante mais necessitados do que nós. Todas as promoções que mencionei têm ainda maior impacto quando posicionadas em países, entre outros, como São Tomé, Guiné ou Timor. Não nos podemos esquecer que muita da pobreza que lá ficou é fruto da nossa descolonização. Agora que temos os meios para agir não vamos perder esta oportunidade.

Claro que as mudanças não acontecem de um dia para o outro. Contudo, e à falta de argumentos em contrário, que venha o novo acordo ortográfico.

Darei o meu melhor para me adaptar.
publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 21:09
link do post | comentar | favorito Blogar isto
3 comentários:
De Anónimo a 30 de Julho de 2012 às 16:12
Concordo inteiramente consigo, conforme poderá ver num artigo no meu blogue http://www.curvelo-garcia.blogspot.com.br/2012/01/o-acordo-ortografico.html.
Duas notas ao seu artigo:
- No referente à razão nº 1 - Sou Investigador e Diretor de uma revista científica (Ciência e Técnica Vitivinícola), editada em português e inglês, e uma das poucas revistas portuguesas indexadas no ISI (Web of Knowledge). O seu fator de impacto tem subido, graças ao Brasil, escrevendo artigos em língua portuguesa.
- No referente à razão nº 2 - Estou com frequência no Brasil e sei como os brasileiros bem conhecem Saramago, Lobo Antunes e Pessoa (veja-se a recente exposição sobre Pessoa, organizada pela Globo e pela Gulbenkian).
Parabéns pelo seu artigo!
AS Curvelo-Garcia

sábado, 12 de janeiro de 2013

esclarecimento AO1990 datas


Acordo Ortográfico: o que (não) foi adiado no Brasil *

José Mário Costa

Em artigo publicado no Diário de Notícias de 2 de janeiro passado, Vasco Graça Moura regressa à querela ortográfica, desta feita para dar como certo o adiamento da aplicação doAcordo Ortográfico no Brasil. Ora, o que aconteceu foi, tão-só, o prolongamento, até 2016, do período de adaptação até à plena vigência da nova reforma ortográfica, no Brasil. Ou seja: só daqui a três anos ela passa a ser de uso obrigatório. Até lá, tal como acontece em Portugal – cujo período de transição, de seis anos, termina poucos meses antes do agora determinado pelo governo brasileiro (precisamente no intuito de se alinhar com Portugal, como se pode ler aqui –, a ortografia anterior continua a ser seguida por quem assim o entender. E, portanto, sem pôr minimamente em causa o que está ratificado, decretado e efetivamente seguido, já, nos mais variados setores da sociedade brasileira. No essencial, nada se altera, pois: a adoção oficial do Acordo Ortográfico no Brasil foi em janeiro de 2009, com as novas regras desde então seguidas pelos organismos e publicações estatais, no ensino e na generalidade das editoras e dos órgãos de comunicação social.
P. S. – Este é um esclarecimento apenas e só neste preciso ponto que tem trazido alguma confusão a partir do que, erradamente, vem sendo veiculado na imprensa portuguesa. Sem embargo da estima e da consideração que tenho por Vasco Graça Moura, respeitando as suas conhecidas posições sobre o tema. 

* carta publicada no Diário de Notícias de 9/01/2013 :: 10/01/2013

ainda a prorrogação do AO1990


A prorrogação do acordo ortográfico no Brasil

10/01/13 às 22:23 Luiz Carlos Amorim
Quando vi a notícia de que a Presidente Dilma assinou o decreto 7875, de 27.12.12, alterando o decreto 6583, de 29.9.208, prorrogando para 2015 a obrigatoriedade da aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no Brasil, pensei que fosse mais uma arbitrariedade daquela senhora, como fez quando decretou que se escrevesse “presidenta”, quando nos referíssemos a ela, modificando toda uma gama de palavras que tomariam, muitas delas, uma forma ridícula.
Porque as modificações que o Acordo Ortográfico fez no português do Brasil foi quase superficial, embora algumas questões, como o hífen, causassem um tanto de confusão, com regras evasivas, incoerências, exceções, omissões e redundâncias. E ele foi implantado, quase todo mundo já se adaptou às mudanças. No caso de Portugal o caso é mais grave, pois o acordo vai modificar a maneira de falar, pois entre outras coisas, retira o “c” de palavras como “acto” e o “p” de palavras como “óptico”, que são muitas, diga-se de passagem. E o povo português não parece muito entusiasmado com as mudanças, conforme verifiquei quando estive lá, duas vezes. Os impressos – livros, jornais – não estão adotando a reforma.
Mas voltando à reforma no Brasil, estudando o caso a fundo, descobri que a coisa é ainda mais complicada. No acordo original, de 1990, consta que “Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vistas à elaboração, até 1º de janeiro de 1993, de um vocabulário comum da língua portuguesa.” Acontece que os anos foram passando, passou 93, começou o novo século e o tal “vocabulário comum da língua portuguesa” não foi estudado, aliás, nenhuma providência foi tomada nesse sentido.
Em 2008, sem nenhuma definição de como o “vocabulário comum da língua portuguesa” seria feito – e “comum” significa que todos os países envolvidos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, deveriam se reunir para chegar a um vocabulário que seria usado, pois em todos esses lugares onde a língua portuguesa é a língua oficial - outro decreto foi assinado no Brasil, o de número 6586, que dizia no seu artigo primeiro: “Nos termos do artigo 2º do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, os Ministérios da Educação, da Cultura e das Relações Exteriores e de entidades afins e dos países signatários do Acordo, adotarão as providências necessárias para a elaboração do vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa.”
E a verdade é que o vocabulário “comum” não foi providenciado até agora e o Brasil decidiu, em 2008, pelas alterações que estão sendo implantadas, com a previsão de se tornarem obrigatórias no final de 2013, ou melhor, no começo de 2014. Prazo que agora foi prorrogado para 2015. O que não vai ser suficiente, pois sem o vocabulário comum da língua portuguesa, não dá para implantar mudanças que possam unificar a língua em tantos países. As diferenças existem e a reforma, como está, pode até ser revogada, até que o vocabulário comum seja feito em colaboração entre todos os países que têm como língua oficial o português.
O que pode demorar muito, pois como disse Ubaldo, “ é uma tarefa impossível fazer com que todos falem o português da mesma maneira pelo mundo, com tantas diferenças que existem.” Palavras diferentes lá e cá, mesmas palavras com significados diferentes, palavras diferentes com mesmo significado – seriam muitas alterações sem contar nas diferenças de grafia, que implicam também em diferenças de pronúncias.
O fato é que a reforma ortográfica está mais para uma modificação no vocabulário português brasileiro. E mesmo assim, não seria a época para isso, uma vez que se pretende uma reforma ortográfica de âmbito geral, comum a todos os países envolvidos, ou seja: a temida unificação da língua portuguesa.
Na verdade, se prestarmos atenção o Brasil tem o seu “vocabulário ortográfico da língua portuguesa”. Perceberam que não consta o “comum”, que é o objetivo do Acordo?
                                                               
Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em Santa Catarina

http://www.bemparana.com.br/noticia/242866/a-prorrogacao-do-acordo-ortografico-no-brasil

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

ainda criticando o AO





TERÇA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2010

Considerações sobre o Acordo Ortográfico. E como o português virou a língua brasileira

BRASÍLIA, 30 de dezembro de 2010 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou quatro decretos de promulgação do novo Acordo Ortográfico no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no dia 29 de setembro de 2008, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, em homenagem ao escritor Machado de Assis, que completava cem anos de morto (1839-1908). “Com esses atos, Machado de Assis será duplamente exaltado: de um lado, a Academia lhe rende a mais expressiva homenagem neste ano em que celebramos o centenário de sua morte. E, de outro, a assinatura pelo presidente Lula dos decretos que promulgam o Acordo Ortográfico dos sete países lusófonos" – declarou, então, o presidente da ABL, Cícero Sandroni.

Segundo Cícero Sandroni, a promulgação do Acordo Ortográfico concretizava uma antiga aspiração de Machado de Assis, manifestada num de seus discursos, em 1897. “A Academia buscará ser a guardiã de nosso idioma, fundado em suas legítimas fontes - o povo e os escritores, todos os falantes de língua portuguesa” - disse, na altura, o autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas.

O argumento para mudanças ortográficas na língua portuguesa é que a alegada unificação da escrita no Brasil e em Portugal tornaria o português língua oficial da Organização das Nações Unidas (ONU). Supondo-se que fosse possível unificar a escrita das duas variações linguísticas, mesmo frases burocráticas, de documentos, são marcadas pela sintaxe, pelo estilo oriundo da cultura de cada um dos dois países. O fato é que o novo Acordo Ortográfico não unifica o português de Portugal e o português do Brasil, nem etimologicamente, muito menos em estilo, mesmo que se trate de escrita burocrática. E qualquer tradutor na ONU terá que ser bom de ouvido, tanto para o falar lusitano, típico dos países de clima frio, como para o falar brasileiro, tropical, aberto. Isso, sem falar do crioulo.

A pergunta que lateja é: A “unificação” da língua portuguesa escrita no Brasil com o português grafado em Portugal tem alguma utilidade? No caso do Brasil, não seria melhor investir maciçamente no ensino básico? E depois o Brasil tem mais com que se preocupar. Enquanto Lula levava seu palanque para a Academia Brasileira de Letras, o Correio Braziliense, maior jornal da capital do país, publicava uma série de reportagens sobre crianças, meninas e meninos, que embarcavam em carros de luxo, no coração de Brasília, para serem estuprados a troco de comida.

A propósito, exploração sexual de crianças e escravidão sexual são comuns na província potencialmente mais rica do planeta, mas onde a miséria humana, a escravidão, o assassinato, campeiam - a Amazônia. A grande tragédia brasileira é a escola pública. O senador Cristovam Buarque (PDT/DF) costuma comparar as escolas públicas brasileiras, regidas por orientação federal, com o Banco do Brasil. Se as agências do BB em Brasília contam com a mesma estrutura das agências nos grotões brasileiros, como, por exemplo, o sertão do Maranhão, uma escola pública do Plano Piloto não é a mesma na hiterlândia da Amazônia.

O novo Acordo Ortográfico só beneficia editoras, principalmente as que integram a panelinha do Ministério da Educação; faturarão bilhões. Quanto ao ensino público e à pesquisa no Brasil são para inglês ver. E a CPLP tem mais com se ocupar. Ela poderia encampar o Instituto Camões e criar o Instituto Machado de Assis, e, por meio deles, difundir mundialmente a língua portuguesa, que são várias: a de Portugal; a do Brasil; a crioula, ou africana; a galega; a do Timor-Leste etc. Cada um desses países conta com escritores que representam bem suas culturas, e que não estão absolutamente preocupados com burocracia. Os grandes escritores deste continente chamado Brasil são tradutores da nossa mestiçagem mulata, cafuza e mameluca, das nossas cores, cheiros e alegria. A CPLP pode e deve é influenciar a democracia e se aperfeiçoar como bloco econômico.

Considerando-se o Brasil isoladamente, passamos à frente de Portugal, como os Estados Unidos superaram a Inglaterra. No nosso caso linguístico, enquanto o português lusitano se esgotou, o português brasileiro é uma língua jovem, enriquecida por idiomas africanos, pelo tupi-guarani, por estrangeirismos e pelo calor, cores, aromas, sabores e contexturas dos trópicos e da Amazônia - que encerra uma dimensão que transcende os sentidos – realismo-fantástico, como diriam os europeus.

O Acordo Ortográfico é mais uma peça de marketing do governo lulapetista, em um país de esmagadora maioria de alfabetizados funcionais - que leem mas não entendem o que leem -, com pelo menos 20 milhões de pessoas que vivem na Idade da Pedra – não sabem ler e, muitíssimos deles, não têm sequer certidão de nascimento; outros, são escravos mesmo, principalmente nos medievais estados da Amazônia.

No Brasil, nós não precisávamos de reforma ortográfica. Precisamos de reforma política, de reforma fiscal, de reforma educacional, de reforma do Judiciário, de reforma administrativa, de reforma previdenciária, de pacto federativo, e, sobretudo, de jogar os ladrões de colarinho branco na cadeia e fazê-los pagar tudo o que roubaram, carregando pedra. É preciso acabar com a indecência da imunidade parlamentar, faz-se necessário passar a limpo este Brasil corrupto.

A curta história da língua brasileira, que leva ao mundo as cores do trópico

Originada em Portugal, a língua brasileira cada vez mais se impõe no planeta, levando para as regiões frias, que antes sediavam a metrópole, a riqueza cultural e a alegria dos trópicos, por meio da literatura, da tecnologia e do trabalho.

RAY CUNHA
Para a revista Século 21

Esta curta história da língua portuguesa é baseada em relatos de arqueólogos e historiadores. Tudo começou na região ocidental da Península Ibérica, há 300 anos Antes de Cristo, com soldados romanos e seu latim vulgar. Oitocentos anos depois, o Império Romano começou a desabar, mas deixava, firmes, várias línguas, variantes do latim. O português escrito começou a ser utilizado, em documentos, no século IX, e, no século XV, já se tornara língua literária. Desde os romanos, havia duas províncias na região em que se formou a língua portuguesa: Lusitânia, hoje Portugal, e Galécia, ou Galícia para nós, brasileiros, ao norte.

O Império Romano conquistara a região ocidental da Península Ibérica, criando as províncias da Lusitânia e da Galécia, equivalentes, hoje, ao centro-norte de Portugal e à província espanhola da Galícia, a noroeste da Espanha, nas quais se começou a falar latim vulgar, do qual nasceram as línguas neolatinas e 90% do léxico, ou dicionário, do português. Os únicos vestígios das línguas nativas dessa região dormem na toponímia da Galícia e de Portugal.

Entre 409 e 711, depois de Cristo, o Império Romano entrava em colapso e a Península Ibérica era novamente invadida, agora por povos de origem alemã – suevos e visigodos -, que os romanos chamavam de bárbaros. Entretanto, os novos invasores absorveram a língua romana da península. Como cada tribo bárbara falava latim à sua maneira, o resultado foi a formação do galaico-português ou português medieval, espanhol e catalão. Os estudiosos acreditam que foram os suevos os responsáveis pela diferenciação linguística dos portugueses e galegos quando comparados aos castelhanos. Durante o reinado suevo, proibiu-se nominar os dias da semana em latim e as palavras guerreiras foram impostas em línguas germânicas, tal como “guerra”.

Em 711, depois de Cristo, a península foi invadida pelos mouros, de língua árabe, oriundos do norte da África. O árabe foi utilizado, nessa época, como língua administrativa nas regiões conquistadas, mas a população continuou a falar latim vulgar. Em 1249, os mouros foram expulsos, mas deixaram grande número de palavras árabes, especialmente relacionadas à culinária e à agricultura, sem equivalente nas demais línguas neolatinas, além de nomes de locais no sul de Portugal, como Algarve e Alcácer do Sal. Muitas palavras portuguesas que começam por “al” são de origem árabe.

O mais antigo documento latino-português de que se tem conhecimento é aCarta de Fundação e Dotação da Igreja de S. Miguel de Lardosa, datada de 882, depois de Cristo. O Testamento de Afonso II, de 1214, é o texto em escrita portuguesa considerado mais antigo. Esses documentos estão guardados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. O vernáculo escrito passou, gradualmente, para uso geral a partir do fim do século XIII. Portugal se tornou país independente em 1143, com o rei Dom Afonso I. Em 1290, o rei Dom Dinis criava a primeira universidade portuguesa em Lisboa - Estudo Geral - e decretou que o português, então chamado “linguagem”, substituísse o latim no contexto administrativo.

Em 1296, o português foi adotado pela Chancelaria Real. A partir daí, a língua galego-portuguesa passou a ser utilizada também na poesia. Já em meados do século XIV, o português alcançara tradição literária. Nessa época, os nativos da Galícia começaram a ser influenciados pelo castelhano, base do espanhol moderno. Entre os séculos XIV e XVI, com as grandes navegações, a língua portuguesa é difundida na Ásia, África e América. Na Renascença, aumenta o número de palavras eruditas do latim clássico e do grego arcaico, ampliando a complexidade do português. O fim do português arcaico é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.

Fala-se oficialmente português nos oito países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola (África), Brasil (América do Sul), Cabo Verde (África), Guiné-Bissau (África), Moçambique (África), Portugal (Europa), São Tomé e Príncipe (África), e Timor- Leste (Ásia). Mas em cada uma das ex-colônias portuguesas falam-se, na verdade, variantes do português de Portugal. Também falam-se variantes de português nas seguintes regiões: Galícia (província da Espanha, Europa); Goa, Diu e Damão (Índia, Ásia); Macau (China, Ásia), Málaca (Malásia, Ásia) e Zanzibar (Tanzânia, África).

A escrita da língua portuguesa é semelhante em todos os países da CPLP, com poucas variações gramaticais. O que muda, de forma mais evidente, além da grafia de um certo número de palavras, é o significado de outras tantas palavras, com conotações diferentes de região para região; o modo de se utilizar formas verbais; e o estilo erudito, isto é, o modo de se construir frases e contextos literários. Quanto ao falar, um brasiliense só se entenderá com um lisboeta, por exemplo, se ambos conversarem vagarosamente e pronunciarem claramente as sílabas das palavras.

Contudo, trata-se da quinta língua mais falada no planeta, por cerca de 240 milhões de pessoas, em quatro continentes. Se Portugal é o portão de entrada da lusofonia no Velho Continente - a Europa -, o Brasil é o gigante do bloco. No Brasil, a língua portuguesa sofreu influências do tupi-guarani - tronco linguístico dos índios da América do Sul - e de várias línguas africanas. Desde o início do século XX, Portugal e Brasil buscam a unificação da língua portuguesa escrita em ambos os países, para chegar, pelo menos, ao consenso de um texto burocrático, que possa reforçar o idioma na Organização das Nações Unidas (ONU). Mas a verdade não pode ser mudada. O português de Portugal se esgotou, enquanto o português do Brasil foi enriquecido pelo índio, pela África e pelo trópico, e é aberto.

A reforma ortográfica tudo muda para nada mudar, como diz uma personagem do romance O Leopardo, de Giuseppe Tomasi Di Lampedusa, referindo-se à monarquia italiana, então com as ventosas no erário, como ocorre hoje e sempre no Brasil chavista de Lula e patrimonialista de Sarney. A célebre frase literária se ajusta à nomenklatura lulapetista, embora o destino do Brasil, a província agrícola, florestal e mineral mais rica do planeta, é o de ser uma potência mundial, o que só poderá conquistar por meio da democracia. E a democracia dorme no idioma. Só então, a língua brasileira será respeitada, procurada e aprendida.


__._,_.___
 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

AO1990 ADIADO

Governo adia novo acordo ortográfico para 2016

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/84859-governo-adia-para-2016-novo-acordo-ortografico.shtml

Reforma já é adotada pelos setores público e privado do país desde 2008
Adiamento de 3 anos abre brecha para novas mudanças; objetivo é sincronizar com Portugal, diz Itamaraty

Publicaram FERNANDA ODILLA, FLÁVIA FOREQUE, DE BRASÍLIA, em Folha de S. Paulo, de 20/12/2012-06h15

O governo federal vai adiar para 2016 a obrigatoriedade do uso do novo acordo ortográfico. As novas regras, adotadas pelos setores público e privado desde 2008, deveriam ser implementadas de forma integral a partir de 1º de janeiro de 2013.

A reforma ortográfica altera a grafia de cerca de 0,5% das palavras em português. Com o adiamento, continuará sendo opcional usar, por exemplo, o trema e acentos agudos em ditongos abertos como os das palavras "ideia" e "assembleia".
Editoria de arte/Folhapress
Além disso, o adiamento de três anos abre brechas para que novas mudanças sejam propostas. Isso significa que, embora jornais, livros didáticos e documentos oficiais já tenham adotado o novo acordo, novas alterações podem ser implementadas ou até mesmo suspensas.
"Há muita insatisfação. Ganhamos tempo para refletir, discutir e reduzir o número de regras irracionais", afirma o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), que defendeu o adiamento e quer promover audiências com professores e embaixadores dos países de língua portuguesa na Casa.
A maior pressão é de professores, que reclamam terem sido excluídos das discussões.
diplomacia
A decisão é encarada como um movimento diplomático, uma vez que o governo, diz o Itamaraty, quer sincronizar as mudanças com Portugal.
O país europeu concordou oficialmente com a reforma ortográfica, mas ainda resiste em adotá-la. Assim como o Brasil, Portugal ratificou em 2008 o acordo, mas definiu um período de transição maior.
Não há sanções para quem desrespeitar a regra, que é, na prática, apenas uma tentativa de uniformizar a grafia no Brasil, Portugal, nos países da África e no Timor Leste.
A intenção era facilitar o intercâmbio de obras escritas no idioma entre esses oito países, além de fortalecer o peso do idioma em organismos internacionais.
"É muito difícil querer que o português seja língua oficial nas Nações Unidas se vão perguntar: Qual é o português que vocês querem?", afirma o embaixador Pedro Motta, representante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).
A minuta do decreto do adiamento foi feita pelo Itamaraty. O texto precisa passar pela área jurídica da Casa Civil antes da assinatura da presidente Dilma Rousseff.

Adiamento do novo acordo ortográfico reacende debate sobre mudanças
DE SÃO PAULO20/12/2012-06h15
O adiamento do uso obrigatório das novas regras ortográficas da língua portuguesa reacendeu o debate sobre a reformulação de normas previstas no documento que ainda é alvo de controvérsia entre especialistas.
O professor de língua portuguesa Ernani Pimentel argumenta que o acordo, elaborado na década de 90, é fruto de uma educação baseada essencialmente na "decoreba" e, assim, não segue uma lógica clara.
"Como é que você vai ensinar que 'mandachuva' se escreve sem hífen e que 'guarda-chuva' se escreve com hífen, se os dois são formados de verbo e substantivo?", questiona Pimentel.
Para o professor, os brasileiros ainda não sabem efetivamente como usar as novas regras. "As pessoas se acomodaram", afirma.
Pimentel é o idealizador do movimento "Acordar Melhor", que defende a simplificação da ortografia.

Editoria de arte/Folhapress

ADAPTAÇÃO
Para o gramático Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras, ainda é muito cedo para fazer questionamentos.
"É preciso que essas normas entrem em vigor para que os problemas sejam aflorados e resolvidos."
Na visão do especialista, a sociedade brasileira já se adaptou às novas regras, e o país está preparado para adotar a obrigatoriedade do novo acordo ortográfico.
"Para o grande público, a implantação de um acordo depende da memória visual, de como as pessoas veem as palavras escritas", afirma o gramático, citando o papel da imprensa nessa função.
Bechara lembra ainda que o acordo é resultado do trabalho de especialistas brasileiros e portugueses muito qualificados para a função.
Da parte nacional, fizeram parte da elaboração do acordo nomes como Antônio Houaiss e Nélida Piñon.
pequenas mudanças
Representante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o embaixador Pedro Motta faz a ressalva de que, no fundo, são poucas as mudanças introduzidas pelo novo acordo ortográfico.
"Houve algumas pequenas mudanças na acentuação de palavras, eliminação de trema, mudanças na utilização do hífen", enumera Motta. (FERNANDA ODILLA E FLÁVIA FOREQUE)
Editoria de arte/Folhapress


http://www.cruiser.com.br/giria/