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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

dicionário cabovrdiano - portugu~es

in diálogos lusófonos
No dia internacional da língua materna, que se comemora hoje, será apresentado pela primeira vez em Portugal um dicionário “caboverdiano – português”, assinalando a importância da língua portuguesa como uma das matrizes do crioulo, disse hoje o autor da obra.
“O português é uma das matrizes da língua cabo-verdiana e é uma das coisas mais bonitas que ficaram em Cabo Verde resultantes da colonização e, inclusivamente, da escravatura”, disse à agência Lusa o linguista cabo-verdiano Manuel Veiga.

Segundo o autor, este é o primeiro dicionário “caboverdiano – português” a ser apresentado em Portugal.
“Eu acho extremamente significativo [esta apresentação], porque hoje é o dia das línguas maternas em todo o mundo e o crioulo de Cabo Verde é a nossa língua materna. Então, lançar um dicionário sobre o crioulo de Cabo Verde na perspetiva de oficialização desta língua é uma iniciativa muito interessante”, sublinhou.
O português é a língua oficial e o crioulo é a língua nacional de Cabo Verde, sendo Manuel Veiga um grande incentivador para que a língua cabo-verdiana seja, efetivamente, equiparada à língua portuguesa.
No entanto, existe uma grande polémica em torno da uniformização do crioulo devido às diferentes variantes faladas nas diversas ilhas do arquipélago.
Manuel Veiga disse que começou a elaborar o dicionário em 1995, com a ajuda de uma equipa, e levou cinco anos a terminá-lo.
“O dicionário foi lançado em Cabo Verde em 2011 e, posteriormente, nos Estados Unidos”, sublinhou o autor.
Com 15 mil entradas (palavras), até ao momento, é o dicionário mais completo publicado em Cabo Verde, segundo o linguista.
O ex-ministro sublinhou que introduziu em muitas palavras, as variantes utilizadas nas várias ilhas do arquipélago.
“Como linguista que sou, sempre pensei que o meu contributo para Cabo Verde, na área da cultura, seria procurar uma escrita padronizada para a língua cabo-verdiana e fazer trabalhos no domínio da gramática”, indicou.
Após publicar diversas obras sobre a língua cabo-verdiana, como gramáticas e outros estudos, decidiu lançar este dicionário.
“Os portugueses foram cúmplices da criação desta língua, portanto, também são responsáveis pela valorização desta língua”, acrescentou o autor.
De acordo com Manuel Veiga, o dicionário é direcionado, fundamentalmente, para a comunidade cabo-verdiana em Portugal, mas indicou que também há académicos interessados pela obra.
A publicação já vai na sua segunda edição e o autor referiu que uma terceira edição poderá ser lançada.
O dicionário será apresentado pelo autor na Associação Caboverdeana, em Lisboa, e a sessão vai estar a cargo da linguista e professora do ensino bilingue português – cabo-verdiano, Ana Josefa Cardoso.
Durante a presentação do dicionário, a Associação Caboverdeana de Lisboa irá apresentar ainda o projeto do curso de língua cabo-verdiana, que será ministrado nas instalações da organização associativa, a partir de março.
Fonte: Diário Digital com Lusa


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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

dicionários monolingues no Brasil

in diálogos lusófonos
Dicionário, sociedade e língua nacional: o surgimento dos dicionários monolíngües no Brasil
José Horta Nunes
Este trabalho aborda a constituição dos dicionários monolingues na conjuntura brasileira, procurando explicitar as condições desse acontecimento e mostrando a singularidade dele
em um país de colonização. Falar da história dos dicionários brasileiros leva a considerar a passagem da lexicografia portuguesa à lexicografia brasileira e a explicitar a especificidade de cada uma dessas tradições, assim como mostrar seus entrecruzamentos,suas continuidades e descontinuidades, suas concomitâncias
e defasagens.
O Diccionario da língua portugueza, de A. de Morais Silva, publicado em Lisboa em 1789, é considerado o primeiro monolingue da língua portuguesa. O autor realiza um trabalho de redução do extenso dicionário de Bluteau, o Vocabulario portuguez e latino, de 1712-1728,3 o qual, sendo um bilingue português-latim, já trazia longas definições em português.
Ainda que Morais seja um autor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, seu dicionário se filia diretamente à tradição portuguesa, em um momento em que os brasileiros realizavam estudos em Portugal. Depois do Morais, vários outros dicionários portugueses deram continuidade a essa série em Portugal.
Já os dicionários monolingue brasileiros começam a aparecer no século XIX e se  consolidam somente no século XX. No século XIX surgem os primeiros dicionários parciais. Entendemos por parciais os dicionários de complemento aos dicionários portugueses, como o de Rubim, em 1853, os dicionários de regionalismos, como o
de Coruja,de 1852, e já no final do século os dicionários de brasileirismos, como os
de Rohan, de 1889, e Soares,7 de 1888. Mas os dicionários gerais brasileiros somente
aparecem no século XX, a partir dos anos 30, com os dicionários de Freire,1939-1944, e Barroso e Lima,1938. E eles se estabelecem definitivamente nos anos 1960-1970, quando substituem os dicionários portugueses, passando a ser mais utilizados que aqueles. Os dicionários de Silva,que teve sua primeira edição em 1962, e Ferreira,1975, são
dois dos mais representativos desse último momento.
É bem recente, portanto, a constituição dos grandes dicionários monolíngues brasileiros. Para se compreender o longo processo que resultou nessas obras, convém levar em consideração o acúmulo de textos lexicográficos que se estendem desde os dicionários bilíngues (português-tupi/tupi-português) da época colonial e imperial, passando pelos dicionários parciais já mencionados do século XIX, assim como pela assimilação dos dicionários portugueses em circulação no Brasil.Porém, é preciso considerar que os dicionário gerais, que projetam um imaginário de unidade, de completude, somente se apresentam e circulam de forma ampla e contínua no século XX.13 Não se trata de dicionários que complementem os dicionários portugueses ou acrescentam elementos a eles, mas sim de obras que passam a funcionar como representativas de uma totalidade da língua praticada no Brasil.


Referências bibliográficas
AULETE, Francisco Júlio Caldas. Dicionário contemporâneo da língua portuguesa.
Rio de Janeiro: Delta, 1958.
AUROUX, Sylvain. A revolução tecnológica da gramatização. Campinas: Ed. da
Unicamp, 1992.
______. Língua e hiperlíngua. Línguas e Instrumentos Lingüísticos, Campinas:
Pontes, n. 1, p. 17-30, 1998.
BARROSO, Gustavo; LIMA, Hildebrando. Pequeno dicionário brasileiro da língua
portuguesa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938.
______. Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Civilização
Brasilieira, 1939.
BLUTEAU, Raphael. Vocabulario portuguez e latino. Lisboa: Colégio das Artes da
Companhia de Jesus, 1712-1728.
BORBA, Francisco da Silva. Dicionário de usos do português do Brasil. São Paulo:
Ática, 2002.
BUENO, Francisco da Silveira. Dicionário escolar da língua portuguesa. Rio de
Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Departamento Nacional de Educação,
1955.
CORUJA, Antônio Álvares Pereira. Coleção de vocábulos e frases usados na Província
de São Pedro do Rio Grande do Sul. Revista do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, 1852.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.
______. Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
FIGUEIREDO, António Cândido de. Novo dicionário da língua portuguesa. Lisboa:
Tavares Cardoso & Irmão, 1899.

texto extraído de Dicionário, sociedade e língua nacional:
o surgimento dos dicionários monolíngües no Brasil , José Horta Nunes,  http://www.coresmarcasefalas.pro.br/adm/anexos/11122008004925.pdf

1º dicionário de português

 por Miguel RM
Segundo o “Púbico”  , o “ Vocabulário Portuguez e Latino“, publicado entre 1712 e 1728 por Rafael Bluteau, está agora acessível na Internet, por iniciativa da Universidade de S. Paulo (USP), no Brasil. O título completo desta obra conhecida de todos os estudiosos da língua portuguesa é: ”Vocabulario Portuguez e Latino, Aulico, Anatomico, Architectonico, Bellico, Botanico, Brasilico, Comico, Critico, Dogmatico, etc. autorizado com exemplos dos melhores escriptores portuguezes e latinos, e oferecido a el-rey de Portugal D. João V.” A obra foi digitalizada por alunos do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, que anuncia também para breve a digitalização doutros dicionários históricos de grande interesse, nomeadamente o famoso “Morais”. Vou acrescentar nas minhas ligações (links) a página do IEB, que tem conteúdos muito interessantes.
BLUTEAU, Rafael, C.R., 1638-1734,
Vocabulario portuguez e latino, aulico, anatomico, architectonico, bellico, botanico, brasilico, comico, critico, chimico, dogmatico, dialectico, dendrologico, ecclesiastico, etymologico, economico, florifero, forense, fructifero... autorizado com exemplos dos melhores escritores portugueses, e latinos... / pelo padre D. Raphael Bluteau. - Coimbra : no Collegio das Artes da Companhia de Jesus, 1712-1728. - 10 vol. ; 2º (29 cm). - Sob pé de imprensa: Com todas as licenças necessárias. - O Vocabulario portuguez e latino foi publicado em Coimbra, no Colégio das Artes da Companhia de Jesus, com excepção do do 2º vol., impresso em Lisboa, na Patriarcal Oficina da Música. O Suplemento ao Vocabulario foi impresso em Lisboa, na oficina de J. A. da Silva, em 1727-1728. - P. de tít. a vermelho e negro. - Cabeções e capitais iniciais ornamentadas. - Texto a duas colunas. - Algumas notas manuscritas PTBN: RES. 3063-72 A.. - Encadernação em pele, sobre pastas de cartão, com ferros gravados a ouro na lombada PTBN: RES. 3063-72 A.. - Pert. nas p. de tít. dos vol. 1-5, 7: "Da Livraria do Coll[egi]o da Companhia[a] de Jesu na V[il]a de Gouveia"; "Ex dono P. Bernardo Vieyra S. Jezu. 1742"; "MINISTERIO DO REINO BIBLIOTECA DA INSTRUÇÃO PUBLICA" (carimbo); no vol. 6: "COSTA LOBO" (carimbo) PTBN: L. 4360-4364 A.. - Inocêncio 7, 42. - Azevedo Samodães 1, nº 427. - BN - Caminhos do Português p. 105. - NUC NB 0567376. - BM 22, 57. - Brunet 1, 367. - Wellcome Library (HPB). - Oxford University (HPB). - Yale University Library (HPB). - Vol 1: [114], 698 p. - Vol. 2: [2], 216, 654 p. - Vol. 3: Coimbra: no Real Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1613. - [12], 319, 407 p. - Vol. 4: Coimbra: no Real Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1613. - [12], 243, 164, 237 p. - Vol. 5: Lisboa: na Officina de Pascoal da Sylva, 1716. - [28], 778 p. - Vol. 6: Lisboa: na Officina de Pascoal da Sylva, 1720. - [8], 839 p.. - Vol. 7: [4], 824 p. - Vol. 8: Lisboa: na Officina de Pascoal da Sylva, 1721. - [12], 652, [4] p. - Diccionario Castellano, y português para facilitar a los curiosos la noticia de la lengua latina, con el uso del Vocabulario Portuguez, y Latino... / autor el P. D. Raphael Bluteau. - Lisboa : en la Imprenta de Pascoal da Sylva, 1721. - 189 p. - Vol. 9: Supplemento ao Vocabulario portuguez, e latino, que acabou de sahir a luz, anno de 1721. - Lisboa Occidental : na Officina de Joseph Antonio da Sylva, impressor da Academia Real, 1727. - [132], 568 p. - Vol. 10: Supplemento ao Vocabulario portuguez, e latino, que acabou de sahir a luz, anno de 1721... Parte 2. - Lisboa Occidental : na Patriarcal Officina da Musica, 1728. - [2], 325, [6], 592 p


http://www.enxuto.org/blogue/primeiro-dicionario-de-portugues-rafael-bluteau-1712-1728-disponivel-na-internet-por-iniciativa-da-universidade-de-s-paulo
http://purl.pt/13969/2/

quinta-feira, 19 de abril de 2012

(DICIONÁRIO CONTRASTIVO-PORTUGUÊS LUSO-BRASILEIRO 2012)





-------- Original Message --------
Subject: CONTRASTIVE DICTIONARY-LUSO-BRAZILIAN PORTUGUESE 2012 (DICIONÁRIO CONTRASTIVO-PORTUGUÊS LUSO-BRASILEIRO 2012)
Date: Thu, 19 Apr 2012 16:53:19 +0100
From: Elisa Campos
To: undisclosed-recipients:;


Dear Sir/Madam,

Please, visit our website in www.elisacampos.com.
Here I present the e-book Contrastive Dictionary-Luso-Brazilian Portuguese and British-American English, which I compiled especially for those who use the Portuguese Language as a means of communication, either as their mother language or as a foreign or second language and need information about the lexical variations or differences between European Portuguese (PE) and Brazilian Portuguese (PB).
This Contrastive Dictionary shows contrastive words and phrases that exist in spoken and written Portuguese in Portugal and in Brazil, followed by their equivalents in British and American English. In addition, some idioms and set or fixed phrases, also contrastive, are presented at the end of the book.
In this site you will also find two e-books about the culinary of both countries, Portugal and Brazil: Portuguese culinary, certainly and Brazilian culinary, certainly.
These e-books contain a selection of eighty recipes that show the current and traditional Portuguese and Brazilian cooking.

Sincerely,
Elisa Campos

______XXX______

Prezado(a) Senhor(a),

Convido-vos a visitar a nossa página web www.elisacampos.com.
Aqui apresento o e-book Dicionário Contrastivo-Português Luso-Brasileiro e Inglês Britânico-Americano, que compilei para todos os que usam a Língua Portuguesa como meio de comunicação, seja como língua materna, como língua estrangeira ou segunda língua e necessitam informação sobre as variações ou diferenças lexicais existentes entre o Português Europeu (PE) e o Português Brasileiro (PB).
Este Dicionário Contrastivo apresenta palavras e termos contrastivos existentes no Português falado e escrito em Portugal e no Brasil seguidos de seus equivalentes em Inglês Britânico e Americano. São ainda apresentadas algumas expressões idiomáticas e frases de uso corrente, também contrastivas, no final do livro.
Na nossa página encontrarão também dois e-books sobre a arte culinária dos dois países, Portugal e Brasil: Culinária portuguesa, com certeza e Culinária brasileira, com certeza. Estes e-books contêm uma seleção de oitenta receitas que mostram a arte culinária corrente e tradicional de Portugal e do Brasil.

Atenciosamente,
Elisa Campos

______XXX______




quinta-feira, 14 de julho de 2011

DICCIONARIO DA LÍNGUA BRASILEIRA 1832

DICCIONARIO DA LÍNGUA BRASILEIRA

Olga Ferreira Coelho *
O Dicionário da Língua Brasileira (DLB) foi publicado em 1832, em Ouro Preto, pela Tipografia de Silva, pertencente a Luiz Maria da Silva Pinto (1775-1869), o autor. No título, a expressão língua brasileira, em referência ao português utilizado no Brasil, chama a atenção não só porque língua portuguesa seria o esperado, mas também porque o autor demonstra ter consciência da ambiguidade do adjetivo escolhido, fato que o leva a esclarecer que a obra não se dirige ao tratamento das palavras e frases que “proferem os Índios”, como seus contemporâneos talvez tendessem a deduzir.

O DLB não reivindica, explicitamente, autonomia para o português falado na América. Diferentemente de trabalhos que seriam publicados no final do século XIX, não contém menção direta a qualquer nível de emancipação “do nosso Idioma” em relação ao português europeu. Não é também um dicionário que procure registrar exclusividades, isto é, um léxico somente empregado no Brasil. No entanto, apesar de estar aparentemente afastado dos projetos literários e linguísticos que animaram o século XIX, o DLB oferece rico registro de variantes do português que se usava àquela época no país. Curiosamente, parece ter sido decisivo para esse registro o fato de o autor ocupar-se da tipografia: das soluções gráficas e de organização de seu texto é que emergem dados sobre a diversificação da língua portuguesa no Brasil. Por exemplo, com o uso de asteriscos, demarca no corpo do texto os termos antiquados:

*Abrego, s.m. Vento Sudoeste.

*Fedo [com e aberto] por feio.

Outra solução, agora com vistas à ortografia, num momento em que ainda não há regulação oficial para isso, é dispor de modo especial os registros que se alternavam:

Lingoa, e melhor

Língua, s.f. parte carnosa, que se move dentro da boca. Linguagem, Idioma. Fig. Porção de terra, ou de mar. Língua de fogo, Labareda. Tomar língua Informar-se. Língua da balança, O fiel, o ponteiro que mostra o equilíbrio.

Com a apresentação de correções e sugestões, distingue usos populares aparentemente atestados de usos recomendáveis:

Parteleira, s.f. Outros dizem prateleira.

Preverso, por perverso.

Não há consistência absoluta na aplicação desses recursos ao longo da obra. Assim, por exemplo, ora se indicam as pronúncias e grafias concorrentes por meio da disposição sequencial das ocorrências envolvidas, seguidas da definição da palavra (v. lingoa / lingua), ora se fazem observações estritamente voltadas para a pronúncia (v. “Preverso por perverso”). Ainda assim, a variação linguística tende a ser registrada.

Ao lado desses aspectos relativos aos modos de apreensão e registro da língua, são dignos de nota os que dizem respeito ao perfil geral do texto: concebido como “portátil”, é um dicionário realmente sucinto, seja em relação à quantidade de itens lexicais descritos, seja em relação à composição dos verbetes. Estudiosos têm defendido, por meio da exposição de marcantes semelhanças, a hipótese de que ele corresponda a uma espécie de versão simplificada e resumida do Moraes. E, de fato, onde o Moraes apresenta séries de entradas pertencentes a uma mesma família de palavras, o Silva Pinto em geral contém apenas uma ou duas; enquanto o Moraes apresenta as variadas acepções de uma mesma palavra, o Silva Pinto destaca uma, ou algumas poucas delas. São ainda suprimidos exemplos e abonações. Não é o caso, no entanto, de tomar-se o DLB como simples resumo do de Moraes, seja porque, apesar do estilo o mais das vezes lacônico, nem
sempre seus verbetes são menos informativos (Moraes: Mamoeiro, s.m. Árvore que dá mamões; Silva Pinto: Mamoeiro, s.m. árvore do Brasil, que dá os mamões.), seja porque, por trás da brevidade, parece haver certo compromisso com a clareza (Moraes: Algaravia, s.f. Linguagem ininteligível, confusa: no mesmo sentido dizemos Falar Vasconso; Silva Pinto: Algaravia, s.f. Linguagem confusa, que não se entende).

O DLB certamente não tem a estatura do Moraes: as descrições são mais apressadas, menos precisas e, em alguns casos, menos corretas também. Silva Pinto também parece não se preocupar com índices de erudição, tradicionalmente dados pela etimologia e pela abonação oferecida pelos “clássicos”. Soube, porém, juntar a seu interesse pela língua as habilidades de editor-tipógrafo e, com isso, desenhar um volume prático e despretensioso, no qual se encontram dados interessantes acerca da língua e dos modos e estilos de descrevê-la.

Há alguns estudos recentes e bem fundamentados acerca do sentido de uma obra como essa no contexto do Império Brasileiro. Tais estudos têm se desenvolvido principalmente nas áreas de História, Historiografia Linguística e História das Ideias Lingüísticas. Neles, fazem-se boas conexões desse dicionário, e de outros dos anos 1800, com questões candentes no Brasil da época, como a étnica e a da identidade nacional. Talvez também seja tempo de restabelecer o Dicionário da Língua Brasileira como fonte para o estudo do português no Brasil.

Sugestões de leitura:
LIMA, Ivana Stolze Lima. Luis Maria da Silva Pinto e o Dicionário da Língua Brasileira (Ouro Preto, 1832). Humanas. Porto Alegre, v. 28, n. 1, p. 33-67, 2006.
COELHO, Olga Ferreira. Os nomes da língua: configuração e desdobramentos do debate sobre a língua brasileira no século XIX. Revista do IEB, 47, set. de 2008, p. 139-160.
PINTO, Edith Pimentel. O português do Brasil: textos críticos e teóricos. Fontes para a teoria e a história. Vol. 1, 1820-1920. São Paulo/Rio de Janeiro: Edusp/Livros Técnicos e Científicos, 1978.
* Olga Ferreira Coelho (CEDOCH-DL-USP).

terça-feira, 28 de junho de 2011

Dicionário ganha novas palavras estimuladas pela tecnologia e internet


Dicionário ganha novas palavras estimuladas pela tecnologia e internet

Saiba qual é o trabalho do dicionarista e como as palavras vão parar no dicionário

EPTV

A nossa fala é viva, popular e está em constante transformação. A cada ano surgem novas expressões que ganham força nas ruas e principalmente na internet. O que pouca gente sabe não sabe, é que muitas dessas palavras já estão no dicionário e algumas bem conhecidas.

Na rua todo mundo conhece a palavra "Ricardão". O vendedor Ademir Sanches não tem coragem de explicar, mas avisa. "Tem muito Ricardão andando por aí".Ricardão, no dicionário quer dizer “o outro, o amante”.

Hoje eu já "tuietei", "bloguei". A tarde vou assistir a um filme em um "blu ray", à noite tem "balada". Essas expressões, palavras e até verbos que estão na boca do povo há algum tempo e que agora também tem espaço nos livros. Com a modernidade, a língua portuguesa também ganhou novos verbos: tuitar e blogar.

Muitos nomes estrangeiros também invadiram as ruas. A lista é grande: nerd, chororô, sex shop, Enem, flex, test drive e até a saidinha de banco. Alguns produtos e marcas, de tão conhecidos, viraram sinônimo.

O famoso curativo “band-aid” também ganhou espaço, só que foi "aportuguesado". Ao contrário da marca que tem hífen, o que foi para o dicionário se escreve tudo junto e como se fala. "bandeide".

Muita gente tem curiosidade para saber como as palavras vão parar no dicionário. O professor e dicionarista Francisco Borba explica como é o trabalho de registrar estas palavras. A função do dicionarista é recolher as palavras das mais diversas fontes e colocá-las numa determinada ordem dentro dos dicionários", explica.

Francisco Borba é um caça palavras e já lançou três dicionários e prepara mais um, só que agora com ajuda de um aliado, uma ferramenta moderna: a internet, que facilitou a busca por novas palavras, inclusive pelas palavras estrangeiras. “A língua é uma entidade dinâmica e está sempre em movimento”, finaliza Borba.

Fonte: EPTV - Emissoras Pioneiras de Televisão