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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

manuscritos do Mar Morto

  • Luis Antonio Ricardo Candeias shared Templo Cultural Delfos's photo.
    MANUSCRITOS DO MAR MORTO DISPONÍVEIS NA INTERNET

Mais de seis décadas depois da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto - e milhares de anos após terem sido escritos - Israel completou a disponibilização on-line das cinco mil imagens dos mais antigos textos bíblicos conhecidos. A livraria digital agora está completa, com o Livro do Deuteronômio, que inclui a lista dos Dez Mandamentos, e um trecho do primeiro capítulo do Gênesis, datado do primeiro século d. C.. 
O objetivo é democratizar o acesso aos textos religiosos, antes disponíveis apenas para poucos especialistas. - Apenas cinco pessoas em todo o mundo são autorizadas a manusear os manuscritos - afirmou o responsável pelo patrimônio histórico de Israel, Shuka Dorfman. - Agora, todo mundo vai poder tocar os manuscritos na tela.
Os textos podem ser acessados em www.deadseascrolls.org.il 

Os textos são considerados a descoberta arqueológica mais importante do século XX. Acredita-se que tenham sido escritos e guardados pelos essênios, uma seita judaica, nas cavernas de Qumran, às margens do Mar Morto, há 2 mil anos. As milhares de folhas de pergaminho, escritas em hebraico e aramaico, são consideradas essenciais para a compreensão do judaísmo e das origens do cristianismo. Textos dos manuscritos aparecem de forma praticamente idêntica na Bíblia, escrita 500 anos depois, e ajudam a entender o ambiente em que Jesus viveu, revelando informações sobre os judeus daqueles tempos.

Imagem: Excerto de um dos pergaminhos do Livro de Isaías 

Vídeo dos Manuscritos do Mar Morto: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=5rYj_0foJYA

Fonte: Agência Brasil/EBC e publico.pt
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Conheça o nosso Blog: http://www.elfikurten.com.br
    MANUSCRITOS DO MAR MORTO DISPONÍVEIS NA INTERNET

    Mais de seis décadas depois da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto - e milhares de anos após terem sido escritos - Israel completou a disponibilização on-line das cinco mil imagens dos mais antigos textos bíblicos conhecidos. A livraria digital agora está completa, com o Livro do Deuteronômio, que inclui a lista dos Dez Mandamentos, e um trecho do primeiro capítulo do Gênesis, datado do primeiro século d. C..
    O objetivo é democratizar o acesso aos textos religiosos, antes disponíveis apenas para poucos especialistas. - Apenas cinco pessoas em todo o mundo são autorizadas a manusear os manuscritos - afirmou o responsável pelo patrimônio histórico de Israel, Shuka Dorfman. - Agora, todo mundo vai poder tocar os manuscritos na tela.
    Os textos podem ser acessados em www.deadseascrolls.org.il

    Os textos são considerados a descoberta arqueológica mais importante do século XX. Acredita-se que tenham sido escritos e guardados pelos essênios, uma seita judaica, nas cavernas de Qumran, às margens do Mar Morto, há 2 mil anos. As milhares de folhas de pergaminho, escritas em hebraico e aramaico, são consideradas essenciais para a compreensão do judaísmo e das origens do cristianismo. Textos dos manuscritos aparecem de forma praticamente idêntica na Bíblia, escrita 500 anos depois, e ajudam a entender o ambiente em que Jesus viveu, revelando informações sobre os judeus daqueles tempos.

    Imagem: Excerto de um dos pergaminhos do Livro de Isaías

    Vídeo dos Manuscritos do Mar Morto: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=5rYj_0foJYA

    Fonte: Agência Brasil/EBC e publico.pt

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

domingo, 18 de novembro de 2012

judeus no mundo

Aconteceu
Colóquio “JUDEUS PORTUGUESES NO MUNDO:PENSAMENTO, MEDICINA E CULTURA”
Braga, 19 de Outubro de 2012

Universidade do Minho - Campus de Gualtar - Auditório CP 2, B1

O colóquio JUDEUS PORTUGUESES NO MUNDO procura refletir sobre a grande ciência e o grande pensamento de autores judaico-portugueses. Este é um património cultural riquíssimo que merece ser estudado pelos investigadores. O contributo dos Judeus Portugueses para a história da cultura em Portugal dificilmente pode ser apoucado, dada a sua vastidão. Os aspetos mais infelizes da relação entre os Judeus e Portugal ofuscam muitas vezes este património. Urge estudar e dar a conhecer às novas gerações de universitários portugueses muitos autores cuja obra continua a influenciar e a inspirar o que fazemos em Medicina, em Filosofia e em muitas outras áreas da Cultura.


PROGRAMA

9h15 Sessão de Abertura

9h30
Jesué Pinharanda GomesItinerário do Pensamento Judaico Português
António AndradeMestre Dionísio, Manuel Brudo e Amato Lusitano: Três Médicos no Exílio
Elvira Azevedo MeaAlguns Aspectos da Diáspora Judaica (Séculos XVI-XVII)
11h-11h10 Debate

11h10 -11h30 Intervalo

11h30
Joshua Ruah, O Pensamento Científico Judaico-português nos Séculos XVI e XVII
Jorge MartinsO Marranismo como Cultura: Práticas Criptojudaicas nos Processos da Inquisição (sécs. XVI a XVIII)
Paulo Archer de CarvalhoJoaquim de Carvalho, os estudos judaicos e o esquecimento da Shoah
13h-13h10 Debate

13h10-14h30 Almoço

14h30
José Eduardo FrancoA Distinção entre Cristãos Velhos e Cristãos Novos e a Questão Judaica em Portugal
Manuel CuradoO Palácio do Sono do Doutor Isaac Samuda
Rui Bertrand RomãoErro, Exame e Decisão em Francisco Sanches
16h-16h10 Debate

16h10-16h30 Intervalo
16h30
Adelino CardosoRequisitos do Médico Perfeito na Obra de Rodrigo de Castro O Médico Político
James Nelson NóvoaLeão Hebreu, Médico e Filósofo Português no Renascimento Italiano
Fernando Machado, O despatriado Ribeiro Sanches na terra dos czares: débitos e créditos
18h30-18h45 Debate
18h45 Encerramento

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domingo, 28 de outubro de 2012

mitos sobre sobrenomes/apelidos judeus






                    No desenho ‘Caminhada dos prisioneiros para o auto
                    de fé’, de A. Shoonebeck, um retrato da perseguição
                    aos judeus
                    Foto: Reprodução
No desenho ‘Caminhada dos prisioneiros para o auto de fé’, de A. Shoonebeck, um retrato da perseguição aos judeusREPRODUÇÃO
Na Bahia do século XVII, o professor de um colégio jesuíta perguntou o sobrenome de um de seus alunos. A resposta foi inusitada: “Qual deles, o de dentro ou o de fora”? A história, contada pela historiadora da USP Anita Novinsky em sua dissertação “O mito dos sobrenomes marranos”, exemplifica o dilema dos cristãos-novos brasileiros, nos primeiros séculos do país. Expor ou não o sobrenome da família fora de casa, sob risco de ser identificado pela Inquisição e acusado do crime inafiançável de “judaísmo”? O temor e a delicadeza do tema fizeram com que a genealogia dos descendentes de judeus portugueses no Brasil fosse envolta, por séculos, numa bruma de mitos e ignorância. Nos últimos anos, no entanto, pesquisadores têm revelado surpresas sobre os sobrenomes marranos no Brasil
No final do século XV, os judeus compunham entre 10% e 15% da população de Portugal — somando os cerca de 50 mil locais e os quase 120 mil que cruzaram a fronteira em 1492, quando os Reis Católicos Fernando e Isabela expulsaram toda a população judaica da Espanha. Nos primeiros dois séculos depois do Descobrimento, o Brasil recebeu boa parte dessa população, os chamados cristãos-novos (ou “marranos”, pelo apelido pejorativo da época), convertidos ao cristianismo à força, por decreto de Dom Manuel I, em 1497. Historiadores concordam que um em cada três portugueses que imigraram para a colônia era cristão-novo.
Até recentemente, acreditava-se que esses judeus conversos abandonaram seus sobrenomes “infiéis” para adotar novos “inventados” baseados exclusivamente em nomes de plantas, árvores, frutas, animais e acidentes geográficos. Assim, seria fácil. Todos os portugueses com os sobrenomes Pinheiro, Carvalho, Pereira, Raposo, Serra, Monte ou Rios, entre outros, que imigraram para o Brasil após 1500 devem ter sido marranos, certo? Errado.
— Em minhas investigações, não encontrei prova documental de que nomes de árvores, animais, plantas ou acidentes geográficos tenham pertencido apenas ou quase sempre a marranos — afirma Anita Novisnky, uma das maiores autoridades no assunto.
O que causa confusão, segundo Novinsky, é o fato de que os sobrenomes adotados pelos cristãos-novos eram os mesmos usados por cristãos-velhos, alguns por nostalgia, outros por medo de perseguições. Afinal, no Brasil, os marranos foram perseguidos por 285 anos pela Inquisição portuguesa. Quem demonstrasse apego à antiga religião poderia ser condenado à morte na fogueira dos “autos de fé”, as cerimônias de penitência aos infiéis.
Como identificar, então, quem era marrano? A mais importante pista está justamente nos arquivos da Inquisição. Aproximadamente 40 mil julgamentos resistiram ao tempo, 95% deles referentes a crimes de judaísmo. Anita Novinsky encontrou exatos 1.819 sobrenomes de cristãos-novos detidos, só no século XVIII, no chamado “Livro dos Culpados”. Os sobrenomes mais comuns dos detidos eram Rodrigues (citado 137 vezes), Nunes (120), Henriques (68), Mendes (66), Correia (51), Lopes (51), Costa, (49), Cardoso (48), Silva (47) e Fonseca (33).
— A Inquisição anotava todos os nomes dos detidos cuidadosamente, como se fosse a Gestapo nazista e mantinha uma relação de bens de cristãos-novos para confiscar — diz Anita.
Isso não quer dizer, no entanto, que todas as famílias com esses sobrenomes eram marranas. Nas investigações, sob tortura, os detidos diziam tudo o que os inquisidores queriam ouvir, acusando vizinhos, empregados e parentes “inocentes”. Fora isso, os sobrenomes eram realmente comuns.
— Não havia nenhum sobrenome exclusivo de cristãos-novos. Até porque eles mudavam sempre que podiam, além de adotarem nomes compostos. Muitos irmãos e esposos adotavam até mesmo sobrenomes diferentes, só para confundir — explica o historiador israelense Avi Gross
O historiador paulistano Paulo Valadares, autor do “Dicionário Sefaradi de Sobrenomes”, no qual destaca 14 mil sobrenomes oriundos de judeus da Península Ibérica, aponta para mais uma complicação: o da mestiçagem brasileira. A grande maioria dos cristãos-novos se misturou depois de uma ou duas gerações com outras culturas e raças.
— Poucos conseguiram manter as tradições judaicas por muito tempo. Algumas famílias tentaram, se isolando em algumas áreas do país, principalmente no Sertão nordestino, e praticando a endogamia (casamentos dentro da família).
Para os aficionados em genealogia, um novo site na internet, o “Name your roots” (que tem versão em português), pode ajudar a descobrir as raízes. No portal, criado há três meses por dois religiosos israelenses, é possível obter explicações e bibliografia gratuitamente sobre sobrenomes marranos comuns no Brasil.
Mas Paulo Valadares alerta que é preciso ir além: identificar se há antepassados portugueses que chegaram ao Brasil nos séculos XVI ou XVII ou se foram citados nos anais da Inquisição até o século XVIII, se a família se estabeleceu em alguma região específica e se guarda tradições “estranhas”. O documentário “A estrela oculta do Sertão”, de Elaine Eiger e Luize Valente, traz exemplos de algumas dessas tradições, que ainda sobrevivem no Nordeste: olhar a primeira estrela no céu, não comer certos alimentos como carne de porco, não misturar carne com leite, vestir a melhor roupa na sexta-feira, enterrar corpos em “terra limpa” (envolto apenas numa mortalha), rezar numa língua estranha e colocar pedras em túmulos.
— Depois de conviver com comunidades do interior do país, percebi como os descendentes de marranos praticam tradições judaicas no dia a dia — conta Luize , que lança, em agosto, o romance “O segredo do oratório” (Record), contando a saga de uma família de cristãos-novos no Brasil.
O médico paraibano Luciano Canuto de Oliveira, que voltou ao judaísmo depois de descobrir suas origens marranas, define sua identidade de modo parecido com a resposta do aluno do colégio jesuíta, há quatro séculos: “Ser marrano é ser judeu por dentro e católico por fora”.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/o-mito-sobre-origem-de-sobrenomes-de-judeus-convertidos-5227424#ixzz2AY2hTP9P
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sábado, 20 de outubro de 2012

judaísmo


ESTARÁ O JUDAÍSMO NA MODA? - PAULO MENDES PINTO
in diálogos lusófonos

Há áreas de estudo que em Portugal sempre foram claramente “deficitárias”. Até há bem pouco tempo, pouco havia a apontar quando se tentasse fazer um apanhado sobre os estudos judaicos no nosso país.
Apesar da importante herança que a cultura judaica nos deixou, visível de forma clara e inequívoca nos escassos momentos em que cientificamente Portugal esteve na vanguada do Ocidente, a verdade é que muito pouco se estudava sobre os judeus portugueses, sobre a judaísmo em terra lusas.
Depois do 25 de Abril, já nas décadas de oitenta e de noventa, vários foram os actos oficiais do Estado que tentaram reparar e dar atenção às feridas seculares entre o Estado português e os judeus de origem lusa.
Desde a expulsão lançada por D. Manuel, passando pela perseguição realizada pela Inquisição, à própria forma confessional que o Estado Liberal ainda apresentava no início do século XX, fazendo com que, por exemplo, a Sinagoga de Lisboa (construída entre 1902 e 1904) não pudesse ter fachada para a rua... tudo isto tem sido matéria de remorsos e de arrependimentos profundamente lançados numa quase flagelação expiatória que, espantemo-nos, em muito pouco resultou a nível da investigação histórica e cultural.
Foi das mãos da própria comunidade judaica de Lisboa (Associação Portuguesa de Estudos Judaicos) que em 1994 nasceu a primeira revista sobre temáticas judaicas em Portugal, a Revista de Estudos Judaicos. Em 1994, aquando da Lisboa 94 (capital Europeia de Cultura) na Fundação Calouste Gulbenkian surgia uma marcante exposição Os Judeus Portugueses entre os Descobrimentos e a Diáspora.
Mas as exposições eram claramente epifenómenos marcantes num espaço cultural e científico a necessitar de uma maior dinamização; o mesmo se passava com alguns congressos e colóquios então realizados, à imagem da revista Revista de Estudos Judaicos que nunca teria uma frequência e uma continuidade desejada.
Significativamente, a segunda metade da década de noventa viu um grande crescimento dos estudos nesta área. Em 1997 nasceu a Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste», na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com a direcção do Prof. Doutor Marques de Almeida. O número de colóquios, de cursos livres, de ciclos de conferências, cresceu indubitavelmente: assumiu-se o peso histórico da herança judaica portuguesa no dia-a-dia da investigação e não apenas em momentos de catarse do Estado.
A herança cultural judaica de Portugal começava a ser estudada de forma mais sistemática e enquadrada em instituições propositadamente criadas para tal.
Mas o efectivo boom está a dar-se neste momento. O ano de 2002 viu nascer a nova série da Revista de Estudos Judaicos, tal como viu nascer a revista Cadernos de Estudos Sefarditas, da Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste».
Se em termos de revistas a situação se alterou radicalmente em escassas semanas, em termos de centros de investigação as alterações são também espantosas. Até ao início de 2002 apenas existiam as já referidas Cátedra de Estudos Sefarditas e a Associação Portuguesa de Estudos Judaícos. Ora, acabam de ser criados mais dois pólos de investigação, um na Universidade da Beira Interior, e outro na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Os esforços centrados em investigadores isolados, referimos especialmente o caso da Professora Maria Antonieta Garcia na Universidade da Beira Interior, começam a dar os seus frutos. A situação, e esperemos que não se trate de um epifenómeno, de algo de moda, está claramente a modificar-se.
A crescente atenção e interesse pelos fenómenos religiosos do presente e a sua relação com o passado, está a alterar profundamente o espaço cultural que até agora dávamos ao estudo das religiões e, em especial, ao estudo sobre a nossa herança judaica, sefardita.
Estaremos perante um fenómeno de moda, de predisposição momentânea, passageira, ou o nosso quadro de visão do “outro” estar-se-á a alterar? O que é claro é que a institucionalização está a ser francamente reforçada, com tudo o que de estabilidade esse facto confere á investigação. Esperemos para ver e, melhor ainda, para saborear.
Paulo Mendes Pinto é secretário da Direcção da Licenciatura em Ciência das Religiões da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
http://www.triplov.com/paulo/judaismo.html



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sábado, 1 de setembro de 2012

Festival Internacional de Memória Sefardita

III Festival Internacional de Memória Sefardita -- Belmonte, 20 Set. -- Trancoso, Out 20: http://www.jewisheritage.org/jh/agenda.php?lang=1&id=19&e=2012  The event will be held in Trancoso, where the ISAAC CARDOSO CULTURAL CENTRE will be opened on September 2nd. In the course of the opening, two presentations will be made:  On one side, the celebration of the 3rd International Festival of Sephardic Memory in Portugal, scheduled for October 2012, and, on the other side, the launch of national signposting of the Jewish heritage in Portugal, which will comprise close to 1.000 sites in some 20 Portuguese towns and villages.
THE 13th EUROPEAN DAY OF JEWISH CULTURE IN PORTUGAL http://www.jewisheritage.org/jh/agenda.php?lang=1&id=19&e=2012  Subject Matter 2012: The Spirit Of Jewish Humor  The event will be held in Trancoso, where the ISAAC CARDOSO CULTURAL CENTRE will be opened on September 2nd. In the course of the opening, two presentations will be made:  On one side, the celebration of the 3rd International Festival of Sephardic Memory in Portugal, scheduled for October 2012, and, on the other side, the launch of national signposting of the Jewish heritage in Portugal, which will comprise close to 1.000 sites in some 20 Portuguese towns and villages. 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

I Congresso Internacional sobre Património Judaico

in dialogos lusofonos

in diálogos lusófonos
I Congresso Internacional sobre Património Judaico - Ciência, Cultura, Conhecimento, que terá lugar em Tomar, Portugal, entre 18 e 20 de novembro de 2012.

A AAST, Associação dos Amigos da Sinagoga de Tomar, em colaboração com as autoridades Municipais de Tomar, a Rede de Judiarias de Portugal, a Comunidade Israelita de Lisboa, e o Instituto Politécnico de Tomar, convida à participação no I Congresso Internacional sobre Património Judaico - Ciência, Cultura, Conhecimento, que terá lugar em Tomar, Portugal, entre 18 e 20 de novembro de 2012.

Os organizadores da Conferência convidam ao envio de contribuições por  parte de investigadores, profissionais e especialistas envolvidos na temática do Património Cultural Judaico, relativas à sua herança, tanto no seu estudo e preservação, como na sua potencialidade e dinâmica no mundo de hoje.
O objetivo é captar  contributos que permitam novas abordagens a este tema (incluindo com recurso às TIC), a fim de enriquecer o estudo e conhecimento nesta área e promover uma  eficaz e pró ativa troca de ideias que possam constituir-se pilar importante do nosso projeto de potenciar judiarias, sinagogas e o museu luso hebraico Abraham Zacuto como polos importantes para quantos se interessam e investigam esta matéria.  

http://www.aast-conf.ipt.pt/

sábado, 9 de junho de 2012

raízes dos judeus em Portugal

in diálogos lusófonos

Raízes dos Judeus em Portugal
Entre Godos e Sarracenos
Raízes dos Judeus em Portugal
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 180
Editor: Nova Vega
ISBN: 9789726998051
Coleção: Sefarad

Sinopse
As raízes dos judeus em Portugal são muito anteriores à formação da nossa nacionalidade. Quando D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento do seu reino independente, em 1143, já viviam judeus na Península Ibérica há, pelo menos, um milénio. A escassez de fontes documentais fidedignas sobre a presença judaica, nos territórios que viriam a fazer parte do Reino de Portugal, não encorajou muitos estudos. O presente trabalho pretende aceitar esse desafio, conjugando fontes portuguesas, judaicas e árabes, para compilar uma imagem, tanto quanto possível coerente, dessa época. Os judeus diferenciavam-se dos outros povos por se considerarem sempre uma nação no Exílio, cujo anelo milenário era o retorno à sua Terra, sem ambições territoriais onde quer que encontravam asilo. Só contribuindo para a prosperidade dos seus anfitriões podiam assegurar o bom acolhimento. Especial atenção foi projetada para as identidades ainda enigmáticas de alguns participantes nos eventos, que tiveram particular relevância na reconquista, no povoamento e na formação do Reino, como Sisnando Davides, Yahya ben Yaish e seus descendentes.
Raízes dos Judeus em Portugal de Inácio Steinhardt

Inácio Steinhardt

Inácio Steinhardt (Lisboa, 1933) é filho de imigrantes judeus recém-chegados da Europa Central. Desde muito cedo, sentiu-se atraído para o estudo da história dos judeus em Portugal e para a pesquisa dos vestígios do judaísmo e do cripto-judaísmo. Tendo optado por uma carreira profissional no setor empresarial, dedicou-se paralelamente a esses estudos, como autodidata e in-vestigador independente. Em 1976, mudou a residência da sua família para Israel, sem nunca descurar a sua afinidade com Portugal. Foi correspondente em Israel da Agência Lusa, da RTP e da RDP. Durante 11 anos dirigiu a Liga de Amizade Israel-Portugal, de Telavive, da qual é ainda presidente honorário. Escreveu muitos artigos, em diversas línguas, e participou em livros de âmbito coletivo, sobre a matéria dos seus estudos. Par-ticipou numa missão do Museu da Diáspora, de Telavive, para documentação fotográfica e sonora, dos últimos judeus secretos em Portugal. Em 2002, foi agraciado com a Comenda da Ordem de Mérito.

domingo, 3 de junho de 2012

mais antigo vestígio judaico

in diálogos lusófonos

Arqueologia
Descoberto perto de Silves o vestígio judaico mais antigo da Península Ibérica
30.05.2012 - 11:20 Por Ana Gerschenfeld, Idálio Revez

A decifração da inscrição na placa de mármore encontrada no sítio das Cortes ainda está em curso
A decifração da inscrição na placa de mármore encontrada no sítio das Cortes ainda está em curso (Dennis Graen)

 Trata-se de uma placa de mármore que, ao que tudo indica, terá sido uma lápide funerária e que data, no mínimo, do fim do século IV da nossa era.

Quem terá sido Yehiel? Talvez um escravo judeu que viveu - e morreu - há mais de 1600 anos numa sumptuosa vila romana (uma casa senhorial) perto de Silves, no Algarve? Talvez nunca venha a saber-se. Mas o que parece estar garantido é que a descoberta agora anunciada por arqueólogos alemães, realizada em colaboração com arqueólogos portugueses, representa o mais antigo vestígio cultural judaico jamais encontrado na Península Ibérica.

A equipa de Dennis Graen, da Universidade Friedrich Schiller de Jena, na Alemanha, anda há três anos a escavar as ruínas de uma vila romana descoberta em 2005 por Jorge Correia no sítio das Cortes, próximo de São Bartolomeu de Messines e da Estrada Nacional 124. Na altura, este arqueólogo da Câmara Municipal de Silves encontrara cerâmicas e mosaicos romanos à superfície. 

O concelho de Silves é rico em vestígios históricos. A descoberta foi há quase um ano, mas só agora viu confirmada a sua importância. "Isto é uma paixão", diz-nos o arqueólogo português, que, embora não tenha feito parte da equipa que procedeu à escavação, acompanhou de perto os trabalhos. "Conheço bem o terreno, e estava aqui todos os dias." 

À vista encontram-se as estruturas da vila romana, com mais de cem metros quadrados, que teriam sido destinadas ao curral e outras instalações de apoio aos animais. A parte principal da vila continua por descobrir e, em Setembro, as escavações vão ser retomadas. Mas enquanto o proprietário do terreno onde decorreram até aqui as escavações não levantou qualquer obstáculo, o vizinho das terras ao lado não as autorizou, conta Jorge Correia. 

Contactado pelo PÚBLICO, Graen explica de onde veio o interesse da equipa alemã por aquele local: "Em 2008, estávamos à procura de um sítio interessante para começar um projecto." O objectivo inicial era estudar o modo de vida dos habitantes do interior da província romana da Lusitânia. Enquanto a costa portuguesa já tinha sido bastante explorada, o mesmo não acontecera no interior algarvio. 

Para a presidente da Câmara de Silves, Isabel Soares, a universidade alemã pode contribuir para despertar ainda mais o valor histórico do município, pois a comunidade local "não dá muitas vezes valor ao património". A importância de Silves na época do domínio árabe faz com que, a cada passo, se encontrem sinais históricos a lembrar esse passado. A propósito do novo achado na vila romana, diz Isabel Soares: "A comunidade judaica não deixará certamente de se identificar com este local." 

O contacto entre especialistas alemães e portugueses "foi estabelecido por Pedro Barros, responsável pela Extensão do Algarve do Igespar" (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico), salienta Graen. "Após termos localizado com técnicas de prospecção geofísica a posição das estruturas soterradas, começámos a escavar em 2009."

Mas naquela altura os cientistas não estavam de todo à procura de sinais da cultura judaica. "Na realidade", diz Henning Wabersich, um dos elementos da equipa de escavação, em comunicado da universidade, "estávamos à espera de encontrar alguma inscrição em latim, quando demos com a lápide." Os cientistas demorariam algum tempo a determinar em que língua estava inscrita.

A placa, de mármore, mede 40 centímetros por 60 e nela lê-se o nome "Yehiel" (um nome mencionado na Bíblia), seguido de uma série de letras cuja decifração ainda está em curso. Hastes de veado descobertas junto da lápide, que foram entretanto datadas por radiocarbono, remontam ao ano 390 da era cristã, o que sugere que a lápide não pode ser posterior a essa data.

Bênção do céu
·         1
 
·         Até aqui, o vestígio arqueológico mais antigo deixado por judeus no actual território de Portugal era uma lápide funerária com uma inscrição em latim e uma gravura de uma menorá (candelabro de sete braços) datada de quase cem anos mais tarde: 482 d.C. "Essa lápide foi encontrada na basílica paleocristã de Mértola, no Sudeste do Alentejo", diz-nos ainda Graen. Há também duas inscrições em hebraico que, salienta o investigador, "datam provavelmente dos séculos VII ou VIII e foram descobertas em Espiche (Lagos) no século XIX".O novo achado tem uma outra particularidade absolutamente inédita, para além da sua idade, como frisa Graen: "Em todo o Império Romano, nunca foi encontrado até aqui qualquer outro vestígio hebraico/judaico numa vila romana."

Perguntamos-lhe: poderá Yehiel ter sido um escravo a viver na casa de Cortes naquela altura? "Sim, seria uma possibilidade", responde. "Mas talvez o dono da casa fosse judeu - ou, mais provavelmente, talvez tenha havido um cemitério na proximidade da casa e a lápide veio dali."

Por que é que ainda não foi possível decifrar toda a inscrição? "A má qualidade dificulta a decifração", diz Graen. "Mas fui contactado ainda hoje [ontem] por mais um perito que me garante que consegue ler "O judeu recebeu a bênção do céu"."

Porém, Graen frisa que a inscrição não estará em hebraico: "Foi provavelmente escrita em aramaico ou noutra língua semita." Mas de uma coisa ele não tem dúvidas: "É a lápide do túmulo de um homem da Judeia e, portanto, é o mais antigo vestígio deixado por um judeu na Península Ibérica."
 

http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/descoberto-perto-de-silves-o-vestigio-judaico-mais-antigo-da-peninsula-iberica-1548183?p=1

terça-feira, 29 de maio de 2012

Heranças & Povos: Os cristãos-novos no Brasil colonial

IN DIÁLOGOS LUSÓFONOS
 Heranças & Povos:  Os cristãos-novos  no Brasil colonial 

Foram muitos os  portugueses de origem judaica, judeus ou cristãos novos, que foram para o Brasil a partir do século XVI.  As tradições judaicas no Brasil são muito comuns e os documentos da época colonial  registram largamente esta presença.

Num texto do IBGE li que até à vinda da Inquisição para a Colônia (1591-1595), os cristãos-novos integraram-se bem na sociedade local: conviviam com cristãos-velhos portugueses e com eles compartilhavam novas experiências, frequentavam igrejas, realizavam negócios e casavam-se entre si.
    De fins do século XVI a meados do século XVII, vários senhores de engenho de origem cristã-nova viviam na Bahia, e eram, também cristãos-novos, boa parte da chamada açucarocracia pernambucana, formada por senhores de engenho, traficantes de escravos e grandes comerciantes. O quadro a seguir informa sobre os casamentos de cristãos-novos com outros da comunidade local:
    Casamentos de Cristãos-Novos com Índios, Mestiços
    e Cristãos-Velhos, 1591-1595
    Local\ParceirosÍndiosMestiços(pardos ou mamelucos)Cristãos VelhosCristãos Novos
    Bahia222728
    Pernambuco-14326
    Itamaracá--1412
    Paraíba-15-
    Total248966
    Durante todo esse período, além dos já citados senhores, cujas posses e engenhos os situavam no mais alto grau da sociedade colonial, havia também os cristãos-novos artesãos, pequenos lavradores, comerciantes, bacharéis, militares e cirurgiões estabelecidos em diversas capitanias. Apesar da proibição formal da participação na administração da colônia, também havia muitos cristãos-novos ocupando postos importantes, como cargos políticos nas municipalidades e posições de alto escalão na burocracia e no clero.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

JUDEUS NA IBÉRIA

DE DIÁLOGOS LUSÓFONOS



História & Genealogia  Os Hebreus na Península Ibérica  a partir do século VI d.C.
 
A conquista da Lusitania pelo Império Romano e a posterior destruição de Jerusalém em 70 d.C., que obrigou os judeus a se dispersarem pelo mundo ("Diáspora judaica"), fez com que um grande contingente de hebreus buscassem um novo lar na Península Ibérica (ou para ali fossem deportados, como ocorreu no tempo do imperador Adriano).
 
Expulsão dos judeus de Jerusalém pelo Imperador Adriano, 135 d.C.
 
Embora não se saiba exatamente quando se iniciou tal movimento migratório, a presença de judeus no território que futuramente constituiria Portugal pode ser comprovada a partir do século VI d.C., pela descoberta de inscrições funerárias na freguesia de Lagos da Beira.
 
 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Costumes brasileiros “importados” do judaísmo


  
Costumes brasileiros
“importados” do judaísmo
 
Nelson Menda
 RECOLHIDO POR  MARIA EDUARDA FAGUNDES

É um privilégio poder viver em um país sem furacões, terremotos ou vulcões. Em uma nação gigantesca e extremamente fértil, considerada o verdadeiro celeiro da humanidade. Que consegue agregar à maior floresta tropical do mundo suas imensas reservas submarinas de petróleo, fato que a torna auto-suficiente em uma época de escassez dessa preciosa e limitada fonte de energia. Que possui incomensuráveis mananciais de água doce, o petróleo do amanhã, tanto na superfície quanto no subsolo. Que apresenta um extenso litoral, com 8.000 quilômetros de praias, algumas delas de cair o queixo. Um país que se orgulha em ostentar o título de maior nação cristã do mundo, desde o seu descobrimento pelos portugueses, católicos apostólicos romanos, há cinco séculos. Êpa, eu disse católicos apostólicos romanos? Peço desculpas aos leitores e à imensa legião de cristãos do país, mas acho que me equivoquei nesse último tópico. E já explico o porquê.
 
 
A ERA DOS DESCOBRIMENTOS
Apenas três anos antes do descobrimento do Brasil o número de judeus em Portugal ultrapassava a casa dos 10% da população. Cem mil judeus expulsos da Espanha em 1492 tinham procurado refúgio no país vizinho, pela própria proximidade geográfica, vindo se somar à já existente e próspera coletividade israelita do país. Portugal, à época, tinha uma população estimada em um milhão de habitantes. Por volta de 1496, quatro anos após a chegada dessa numerosa e qualificada leva migratória à terrinha, D. Manuel, o Venturoso, tido como “muy amigo” dos judeus, pediu a mão da filha dos Reis de Espanha, Isabel e Fernando, cujos nomes provocam, até hoje, arrepios em muitos sefaradis. A princesa, que não era esbelta nem esperta, foi buscar orientação com seu confessor, o temível Torquemada, que proibiu terminantemente sua entrada em solo português enquanto existissem judeus no país. D. Manuel estava em uma sinuca de bico. Por um lado, precisava dos judeus, alfabetizados, cultos, poliglotas, em cujo seio era possível encontrar médicos, astrônomos, tradutores e artesãos experientes no manejo do couro e dos metais, em uma época em que Portugal se lançava aos grandes descobrimentos marítimos e precisava dessa mão de obra altamente qualificada. Por outro, o soberano português temia, com justa razão, a presença ao seu lado de uma Espanha militarizada e agressiva que acabara de conquistar a Andaluzia aos árabes e expulsar os judeus do país. Espanha essa que possuía população e território muitas vezes superior ao de Portugal, um pequeno país espremido entre o mar e seu nada amistoso vizinho.
 
 
BATISMO EM PÉ
Com esse casamento, D. Manuel esperava matar dois coelhos de uma só vez. Além de constituir família e garantir a continuidade da sua dinastia, afastava, pelo menos momentaneamente, a ameaça de uma anexação de Portugal pela Espanha. Todavia, como resolver a delicada questão dos judeus, de que ele tanto precisava? No domingo de Ramos de 1497 D. Manuel convidou os israelitas da capital portuguesa para um grande encontro na Praça do Comércio, bem em frente ao Tejo, com a promessa de que embarcariam em navios que os levariam à Terra Santa, sonho da imensa maioria dos judeus ibéricos. Ao mesmo tempo, em segredo, convocou o maior número possível de padres, a quem foi distribuída uma grande quantidade da assim chamada água benta, no episódio conhecido como “batismo em pé”. Enquanto os religiosos católicos aspergiam a água dita santa sobre a multidão que se acotovelava no cais, D. Manuel, feliz da vida, enviava seu emissário à corte espanhola para avisar que não havia mais judeus em Portugal, só cristãos. E os judeus, olhos fixos no horizonte, “ficaram a ver navios”, pois além de ludibriados com a falsa promessa da viagem à Terra Prometida, ainda tinham sido convertidos, contra a vontade, em cristãos. Cristãos de segunda classe, diga-se de passagem, pois estavam proibidos de ocupar cargos no governo, no clero e na oficialidade militar. Esse lamentável episódio se, por um lado, evidenciou uma atitude de total desrespeito à liberdade religiosa em relação a uma parcela ponderável da população, por outro serviu para deixar uma marca indelével e inequívoca da presença judaica na formação do inconsciente coletivo de portugueses e brasileiros, o que pode ser constatado ao se analisar certos hábitos, muitos provérbios e até mesmo algumas estranhas superstições que se incorporaram à nossa maneira de ser. A própria expressão “ficar a ver navios”, para citar um exemplo, acabou sendo agregada ao vocabulário popular, servindo para designar uma situação de promessa não cumprida, de enganação, de desejo frustrado. Teria sido esse “ficar a ver navios” a única evidência da presença judaica no dia-a-dia da população luso-brasileira, de suposta maioria cristã? Claro que não e o objetivo deste artigo é exatamente o de utilizar artifícios freudianos para resgatar, dos profundos e nebulosos meandros do inconsciente para o estado de consciência plena, uma série de fatos que evidenciam, de forma cabal e inequívoca, a forte presença judaica nos hábitos da população brasileira.
 
 
“PÃO-DURISMO MINEIRO”: MITO OU REALIDADE?
Os judeus participaram de todos os ciclos da economia brasileira, inclusive o do ouro e pedras preciosas das Minas Gerais. Obrigados a se manter no anonimato, para não serem denunciados à Inquisição e ao mesmo tempo preocupados em seguir as regras dietéticas da kashrut (1), desenvolveram um mobiliário que permitia agradar a gregos e troianos, que é a famosa “mesa com gavetas” dos mineiros. Em que consistia? Muito simples: as mesas das cozinhas e copas onde eram realizadas as refeições dispunham de gavetas estrategicamente dispostas no lugar onde os comensais deveriam sentar. A cada refeição, eram preparados dois pratos para cada pessoa. Um, taref (2), para inglês ver, no caso de chegar alguma visita inesperada, composto pelos alimentos habituais da cozinha mineira, como lingüiça, torresmo, leitão e outros quitutes que, além de seu elevado teor calórico, eram proibidos aos judeus. O outro prato continha os alimentos preparados segundo a tradição judaica de não misturar carne com leite e derivados, de evitar a ingestão de crustáceos e peixes sem escamas e uma série de outras recomendações, especialmente a de não consumir carne ou gordura de porco. E era um tal de bota e tira os pratos nas tais gavetas a cada aproximação de um estranho que o zé povinho acabou forjando a lenda de que os mineiros eram pão-duros, pois preparavam dois tipos de comida. Uma, de melhor qualidade e sabor, para o pessoal da casa e outra, mais simples, para o caso de chegar uma visita inesperada.
 
 
O FESTIVAL DA ALHEIRA
Quem freqüenta, no Rio, as sinagogas Shel Guemilut ou ARI, já teve a oportunidade de passar pela frente de um tradicional restaurante português localizado nas proximidades. Esse estabelecimento costuma realizar, todos os anos, um “Festival da Alheira”, ansiosamente aguardado pelos apreciadores da boa mesa. Mas afinal, o que vem a ser a alheira? Uma das evidências para um judeu ser denunciado à Inquisição era o fato de não comer carne suína, especialmente os embutidos com ela preparados, como o presunto, os salames e as lingüiças. Uma casa portuguesa genuinamente cristã deveria exibir, penduradas e à vista de todos, fieiras de embutidos de porco preparados com essa carne considerada impura pelas leis dietéticas judaicas. Os israelitas portugueses, especialmente das regiões da Beira Alta e Trás os Montes, logo se deram conta do risco que corriam ao não exibir essa tradicional – e proibida – iguaria no entorno de suas casas. Criaram uma falsa lingüiça que, ao invés do porco utilizava carne de gado. No lugar do toucinho, de cor branca, colocavam nacos de pão e, para mascarar o cheiro, folhas de um arbusto da região de nome alheira que possuía um forte odor, semelhante ao do alho. Além de afastada a razão para uma possível denúncia, estava criado um novo e delicioso prato, que até hoje faz a festa em muitas casas e estabelecimentos especializados em culinária regional portuguesa. Mas atenção, antes de pedir uma alheira em um restaurante de comida portuguesa, bata um papo com o maitre a respeito do seu conteúdo, pois muitos fabricantes do produto, desinformados sobre a origem e o valor histórico da iguaria, acabaram substituindo a carne bovina por... adivinhe... nada mais nada menos do que... porco.
 
 
PASSAR A MÃO NA CABEÇA
Quem já não ouviu ou pronunciou a expressão “passar a mão na cabeça”, que significa proteger ou mesmo fazer vista grossa para um determinado fato?. Se o leitor suspeita que essa frase esteja relacionada ao ato judaico de abençoar alguém colocando as duas mãos sobre sua cabeça ao mesmo tempo em que se pronuncia uma breve oração em hebraico, está redondamente acertado. É mais uma prova da influência judaica na cultura popular brasileira.
 
 
VESTIR A CARAPUÇA
É uma expressão com origem trágica, pois remonta ao obscuro período da Inquisição em que os condenados eram obrigados a vestir trajes ridículos ao comparecer aos julgamentos e Autos de Fé. Além do sambenito, túnica com o formato de um poncho, precisavam colocar sobre a cabeça um longo e ponteagudo chapéu, conhecido como carapuça. A frase “vestir a carapuça” acabou sendo incorporada ao português escrito e falado com o sentido de “assumir a culpa”.
 
 
NÃO APONTAR PARA AS ESTRELAS
Apontar para uma estrela, segundo o conceito popular, poderia causar o surgimento de uma verruga na extremidade do dedo infrator. Qual a origem dessa crendice? É fácil de entender. O calendário judaico é regido pela lua e o despontar da primeira estrela marca o início de um novo dia, especialmente se esse dia for o Shabat (3). Antes da expulsão da Espanha de 1492 e da conversão forçada de Portugal de 1497 era comum que as crianças judias, ao entardecer das sextas-feiras, ficassem procurando no firmamento o brilho da primeira estrela, indicativa da chegada de um dia muito especial. Era a Estrela D’Alva, também conhecida como Vésper, mas que, na realidade, não é exatamente uma estrela, mas sim o Planeta Vênus, que por brilhar com mais intensidade se destaca dos outros corpos celestes. Quem apontasse primeiro provavelmente ganharia a admiração dos mais velhos e, quem sabe até, algum presente. De uma hora para outra esse gesto simples passou a ser denunciador da condição judaica e a primeira coisa que as precavidas mamães fizeram foi assustar seus filhos com a possibilidade do surgimento de uma baita verruga na ponta do dedo. A Inquisição, felizmente, já acabou há bastante tempo, mas a crendice ainda persiste em muitas regiões desse imenso país. Por isso, não se preocupe quando vir uma criança ou adulto apontando para o céu. Mesmo porque já se sabe que as verrugas são causadas por vírus e os dermatologistas dispõem de eficazes tratamentos para erradicá-las.
 
 
OFERECER A BEBIDA AO SANTO
É comum em muitos bares e botequins de norte a sul do Brasil despejar no chão o primeiro gole de aguardente, em sinal de respeito “ao santo”. Qual o santo? Nada mais nada menos do que o nosso conhecido Eliyahu Hanavi (4), o Profeta Elias da tradição judaica. Nas mesas do Seder (5) de Pessach (6) é costume reservar um lugar para o Profeta, colocando-se um prato, talheres e um cálice com o delicioso vinho adocicado especialmente preparado para a ocasião. Ninguém toca nesse cálice, reservado para Elias. Diz-se que, a cada ano, ele faz uma visita a todos os lares judaicos durante o Pessach e não ficaria bem encontrar seu cálice sem o precioso líquido. Com as perseguições aos judeus, começou a ficar perigoso mencionar o nome de Elias, que passou a ser chamado de “santo”. De profeta para santo e de vinho para pinga foi um pulo.
 
 
COVA DE SETE PALMOS DE FUNDURA
O grande escritor e poeta João Cabral de Melo Neto imortalizou nos versos de “Morte e Vida Severina” a estrofe que fala de uma cova com sete palmos de fundura. É uma tradição 100% nordestina envolver as pessoas falecidas em uma mortalha de linho, sepultando-a em cova preparada em terra virgem com a profundidade de sete palmos. Também fazia parte da tradição judaica ibérica, por ocasião da morte de um ente querido, ao invés de sepultá-lo em um caixão, revestir seu corpo em uma mortalha confeccionada com algodão ou linho e enterrá-lo em uma cova escavada igualmente em terra virgem e com os mesmíssimos sete palmos de profundidade. Os homens costumavam ser sepultados envoltos no seu talit (7), manto com franjas utilizado durante as cerimônias religiosas. Coincidência? Nada disso. O Nordeste foi colonizado por judeus, gente!
 
 
ACENDER VELAS PARA AS ALMAS
A cerimônia doméstica do Shabat tem início logo após a dona da casa ter acendido as duas velas do candelabro ritual e pronunciado a benção própria para a ocasião. Quando isso acontece? Um pouco antes do pôr do sol das sextas-feiras. Como driblar os olheiros da Inquisição? Acendendo velas “para as almas”, além das sextas, também às segundas-feiras. Pronto, estava resolvido o problema. O acendimento das segundas-feiras era só para despistar e o das sextas para valer. A moda de acender velas duas vezes na semana pegou. Para felicidade das almas e dos fabricantes de velas.
 
DIA NACIONAL DA FAXINA
Em que dia da semana os brasileiros costumam fazer a faxina e trocar a roupa de cama e banho de suas casas? Pense bem antes de responder: às segundas, terças, quartas ou quintas-feiras? Não acertou? Isso mesmo, pois todos sabem que o dia nacional consagrado à faxina é às sextas-feiras. Você já questionou o porquê desse dia? Será que não tem algo a ver com a preparação para o Shabat, que, por uma estranha coincidência, também acontece ao entardecer das sextas-feiras? Mais uma coincidência? Não, tudo a ver com um país que foi descoberto e colonizado por israelitas, que precisaram esconder essa condição durante muitos séculos para não serem denunciados, perseguidos, torturados e mortos pela Inquisição, mas que conseguiram transmitir para o restante da população uma série de costumes, provérbios e princípios que hoje em dia estão intimamente ligados ao próprio estilo de vida do povo brasileiro, ao qual os judeus, juntamente com os católicos, protestantes, muçulmanos, evangélicos, espíritas, budistas, umbandistas e agnósticos fazem questão, com muita honra, de pertencer.
 

(1)- Kashrut – Lei dietética judaica
(2)- Taref – Alimento impróprio para consumo pela lei dietética judaica
(3)- Shabat – Dia sagrado dos judeus, que vai do entardecer das sextas-feiras ao mesmo período do dia seguinte
(4)- Eliyahu Hanavi – Nome hebraico do Profeta Elias
(5)- Seder – Mesa cerimonial para a celebração do Pessach, a Páscoa Judaica
(6)- Pessach – Celebração festiva da libertação dos Judeus do jugo egípcio
(7)- Talit – Manto cerimonial utilizado pelos homens no Shabat e datas festivas
 
 
 
 
 
Tiradentes era Judeu
 
Relembra-se que de fato, Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes - foi enforcado, muito mais por ser judeu cristão novo, do que mesmo por seus patrióticos, exemplares e históricos ideais de Independência do Brasil.Tanto assim, que seus companheiros Inconfidentes não sofreram pena de morte. Tiradentes merece um destaque especial em seu conceituado jornal online, pelos dois motivos: por ser judeu e Lider no Movimento que despertou o Brasil para a sua Independência, legando-nos este País maravilhoso!!!!!!! - Nisso tudo há uma triste, dramática e lamentável inversão do óbvio: embora para humilhar publicamente, torturar, roubar e matar os judeus portugueses e seus descendentes no Brasil, a monstruosa Inquisição reconhecia muito mais os cristãos novos como judeus, do que muitas outras entidades judaicas na diáspora...
Miguel Ribeiro Gomie – Jornalista
 
 
 
 
O Judeu Joaquim Nabuco
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A Universidade Federal Rural de Pernambuco promoveu um evento nacional para comemorar o centenário de Joaquim Nabuco, inaugurando a Cátedra Anita Novinsky, recém criada nessa Universidade, dedicada à pesquisa sobre cristãos-novos, judaísmo e sua presença no nordeste.
Organizou este evento o professor Caesar Sobreira, autor do livro Nordeste Semita, que foi lançado durante o Colóquio. Participaram do evento, além de diversos acadêmicos, Paulo Valadares e Lina Gorenstein, pertencentes à equipe de pesquisadores do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância, (LEI), da Universidade de São Paulo, que ressaltaram a genealogia judaica de Joaquim Nabuco e a cidade de Barcelos, berço de seus antepassados rabinos