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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

PRÉMIO SPA ENTREGUE HOJE

Ivan Lins  recebe, no dia 25 de fevereiro,  o prêmio autor internacional atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores


Acompanhe a entrevista de Ivan Lins, em Lisboa, aqui  

http://www.spautores.pt/comunicacao/videos-2?v=ivan-lins

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

hélia correia vence prémio

http://sol.sapo.pt/inicio/Cultura/Interior.aspx?content_id=68639

Hélia Correia vence prémio Correntes d'Escritas

21 de Fevereiro, 2013
A escritora Hélia Correia venceu o Prémio Casino da Póvoa, atribuído no âmbito da 14ª edição do festival literário Correntes d'Escritas com o livro de poesia "A Terceira Miséria", editado pela Relógio d'Água. O prémio, no valor de 20 mil euros e que será entregue à autora no sábado, na sessão de encerramento do festival, que hoje começou na Póvoa do Varzim, foi atribuído por um júri composto pelos escritores Almeida Faria e Patrícia Reis e pelos jornalistas Carlos Vaz Marques, José Mário Silva e Helena Vasconcelos.
Os finalistas do prémio, este ano na categoria de poesia, eram oito: além da obra vencedora, os restantes sete eram "As Raízes Diferentes", de Fernando Guimarães, "Caminharei pelo Vale da Sombra", de José Agostinho Baptista, "Como se Desenha uma Casa", de Manuel António Pina, "De Amore", de Armando Silva Carvalho, "Em Alguma Parte Alguma", de Ferreira Gullar, "Lendas da Índia", de Luís Filipe Castro Mendes, e "Negócios em Ítaca", de Bernardo Pinto de Almeida".
Lusa/SOL

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

memórias lusófonas retorno de Dulce Maria Cardoso

in diálogos lusófonos



  • Memórias Lusófonas

  • "O Retorno" de Dulce Maria Cardoso entre os melhores livros de 2012 no Brasil

    Por Agência Lusa, publicado em 28 Dez 2012
  • Dulce Maria Cardoso
O livro "O Retorno", da portuguesa Dulce Maria Cardoso, lançado em 2012 no Brasil, entrou para a lista dos melhores livros de 2012, na seleção do jornal brasileiro O Globo.
A seleção anual, feita pela equipa do suplemento literário de O Globo, apresenta 15 títulos, que incluem obras de ficção e não-ficção de autores brasileiros e estrangeiros.
Entre os brasileiros estão "Solidão Continental", de João Gilberto Noll, "Formas do Nada", do poeta Paulo Henrique Britto, "Um útero é do tamanho de um punho", de Angélica Freitas, e "Barba Ensopada de Sangue", de Daniel Galera.
Além do livro de Dulce Maria Cardoso, apenas três títulos não são de autores brasileiros.
A norte-americana Jennifer Egan, com "A visita cruel do tempo", o poeta sírio Adonis, com a coletânea "Poemas", e o britânico Julian Barnes com "O Sentido de um fim" são os outros autores estrangeiros incluídos na seleção do jornal.
"O Retorno", editado pela Tinta da China, foi lançado no Brasil em julho passado, durante a participação de Dulce Maria Cardoso na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

*Este artigo foi escrito ao  abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa


http://www.ionline.pt/portugal/retorno-dulce-maria-cardoso-entre-os-melhores-livros-2012-no-brasil


O Retorno - Dulce Maria Cardoso, por Andreia Moreira

Publicado por copyright texto: Andreia Moreira


Tenho quinze anos. O meu pai foi levado, de mãos presas atrás das costas, por um grupo de homens armados. Nada pude. Parto amanhã com a minha irmã e a minha mãe, para um país que desconheço, onde teimam afirmar que retorno. Nunca mais volto a esta terra quente, que é a minha. Deixamos cá tudo. Até a Pirata. Não sei se, se apercebeu que era para sempre que partíamos. Correu tanto atrás de nós…
Inimaginável? Aconteceu em 1975 a muitas famílias portuguesas, aquando da descolonização. A escritora, Dulce Maria Cardoso (1964), viveu esses amargos dias e veio agora, contar-nos uma versão da história (não a sua) pela voz de Rui. Miúdo expedito e travesso que relata o que lhe acontece com uma leveza crua que magoa. Sai de Angola rapaz, chega a Portugal chefe de família. Rui, Milucha e dona Glória são encaminhados pelo IARN – Instituto de Apoio ao Retorno dos Nacionais – para um hotel de cinco estrelas no Estoril. Um edifício de luxo a abarrotar de pessoas desoladas, onde tem de dividir o quarto com as duas mulheres, célere se transforma em prisão que asfixia Rui.
Repete amiúde, talvez para se consolar: «Um quarto pode ser uma casa e este quarto e esta varanda de onde se vê o mar é a nossa casa.»
Faltavam-lhe o pai, os melhores amigos Lee e Gégé, a cadela Pirata, inclusive as vizinhas coscuvilheiras que maldiziam a mãe. As referências de outrora foram-lhe arrancadas à pressa e não houve tempo para se habituar ao frio, ou às pessoas que os acolheram desconfiadas. Algumas hostis. Era, todavia, tão vulnerável quanto resiliente e acompanhamos o seu recomeçar ao longo do período, que excedeu 365 dias, em que se encontrou naquelas circunstâncias. Cruzamo-nos com novos amigos, com pessoas que o intrigam, com as paixões que alimenta. Somos cúmplices nas transgressões. Na inocência também. Ouvimos-lhe o léxico à moda de lá. - Geleira, cacimbo, ginga-ginga, dar maca, são exemplos. - Conhecemos os hábitos que os desterrados trouxeram procurando, como podiam, reproduzi-los em parcos metros quadrados. Ser-vos-ão apresentadas inúmeras personagens. Apaixonante(s). Trata-se de viagem no tempo. Estamos em 1975. Temos quinze anos. Escrita magistral de quem sabe sair de si e ver pelos olhos de outrem.
O Retorno (Tinta-da-China, 2011) é livro imperdível para se saber mais sobre a história recente de Portugal. Despido de juízos de valor, ou preconceitos. Testemunho de sobrevivência ao sofrimento, à maldade, à violência, ao medo, na perda maior de uma (tantas) existência(s).

http://www.geracao-c.com/conteudo.aspx?lang=pt&id_object=7453&name=O-Retorno---Dulce-Maria-Cardoso,-por-Andreia-Moreira

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

De médicos e escritores todos temos um pouco



             De médicos e escritores todos temos um pouco

João Guimarães Rosa, Dráuzio Varela, Moacir Scliar, João Gilberto Rodrigues da Cunha, Pedro Franco, Pedro Nava, José Nivaldo Barbosa de Souza,... e muitos outros, antigos e atuais, nacionais e estrangeiros, foram tantos os que atuaram na Medicina e na Literatura que encheriam páginas e páginas. Todos eles foram além de médicos do corpo, pesquisadores da mente do Homem.  Usaram a pena e o papel como instrumentos de trabalho. Nas receitas tratando doenças, na literatura escrevendo tratados, desvendando segredos da matéria e da alma humana.   Médicos e escritores desenvolveram as atividades de acordo com suas vocações e sensibilidades. Para alguns, quando a crueza da matéria machucava, a ideia de sublimar as dores através das palavras se aguçava, assim era mais fácil entender e suportar as mazelas da nossa frágil natureza. Colocar no papel as suspeitas, as percepções, as determinações e conclusões, distanciava sentimentos, amenizava sofrimentos. Dizem que Guimarães Rosa era tão sensível que não suportava ver as dores do seu semelhante, passou então a descrevê-las, como uma forma de sublimá-las. Chegou a dizer que de fato para médico não tinha queda, preferia as letras, talvez por serem mais facilmente manipuladas.  Outros há como o Dr. Dráuzio Varela, que de uma forma moderna e inteligente, numa fala mansa, profissional, dá o recado seguro a uma população que preferencialmente vê TV.
A Ciência e a literatura desde sempre andam a par. São pontos de vista diferentes que se fundem na percepção do médico-escritor. Vence a que tiver mais repercussão no espírito do interlocutor.  O Homem e seu destino como alvos da pesquisa e da Ciência ou os sentimentos Dele transplantados em ensaios, contos, histórias, poemas, como fonte inspiradora. 
Como aqueles que fazem de tudo um pouco, e que em certo tempo da vida, já mais acomodados, encontram na escrita uma fonte de prazer ou uma forma de viver, deixo as sugestivas palavras do Dr. José Nivaldo :
“Não tenho medo da morte, mas faço de tudo que é possível para ir vivendo, inclusive escrever...”.
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 04/01/13

                            UM DIA SEM NOITE
Da janela do quarto, que dava para a rua, os sons da noite chegavam como uma alegoria.  Podia até identificar os donos daqueles passos, noctâmbulos que na escuridão se mostravam tão perceptíveis. Era o fatigado, lento, arrastando os sapatos. O apressado, com passos rápidos, tirando das pedras de calçamento antigo um som metálico, alto. Vez por outra, vozes sussurradas, denunciavam a passagem de um casal. Ela num tic-tac de salto alto, miúdo, rápido, tentando acompanhar o passo largo e cadenciado do companheiro.  Ou então era o descompasso, o vozerio irreverente de algum cachaceiro que cambaleante atravessava a rua. Inquieta, na cama, procurava relaxar, descansar, esquecer as tribulações que agitavam meu espírito.  
Fora um dia cansativo, triste, daqueles que a gente quer logo esquecer. Após atender as pacientes agendadas, prestes a ir embora para casa, chegou da roça Marta, uma jovem mulher, mãe de uma menina que há anos trás havia nascido comigo. Pálida, tonta, suando frio, queixava-se de dores no baixo-ventre e hemorragia.  Ali mesmo no ambulatório fiz o diagnóstico. Estava em choque, era um descolamento de placenta de feto morto. Internei-a e mediquei-a urgente.
Apesar dos procedimentos de praxe, das medicações, soros e transfusões sanguíneas, Marta não resistiu. Não sabia que estava grávida e longe, na fazenda, não valorizou os sintomas que se apresentavam há dias. Quando resolveu procurar ajuda o processo de coagulação intravascular disseminado já havia tomado conta do seu organismo. Fiquei arrasada. Suas queixas e aflição não saiam do meu pensamento. Custei a arranjar forças para dar a triste notícia à família.
Já era muito tarde quando voltei para casa.  Todos dormiam. Tomei um banho, bebi um copo de leite e fui para cama, inutilmente. O relógio da matriz deu meia-noite, uma hora, duas horas,... E eu ali, me virando e revirando, tentando ignorar as inquietações, ouvindo os barulhos da noite. Eram os transeuntes que passavam, os gatos que miavam, escandalosos nos telhados como carpideiras chorando um defunto. Os cães, atentos aos menores barulhos ou movimentos, latiam insistentes, lembrando que estávamos numa pacata cidade do interior. Era cerca de 5h da madrugada, quando os galos começaram a cantar, anunciavam o nascer de um novo dia. O telefone tocou. Atendi, cansada, com a voz pastosa, corpo moído, a enfermeira da maternidade. Era mais um bebê que estava prestes a chegar a este louco mundo. Tinha que me apressar, a mãe, multípara na sua  sexta gravidez, era boa “parideira”, se eu não corresse a criança não me esperaria...
Apressada, troquei de roupa, acordei as crianças para a escola, e saí de carro para o hospital, que ficava a poucas quadras de casa. Cheguei a tempo de aparar a Maria Eduarda, que abrindo os pulmões, num grito vigoroso, deu boas vindas à vida.  Era mais um dia, sem noite, que começava, mas desta vez de alegria.
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 03/01/13
 

domingo, 16 de dezembro de 2012

A CORTINA DOS DIAS DE ALFREDO CUNHA

A CORTINA DOS DIAS - LIVRO DE ALFREDO CUNHA, fotógrafo 

"A Cortina dos Dias"

A Cortina dos Dias / Obscured by Shadows
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 280
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-06257-4
Idioma: Português

O fotógrafo Alfredo Cunha lança um livro antológico que cobre 4 décadas de intensa actividade, “A cortina dos dias”, um resumo, nas palavras do autor, de “uma vida fantástica, com acontecimento sucessivos”.

Em “A Cortina dos dias” está o 25 de Abril, a descolonização, a miséria social, as convulsões políticas, as revoltas a Leste, a guerra no Iraque, os órfãos na Roménia, a devoção católica, a Índia, a explosão da China e muito Portugal, do interior mais remoto ao bairro social carregado degraffiti.
Um livro de reportagens

“Isto é um livro de reportagens, é um livro de fotojornalismo, mas não tem é a estética normal do fotojornalismo, aqui existe uma cumplicidade com as pessoas, uma integração do fotógrafo no meio e não há uma utilização das pessoas quase como adereço que é a grande crítica que eu faço hoje ao fotojornalismo”, afirma.

Ao folhear-se “A cortina dos dias” sobressaem as imagens fortes dos rostos populares, mas quando interrogado sobre se pode ser considerado, em Portugal, o “melhor fotógrafo do povo”, Alfredo Cunha diz que não e fala de Eduardo Gageiro, de Gérard Castello Lopes, de outros fotógrafos.

Através da sua objetiva, intencional e plástica, revelam-se as luzes e sombras de um mundo e de um país em mudança, que nos levam a redescobrir quem somos e a trilhar novos caminhos


Fonte: Porto24

http://coisasdecomunicacao.blogspot.pt/2012/12/a-cortina-dos-dias-livro-de-alfredo.html
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Atividade nos últimos dias:
O espaço Diálogo_Lusófonos tem por objetivo promover o intercâmbio de opiniões
"Se as coisas são inatingíveis... ora!/Não é motivo para não querê-las.../
Que tristes os caminhos se não fora/A mágica presença das estrelas!" Mário Quintana
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Tradução de mensagens :translate.google.pt/
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

RICHARD ZENITH PORTUGUÊS

NOTA DE APREÇO
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Zenith, nascido nos EUA, tornou-se cidadão de Portugal por dedicação e louvor a uma obra, a de Fernando Pessoa, uma literatura, a nossa, e uma língua, a portuguesa.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

prémio literário

nova revista

in diálogos lusófonos

Revista Culturas Cruzadas em Português é apresentada em Lisboa

Publicação da portuguesa Almedina analisa a noção de cultura política e a dimensão do poder nas relações entre Portugal e o Brasil, sendo apresentada na próxima segunda-feira.
Lisboa - A Casa da América Latina em Lisboa será o palco para a apresentação da revista "Culturas Cruzadas em Português", um produto das Edições Almedina cujos primeiros dois volumes serão divulgados publicamente na próxima segunda-feira.
A obra, segundo a editora, "reúne um conjunto de investigadores do Brasil e de Portugal com afinidades científicas comuns em torno da noção de cultura política e da dimensão simbólica do poder".
Os primeiros volumes, com a coordenação de Cristina Montalvão Sarmento e Lúcia Maria Paschoal Guimarães, debruçam-se sobre "Redes de poder e relações culturais Portugal - Brasil" nos séculos XIX e XX.
O lançamento será feito por ocasião da sessão de encerramento do curso "Diplomacia na América Latina", que contará com a presença do embaixador brasileiro em Portugal, Mário Vilalva.

http://www.portugaldigital.com.br/lusofonia/ver/20073572-revista-culturas-cruzadas-em-portugues-e-lancada-em-lisboa



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terça-feira, 27 de novembro de 2012

premio telecom de literatura

Walter Hugo Mãe ganha Prêmio Portugal Telecom de Literatura

São Paulo - O escritor português Valter Hugo Mãe ganhou a 10ª edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa com o romance "A máquina de fazer espanhóis", vencendo não só na categoria de "romance", mas também o grande prêmio. Com a dupla premiação, Valter Hugo Mãe receberá R$ 100 mil. A premiação aconteceu segunda-feira à noite, durante evento em São Paulo. O brasileiro Nuno Ramos foi o vencedor do prêmio de poesia.  Leia mais

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

trilogia da história de Timor


  1. NO 18º COLÓQUIO DA LUSOFONIA NA GALIZA LANÇOU-SE UMA PEQUENA EDIÇÃO DE AUTOR (250 EXEMPLARES ASSINADOS) E SOBRARAM ALGUNS EXEMPLARES DO CD-LIVRO da TRILOGIA DA HISTÓRIA DE TIMOR-LESTE.
  2. Este volume atualiza Timor-Leste, 1983-1993, volume 2 Historiografia de um repórter, ( 2ª edição revista com mais de 3760 páginas ) e inclui os outros dois LIVROS DA TRILOGIA da HISTÓRIA DE TIMOR-LESTE vol. 1 (O Dossier Secreto 1973-1975 em PT e Inglês) e vol. 3 (As guerras tribais. A história repete-se 1894-2006 ), de J. Chrys Chrystello
  3. custo de apenas euros 10.00 € (incluindo portes) por mais de 3760 páginas, ENCOMENDE PARA chrys@lusofonias.net INDICANDO NOME E MORADA e eu indicarei o nº da conta para onde pagar

  4. Nota explicativa
    Quando comecei a trilogia da História de Timor movia-me o sentimento de perda das novas gerações de timorenses despojados de arquivos e registos sobre o seu passado mais recente. Assim escrevi e publiquei em 1999 “Timor Leste: o Dossier secreto 1973-1975” com uma edição efémera de 3 mil exemplares, esgotados ao fim de três dias, pela já desaparecida Contemporânea Editora, e traduzida diretamente do original em Inglês. Cobre todos os acontecimentos vividos pelo autor em Timor Leste no período de 1973-1975, achando-os importantes para reportar uma fase inicial dos mais negros 25 anos da História e um contributo importante para a reposição desta.


    O segundo volume em 2005 (com cerca de 3600 páginas, vai na mesma senda de tentar reconstruir essa História perdida e chama-se Timor Leste: Historiografia de um Repórter e serve como contributo para a recuperação dos arquivos históricos de notícia sobre aquele país, a ideia visava englobar os períodos de 1973-1975 (1º volume) e 1984-1992 (2º volume), recuperando dados dos arquivos pessoais e de noticias enviadas e publicadas ao longo dos vários anos em que Timor dominou a atividade jornalística do autor. Incluem-se reproduções de textos de Xanana Gusmão, Mons. Ximenes Belo, e vários outros documentos relacionados com a causa timorense, desaparecidos na voragem dos incêndios de 1999 e alguns deles exemplares quase únicos da grande saga do povo de Timor no período em questão. O material que lhes deu origem e outro não publicado foi ofertado à Torre do Tombo em 2011.


    Enquanto o primeiro volume visa ilustrar os dois últimos anos de ocupação portuguesa pelos olhos dum oficial do exército colonial, o segundo volume ilustra uma luta intensa e raramente falada na comunicação social mundial, rumo à libertação do jugo neocolonial indonésio, pelo olhar privilegiado de um jornalista que escreveu talvez mais sobre Timor que qualquer outro, e cujo convívio diário com personagens como José ramos Horta, João Carrascalão, Roque Rodrigues, Ágio Pereira e tantos outros, lhe deu uma visão singular do interior da Resistência, das suas lutas com o mundo exterior e dissidências internas. Pouco texto foi acrescentado, apenas a visão dos artigos e sua posterior publicação ou não nos jornais, com a censura que lhes foi imposta.


    Trata-se, creio duma obra fundamental para os Historiadores mais tarde poderem reconstruir a História de Timor nessas décadas, servindo-se das notícias veiculadas por diversos órgãos de comunicação social nos quatro cantos do mundo. A reprodução de documentos da época torna ainda mais atraente este volume dado que grande parte deles não existe já em qualquer arquivo. O livro aflora ainda eventuais casos de censura ou limitação do direito à informação impostos ao autor, as suas suspensões de serviço da agência Lusa, Público, etc., a sua proibição de se deslocar a Timor aquando da visita papal, e a sua luta para que a voz silenciada dos timorenses não fosse manipulada por interesses políticos, partidários e outros dos governos de Lisboa e meros interesses económicos dos governos em Camberra.


    O terceiro volume reúne capítulos publicados avulso noutras obras e visa estabelecer paralelismos entre as guerras tribais do final do século XIX e o reacender de tribalidades ancestrais em 2006.



ENCOMENDE PARA chrys@lusofonias.net INDICANDO NOME E MORADA e eu indicarei o nº da conta para onde pagar

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

vitor hugo mãe


Valter Hugo Mãe diz que jovens em Portugal vivem "queda no abismo"

Brasília - O escritor português participou na Feira do Livro de Porto Alegre e ficou entusiasmado. Em entrevista ao Portugal Digital, Valter Hugo Mãe fala dessa experiência e da realidade, bem menos agradável, que os portugueses estão a viver. "Há mais que um vazio. Há um desamparo total, uma queda no abismo", diz o autor de "A máquina de fazer espanhóis".  Leia mais

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

autora recusa prémio


Escritora Maria Teresa Horta recusa receber prêmio literário das mãos do primeiro-ministro Passos Coelho

Maria Teresa Horta disse que não poderá receber o prêmio atribuído ao romance "As Luzes de Leonor", que "tanta satisfação" lhe deu, de alguém "empenhado em destruir o nosso país".
Lisboa - A escritora e jornalista portuguesa Maria Teresa Horta, vencedora do prémio literário D. Dinis, disse, terça-feira (18), em Lisboa, que não receberá a distinção das mãos do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.
Maria Teresa Horta disse que não poderá receber o prémio atribuído ao romance "As Luzes de Leonor", que "tanta satisfação" lhe deu, de alguém "empenhado em destruir o nosso país".
"Sou e sempre fui uma mulher de esquerda e sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores", disse a escritora, figura destacada do movimento feminista português nos anos 70 e 80.
Em conjunto com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, é co-autora do livro "Novas Cartas Portuguesas".
Colaborou em vários jornais portugueses, entre eles Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Diário de Notícias e Jornal de Letras e Artes, e foi chefe de redacção da revista Mulheres.

autores portugueses no Brasil


Feira Pan-Amazônica do Livro homenageia Portugal

José Luís Peixoto é um dos escritores lusos que participarão no evento literário em Belém, no Pará, que será inaugurado esta sexta-feira, 21, com a presença do embaixador de Portugal no Brasil.
O escritor José Luís Peixoto é um dos autores portugueses que irão a Belém.
Belém - A Feira Pan-Amazônica do Livro chega este ano à 16ª edição e irá homenagear Portugal, com o objetivo de "promover a relação cultural, social e comercial, consolidado o sentimento de simpatia e afinidade entre os dois países". O evento acontece de 21 a 30 de setembro na cidade de Belém, no estado do Pará.
Ocupando uma área de cerca de 25 mil metros quadrados e com mais de 200 stands, a feira é o 4º maior evento do gênero no Brasil e o maior acontecimento literário da região Norte do país. No ano de 2011 recebeu 420 mil visitantes.
A homenagem a Portugal, informa um comunicado do vice-consulado de Portugal em Belém, "consiste em dar visibilidade à cultura do país, por diversos meios, como a realização de seminários sobre o país homenageado, encontros literários com autores portugueses, lançamento de livros desses autores, mostra de cinema, show musical, entre tantas outras possibilidades".
Inserindo-se no contexto do Ano de Portugal no Brasil, o evento contará com a participação de vários autores portugueses, nomeadamente Lídia Jorge, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, entre outros. Da programação faz ainda parte uma mostra de cinema e uma exposição de azulejos.
Portugal partilha um expositor com a Secult, no qual se pretendeu recriar um café tipicamente português, através da reprodução do café "A Brasileira" do Chiado (Lisboa). Num pequeno palco aí instalado os visitantes poderão assistir a apresentações do músico Victor Castro.
O embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Ribeiro Telles, participará em vários eventos da feira, e estará presente na sessão de abertura, que contará com a presença do governador do Pará, Simão Jatene, e do secretário de Cultura do Pará, Paulo Chaves.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

natália correia uma voz contra as opressões


Natália Correia: uma mulher contra as opressões

A mediocridade e o compadrio, o nepotismo e os malabarismos do poder, que começavam a surgir às claras, sem pudor, sem escrúpulo e sem vergonha, mereciam-lhe arrochadas verbais que não esqueciam, sequer, os seus próprios amigos.
Lembrei-me, não sei porquê, de Natália Correia, ao ouvir Passos Coelho dizer, num jantar com deputados do PSD, "as eleições que se lixem." O propósito do dito talvez fosse meritório, mas caiu mal. Claro que nem ele, nem nenhum político desejam que as "eleições se lixem." E a Natália veio-me à memória porque pensei o que diria ela, que gazetilha improvisaria sobre a extraordinária afirmação do primeiro-ministro.
Faz-nos falta e à sociedade portuguesa, a grande poetisa (Fajã de Baixo, São Miguel, Açores, 13. Setembro. 1923 - Lisboa, 16. Março. 1993). Cá em casa recordamo-la com frequência. A minha mulher e ela conversavam muito, trocavam ideias sobre o mundo, a família, e o que estava a acontecer. Ela gesticulante e em alta grita, previa negros dias para todos nós. A mediocridade e o compadrio, o nepotismo e os malabarismos do poder, que começavam a surgir às claras, sem pudor, sem escrúpulo e sem vergonha, mereciam-lhe arrochadas verbais que não esqueciam, sequer, os seus próprios amigos.
Estive com ela e com o marido, Dórdio Guimarães, poucas horas antes da sua morte. Eu frequentava o Botequim, na Graça, onde se jantava, bebia, conversava, cantava, dizia atoardas e recitava poesia até altas horas. Foi, o Botequim, a última tertúlia literária e política, animada por ela e pelo seu extraordinário talento. O Manuel da Fonseca, que tinha casa na Penha de França, telefonava-me, eu morava mais abaixo, em Alfama, e encontrávamo-nos no Botequim. Pouca ou nenhuma ideia se faz hoje do alvoroço que se vivia naquele espaço de cordialidade, de crítica e de mal-dizer.
Anda muito esquecida, a Natália, talvez porque ainda hoje esteja a pagar o compromisso que fizera com a verdade, o gosto de dizer o que pensava fosse o que fosse e a quem quer que fosse, e o fascínio de ser livre até aos limites de tudo. Que pensaria ela deste tempo lúgubre e infausto, que nos está a destruir lentamente e a amolgar a nossa alma?, que pensaria?
É impressionante o volume da bibliografia desta mulher invulgar, que quis sempre ter uma palavra a dizer sobre tudo o que concernia à nossa sociedade. Foi ela que estimulou os amores de Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis. É um episódio ainda por contar e esclarecer. Ela acreditava na força imperiosa do amor e isso talvez justificasse tudo, ou muito do seu comportamento e das suas acções. Relacionava-se com pessoas de todos os quadrantes políticos e de todos os azimutes estéticos. Dizia que gostava de revoluções e dos surrealistas. O conformismo e a quietude de espírito não eram, decididamente, as notas do seu piano. E fora uma mulher de rara beleza, que a idade não aniquilou. Era amiga de Mário Soares, a quem chamava "le roi soleil", soltando enormes gargalhadas. A sátira que consagrou ao deputado do CDS, João Morgado, o qual afirmara, no Parlamento, em 5 de Abril de 1982, entender a prática do sexo como meio de procriação, e nada mais, tornou-se um clássico da mordacidade e do vitupério. Eis o que escreveu Natália Correia:
Já que o coito, diz Morgado,
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino,
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai de um só rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção
ficou capado o Morgado.
Era um regalo ouvi-la falar do mundo e dos homens. Nunca as palavras da Natália eram destituídas de significado nem vazias de sentido. E usava-as com sabedoria, entendimento e fulgor. Certa ocasião, a um conhecido crítico e ensaísta que a cumprimentara reverente, depois de quase a insultar num texto inclassificável, a Natália sacudiu-o pelas abas do casaco e gritou-lhe: "Um verme nunca saúda uma senhora!"
Envolveu-se em movimentos e conspirações contra o fascismo; esteve sempre presente onde a sua voz e o seu talento eram precisos; foi condenada a três anos e meio de prisão, com pena suspensa, pela publicação da "Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica" (1966); e processada pela responsabilidade editorial das "Novas cartas Portuguesas", de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta.
Vejam só ao que as extraordinárias palavras de Pedro Passos Coelho conduziram: à memória de uma mulher incomum, que nunca se calou nem cedeu a vez. Uma mulher que a cultura dominante e o esquecimento deliberado de muitos intelectuais empurraram para o limbo. Pessoalmente, lembro-a com saudade e emoção.
Baptista Bastos, jornalista e escritor português, assina coluna no jornal Negócios.