domingo, 24 de julho de 2011

BECHARA: Fontes da reforma ortográfica

domingo, 24 de julho de 2011



Fontes da reforma ortográfica

Evanildo Bechara* / O Dia
Rio - Temos recebido de vários leitores uma pergunta muito oportuna neste período em que se intensificam entre portugueses críticas ao novo Acordo Ortográfico: por que os portugueses rejeitam tão veementemente aquilo que seu representante legal se comprometeu a adotar?

As críticas dos portugueses chegam a apelar, nos sucessivos abaixo-assinados às autoridades governamentais competentes, para que se revogue o compromisso de implantação do sistema ortográfico aprovado pelos sete países de língua oficial portuguesa.

A indagação é oportuna nesta coluna, porque, no meio da gritaria, quase sempre não aparecem razões de ordem técnica que invalidem as Bases em que se assentam as normas do novo sistema. Já em 1911, depois de aprovada a reforma ortográfica elaborada pelos melhores filólogos que Portugal tinha à época, confessava D. Carolina Michaelis de Vasconcelos:

‘O público! Qual foi o acolhimento que fez à Reforma? Naturalmente as opiniões estão divididas. Houve e há entusiastas, críticos, indiferentes e adversários. Reacionários rombos, avessos a todo e qualquer progresso, aos quais as quarenta e tantas regras mostraram, pela primeira vez, quantas e quais são as dificuldades da ortografia nacional, entendem que fomos nós que as inventamos, baralhando e complicando tudo. Constou mesmo que esses descontentes iam angariar assinaturas a fim de reclamar a revogação da portaria de 1 de setembro [DE 1911].”

Podemos começar a dizer que as “novas” normas não são tão novas para os portugueses, porque em geral ratificam usos que já vêm praticados desde 1945, ou antes, portanto há mais de meio século. Os pontos de que se afasta a nova proposta de 1990 praticamente dizem respeito a questões mal resolvidas pelo sistema de 1945, e que também se tornam mal resolvidas pelo sistema vigente no Brasil desde 1943. Dentre essas questões cumpre ressaltar o emprego do hífen. Bem ou mal, os redatores do texto oficial, sem se afastar muito das normas de 1945 na sua redação, nos seus exemplos e até nas suas exceções, procuraram sistematizar melhor o que foi possível, numa área da ortografia que se mostra muito sutil quando os fundamentos se baseiam no “desvanecimento da noção da composição”, na “evolução semântica”, na “aderência de sentido”, no “sentimento do falante” ou na “perda em certa medida da noção de composição”. O espaço limitado desta coluna não nos permite aprofundar nossa pesquisa para demonstrar os íntimos laços que aproximam as Bases do Acordo de 1990 ao Formulário Ortográfico de 1945.

Vamos nos limitar a apontar as principais alterações gráficas nas regras de acentuação a serem adotadas pelos brasileiros, regras que já vinham do sistema ortográfico de 1945, com as alterações levadas a efeito por lá em 1975, praticadas,portanto, pelos portugueses e africanos: 1) desaparece o circunflexo de ‘voo, enjoo, perdoo’, etc; 2) desaparece o circunflexo de ‘creem, leem, deem, veem’; 3) desaparece o acento gráfico agudo dos ditongos abertos ‘oi’ e ‘ei’ dos paroxítonos (‘heroico’, sem acento, mas ‘herói’ com acento; ‘ideia’, sem acento, mas ‘réis’ com acento); 4) desaparece o acento gráfico agudo das vogais ‘i’ e ‘u’da sílaba tônica de paroxítonos quando procedidas de ditongo decrescente (‘feiura’, ‘baiuca’); 5) desaparece o acento gráfico tônico do hiato ‘ii’ dos paroxítonos (‘xiita’, ‘tapiira’); 6) desaparece o uso do trema; 7) desaparece o acento diferencial, exceto em‘pôde’ e ‘pôr’.

Neste particular, a única cedência do lado português relativa ao sistema de 1945 será o desaparecimento das consoantes não pronunciadas ‘c’ e ‘p’ para indicar o timbre aberto da vogal anterior, ou por força da etimologia, ou ainda por força da tradição ortográfica: ‘director’, ‘Egipto’. Reforma que haverá de agradar às criancinhas portuguesas que começam a escrever.

Cremos que estas cedências brasileiras de seus hábitos ortográficos bem demonstram o desejo firme de colaborar para a unificação tão almejada por todos os que sonham que nossa escrita reflita a maturidade cultural e política tão necessária à divulgação e ilustração do idioma compartilhado por tantos países soberanos.

* É professor da Uerj e da UFF e membro da ABL

nossa língua brasileira

 


“Nenhuma mente que se abre para uma nova idéia voltará a ter o tamanho original.”  Albert Einstein

Nossa língua brasileira
Escrito por Jaqueline Ogliari   

No português que falamos, cabe de tudo. Se fez a partir da miscigenação de influências e palavras dos povos que vieram tentar a sorte no Brasil. Depois de tanta mistura, é nossa língua e seus jeitos de falar que conquistam as pessoas mundo afora.

“A língua é minha pátria”, já cantava Caetano. Quem então se atreve a dizer que o que nós falamos, escrevemos e cantamos não é língua brasileira? De português tem a herança, o léxico, as construções gramaticais. Mas com tanta miscigenação e uma população de 190 milhões de falantes, o nosso português se abrasileirou há muito.

O carioca malandro, o pernambucano arretado, o mineirinho manso, tudo é parte do mesmo português brasileiro, termo usado para designar a variante falada aqui no Brasil. Estão todos no mesmo caldeirão, mas correspondem a ingredientes diferentes, criando uma saborosa língua mestiça que conquista gente do mundo inteiro.
Os países lusófonos elaboram de tempos em tempos acordos ortográficos para unificar a língua portuguesa, na tentativa de preservá-la. “Mas é o falar popular que ajuda a enriquecer a língua”, explica a linguista e professora titular da PUC-SP, Leila Bárbara. Para ela, os acordos são artificiais, porque não impedem a transformação que o povo faz do português. “O que pega é o que o povo fala”, arremata.

No Dia Mundial da Língua Portuguesa (21 de fevereiro), o Almanaque celebra mais do que o idioma falado em nove países do mundo. Celebramos a nossa língua brasileira, diferente pelas dimensões continentais. Noel Rosa explicou essa evolução, em Não Tem Tradução: Tudo aquilo que o malandro pronuncia / Com voz macia é brasileiro / já passou de português.


Ouça também no

http://www.almanaquebrasil.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10523:nossa-lingua-brasileira&catid=12987:especial&Itemid=217

Caetano Veloso cantar Nossa Língua Nrasileira

Thalma Freitas cantar  Orquestra Imperial Não tem tradução

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modernismo brasileiro



MODERNISMO BRASILEIRO - GERAÇÃO DE 30

MODERNISMO BRASILEIRO
A geração de 30

Por que a geração de 1930 foi tão talentosa?
Depois da fase heróica do Modernismo brasileiro, que se empenhou para implantar no país as inovações das vanguardas européias, surge uma geração de poetas e romancistas das mais brilhantes de toda a história. Os modernistas de 1922 abriram caminho para que os novos escritores pudessem criar com mais liberdade, sem as amarras formais do academicismo e mais preocupados com a realidade brasileira. Surgem, durante a década de 1930, romancistas regionalistas que chamam a atenção para os problemas sociais das regiões mais carentes do Brasil. Eles usam uma linguagem coloquial e crítica herdada dos primeiros modernistas. Os poetas pautam-se pela possibilidade de criação em todas as direções, lançam mão do verso livre, do 'poema-piada' e das ousadias da geração de 1922, mas também trabalham com as formas fixas, como o soneto, a metrificação e as rimas da poesia mais tradicional.

leia o artigo completo em
http://linguabrasileira-linguabrasileira.blogspot.com/search?updated-min=2011-01-01T00%3A00%3A00-08%3A00&updated-max=2012-01-01T00%3A00%3A00-08%3A00&max-results=17


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Histórias de índios

ESTADINHO

23 jul. 2011

Histórias de índios

THAIS CARAMICO

Todas as histórias levam a gente para um lugar mágico, nos fazem sonhar. Mas quando se trata de animais misteriosos da natureza, lendas, mitos das florestas contados e recontados por velhos sábios, e ensinamentos sobre o universo que somente os povos indígenas, dentro de suas aldeias, sabem passar, parece que é tudo mais interessante. É que, de fato, essas florestas existem e, muitas vezes, os super-heróis dali são reais!
Livros escritos e ilustrados por índios são cada vez mais comuns. Há grupos de autores envolvidos em levar para todas as sociedades, a rica cultura indígena. E, apesar de as histórias serem centenárias, há agora um interesse maior nesse gênero da literatura. É só reparar na biblioteca do seu colégio ou nas prateleiras das livrarias!
Na reportagem de hoje, o Estadinho mostra uma entrevista com o escritor Daniel Munduruku e outra com a artista Vãngri Kaingáng. E ainda conta a lenda da crianção de um povo indígena, além de dar dicas de livros.
Para ler a matéria completa, clique nas páginas abaixo. Feito isso, conheça melhor a história das obras selecionadas e visite um portal indígena, feito especialmente para crianças.

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sábado, 23 de julho de 2011

CHORAM MARIAS E CLARICES NO SOLO DO BRASIL

interessante pesquisa sobre a letra da música "O bêbado e a equilibrista" onde Elis Regina canta "Choram Marias e Clarices".Quem eram estas Marias e Clarices? O jornalista Plínio Nunes tenta explicar-nos.
CHORAM MARIAS E CLARICES NO SOLO DO BRASIL

                                                  Afinal, quem é Maria e quem é Clarice?
Plínio Nunes (http://vidacuriosa.blogspot.com/2007/10/choram-marias-e-clarices-no-solo-do.html)


Outro dia eu estava ouvindo uma música da inesquecível e insubstituível Elis Regina, quando parei para pensar na letra e me chamou a atenção o seguinte verso: "Choram marias e clarices, no solo do Brasil. Eu sabia quem era a Maria, mas fiquei curioso em descobrir quem era a Clarice.
Perguntei a uma série de pessoas das minhas relações, inclusive jornalistas, e ninguém respondeu de cara. Alguns achavam que tinha a ver com a escritora Clarice Lispector. Não tem.
Foi aí que decidi decodificar aqui a letra de O Bêbado e a Equilibrista, composta pelo carioca Aldir Blanc e pelo mineiro João Bosco e lançada em 1979 pela gaúcha Elis.
A música, criada no auge da ditadura, foi considerada como o hino da anistia. Vamos à letra:
"Caía a tarde feito um viaduto e um bêbado, trajando luto, me lembrou Carlitos." Como pode uma tarde cair como um viaduto? Pensei, pensei e me lembrei que um viaduto havia ca¡do no Rio lá por aquela época. Uma consulta ao Google me salvou. Em 20 de novembro de 1971, o Viaduto Paulo de Frontin, na Tijuca, caiu, causando a morte de 29 pessoas e ferimentos em outras 30. Assim como outras grandes tragédias, ninguém foi responsabilizado. Mais pesquisas e entendi a frase no início da música. A tarde caía abruptamente como a queda do viaduto Paulo de Frontin. O sentido era observar metaforicamente a então situação do país, onde a mudança política ocorreu também de forma abrupta com o golpe militar. O bêbado trajava luto pelas mortes dos que lutavam contra a repressão e lembrava Carlitos, um personagem de Charles Chaplin que simbolizava a crítica de um marginalizado da sociedade ao capitalismo mundial.
A lua, tal qual a dona de um bordel, pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel.
Nunca falei com Aldir Blanc nem pude constatar isso em livros e Internet, acho que, sem poder contestar abertamente a nova política antidemocrática estabelecida, a lua provavelmente se refere às autoridades que acreditavam estar em um país de paz e felicidade. Provavelmente faz menção velada a músicas ufanistas como "as praias do Brasil ensolaradas...eu te amo meu Brasil, eu te amo, e a outras camadas que apoiaram o golpe ou tiveram medo de provocar os militares.
Nuvens, feito um mata-borrão no céu chupavam manchas torturadas. Que sufoco! Louco, o bêbado de chapéu coco fazia irreverências mil, à noite do Brasil.
Uma referência quase clara à tortura no chamado per¡odo de chumbo. A irreverência do bêbado é uma contestação aos dias (e noites) vividos no Brasil naquele per¡odo de 1964 até a data da anistia, em 1979.
Meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil e tanta gente que sumiu num rabo de foguete. Chora, a nossa pátria mãe gentil, choram marias e clarices, no solo do Brasil.
O irmão do Henfil é o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que estava exilado e que pouco antes de morrer de Aids aos 61 anos, (era hemof¡lico e contraiu sangue contaminado) , criou a Campanha Contra a Fome e a Miséria. Henfil era cartunista combatido da ditadura. Nessa época, ele tinha uma coluna na Isto É onde escrevia cartas para a mãe dele, justamente dona Maria. Na coluna, dava notícia aos correligionários e toques para os militares. Henfil morreu em 1985 aos 44 anos. Além da mãe do Henfil, a música homenageava as marias-mães brasileiras. Clarice era a mulher do jornalista Vladimir Werzog, que foi chamado, em 1975, pelo Doi-Codi para explicar ligação com o Partido Comunista Brasileiro, na época clandestino, e apareceu enforcado. Foi confirmado que ele foi morto durante sessão de tortura.
Eu sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente. A esperança dança na corda banda de sombrinha, e a cada passo dessa linha pode se machucar. Azar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo o artista tem que continuar.
Essa parte não precisa explicar, claro. Era isso.

A seguir, ouça o  bêbado e a equilibrista, na voz da maravilhosa Elis Regina.

http://letras.terra.com.br/elis-regina/45679/

O Bêbado e A Equilibrista

Elis Regina

Composição: João Bosco e Aldir blanc
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...
A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!...
Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil...
Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...
Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...
Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dicionário das línguas indígenas

 

  Dicionário das línguas indígenas

Elias Januário
Está sendo concluído um impressionante trabalho na área da linguística e da educação, que se trata de um dicionário enciclopédico eletrônico das línguas indígenas da maioria dos povos de Mato Grosso, cujo foco da pesquisa é o estudo e sistematização de duzentos verbetes (palavras) em vinte e oito línguas indígenas.
Esses verbetes são de temas como animais, plantas, objetos, partes do corpo humano e elementos da natureza. Deles foram feitos a palavra em português, na língua indígena, o tronco linguístico, a família linguística, a transcrição fonética, a transcrição ortográfica, definição na língua indígena, definição na língua portuguesa, exemplo na língua indígena e na língua português e o desenho, além da gravação do som na língua indígena.
Trata-se de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pela Faculdade Indígena Intercultural da Universidade do Estado de Mato Grosso em parceria com órgãos de fomento de Mato Grosso e organizações indígenas.
No Brasil temos cerca de 180 línguas indígenas faladas, sendo que Mato Grosso abriga um número considerável dessa parcela de falantes das línguas maternas.
A proposta de elaboração do dicionário surgiu da preocupação em estar desenvolvendo um trabalho efetivo que contribuísse com a manutenção das línguas existentes e pudesse estar revitalizando algumas que entraram em processo de desaparecimento.
A intenção do dicionário é que ele seja disponibilizado aos indígenas e, também, à população não índia, na perspectiva de mostrar a diversidade para a comunidade educacional brasileira, notadamente aquela dedicada à educação escolar indígena, na expectativa de que seja usado na escola não índia, mostrando assim a diversidade étnica e cultural, as diferentes lógicas de ver e pensar o mundo presente em nosso país, estimulando ainda a produção de materiais didáticos.
Foi pesquisando e estudando essas 28 línguas indígenas que o grupo envolvido neste projeto, conseguiu digitalizar textos, imagens e sons, fazer a revisão linguística e de português dos verbetes, além da elaboração do projeto de multimídia.
Metodologicamente o trabalho seguiu uma abordagem qualitativa, contando com a participação efetiva dos estudantes indígenas e suas comunidades, onde foram feitas entrevistas, gravações, anotações e um intenso trabalho de campo e laboratório.
Ao desenvolver pesquisa com os indígenas, em um processo de convivência interativa e criativa, caracterizando pela compreensão e reconhecimento da diferença étnica, acreditando contribuir com a produção e circulação de uma literatura indígena que possa superar a ausência de materiais de leitura nas escolas e respectivas comunidades indígenas.
Ao mesmo tempo tem-se a expectativa que ao possibilitar a devolução de parte da produção escrita e de imagens aos estudantes indígenas, estimular-se-á a elaboração de outras publicações, de autoria individual e coletiva, por parte dos professores indígenas e de seus alunos, que possam subsidiar o processo educativo nas escolas das aldeias.
Em síntese, a proposta do dicionário que agora se conclui promove o registro e a divulgação de experiências e reflexões geradas por indígenas e não indígenas ao longo de mais de dois anos, possibilitando com isso a construção de políticas públicas no estado de Mato Grosso, particularmente no que refere ao ensino da língua indígena, visando à afirmação da identidade étnica e cultural do patrimônio imemorial linguístico existente.
Elias Januário é doutor em Educação, professor de Antropologia da Unemat e escreve às sextas-feiras em A Gazeta. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br
[Fonte: http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/60/materia/282578]
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galiza na cplp

Comunicado Final da XVI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP

XVI REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO DE MINISTROS DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

Luanda, 22 de Julho de 2011

COMUNICADO FINAL

1. A XVI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa teve lugar em Luanda, no dia 22 de Julho de 2011.

Na cerimónia de abertura, o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Dr. Georges Chikoti, deu as boas vindas aos participantes.

Os trabalhos, presididos pelo Ministro das Relações Exteriores de Angola, Dr. Georges Chikoti, contaram com a participação dos Ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil, da República de Cabo Verde, da República da Guiné-Bissau, da República de Moçambique, da República Portuguesa, da República Democrática de S. Tomé e Príncipe, do Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Democrática de Timor-Leste e do Secretário Executivo da CPLP.

2. Estiveram também presentes, como convidados, no debate público da Reunião, o Secretário de Estado dos Assuntos Consulares da República da Guiné-Equatorial e o Diretor do Gabinete do Ministro dos Negócios Estrangeiros da República do Senegal, enquanto Observadores Associados da CPLP.

3. Os Ministros tomaram nota do Relatório do Secretário Executivo, bem como dos Relatórios dos Coordenadores do Comité de Concertação Permanente e da XXIII Reunião dos Pontos Focais de Cooperação, e do Relatório do Diretor Executivo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa.

4. Os Ministros reconduziram o Diretor-Geral do Secretariado Executivo da CPLP, Dr. Hélder Vaz Lopes, para o segundo mandato.

5. O debate geral da XVI Sessão Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP teve como tema “A CPLP, as Nações Unidas e a Língua Portuguesa nas Organizações Internacionais”.

Os Ministros, no debate geral, passaram em revista a participação e a experiência dos seus países na ONU, nomeadamente, com algumas das suas agências, destacando a importância desta cooperação e da Língua Portuguesa para a afirmação internacional dos respetivos países e desenvolvimento da Comunidade.

Tomaram nota das experiências positivas de Cabo Verde e de Moçambique no quadro da implementação do Programa Único das Nações Unidas (Delivering as One).

Congratularam-se, assim, com o aprofundamento do relacionamento entre a CPLP e a ONU e com a adoção, na 65ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, da Resolução 65/139 relativa à cooperação entre as Nações Unidas e a CPLP.

Realçaram a importância do Grupo Internacional de Contacto para a Guiné-Bissau e a Configuração Específica para a Guiné-Bissau da Comissão para a Consolidação da Paz, fora que têm facilitado a consolidação da paz e segurança neste Estado membro, num contexto multilateral, tanto no plano regional como internacional.

Reiteraram a necessidade de reformar o Sistema das Nações Unidas, em particular, o Conselho de Segurança, de modo a torná-lo mais eficaz e representativo da realidade internacional contemporânea. Recordando os termos do Comunicado Final da II Reunião do Conselho de Ministros (Salvador, 1997), da Declaração de São Tomé (2004), da Declaração de Bissau (2006), da Declaração de Lisboa (2008) e da Declaração de Luanda (2010), reiteram seu apoio a que o Brasil integre o Conselho de Segurança da ONU como membro permanente.

Tomaram nota, nesse âmbito, da pretensão de África de estar representada na categoria de membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Realçaram a importância de continuar a impulsionar o Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa (Plano de Ação de Brasília) no que diz respeito à consolidação do português como língua oficial ou de trabalho nas Organizações Internacionais, nomeadamente naquelas onde está representada a CPLP. Neste sentido, instaram as competentes entidades dos Estados membros e da CPLP:

- a uma persistente concertação da ação política para a introdução do português como "língua de documentação" das Nações Unidas, através da publicação sistemática em português de documentos da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança, da Conferência Geral da UNESCO e das Agências, Fundos e Programas das Nações Unidas;

- à criação de um corpo de tradutores especializados em português no âmbito do Secretariado das Nações Unidas, cujo funcionamento seria financiado, parcial ou integralmente, por contribuições dos Estados membros da CPLP; da progressiva tradução para o português dos portais virtuais das Nações Unidas, com prioridade para o sítio principal e para aqueles cujo conteúdo tem maior impacto para a cidadania nos países da CPLP;

- à criação de mecanismos permanentes de coordenação e mobilização de recursos necessários para assegurar a contratação de serviços de interpretação para eventos de alto nível num número sempre crescente de Organizações internacionais onde a CPLP esteja representada ; e,

- ao reforço do apoio ao Departamento de Informação das Nações Unidas, especialmente à Secção de Língua Portuguesa da Rádio das Nações Unidas.

6. Os Ministros, ao passarem em revista as atividades desenvolvidas pela Organização, desde a XV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros, de Julho de 2010:

a) Congratularam-se com a consolidação da Democracia e do Estado de Direito e com a promoção e respeito dos Direitos Humanos, no espaço da CPLP, que consideraram uma importante contribuição para a paz, segurança e desenvolvimento humano nos seus países.

b) Instaram os Estados membros a agilizar a aplicação dos Acordos de Brasília e dos Acordos sobre a Concessão de Visto para Estudantes Nacionais dos Estados membros da CPLP e a Cooperação Consular entre os Estados membros CPLP, com vista a facilitar a circulação de pessoas no Espaço da CPLP, etapa fundamental para que os nossos concidadãos se sintam parte integrante da nossa Comunidade; e reconhecem o papel das Reuniões dos Serviços de Migração e o arranque do Observatório dos Fluxos Migratórios da CPLP, que constitui mais um passo para tornar a Comunidade um espaço de afirmação da cidadania dos seus membros.

c) Reafirmaram a sua determinação, em associar-se à reflexão em curso sobre a reformulação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) e à adoção de medidas que potenciem a sua concretização, tendo em conta a interligação e sinergia entre os oito ODM.

Neste âmbito, congratularam-se com a apresentação pelos Estados membros da CPLP dos seus Relatórios de Progresso na concretização dos ODM, na 65ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas – Reunião Plenária de Alto Nível para Avaliação dos Progressos em torno dos ODM; e tomaram nota, com satisfação, dos avanços registados.

d) Destacaram o potencial de mútuo benefício oferecido pela cooperação entre os Estados membros da CPLP que, numa lógica de cooperação horizontal, promove sinergias e o espírito de parceria entre os diferentes atores.

Salientaram, igualmente, o seu potencial de contributo para a partilha de conhecimento e experiências entre a cooperação tradicional e a cooperação Sul-Sul em foco noutros contextos internacionais.

e) Reiteraram a necessidade, no quadro da articulação das Reuniões Ministeriais Sectoriais com o Secretariado Executivo e os Pontos Focais de Cooperação, da aplicação das decisões emanadas da VII Conferência de Chefes de Estado e de Governo, que “solicita que se reforcem os meios e condições para se prosseguir uma melhor coordenação e articulação das prioridades nacionais de cooperação para uma maior eficácia das ações desenvolvidas no espaço comunitário, designadamente quanto à sua apropriação pelos beneficiários”.

Instaram, assim, a que este exercício seja potenciado através de um planeamento e concertação crescentes entre os Pontos Focais de Cooperação (PFC) e/ou os Gabinetes de Coordenação Nacional CPLP, já existentes em alguns Estados membros e a criar noutros e as estruturas de suporte das Reuniões Ministeriais, designadamente os Secretariados Técnicos Permanentes.


7. Reiterando a importância da concertação político-diplomática para o reforço da atuação internacional da CPLP:

a) Saudaram os progressos registados na projeção internacional da CPLP, quer pelo reforço das relações com a Organização das Nações Unidas e suas Agências Especializadas, quer pelo estabelecimento de parcerias com Organizações regionais e sub-regionais em que os Estados membros estão inseridos.

Congratularam-se com a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para o biénio de 2011-2012.

Encorajaram o debate regular no seio do Grupo CPLP em Nova Iorque sobre a implantação da Língua Portuguesa e os assuntos da agenda das Nações Unidas, em particular do Conselho de Segurança, capitalizando o facto de dois dos Estados membros da Comunidade, Brasil e Portugal, pertencerem atualmente àquele órgão.

Congratularam-se, também, com a recente eleição, para o cargo de Diretor-Geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) do Professor José Graziano da Silva, cujo mandato representará um importante contributo para o combate à fome e promoção e reforço da Segurança Alimentar e Nutricional, em particular no espaço da CPLP.

Endossaram as candidaturas de Portugal para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, para o triénio de 2015-17; do Brasil e de Portugal para a Comissão Técnica e Jurídica do Conselho da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos; do Embaixador Pedro Comissário Afonso, de Moçambique, e do Embaixador Gilberto Sabóia, do Brasil, para a sua reeleição na Comissão de Direito Internacional, a ocorrer no decurso da 66ª AGNU, empenhando-se em sensibilizar os seus parceiros regionais a apoiarem estas candidaturas.

Sublinharam, no seguimento das decisões sobre as temáticas de Clima e Biodiversidade, tomadas pelos Chefes de Estado e Governo na Conferência de Luanda de 23 de Julho de 2010, a importância dos Acordos de Cancún para a reafirmação da centralidade do processo multilateral sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas.

Reiteraram o seu forte empenho na conclusão das negociações internacionais sobre o Clima e êxito da 17ª Conferência dos Estados parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (CQNUAC) e 7ª Reunião dos Estados Parte ao Protocolo de Quioto, que irá decorrer em Durban, no final do corrente ano.

Saudaram a importância das decisões adotadas na 10ª Conferência dos Estados parte da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) para a proteção e valorização da biodiversidade.

Empenharam-se em contribuir para o sucesso da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a ter lugar no Rio de Janeiro, em Junho de 2012.

b) Ao procederem à análise da situação interna nos Estados membros, detiveram-se, com particular atenção, sobre a situação na Guiné-Bissau:

Aprovaram o Roteiro CEDEAO-CPLP para a Reforma do Sector de Defesa e Segurança na Guiné-Bissau e apelaram às autoridades, forças políticas e ao conjunto da sociedade civil da Guiné-Bissau a mobilizarem todos os esforços, com vista à concretização das reformas previstas no Roteiro;

Exortaram a Presidência da CPLP para, em concertação com o Governo da Guiné-Bissau, o Secretariado Executivo e a CEDEAO, encetar diligências visando a realização de uma Conferência Internacional de Parceiros de Desenvolvimento da Guiné- Bissau para a mobilização adicional de recursos financeiros;

Convidaram a Presidência da CPLP, em coordenação com o Secretariado Executivo, a apresentar à próxima Reunião Ordinária do Conselho de Ministros, um relatório sobre a implementação da presente resolução e a incluir o tema “Implementação do Roteiro CEDEAO–CPLP” na agenda do Conselho.

Saudaram a cooperação bilateral mantida pelos Estados membros, em especial a instalação da Missão Militar Angolana na Guiné-Bissau (MISSANG/GB), a 21 de Março de 2011, da Missão Técnica Militar Brasileira (MTMB), em Abril de 2011, e dos Programas de Portugal de Apoio à Justiça e Segurança, que em muito contribuem para a efetiva implementação das várias componentes da Reforma do Sector de Segurança e que cumprem já objetivos contidos no roteiro CEDEAO-CPLP.

c) Registaram os ganhos obtidos por Cabo Verde na consolidação do processo de transição para País de Rendimento Médio e, no sentido de garantir a irreversibilidade do processo, apoiam as diligências do país visando o alinhamento desse período de transição com o do cumprimento dos ODM no horizonte de 2015;

d) Ao procederem à análise da situação em Timor-Leste, congratularam-se com a tendência positiva da situação política e social no país.

Registaram, com agrado, os esforços empreendidos pelas autoridades timorenses para a abertura da Representação da CPLP em Díli, reiterando a sua disponibilidade em apoiar as ações necessárias à sua concretização, no quadro do Plano Estratégico adotado na XIV Reunião do Conselho de Ministros da CPLP, em Julho de 2009.

e) Congratularam-se com a realização das Missões de Observação Eleitoral da CPLP que têm contribuído para a credibilização internacional dos processos eleitorais nos Estados membros, considerando as eleições um elemento fulcral para a consolidação de instituições democráticas e representativas em Estados de direito.

Saudaram, assim, a República de São Tomé e Príncipe pela realização, de forma justa, livre e transparente, das eleições legislativas, em Agosto de 2010, e das eleições presidenciais, em Julho de 2011.

Manifestaram disponibilidade em proceder ao envio de Missões de Observação, durante o ano de 2012, às eleições legislativas em Angola, às eleições legislativas na Guiné-Bissau e às eleições legislativas e presidenciais em Timor-Leste.

f) Tomaram nota do agendamento, para Setembro de 2011, da 3ª Assembleia Parlamentar da CPLP, a ter lugar em Díli; e saudaram Timor-Leste por assumir a Presidência deste órgão da CPLP, para o próximo biénio.

g) Registaram, no quadro do pedido formal da Guiné-Equatorial do estatuto de membro de pleno direito da CPLP, os trabalhos desenvolvidos pela Presidência em exercício e pelo Secretariado Executivo no apoio à elaboração de um programa de apoio à adesão, que o país terá de concretizar, no pleno cumprimento das disposições estatutárias da CPLP, tomando igualmente nota do Relatório de avaliação preparado pela Presidência.

Sensibilizaram, assim, as autoridades da Guiné-Equatorial para a implementação de um roteiro de ações, no quadro do programa de adesão concertado, reiterando a sua disponibilidade para continuar a apoiar o processo, em curso, de reformas internas em conformidade com os princípios orientadores da CPLP, designadamente, primado da paz, da democracia, do Estado de direito, dos direitos humanos e da justiça social.

Assinalaram, com apreço, as iniciativas da CPLP levadas a cabo pelo Embaixador de Boa Vontade Luís Fonseca, pela Presidência, pelo Secretariado Executivo e pelo Diretor do IILP, em concertação com as autoridades da Guiné-Equatorial, no primeiro semestre de 2011.

h) Reafirmaram a necessidade de prosseguir a aproximação à Ilha Maurício e ao Senegal, Observadores Associados da CPLP, privilegiando a difusão e o ensino da Língua Portuguesa nesses países e a promoção de um relacionamento bilateral, económico e comercial, traduzindo a vontade política de reforço das relações entre estes dois países e a CPLP.

Recomendaram, assim, a estes Observadores Associados a apresentação de planos de atividades e de ação, no respeito do Regulamento dos Observadores Associados da CPLP (artigo 15º, nº2).

i) Tomaram nota do desenvolvimento do processo de candidatura da Ucrânia a Observador Associado, apresentado por ocasião da VIII Conferência de Chefes de Estado e Governo da CPLP e das reuniões técnicas entre o grupo de trabalho do Secretariado Executivo e os representantes da Ucrânia, no quadro das disposições previstas no Regulamento de Observadores Associados.

j) Registaram, com satisfação, a constituição da União Internacional de Juízes de Língua Portuguesa, na Ilha do Sal, em Cabo Verde, a 12 de Novembro de 2010, assim como a constituição da Reunião das Instituições Públicas de Assistência Jurídica dos Países de Língua Portuguesa – RIPAJ, em Brasília, a 7 de Abril de 2011.

k) Tomaram nota do Encontro dos Representantes dos Países Membros dos Órgãos de Administração Eleitoral da CPLP, no Quadro do Projeto de Apoio aos Ciclos Eleitorais nos PALOP e Timor-Leste, em Gaborone e no evento de capacitação “Intercâmbio em Matéria Eleitoral dos Países da CPLP”, realizado em Brasília, em Abril de 2011; da IX Reunião dos Procuradores-Gerais da CPLP, em Brasília; e da VIII Reunião dos Serviços de Migração da CPLP, em Bissau.

8. Reafirmando a relevante importância da cooperação no desenvolvimento sustentado dos Estados membros, na consolidação da Comunidade e na sua projeção enquanto Organização, congratularam-se com:

a) A aprovação do novo Regimento do Fundo Especial da CPLP, que permite a atualização do Fundo Especial face às novas realidades concretas da cooperação intra-CPLP e às exigências técnicas das ações financiadas entre os Estados membros para dar resposta ao desenvolvimento e crescente complexidade da cooperação intracomunitária.

b) A realização das XXII e XXIII Reuniões de Pontos Focais da Cooperação (RPFC) que permitiram a identificação e o acompanhamento de projetos multilaterais, visando a promoção do desenvolvimento e a erradicação da pobreza.

c) A elaboração do Plano Indicativo de Cooperação (PIC) 2012-2015, que continuará a ter em conta os ODM e setores tradicionais da cooperação na CPLP, como a Saúde, o Ambiente e a Segurança Alimentar e Nutricional, a par de setores transversais como Género e Empoderamento da Mulher, Juventude e Desportos e Governação, reconhecendo os progressos registados pela cooperação comunitária nestes domínios.

O processo de identificação de novos caminhos para a cooperação comunitária, constantes do PIC 2012-2015, deve resultar de um exercício partilhado, que tenha em conta as necessidades expressas pelos Estados membros nos seus Documentos de Estratégia de Redução da Pobreza, quando existentes, assente nos princípios da harmonização, alinhamento, apropriação e sustentabilidade, constantes da “Visão Estratégica de Cooperação Pós-Bissau”.

d) O nível de execução técnica e operacional dos vários Planos Estratégicos de Cooperação Setoriais, como sejam o Plano Estratégico de Cooperação em Saúde (PECS-CPLP), o Plano Estratégico de Cooperação para a Igualdade de Género e o Empoderamento das Mulheres na CPLP (PECIGEM/CPLP), o Documento Estratégico de Cooperação para a área da Juventude e a Estratégia da CPLP para os Oceanos, que traduzem uma apreciável concretização dos princípios e objetivos da “Visão Estratégica de Cooperação Pós-Bissau”.

e) O exercício, em curso, de preparação de um Plano Estratégico de Cooperação em Ambiente da CPLP (PECA-CPLP), para 2011-2014, que terá em conta, entre outras, as especificidades dos Estados membros insulares, para apreciação e aprovação pela próxima (V) Reunião de Ministros do Ambiente da CPLP, que visa dar cumprimento aos compromissos assumidos nas Reuniões de Ministros do Ambiente da CPLP e às Resoluções aprovadas nesse âmbito.

f) O apoio ao processo de conclusão da Estratégia Regional de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP, desenvolvida conjuntamente com a FAO, que favorece a institucionalização progressiva da temática da Segurança Alimentar e Nutricional na Comunidade, com vista à sua adoção pelo seu Comité de Concertação Permanente, antes de Outubro.

g) Os avanços registados no domínio do Combate ao Trabalho Infantil, consubstanciados na ratificação, quer da Convenção n.º 182 da OIT sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil (meta estabelecida em 2006), quer da Convenção n.º 138 da OIT sobre a Idade Mínima de Admissão ao Emprego.

Tomaram boa nota dos progressos registados com a Plataforma interativa do Centro de Informação em Proteção Social (CIPS) no mundo de língua portuguesa, numa parceria conjunta entre o Secretariado Executivo da CPLP, o escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Lisboa e o programa Estratégias e Técnicas de Luta contra a Exclusão Social e a Pobreza (STEP), através do projeto STEP/Portugal.

h) A institucionalização do tema Promoção dos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, destacando a oferta, pelo Brasil, de apoio ao desenvolvimento de um Programa de Cooperação para os Países de Língua Portuguesa.

i) O empenho do Secretariado Executivo em prosseguir esforços junto da Organização Internacional das Migrações, no sentido de identificar e dinamizar parcerias e cooperação para o desenvolvimento de ações estruturantes no quadro das Migrações para o Desenvolvimento.

j) Tomaram boa nota da aprovação e continuação dos projetos de cooperação para o desenvolvimento que atuam em domínios estratégicos da Comunidade, designadamente jurídico, científico e técnico e estatístico, como exemplo a consolidação do Projeto da Base de Dados LegisCPLP e a criação da respetiva Unidade Técnica, Operacional e de Gestão Regional; a continuidade do projeto LABPALOP com extensão a Timor-Leste (IV fase); a aprovação do Projeto de Apoio ao Desenvolvimento da Produção de Artesanato em São Tomé e Príncipe - Fases II e III; e o Programa de Capacitação dos Sistemas Estatísticos Nacionais dos PALOP e Timor-Leste.

9. Tomaram nota com satisfação da realização, em Junho de 2011, da V Reunião entre Observadores Consultivos da CPLP e o Secretariado Executivo, bem como das recomendações para se continuar a avançar na criação do espaço lusófono do ensino superior, no Estatuto do Cidadão da CPLP e na criação do Comité Económico e Social da CPLP.

10. Reconheceram a importância das Fundações da CPLP para fomentar a cooperação e o diálogo na Comunidade, na medida em que, através das redes e parcerias estabelecidas entre si, permitem aos agentes da sociedade civil concertar esforços, criar laços de entendimento e plataformas de comunicação, aumentando, assim, o impacto da sua intervenção na prossecução dos objetivos da CPLP.

Convidaram, assim, as Fundações da CPLP a participar no I Fórum da Sociedade Civil, que terá lugar em Brasília, em Setembro próximo.

11. Recordaram a aprovação da “Estratégia da CPLP para os Oceanos” pela I Reunião formal de Ministros dos Assuntos do Mar da CPLP, em Março de 2010, reconfirmando-a como um contributo fundamental para o aprofundamento de uma visão integrada da Comunidade na promoção do desenvolvimento sustentável dos espaços oceânicos sob as respetivas jurisdições nacionais, em particular os respetivos projetos de extensão da plataforma continental, da investigação científica e da proteção ambiental associada, tendo em conta as necessidades de cada um dos Estados membros.

Reconheceram, ainda, a importância de se intensificar o diálogo e a coordenação entre as respectivas Missões Permanentes em Nova Iorque em particular no Grupo CPLP, tendo em vista uma identificação, tão frequente quanto possível, dos interesses que podem e devem ser objeto de posições comuns entre os Estados membros da CPLP, nos fora dedicados aos Oceanos e Assuntos do Mar das Nações Unidas.

Encorajaram, assim, a Presidência Angolana a constituir o Secretariado Técnico Permanente da Reunião de Ministros dos Assuntos do Mar da CPLP, de forma a dar seguimento às iniciativas específicas já aprovadas e a convocar, até Março de 2012, a II Reunião Formal de Ministros.

12. No âmbito da promoção e divulgação da Língua Portuguesa e tendo em vista a reestruturação do IILP, comprometeram-se a acelerar o processo de ratificação dos seus Estatutos, dotando o Instituto dos meios para cumprir o compromisso do Maranhão: “promover, defender, enriquecer e difundir a Língua Portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico e tecnológico e de utilização em fóruns internacionais”.

Instaram, igualmente, os Estados membros, que não o fizeram ainda, a ratificar o Acordo Ortográfico, incitando os Estados membros que já o ratificaram a adotar as medidas para a sua implementação.

13. Tomaram nota dos colóquios programados pela Direção Executiva do IILP - o Colóquio Internacional sobre “A Diversidade Linguística nos países da CPLP (Maputo), o Colóquio Internacional sobre “A Língua Portuguesa na Diáspora (Praia), o Colóquio Internacional sobre A Língua Portuguesa na Internet (Fortaleza) e o Colóquio Internacional referente “A Língua Portuguesa nas Organizações Internacionais (Luanda), com vista à preparação da 2ª Conferencia Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa.

14. Congratularam-se com o encontro dos Secretários Gerais e Secretário Executivo dos Três Espaços Linguístico (TEL), realizado em Madrid, a 10 de Junho de 2011, que celebrou o X aniversário da criação daquele fórum de concertação e cooperação nas áreas da diversidade cultural e do multilinguismo.

15. Os Ministros recomendaram que a CPLP continue a apoiar medidas que facilitem e fomentem o relacionamento económico e comercial intracomunitário, promotores do crescimento e desenvolvimento dos Estados membros mais vulneráveis, constituindo meio para mitigar os efeitos da crise económica e financeira internacional. Neste sentido, reiteraram a importância da realização da Reunião de Altos Funcionários sobre a facilitação do comércio, conforme o já recomendado na XIV Reunião do Conselho de Ministros.

16. Adotaram as seguintes Resoluções sobre:

a) A Revisão dos Estatutos da CPLP;

b) A Revisão do Regimento do Fundo Especial da CPLP;

c) A implementação do Roteiro CEDEAO-CPLP para a Reforma do Setor da Defesa e Segurança da República da Guiné-Bissau;

d) O Regulamento do Prémio José Aparecido de Oliveira;

e) A Concessão da Categoria de Observador Consultivo da CPLP;

f) Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência;

g) A Estratégia Regional de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP;

h) A Realização do I Fórum da Sociedade Civil da CPLP;

i) O Reforço da Cooperação Económica e Empresarial na CPLP;

j) O Orçamento de Funcionamento do Secretariado Executivo para o Exercício de 2011;

k) O Orçamento de Funcionamento do IILP para o Exercício de 2011;

l) O Relatório da Auditoria Conjunta às Demonstrações Financeiras da CPLP no ano de 2010;

17. Aprovaram a Declaração sobre as Eleições Presidenciais em São Tomé e Príncipe.

18. Aprovaram a Homenagem ao Presidente Itamar Augusto Cautiero Franco.

19. Expressaram ao Governo de Angola, em particular a Sua Excelência o Senhor Ministro das Relações Exteriores, o seu agradecimento pela hospitalidade e acolhimento fraterno dispensado a todos os participantes na XVI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP.


Feito e assinado em Luanda, a 22 de Julho de 2011


Pela República de Angola
_____________________________________________________________
Georges Rebelo Pinto Chikoti

Pela República Federativa do Brasil
_____________________________________________________________
Antonio de Aguiar Patriota

Pela República de Cabo Verde
_____________________________________________________________
Jorge Alberto da Silva Borges

Pela República da Guiné-Bissau
_____________________________________________________________
Adelino Mano Queta

Pela República de Moçambique
_____________________________________________________________
Oldemiro Júlio Marques Baloi

Pela República Portuguesa

_____________________________________________________________
Paulo Sacadura Cabral Portas


Pela República Democrática de São Tomé e Príncipe
_____________________________________________________________
Manuel Salvador dos Ramos

Pela República Democrática de Timor-Leste
_____________________________________________________________
Alberto Xavier Pereira Carlos
_____________________________________________________________


Documentos disponíveis:

Relatório do Presidente do Conselho de Ministros;

Relatório do Coordenador do Comité de Concertação Permanente;

Relatório do Secretário Executivo da CPLP;

Relatório do Coordenador da Reunião dos Pontos Focais de Cooperação da CPLP;

Relatório do Diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa


Resolução sobre a Revisão dos Estatutos da CPLP;

Resolução sobre a Revisão do Regimento do Fundo Especial da CPLP;

Resolução sobre a Implementação do Roteiro CEDEAO-CPLP para a Reforma do Setor da Defesa e Segurança da República da Guiné-Bissau;

Resolução sobre o Prémio José Aparecido de Oliveira;

Resolução sobre a Concessão da Categoria de Observador Consultivo da CPLP;

Resolução sobre Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência;

Resolução sobre a Estratégia Regional de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP;

Resolução sobre a Realização do I Fórum da Sociedade Civil da CPLP;

Resolução sobre o Reforço da Cooperação Económica e Empresarial na CPLP;

Resolução sobre o Orçamento de Funcionamento do Secretariado Executivo para o Exercício de 2011;

Resolução sobre o Orçamento de Funcionamento do IILP para o Exercício de 2011;

Relatório da Auditoria Conjunta às Demonstrações Financeiras da CPLP no ano de 2010;

Declaração sobre as Eleições Presidenciais em São Tomé e Príncipe;

Homenagem ao Presidente Itamar Augusto Cautiero Franco;
22-07-2011

reunião do Conselho de Ministro da CPLP

Iniciou XVI reunião do Conselho de Ministro da CPLP

Angop
 XVI reunião do Conselho de Ministro da CPLP
XVI reunião do Conselho de Ministro da CPLP

Luanda – A XVI reunião ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi aberta a meio da manhã de hoje, sexta-feira, em Luanda, pelo ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Rebelo Chikoti.
O encontro, que decorre numa das unidades hoteleiras de Luanda, congrega os ministros dos Negócios Estrangeiros dos oito países da CPLP.
De acordo com o ministro Georges Chikoti, depois de desejar boas vindas aos seus homólogos, a reunião constitui a oportunidade de proceder o balanço do que foi realizado no primeiro ano da presidência de Angola e para reflectir sobre os caminhos que a comunidade deverá trilhar no futuro próximo.
Sublinhou que este Conselho de Ministros concede também a oportunidade para procurar soluções que permitam ultrapassar alguns constrangimentos que urge resolver, tais como os financeiros.
De acordo com a agenda, os participantes vão se inteirar dos relatórios do presidente do Conselho de Ministros, do coordenador do Comité de Concertação Permanente, do Secretariado Executivo e do coordenador da reunião dos pontos focais de cooperação da CPLP.
Entre outras questões, os ministros deverão aprovar uma resolução sobre a “estratégia de segurança alimentar e nutricional na CPLP” e sobre a realização do primeiro fórum da sociedade civil.
Devem ainda adoptar um projecto de resolução sobre o roteiro para a reforma do sector de defesa e segurança da Guiné Bissau, em parceria com a comunidade económica dos estados da África Ocidental (CEDEAO).
Prevê-se igualmente se pronunciar sobre a melhoria das instalações da CPLP, conferindo melhores condições de trabalho da organização.
A reunião de ministros vai abordar também sobre os projectos de resoluções sobre o prémio “José Aparecido de Oliveira”, as eleições em São Tomé e Príncipe e uma homenagem ao antigo Presidente do Brasil, Itamar Franco.
A língua portuguesa, a sexta mais falada no mundo, é utilizada por cerca de 240 milhões de pessoas em todos os continentes.
A comunidade, que tem a concertação política-diplomática, a cooperação e a promoção da língua portuguesa como pilares de actuação, comemorou o seu 15º aniversário no dia 17 de Julho deste ano, sob o lema “Solidariedade na diversidade no espaço da CPLP.
Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.





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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Estão querendo enganar quem?

 





Estão querendo enganar quem?

por João Ubaldo Ribeiro
publicado no Estadão em 17 de julho de 2011

Li em algum jornal que a Fifa, essa organização da qual volta e meia se evola um odorzinho de mutreta, que lida com cachoeiras de dinheiro, cujas decisões são às vezes vistas como fruto de processos viciados e que, enfim, não é nenhuma casa pia, ameaçou fazer a Copa de 14 na Espanha, se as obras aqui não forem apressadas - ou até mesmo iniciadas, como dizem que é o caso de muitas. Por artes do caprichoso destino, isso pode interessar à Espanha, que tem estrutura e está pendurada. Pode interessar a toda a Europa, aliás, devido ao reflexo dos problemas espanhóis na economia do euro. E talvez o Brasil nem conseguisse ir aos jogos, porque os espanhóis poderiam aparelhar os aeroportos para otimizar sua já tradicional deportação de brasileiros.

Apressar as obras significa, como também se divulga muito, relaxar controles sobre custos e gastos. Claro, qualquer que seja o resultado dos debates, todo mundo sabe que haverá roubo. Se for feita uma enquete, tenho certeza de que a grande maioria dos brasileiros acredita que vai haver roubo nessas obras, com sigilo, sem sigilo, de que forma for. Existirá sempre um jeito de roubar, entendido isto como faturamento fraudulento, propinas, desvios de materiais e serviços e, enfim, todo tipo de trambique aplicável, num repertório em que seguramente somos líderes mundiais.

Sim, todo mundo está cansado de saber disso. Então para que tanta complicação inútil, se tudo vai ser mesmo garfado, sempre foi, desde que nos entendemos e ninguém tem problemas ao ganhar dinheiro desse jeito? Há tantos estádios a construir, tantos aeroportos a reformar, tantas obras públicas, tantas armações que podiam já estar rendendo grana e ficamos nessa demora ridícula, repetindo atos ou palavras que nunca resolveram nada. Tanto o que surrupiar já dando sopa aí e esse pessoal perdendo tempo em formalidades que todo mundo sabe que não servem para nada, a não ser para embalar o sono dos que as ouvirem, em forma de discursos, no Senado Federal. Não havia nem necessidade da mãozinha que a Fifa está querendo dar (ou meter).

É difícil assistir a um noticiário de televisão em que não seja mostrado o desbaratamento e prisão (e imediata soltura, em questão de segundos) de pelo menos uma quadrilha que fraudava algum órgão público. Difícil, não, impossível; não me recordo de nenhum. Se qualquer político for acusado de ladrão numa roda de conversa, dificilmente alguém o defenderá com convicção, porque confere com o padrão que nos acostumamos a aplicar à nossa sociedade. Nenhum tipo de falcatrua ou sordidez nos surpreende e é bastante comum que, nessas conversas, alguém lembre uma história bem pior.

E os parlamentares, se não são todos ladrões em sentido amplo, são beneficiários impudentes de uma abundância obscena de privilégios, a começar pelo imoralíssimo foro especial, que os põe numa acintosa classe acima dos governados, a quem não prestam satisfações e cuja vontade ignoram, se não coincide com seus interesses. Há sentido nas miríades de "ajudas", nos fantásticos seguros de saúde, nas generosíssimas viagens e em tudo mais de que desfrutam para mal e pouco trabalhar, isto quando trabalham? Os estrangeiros têm dificuldade em compreender como uma sociedade aceita esse deboche deslavado, que ainda lhe é impingido com arrogância e ostentação de poder. Não acho de todo descabida a semelhança que vejo entre esses privilégios e os da corte de Luís XIV, na França do século 18. De fato, como já disse aqui, o Estado entre nós não é o rei, que não temos; mas o Estado entre nós é dos governantes e a soberania é deles, respeitados os donos da economia.

No serviço público, a falta de compostura e o nepotismo, embora hoje disfarçado pelos intrincados laços familiares dos brasileiros, são a regra. O que é público não é de ninguém, começando pelo material de escritório levado para casa e terminando pelos cartões corporativos. Ocupantes de cargos públicos de relevância se associam secretamente a empresas de "consultoria" e assim ganham fortunas, fazendo na verdade advocacia administrativa e tráfico de influência. Egressos do serviço público caem na mesma prática, pois o serviço público aqui não é para o público, mas para quem o presta, ou alega prestar. O serviço público é uma oportunidade para "se fazer". Comportam-se assim até os menos rapineiros, que se contentam em "colocar" um filho aqui ou acolá, ou bem encaminhar seu futuro depois da política, apesar de já bastante acolchoado por aposentadorias magnânimas e benesses liberais.

E ninguém, afinal, é punido por nada. Se antes isso se aplicava somente aos ricos e poderosos, agora vale para todos. A melhor maneira de matar alguém no Brasil é ficar bêbado, pegar o carro e atropelar a vítima. Aí o atropelador se recusa a usar o bafômetro e vai para casa, responder a processo em liberdade, para, no caso difícil de vir a ser condenado, cumprir a pena também em liberdade. Embriaguez pode até virar atenuante, surto psicótico. Matar gente, aliás, é cada vez mais fácil, talvez mais que roubar. Matar bicho nem tanto, mas pega mal o sujeito sair dizendo que está sob a proteção do Ibama.

É por essas e outras que eu digo: vamos parar com essa enrolação toda, que chega a nem ficar bem, parece sabotagem com a Seleção. Não já estamos exaustos de saber que, em ocasiões semelhantes, meteram a mão na granolina para valer? Não é assim que se faz e sempre se fez neste país, como costumava lembrar um grande líder nosso? Então vamos liberar logo essa grana e sossegar a rapaziada, corrupto também fica estressado. E, afinal de contas, não somos assim tão bestas, pensam que estão nos enganando, mas não estão. Nós sabemos de tudo e não somos bobos, somos apenas omissos, submissos, cínicos e cada vez mais moralmente insensíveis - ninguém é perfeito.





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PORTUGUES, MATEMÁTICA E O RESTO?

Quem ler Santana e BioTerra encontra muitas semelhanças de discurso. Obrigado Portugueses por me ouvirem. A defesa destes elevados princípios por mim e dentro da minha escola também não é nada fácil, como podem imaginar..E um apelo que unemos as energias e sinergias para manter vivas estas vozes de lucidez e clareza, num mundo que está a ficar muito cruel...mas eu sei que há magníficas pessoas pelo País fora, se calhar tão ou mais corajosas que o BioTerra...acredito e dou-vos força e abrigo. Pessoas que estão quase no limiar de perder o emprego ou as regalias que auferem para defender o que acham que é JUSTO e ECO-SOLIDÁRIO. O mesmo que recebo de vós, todos estes "gosto". Obrigado..
 Eis alguns trechos
1. É imprudente, numa formação básica, reservar para a Matemática e para a Língua Portuguesa o conceito de disciplinas estruturantes. Onde ficam a Educação Física e as restantes expressões, p.ex? É perigoso o que se está a fazer com a História e a Geografia. Ou quer-se, desde logo, subordinar tudo a um determinado modelo de Homem e Sociedade? http://www.profblog.org/2011/0​7/nao-se-pode-fazer-politica-s​em.html#more
2. [Nuno Crato] não se interrogou sobre os resultados dos dispendiosos PAM (Plano de Acção da Matemática) e PNL (Plano Nacional de Leitura), que significaram milhares de horas e milhões de euros despejados sobre a Língua Portuguesa e sobre a Matemática e que não impediram os piores resultados em exames dos últimos 14 anos? http://www.profblog.org/2011/0​7/nao-se-pode-fazer-politica-s​em.html#more 

Eu, galego do sul

Eu, galego do sul
(jn, 2011-07-11)

Lisboa, no canto do cisne que nos atirou para o buraco negro em que sobrevivemos, persiste em agredir cegamente a cidade onde Portugal foi buscar o nome e a região que foi o seu berço.
Acho que todos nós, pelo menos uma vez na vida, nos interrogámos porque raio é que o bom do D. Afonso Henriques se virou para Sul, e não para o Norte, quando se tratou de dar forma e assegurar o espaço vital ao país que fundou a partir do Condado Portucalense.
Tenho boas razões para desconfiar que seríamos bem mais prósperos e felizes se o fundador e seus sucessores tivessem seguido a direcção indicada pela bússola em vez de terem ido por aí abaixo, de espada em punho, a fazer guerra aos mouros, só se detendo quando chegaram às praias algarvias.
O problema é que, apesar de imensamente sedutora, esta opção era desadequada, talvez até mesmo irrealista, à luz dos equilíbrios políticos da Península em meados do século XII.
A passividade com que o seu primo Afonso VII e a monarquia leonesa [???: galega!] observaram a emancipação do Condado Portucalense [anos antes "emancipara"-se o condado castelhano, cedo reconvertido em reino] deve-se ao facto de Afonso Henriques ter optado por combater o império almorávida, conduzindo os seus exércitos para além do Tejo.
Tivesse o fundador ousado atravessar o rio Minho, em vez de fazer guerra aos muçulmanos, e a realidade política da Península Ibérica seria hoje radicalmente diferente.
Por muito que nos custe, esse pecado original a que o nosso primeiro rei foi impelido deve-se a um pragmatismo que não lhe podemos censurar.
Hoje, quase nove séculos volvidos sobre o seu nascimento, Portugal combina uma invejável unidade linguística e as fronteiras mais estáveis e antigas da Europa com uma enorme diversidade de culturas, caracteres e paisagens.
Não é preciso ser antropólogo (basta ter olhos na cara) para constatar que um minhoto é muito parecido com um galego - e muito diferente de um alentejano ou algarvio. E não é preciso ser um geógrafo para observar, à vista desarmada, que a serra dos Candeeiros é a fronteira que cose dois países diferentes unidos há séculos pela política mas separados pela geografia e costumes.
Ignorante da história e da realidade do país que a sustenta, Lisboa, no canto do cisne do centralismo que nos atirou para o buraco negro em que sobrevivemos, persiste em agredir cegamente a cidade onde Portugal foi buscar o nome e região que foi o seu berço.
Quando se trata de portajar as Scuts, não começa pela mais antigas - mas pelas do Norte. E quando se trata de pôr em prática o criminoso plano de liquidação da rede ferroviária, começa por fechar a ligação Porto-Vigo - enquanto reabilita a linha das Vendas Novas.
É nestes momentos de revoltas, cada vez mais frequentes, que questiono a opção geográfica de Afonso Henriques - e me sinto mais um galego do sul do que um português do Norte.