| ||||||||
| ||||||||
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
a palavra e os guarani
Etiquetas:
guarani
a despedida de Cesária (Èvora)
Em dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br, Margarida Castro <margaridadsc@...> escreveu
"casa_amadis_montpellier October 23, 2011 3:51 PM CASA AMADIS Lusophonie / Lusofonia CASA AMADIS Lusophonie / Lusofonia Messages inclus dans cette sélection (1 Message) 1. CESARIA ÉVORA, O ADEUS AO PALCO E O REGRESSO DE UMA LENDA De : Casa Voir tous les thèmes | Créer un nouveau thème Message 1. CESARIA ÉVORA, O ADEUS AO PALCO E O REGRESSO DE UMA LENDA Envoyé par : "Casa" amadis_montpellier@... amadis_montpellier Samedi 22. Octobre 2011 21:53 CESARIA ÉVORA, O ADEUS AO PALCO E O REGRESSO DE UMA LENDA «Mim já'm bá pa nha terra » « Sexta-feira», disse entrelaçando os dedos, um olhar de menino encabulado. E carregou : â€" « se Deus quiser! » Sexta-feira, 21 de outubro. Todos os argumentos foram poucos para convencer a Cise a atardar-se ainda algum tempo em Paris â€" simples precaução depois desse grande solavanco que a levou de urgência, sem fala e quase sem fôlego, ao hospital La Pitié-Salpétriè re. No primeiro dia deu água pela barba ao corpo médico que chegou a t(r)emer pela sua sobrevivência. Graças a Deus o pior também foi curto â€" uff ! De coração generoso, quem a conhece sabe que nunca foi de muitas falas, a Diva dos Pés Descalços. No palco canta e encanta, mas falar, nem por isso. Agora, não convém provocá-la: « Sabes, Cesária, que és a voz das as mulheres sem voz ? » E ela : - « Ah ! psuda !, mim nha voz ê d'meu! ». E outra vez : que mensagem tinha a passar às mulheres japonesas ? - « Ês bá desinrascá ! » Nem mais. É assim a Cise : se a sua humildade faz o seu charme, que dizer desse seu humor natural com que empolgou palcos e plateias? Com os amigos, Cise deixa falar o coração. Agora, se for para convencê-la de alguma coisa, melhor mesmo é passar ao largo! «Cis txa'me bá pa nha terra » - e ninguém fala mais nisso ! Se existe uma pessoa que funciona ao « feeling », essa pessoa é Cesária Évora. Autêntica e sincera, suas francas gargalhadas têm essa espontaneidade de criança que às vezes nos falta a nós-outros, submetidos que vivemos à ditadura da aparência que a vida em sociedade cruelmente nos impõe. Uma mulher de carácter, ou a força da humildade Mas não nos iludam as aparências ! Por trás dessa inocente serenidade existe uma mulher de pulso e de carácter, impondo-se por essa rara virtude que é a humildade, paradoxalmente o segredo e a fonte da sua força. Conta quem sabe que essa força « inocente » pode traduzir-se em caprichos nem sempre muito fáceis de gerir… disso falarão aqueles que, por razões profissionais ou afectivas, estejam investidos dessa missão. Na tarde do seu último domingo em Paris, no lar familiar onde se instalou para convalescer, ainda veio à baila, assim muito a medo pa'l ca bá chatiá, se não seria melhor esperar mais um pouco, o que achas Cise, antes de regressares de vez a Cabo Verde… E a mesma resposta categórica: - «Já m'crê bá'mbora, m'ca tem más nada k'fazê li». Traduzindo : a dúvida ao seu dono , eu cá já decidi. E ponto final! Escusado insistir. Nem mesmo a Fantcha, jovem cantora nossa, uma espécie de filha espiritual vinda para a ocasião da América, logrou ir mais longe. Uma amiga segreda-me ao ouvido, a propósito de uma feliz e inesperada visita : - « Um belo dia, ligou-me que ia a caminho da minha casa… quando au já desesperava de a convidar sem resultado ! Cise não se convida, é deixá-la que vem sozinha ». Caprichos de star ? Nada disso, Cise é assim mesmo! Nos anos oitenta, era ela uma cantora do Mindelo como tantas outras, e eu, jovem jornalista da Rádio, lembro-me ainda: o que não suávamos para conseguir levá-la ao estúdio para uma entrevista ! Melhor mesmo era ter à mão uma alternativa para a emissão, sabendo que tanto podia vir como não ! Mas caprichos de star, isso nunca ! Quanto mais não seja porque Cesária não era star nessa altura e sequer sonhava vir a sê-lo. E se hoje é quem é, nem por isso deixou de ser quem era! Por mais que falem dela em jornais e livros, que por onde passa as pessoas se extasiem e lhe estendam o tapete vermelho, Cesá ria nunca entrou na pele dessa vedeta planetária que ouve dizer que é! Tirando as rugas do tempo e os adornos em ouro que sempre afeccionou â€" e isso é muito caboverdeano, â€" quem a viu há 30 anos, assim a vê agora : igual a si mesma, fiel aos seus hábitos e aos amigos de sempre. Assim o enfatizou Christine Albanel, ministra da Cultura, ao outorgar-lhe, em nome do Presidente da República Francesa, a Legião de Honra em 2009 : « Ni vos nominations aux Grammy awards, ni vos Discs d'or, ni la présence de Madonna aux premiers rangs de vos concerts new-yorkais n'ont réussi à entamer votre authenticité, votre vérité qui ont forgé votre succès ». Com essa mesma simplicidade, agora inspirando alguma emoção por causa da doença, fomos encontrar a Cise no seu leito de hospital, eu e mais o encarregado de negócios António Lima. Éramos portadores de uma mensagem de Sua Excia o Presidente da República, Dr. Jorge Carlos Fonseca, que ela agradeceu, comovida quanto baste mas nem por isso envaidecida. Tampouco se envaidece de ter recebido uma carta do presidente Sarkozi. Cesária é simplesmente única. E as honras, cuidado porque, se mexem com ela, até as declina! Quem não se lembra do avião que ia levar o seu nome mas que ela recusou ir baptizar por, numa das suas viagens, lhe terem faltado as suas bagagens no desembarque? ! Fez finca-pé, disse que não ia - e não foi! Para os amigos, aqueles que convivem de perto com a Cise ou a frequentam na sua casa em S. Vicente, a coisa é outra : cachupada, bom humor, cavaqueira descontraٌí da. Visitar a Cesária, verdadeira « peregrinação » para certos fãs, é impregnar-se da morabeza caboverdeana. Aqueles que conheço regressaram embevecidos com a simplicidade dessa vedeta mundial de lenço e avental, servindo seus convidados como Cristo lavando os pés aos apóstolos ! Para os franceses (e não só), Cabo Verde é Cesária : quem não teve a felicidade de a ouviu cantar, decerto ouviu falar. Que resida em part-time na cidade-luz, seu « port d'attache » de onde partiu um dia à conquista do mundo com o seu canto mágico, é motivo de orgulho para eles. Um exemplo para seguir e reflectir A cada geração, seus filhos dilectos. Nossos filhos dirão que tivemos sorte em sermos testemunhas dessa formidável « victoire du talent sur la fatalité ». Não vou aqui recapitular este destino singular, ao mesmo tempo singelo e palpitante, que já deu tantos livros biográficos e que certos fãs já conhecem de cor. Para as gerações vindouras fica este legado vivo, gravado em vinil e não sei quantos CD's e outros tantos sucessos, a testemunhar que foi essa grande senhora, discreta e sem título, quem tirou Cabo Verde da penumbra do anonimato! Sirva de exemplo às gerações vindouras… E de lição aos deuses do Olimpo ! Que a vanglória de mandar não prime sobre o amor à terra daqueles caboverdeanos que carregam no ombro a bandeira desta grande Nação sem nada pedir em troca! Reflictam aqueles políticos e governantes que, carregados de títulos e brasões (de grandeza mais que de obra feita), andaram gaguejando pelo mundo (quando não entraram mudos e sairam calados !) enquanto Cesária e seus músicos seduziam multidões ! Que agora, no regresso à casa após ter bebido nos oásis do mundo que lhe abriram as portas, meditem aqueles que lhe recusaram uma caneca d'água quando, sozinha, atravessava o deserto das agruras da vida! Que a nossa « gente grande » se acalme na sua soberba, que a história não é feita somente de títulos e de poder, que estes vão passando, mas sobretudo de valores que perduram na memória e no tempo. Uma reforma bem merecida « Si ca bado ca ta birado ». Cumprida esta profecia de Nhô Eugénio, o poeta, e após ter frequentado « la cour des grands », é chegada a hora da reforma. Bem merecida é ela após uma vida inteira a cantar Cabo Verde e metade dela a levar Cabo Verde ao Mundo. Porque conquistar o mundo, Cise, convenhamos, é dose para leão. Lembras-te ? Entre as voltas que o mundo dá e as voltas que deste ao mundo, em 2008 já o coração havia acusado um primeiro choque : por pouco ia parando lá pela longínqua Austrália, nas antípodas do « Mindelo, nôs querido cantim ». Estoica te ergueste e continuaste a caminhada. Mas agora, descansá bô corp, vivê bô vida sem stress. E por favor, tmá bôs ramêd e largá kel cigarrim da mon. Kês "matutano" tambê. Sabes que ainda tens muito para dar : deixaste as tournées, que isso de andar pelo mundo não é brincadeira, mas sempre poderás, porque não, voltar aos palcos uma vez por outra. Os teus admiradores hão-de gostar e Cabo Verde agradece. Afinal, Cise, és a nossa bandeira. És um padrão a assinalar ao mundo inteiro que no meio do Atlântico existe um arquipélago com gente e com alma, que não apenas um produto exótico para consumo turístico e « outros » consumos para quem dá mais. Se acaso não merecesses o nosso carinho, ainda te devíamos a gratidão. Bom descanso na Tapadinha. Mantenhas da Terra-longe, 21 de outubro de 2011 David Leite
Etiquetas:
cesária évora
O LIVRO E O TEXTO
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
O livro e o texto
por Braulio Tavares
É preciso distinguir entre “texto”, que é um conjunto de sinais verbais possível de se reproduzir de diferentes formas, e “livro”, que é um objeto de papel onde esses sinais são reproduzidos através de impressão gráfica. O livro é um objeto vinculado a uma maneira de registrar e transmitir informação. Texto e livro são dependentes até um certo ponto. Um mesmo texto pode ser transformado em livros diferentíssimos entre si. Basta pensarmos em toda a variedade de edições que qualquer grande clássico literário já teve. E alguém pode gostar de um livro sem se interessar pelo seu texto: gosta apenas pela beleza ou pela originalidade de seu aspecto gráfico. O texto é atemporal, maleável, adaptativo. O livro é datado, cheio de ressonâncias afetivas, carregado de nuances. É a cara da sociedade e da época que o produziram.
TEXTO COMPLETO: Coletiva.net
Postado por João Jorge Pereira dos Reis às 13:15
Use maiúsculas nos seguintes casos:
ADAIL SOBRAL EM FORUM LITTERATI DIZ
Use maiúsculas nos seguintes casos:
Conceitos políticos importantes – Constituição, Estado
(significando uma nação), Federação, União, República, Império, Poder
Executivo, Legislativo, Judiciário, Justiça, Direito, Igreja. Obs.:
Vão em minúsculas governo federal, governo estadual e governo
municipal.
Instituições, órgãos e unidades administrativas – Presidência da
República, Supremo Tribunal Federal, Câmara dos Deputados, Senado
Federal, Assembléia Legislativa, Ministério da Ciência e Tecnologia,
Exército, Forças Armadas, Casa Civil, Prefeitura de Recife (mas
escreva em minúsculas se o termo não acompanhar o nome: "a prefeitura
determinou..."), Estado de São Paulo (mas escreva em minúsculas se o
termo não acompanhar o nome: "o estado é produtor de café...").
Nomes de datas, feriados, eventos históricos ou festas religiosas
e populares – Primeiro de Maio, Dia do Trabalho, Natal, Dia de Reis,
Círio de Nazaré, Guerra da Bósnia.
Títulos de obras e eventos – "A RNP e a Educação no Brasil",
"Manual de Implementação do Serviço NTP", "Seminário de Capacitação
Interna".
Regiões e marcos geográficos – Ocidente e Oriente (como conceitos
geopolíticos), Hemisférios Sul e Norte (idem), Regiões Norte, Sul,
Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste etc. (idem), Chapada Diamantina, Norte
Fluminense, Vale do Ribeira, Pólo Norte. Use inicial minúscula, porém,
para designações como interior, exterior, litoral, litoral sul, zona
leste, zona sul, etc.
Período histórico consagrado ou geológico – Idade Média,
Peleolítico, Era do Gelo. Em minúsculas, porém, quando não se
configurar uma era histórica: era espacial, era nuclear, era
industrial, idade das trevas.
Leis, normas e tributos quando constituírem nome próprio ou forem
consagradas por sua importância – Lei de Informática, Lei de
Diretrizes e Bases, Plano Diretor, Lei Afonso Arinos, Imposto de
Renda. No entanto, se a lei for conhecida apenas por seu número, use
minúscula: lei nº 8.248, decreto nº 3.800, portaria nº 739.
Prêmios e distinções – Prêmio Nobel de Economia, Ordem do Cruzeiro
do Sul, Medalha Pedro Ernesto, Prêmio Príncipe das Astúrias.
Ramos do conhecimento humano, quando tomados em sua dimensão mais
ampla – Ética, Filosofia, Medicina, Português, Matemática, Computação,
Arte, Cultura. Se não houver necessidade de relevo especial, use
minúsculas: "estuda português", "gosta muito de matemática",
"formou-se em agronomia".
Nomes de vias, lugares públicos e acidentes geográficos – Rio
Amazonas, Avenida Brasil, Pão de Açúcar, Parque do Ibirapuera, Oceano
Atlântico, Pico da Neblina.
Títulos, formas de tratamento e suas abreviações – Dom (D.), Vossa
Excelência (V. Exa.), Doutor (Dr.), Senhor (Sr.).
Siglas - ABNT, RNP , UFRJ, PUC, MCT, CGEE (Exceções: PoP, QoS,
CNPq, CPqD, UnB)
Acrônimos (siglas que formam palavras) com até três letras - ONU,
RAU, MEC. A partir de quatro letras, use minúsculas - Banerj, Unicef.
Continuará com inicial maiúscula a palavra que servir para
designar o nome de dois ou mais órgãos, empresas, entidades, leis,
normas econômicas ou políticas, corporações, repartições, prêmios,
feiras, edifícios, monumentos, estabelecimentos, estádios, ginásios,
ruas, vias, regiões, acidentes geográficos, etc.: os Ministérios da
Economia e da Justiça, as Federações da Indústria e do Comércio, as
Leis Falcão e Fleury, os Impostos Predial e de Renda, os Planos
Cruzado e Real, os Colégios Objetivo e Arquidiocesano, os Prêmios
Eldorado e Molière, os Aeroportos de Cumbica e Congonhas, os Edifícios
Itália e Copan, os Cines Ipiranga e Marabá, os Estádios do Pacaembu e
do Morumbi, os Palácios do Planalto e da Alvorada, os Atos
Institucionais n.º 2 e n.º 5, as Torres Eiffel e do Tombo, as Igrejas
da Candelária e da Consolação, as Copas União e Brasil, as Baixadas
Santista e Fluminense, as Regiões Sudeste e Nordeste, os Vales do
Paraíba, do Ribeira e do Jequitinhonha, os Campeonatos Paulista e
Gaúcho, as Ruas Augusta e Direita, as Avenidas Paulista e Ipiranga, os
Parques do Ibirapuera e do Carmo, as Marginais do Pinheiros e do
Tietê, as Rodovias Castelo Branco e Fernão Dias, as Baías de Guanabara
e de Paranaguá, os Picos do Jaraguá e da Neblina, os Rios Tocantins e
Xingu.
Use minúsculas nos seguintes casos:
Acrônimos com quatro letras ou mais – acrônimos são siglas que
formam palavras, como Remav, Petrobras, Embratel, Clara, Alice, Géant,
Reuna, Cudi etc. (Exceção: CAIS)
nação, país, governo (mesmo acompanhado de especificação: federal,
estadual, municipal), exterior e interior – sempre, a menos que
integrem nome próprio (País de Gales, Ministério do Interior).
ensino fundamental, ensino médio, ensino superior – sempre, a
menos que integre nome próprio.
república e monarquia – quando designarem forma de governo.
ministério – quando aparecer sozinho no texto ("o ministério aprovou...").
ministro – sempre ("o ministro Roberto Amaral...").
norte, sul, leste, oeste – quando se referirem a ponto cardeal,
direção ou posição ("o Brasil está ao sul do Equador", "o trem rumava
para leste", "a bússola sempre aponta para o norte").
Cargos e profissões – diretor, presidente, gerente, técnico,
jornalista, analista de sistema, ministro, secretário, governador,
professor. A norma oficial determina maiúsculas para os "nomes que
designam altos cargos, dignidades ou postos", como Presidente da
República, Cardeal de São Paulo, Ministro da Educação, Embaixador do
Peru, etc.
Estações do ano, meses e dias da semana – abril, dezembro,
segunda-feira, domingo, verão.
Gentílicos – soteropolitano, francês, gaúcho, alemão, etc.
Nomes de personagens ou entidades do folclore: saci,
mula-sem-cabeça, curupira, caipora, cuca, lobisomem, iara.
* Ver também ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática Metódica da Língua
Portuguesa. § 144-145.
Etiquetas:
MAISUCULAS
sábado, 22 de outubro de 2011
Encontros: Alves Redol, Manuel da Fonseca e Carlos de Oliveira
Encontros: Alves Redol, Manuel da Fonseca e Carlos de Oliveira
COMUNICADO DE IMPRENSA
A Associação Portuguesa de Escritores vai realizar no próximo dia 24 de Outubro, no São Luiz Teatro Municipal, na Sala Jardim de Inverno, às 18h30, a sessão evocativa - ENCONTROS ALVES REDOL, MANUEL DA FONSECA e CARLOS DE OLIVEIRA
- Alves Redol (100 anos do nascimento), com João Tordo
- Manuel da Fonseca (100 anos do nascimento), com Afonso Cruz
- Carlos de Oliveira (30 anos do falecimento), com Gonçalo M. Tavares
Leitura de fragmentos das obras dos autores evocados por
Carmen Santos (participação especial)
e José Manuel Mendes
Muito agradecíamos a divulgação da notícia, bem como a presença de um representante desse Órgão de Comunicação Social.
A Direcção
______________________________ ________________________
( Tel | (+ 351) 21 39718 99
6 Fax | (+ 351) 21 397 23 41
+ Morada | Rua de S. Domingos à Lapa, 17
1200-832 Lisboa, Portugal
Postado por João Jorge Pereira dos Reis às 10:10
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Português: um nome, muitas línguas
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Português: um nome, muitas línguas
SUMÁRIO
PORTUGUÊS: UM NOME, MUITAS LÍNGUAS
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Carlos Alberto Faraco
PGM 1 - LÍNGUA PORTUGUESA: UM BREVE OLHAR SOBRE SUA HISTÓRIA
Carlos Alberto Faraco
PGM 2 - UMA LÍNGUA, MUITAS GENTES
Silvio Renato Jorge
PGM 3 - A DIVERSIDADE E A DESIGUALDADE LINGÜÍSTICA NO BRASIL
Dante Lucchesi
PGM 4 - VARIAÇÃO NO PORTUGUÊS FALADO E ESCRITO NO BRASIL
Ana Maria Stahl Zilles
PGM 5 - A DIVERSIDADE LINGÜÍSTICA DO BRASIL E A ESCOLA
Stella Maris Bortoni-Ricardo
TEXTO COMPLETO: Salto Para o Futuro, Ano XVIII, Boletim 08 - Maio de 2008, TV Escola
TEXTO COMPLETO: Salto Para o Futuro, Ano XVIII, Boletim 08 - Maio de 2008, TV Escola
Postado por João Jorge Pereira dos Reis às 20:00
Jeanne Pereira: «O galego é português e o português é galego»
da AGAL SE TRANSCREVE
Jeanne Pereira: «O galego é português e o português é galego»
«O pequeno império deixa claro que a Galiza é unha periferia de Madrid e não uma nação com identidade própria»
«Deixemos de lado esse discurso ultrapassado dito por muitos galegos de que o português se parece muito ao galego e mudemos para este: de que o galego é português e o português é galego»
Sexta, 21 Outubro 2011 08:18

Jeanne defende o galego como língua «extensa e útil»
PGL - Jeanne Pereira, brasilega, achava estranho o galego se escrever com ortografia castelhana e pensa que temos que ter a ousadia de dizer a verdade sobre a língua da Galiza. É uma magnífica embaixadora do nosso país e da nossa língua.
PGL: Jeanne Pereira é baiana. Que te motivou a vires para a Galiza e como sentiste a integração no nosso país?
Jeanne Pereira: Por questões pessoais necessitava sair do Brasil. Eu já sabia que aqui havia um idioma que era parecido ao português. Por que era exatamente o que pensava por ter pesquisado algo em relação a Galiza, à sua historia, em sites de pesquisas que nada tinham a ver com a realidade do país. Lembro bem que procurei saber da realidade política, e porque esse idioma 'parecido' ao meu. O que me chamou a atenção foi a ortografia, achava estranho um idioma com uma escrita igual ao espanhol, principalmente porque diziam ser 'parecido' ao português. E pensei como é possível?
PGL: Falando em integração, como foi o teu contato primeiro com o reintegracionismo?
JP: Através de José Alvaredo, que foi um pessoa muito especial que no seu momento se dedicou a mostrar a verdade em relação a realidade da Galiza. Uma pessoa que foi importante para que eu pudesse chegar à realidade sociolinguística. Era interessante o que ele fazia, era uma preocupação diária, ja que colocava como página principal o site da AGAL e Vieiros. Quando eu abria o computador, estavam ali, então lia e tirava as dúvidas com ele, mesmo quando chegava em casa cansado do trabalho, nunca se negou a explicar-me e dedicar todo o tempo possível para dar-me esclarecimentos com uma paixão pela Galiza, pelo nosso idioma em comum, que me contagiava.
Foi a primeira pessoa que me disse que...o português nasceu na Galiza. As dúvidas eram tiradas e muito bem esclarecidas ao ponto de me deixar mais curiosa. Inclusive a realidade política veio a través dele. O meu primeiro comentário sobre a língua foi em Vieiros, que passei a difundir a realidade do país através deste jornal.
O primeiro dicionário consultado foi o Estraviz. Comecei a comentar artigos em Vieiros para chegar a outros brasileiros que não conheciam a realidade da Galiza. Aproveito para agradecer todo o apoio dado por esse grande mestre que no seu momento, como disse, foi extremamente importante para mim. Um muito obrigada Zé! Sigo adiante e com muita força valorizando tudo que aprendi.
PGL: Estás a estudar galego, versão ILG-RAG, na EOI. Este formato de galego pode funcionar bem na interação com pessoas do Brasil e de Portugal?
JP: Não, pela ortografia, que é espanhola, que nada tem a ver com português. É uma norma isolacionista que foi imposta pelo Estado espanhol, já que a Galiza pertence ao Estado e o governo autonômico, em vez de aproximar o galego ao português, pretende aproximá-lo ao espanhol, diluindo assim a identidade galega. É uma estratégia política do pequeno império, uma forma de colonizar a população galega, separando o nosso idioma em comum. Inclusive alguns brasileiros dizem que é um galego 'feio', 'mal escrito'. É uma questão tanto da fala como da escrita. Existem vícios de linguagem que infelizmente são muito utilizados pelos/as galegos/as pela influência do espanhol, daí que os/as brasileiros/as se aproximem ao espanhol e não ao galego, já que o galego raguiano é um dialeto do espanhol, e vista como uma língua 'misturada' do espanhol.
PGL: Não sei se sabias que nas EOI existe a figura de língua ambiental, aquelas que a priori existem na sociedade onde está inserido o centro. Na Galiza são três, galego, português e castelhano. Isto facilitou o teu dia a dia, não é?
JP: Deixemos de lado esse discurso ultrapassado dito por muitos galegos de que o português se parece muito ao galego e de que um galego pode aprender português por ser parecido, e mudemos para este: que o galego é português e o português é galego. A prova é que o galego já está no dicionário da Porto Editora desde 2008 no vocabulário comum e breve nos dicionários brasileiros.
A facilidade de entendimento é grande desde quando se abra a mente para isso. Para mim sempre tem sido fácil porque não importa se falam comigo em espanhol, eu falo em galego-português, estou na Galiza, e isso tenho claro. Já escutei muita gente falarem para mim “Não te entendo”. Eu respondo, “pois deveria, estamos na Galiza, a língua do meu país nasceu aqui, temos inclusive um vocabulário comum.
Palavras que foram levadas daqui para o Brasil, que surgiram aqui”. Infelizmente, por questões de imposição do estado espanhol, não podemos usar a nossa língua nas traduções juramentadas. Por exemplo, um título universitário do Brasil, tem que ser traduzido ao espanhol e não à língua própria do país.
PGL: No Brasil existe um desconhecimento da Galiza e da sua língua. Qual a reação média de uma pessoal do Brasil quando descobre?
JP: Muitos galegos que visitam o Brasil, de férias, para estudar, os emigrantes que vivem ali uma boa parte não são vistos como galegos e sim espanhóis. Inclusive Santiago de Compostela é destino para quem está a aprender espanhol. O pequeno império deixa claro que a Galiza é unha periferia de Madrid e não uma nação com identidade própria. Escuto de muitos galegos como uma brasileira pode saber tanto da Galiza ao ponto de dizer que o português e o galego é o mesmo e que eles sendo galegos não sabem nada da realidade e alguns se aborrecem afirmando que tudo isso é uma mentira, que a história mostra claramente as diferenças nas duas línguas que é impossível serem um único idioma com variantes diferentes.
Sempre cito como exemplo muitos galegos que estiveram ali no Brasil e que muitos brasileiros perguntavam de que região faziam parte, ou até mesmo de que estado. Infelizmente a realidade da Galiza ainda é desconhecida no meu país, mas faço minhas as palavras do José Carlos da Silva, que diz: “Reclamo um maior conhecimento da realidade da Galiza no Brasil”.
Agora, o dia 6 de novembro estarei de volta a Salvador, mas levo comigo o compromisso de mostrar essa realidade, a de um país que possui um idioma em comum com o meu, e de que a sua língua nasceu aqui na Galiza. É com muito orgulho e muita gratidão por um país que aprendi a amar como sendo meu, um país que me acolheu, porque sempre deixo claro que fui acolhida pela Galiza e não pela Espanha, que lutarei para que esse conhecimento seja real no Brasil.

PGL: Achas que existem diferenças entre a cidadania galega na sua perceção do Brasil e da lusofonia em geral?
JP: Muitos galegos veem o Brasil como um destino turístico, não como um país com uma língua em comum. O Brasil ultimamente é visto por ser a sétima economia mundial e nos meios de comunicação aparece muito este facto, mais nada em relação questão da língua. O Brasil infelizmente não conhece essa realidade.
PGL: Certos círculos sociais em Santiago falam da figura do(a) brasilego(a), uma pessoa que vive na nossa língua cá na Galiza frente a atitude mais habitual de desenvolver-se em castelhano no dia a dia. É exportável esta forma de viver a outras cidades?
JP: Em Santiago sim, mais noutras cidades não porque a fala predominante é o espanhol. Em Santiago também depende do ambiente que frequente ou que esteja. Há lugares que inclusive falo o meu 'baianês' com uma rapidez como se estivesse em Salvador. Chego a mudar completamente o meu sotaque e falar com uma desenvoltura que as vezes não me dou conta que estou em Santiago.
PGL: Tu segues os passos da estratégia luso-brasileira para o galego. Que tipo de táticas achas mais produtivas e quais achas que se deveriam implementar para a cidadania galega viver o galego como sendo extenso e útil?
JP: Táticas temos muitas, inclusive as redes sociais, são meios de grande importância para divulgar a nossa realidade. Há que sensibilizar e ter muita valentia e ousadia no falar, na hora de dizer a verdade sobra a realidade o país, sobre o seu idioma próprio e cultura, afirmando com muita força que “Galiza não é Espanha”, e que isso fique bem claro, não tendo medo de falar a verdade em alto e bom som,para todo mundo ouvir.
O incentivo a leitura dos jornais na nossa língua, dando prioridade as publicações em galego-português, também nas redes sociais. Ao invés de estarmos publicando notícias de meios espanholistas, publicarmos noticias com o nosso idioma.
Aproveitar o momento político do Brasil pode ser algo importante, para mostrar que além de um país em crescimento com ofertas de emprego, para os galegos, há a vantagem de termos um idioma em comum, o que facilita muito no mercado de trabalho. A ousadia e a valentia de sempre dizer a verdade, sobre a realidade da Galiza, é importante. Já passou da hora de vencer todo esse auto-ódio que nos contamina de forma negativa, tirando a coragem e a força de muitos em falar a realidade e de lutar pelo seu país, livrando-se da colonização mental imposta pelo 'Reino de Espanha', por um pequeno Império fracassado, prepotente e complexado, em que infelizmente a Galiza tem sofrido por estar sendo Desgovernada por um partido que em nada representa o país, levando a Galiza ao retraso.

PGL: Que visão tinhas da AGAL, que te motivou a te associares e que esperas da associação?
JP: A nossa língua é extensa e útil, a nossa língua é internacional, e a AGAL cumpre perfeitamente esse papel como representante do nosso idioma, com muita seriedade e responsabilidade divulgando de forma séria o seu trabalho em prol da nossa língua e da realidade sócio-linguística do país. Levando ao conhecimento inclusive a nível internacional. Parabenizo a associação pelo grande trabalho que vem sendo realizado nesses 30 anos de existência, mostrando a internacionalidade da nossa língua em comum. Espero sempre o melhor e que esse trabalho cresça e continue recebendo todo o apoio merecido para dar continuidade a divulgação da nossa língua.
PGL: Como vai ser o Brasil do futuro?
JP: Espero que seja um país com menos desigualdade social, investindo em políticas sociais, fortalecendo a saúde pública como direitos de todos, com qualidade. Que o presidente ou presidenta que ali esteja, chegue a ONU, um dia no seu discurso, reivindicando e reconhecendo a liberdade e soberania de muitas nações como a Galiza.
Conhecendo Jeanne Pereira
- Um sítio web: são vários, principalmente os relacionados a política e escritos no nosso idioma em comum. Por exemplo, leio todos os dias a revista Carta Maior.
- Um invento: o que traga beneficio à humanidade
- Uma música: Apesar de Você (Chico Buarque)
- Um livro: O Golpe de 64 e a Ditadura Militar, de Júlio José Chiavenato. Esse livro foi uma grande referência para mim, a nível político e um grande presente dado por meu pai, quando tinha apenas 15 anos de idade.
- Um facto histórico: a independência da Galiza
- Um prato na mesa: um caruru completo (comida baiana)
- Um desporto: Fórmula 1
- Um filme: O auto da compadecida, de Ariano Suassuna.
- Uma maravilha: a descoberta da vacina contra o vírus da Sida
- Além de brasileira: brasilega
Subscrever:
Mensagens (Atom)












Comentários
Carlos
Subscreva o RSS dos comentários