sábado, 26 de novembro de 2011

Galegos no Brasil


escreve a associada Isabel Rei
Misturando isto com o tema Galiza-Brasil, achei este artigo na rede, muito interessante:

http://ecodepontecaldelas.wordpress.com/2010/03/31/canto-galego-os-galegos-no-brasil/

é uma reportagem publicada no Correio da Bahia em 2004.

Colo um parágrafo da última parte:

Hospital espanhol

Àquela época, já existia a Real Sociedade Espanhola, fundada em 1º de janeiro de 1885. "Naquele período havia muitas dificuldades de assistência à saúde. Por isso, os espanhóis mais abastados que já estavam aqui resolveram fundar um hospital para acolher melhor os que chegavam e, ao mesmo tempo, para assegurar assistência à própria família", esclarece o atual presidente do Hospital Espanhol, Roberto Cál Almeida. A primeira sede estava situada no Campo da Pólvora e a entidade prestava somente assistência domiciliar. As necessidades foram crescendo e 12 anos depois os galegos compraram um terreno na Barra para erguer o prédio onde hoje está situado o Hospital Espanhol. Segundo relatos, foi com grande dificuldade que os sócios conseguiram reunir 40 contos e cinco mil réis para a compra do terreno. Com o dinheiro no caixa, havia ainda outra barreira a vencer: o proprietário do terreno exigia um comprador português para o patrimônio. Sendo assim, convocaram um português para ser o representante laranja da colônia espanhola no leilão onde o terreno seria oferecido. Com a compra efetivada, não tardou para ser iniciada a construção de 14 quartos para internamento dos associados. Desde o início, os princípios foram baseados nos traços marcantes da cultura espanhola, prezando o culto ao trabalho, à família e às instituições e oferecendo outros serviços além do hospitalar. A Sociedade Espanhola dava auxílio financeiro, pensões, funerais, passagens para a Galícia e havia ainda a demanda daqueles que necessitavam de repatriação, por vários motivos, principalmente quando contraíam uma moléstia incurável. O amor à terra natal era tão grande, que, na iminência da morte, sentiam a necessidade de retornar para morrer junto aos seus. Com o tempo, o local foi ficando pequeno para atender às necessidades e novas reformas eram empreendidas. Mais de um século depois, o hospital é referência na capital baiana e dispõe de 205 leitos.


Sempre conhecidos como espanhóis no âmbito lusófono... Demasiado orgulhosos e sempre saudosos da terra e dos costumes, da comida, das paisagens de aqui. Gente estranha, os galegos, que se adaptam mas não se adaptam nunca fora da casa.

Porém, continuo sem entender uma cousa da emigração galega, como é possível que escrevam algo como isto (tirado tb. do artigo anterior):

"A terra é verde, as casas son de pedra eterna, mentres os pequenos ríos regan todas as lembranzas e todos os adeuses e todas as palabras nunca ditas. Entre tanto a chuvia e o ceo gris auguran novas saudades. Fillos que parten, nais que choran ausências e futuros incertos. Em Fornelos, como noutras vilas dos arredores de Pontevedra, os mozos partían a novos mundos. Alguns soñaban co nosso Portugal tan querido e tan achegado, outros arelaban chegar à Bahia de Todos os Santos. Todos fuxíam da fame e dun futuro que em Galiza estaba prohibido"
(Lóis Pérez Leira – Galegos na Bahia de Todos os Santos)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

os espanhóis e Olivença


 

POLÉMICA SOBRE LA RECREACIÓN DE LA GUERRA DE LAS NARANJAS

"No interesa una batalla encima de las tumbas de nuestros antepasados"

 

El alcalde de Elvas pide "reflexión" al de Olivenza y advierte que, si se realiza, habrá una manifestación en contra
25.11.11 - 21:25 - 
En Tuenti
José Antonio Rondao Almeida, alcalde de Elvas. / BEATRIZ CASILLAS
La Guerra de las Naranjas, un breve conflicto bélico que enfrentó a España con Portugal en 1801, vuelve a ser noticia 210 años después al plantearse la posible recreación de este momento de la historia, al estilo de la Batalla de La Albuera o la de Arroyomolinos.
La obra teatral pretende narrar el episodio histórico en el que España se anexiona Olivenza, población que hasta entonces había sido portuguesa.
Según explica el alcalde de Olivenza, Bernardino Píriz, la idea es organizar una feria hispano-lusa el primer fin de semana de junio de 2012. Además de la obra de teatro, la cita incluirá un mercado gastronómico, en el que estarán representados ambos países.
Aunque el alcalde extremeño ha aclarado que el texto que se utilizará durante la representación teatral, dirigida por Isidro Leyva, "está escrito para sanar heridas y no para abrirlas", el alcalde de Elvas, José Antonio Rondao Almeida, opina que ?no es interesante realizar la réplica de una batalla encima de las tumbas de nuestros antepasados".
Rondao advierte que representar una batalla de estas características movilizará en contra al grupo 'Amigos de Olivenza', colectivo luso que reivindica la devolución del pueblo extremeño a Portugal, y dará pie a una manifestación en contra y ?a que ocurra algo no tan agradable?. El propio alcalde portugués avisa que él también se sumará a la protesta.
Rondao Almeida, que se ha sentido molesto por que el alcalde oliventino no consultase dicha actividad, le pide ?que tenga un momento de reflexión y que recuerde que el pueblo de Olivenza desciende precisamente de todos aquellos que estuvieron en aquella guerra. ?
Por otra parte, el alcalde elvense, convencido de que los portugueses no actuarán en la obra, asegura haber hablado con los alcaldes de Campo Mayor y Vila Viciosa.
Según Rondao, Bernardino Piriz estaría mintiendo al decir que había llegado a un acuerdo con ellos.
La opinión del regidor elvense no es compartida por todos los vecinos del municipio. Algunos habitantes consultados por HOY apoyan cualquier recreación que suponga recuperar la historia, aunque reconocen también desconocer a fondo lo ocurrido en la Guerra de las Naranjas. Como es el caso de Francisco Dores, que se muestra encantado de que se represente un capítulo de la historia. ?Es algo acertado, ya que somos como hermanos?.
¿Cómo empezó la polémica?
El primer debate comenzó en las páginas de HOY con una carta al director de Antonio Joao Teixeira Marques, vecino de la ciudad portuguesa de Almada, que mostraba su extrañeza por la recreación de la Guerra de las Naranjas. Resulta extraño, afirmaba, que "sean los oliventinos los que promuevan la celebración" de un conflicto central de su historia. Trágico para los que lo vivieron, en el que sufrieron sus antepasados.
La polémica ha continuado en las páginas de HOY. Antonio Ferrera Fernández, vecino oliventino, recordó en su carta al director que, en las últimas tres décadas, Olivenza ha tratado de establecer puentes con el país vecino, del que presume de su pasado, de la dualidad cultural y de su patrimonio canalizando esta singularidad hacia la potenciación del turismo.
Ferrera argumenta que representar la Guerra de las Naranjas no es didáctico y será una ofensa para los portugueses. Además, opina que detrás de todo esto, parece estar "el deseo de enarbolar la bandera del patriotismo, de la conquista".
El oliventino, que tacha de disparate la idea, valora que en una guerra se violan los derechos humanos y se atenta contra la vida de las personas. Y considera que la actividad solo consistirá en representar la vida de aquellos familiares "que vivieron hace 200 años acosados, perseguidos y humillados".
También se han mostrado contrarios a la recreación de la Guerra de las Naranjas los exalcaldes de Olivenza, Ramón Rocha y Manuel Cayado, quienes afirmaron que podría resultar una ofensa gratuita a los portugueses, y afectar a las relaciones entre Olivenza y Portugal.
José Rondao Almeida también dejó clara su postura a través de una carta al director de HOY. En ella mostraba su sorpresa por el proyecto del Ayuntamiento oliventino y advertía que la recreación sólo serviría para reavivar un episodio histórico "que ensombrece las relaciones diplomáticas entre Portugal y España".Citando chrys gmail d <drchryschrystello@gmail.com>:

Malaca povos cruzados



                 NOTICIA PUBLICADA PELO CLUBE RAIZES

Malaca 500 anos – Portugal ao longe | Clube Raízes
 

Malaca 500 anos – Portugal ao longe


(Photography by: Antony D’Cruz)
Comemoram-se este ano os 500 anos da conquista da cidade – entreposto comercial – de Malaca,
na Malásia, pelas forças portuguesas, comandadas por Afonso de Albuquerque.
Malaca, do outro lado do mundo, no continente asiático, apesar da grande distância a que se encontra de Portugal,
mantém uma comunidade de origem portuguesa que tenta manter vivas as raízes lá deixadas desde o século XVI.
É grande o amor que esta comunidade nutre por Portugal, traduzido na manutenção dos nomes portugueses,
comuns na maior parte destas famílias, e de mostrar aos outros, através das canções e das danças de influência lusa,
da prática do catolicismo, da transmissão familiar da língua portuguesa localmente falada, preservada desde o tempo
de Albuquerque. A origem portuguesa é, para esta comunidade, um orgulho que pretendem manter. As
comemorações tiveram o seu ponto alto nos finais de Outubro, com atividades diversas onde prevaleceu a ligação
histórica, cultural e religiosa a Portugal. Nelas esteve presente o Cónego António Rego, que além de participar na
missa, ofereceu à comunidade uma imagem da padroeira de Portugal, Nossa Senhora da Conceição. Reproduzimos
aqui as palavras de António Rego sobre a sua participação nas comemorações em Malaca, publicadas no site da Agência
Ecclesia e também no semanário figueirense ”O Dever”, de 10 de novembro.

Portugal ao longe

Mesmo sem se entender a língua, ou falando um português do tempo de Afonso de Albuquerque, há

um povo que aí encontra a sua identidade, a venera, reza e ama com um enternecimento comovedor

500 anos não são nada na história. Andar 12 mil quilómetros de avião aos
solavancos, chegar a um lugar, ver uma pequena fortaleza, dois barquinhos a percorrer a cidade como se fossem duas
imagens de santos, os jovens numa correria para os acompanharem, alguns mais tisnados, junto ao mar a cantar melodias
portuguesas tão distantes do original nas palavras como nas melodias, as casas marcadas por uma cruz, o bairro conhecido
tanto como português, como cristão, faz, a quem chega, ainda que não seja pela primeira vez, estremecer de emoção por
o povo a que pertence ser o mesmo que ali vive naquele bairro simples de pescadores. Não sabem o nome do presidente
da República nem do Cardeal-Patriarca de Lisboa, mas sentem-se transportados a uma origem que sendo, para um
recém-chegado igual ao resto do povo de Malaca, traz um registo indefinido de fé e portugalidade próximos e naturais sem
a mais pequena discussão sobre o laicismo, separação de poderes, profano e sagrado, passado e presente. Sabe-se que,
mesmo sem se entender a língua, ou falando um português do tempo de Afonso de Albuquerque, há um povo que aí
encontra a sua identidade, a venera, reza e ama com um enternecimento comovedor. Expliquei que a imagem de Nossa
Senhora de Fátima é a mais conhecida do mundo. Mas a que os portugueses agora lhes ofereceram é de Nossa Senhora
da Conceição, foi coroada por um rei português e é a nossa padroeira. Foi um grupo de quinze jovens portugueses do
ensino superior que levou o bandolim, a guitarra, o traje, a voz, um sorriso doce com um imenso respeito e dignidade,
que acordou no coração dos presentes não apenas uma casa portuguesa, mas um povo lá dentro, com uma identidade
para além do fado. “Aqui sou mais do que eu”, diria Pessoa. E nada disto foi de organização burocrática. Aconteceu pela
sensibilidade de quem cá passou e se apercebeu que por vezes, quanto mais longe se está mais se ama Portugal. E a fé
que o integrou e integra, mudados os tempos e as vontades.
António Rego
e veja também:
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=87938

OLIVENÇA FESTEJA DERROTAS


de CARLOS LUNA
TRADUÇÃO EM PORTUGUÊS
Jornal "Hoy", BADAJOZ, 21-Novembro de 2011
OLIVENÇA FESTEJA DERROTAS
21-11--2011 -01:34-J.R. Alonso de la Torre
TRADUÇÃO EM PORTUGUÊS
Olivença vai celebrar (festejar) a Guerra das Laranjas (de 1801)
com uma grande representação teatral/histórica do acontecimento.
Suponho que haverá, na representação, soldados espanhóis que ataquem a
fortaleza, cidadãos oliventinos que a defendam, sejam soldados, sejam
civis, e no final haverá a conquista espanhola, talvez com algumas
cenas de saques e roubos se se quer ser fiel ao que sucedia nas
guerras de antanho, e depois celebrar-se-á, ou melhor, realizar-se-á
algum evento gastronómico para festejar a data. A celebração tem que
se lhe diga, e acarreta tudo isto. Os oliventinos celebram o facto de
terem sido conquistados e derrotados, algo impensável noutras cidades,
que costumam celebrar as suas vitórias e triunfos, e nunca as suas
derrotas. Esta "Macrorrepresentação da Guerra das Laranjas" está a
fazer surgir muitos protestos localizados em Portugal, ainda que o que
mais se detaca seja a esquizofrenia que ressalta do facto de se
celebrar o facto de os teus antepassados terem sido atacados por um
exército inimigo, ainda que tu agora sejas parte do país que te
conquistou e estejas encantado com ele.. Só conheço um caso parecido
na Extremadura, trata-se da chamada Torre de Buiaco, de Cáceres, assim
chamada em honra do chefe árabe Abu Jacob que atacou nessa torre os
últimos cavaleiros de Cáceres numa das várias reconquistas da cidade.
Ainda que nesse caso possa haver um trocadilho ou um mal-entendido e
ter recebido o nome de Buiaco em honra de um "boneco" que ali havia..
Seria mais lógico, pois que a ninguém passa pela cabeça dar a uma
torre o nome de um chefe que matou os teus (conterrâneos).A ninguém,
salvo aos oliventinos que tiveram a ideia de celebrar a guerra que
os derrotou e festejar a conquista que acabou com tantos dos seus
antepassados

ORIGINAL EM LÍNGUA CASTELHANA
"HOY", 21-Novembro-2011
OLIVENZA CELEBRA DERROTAS
21.11.11 - 01:34 - J. R. ALONSO DE LA TORRE |
Olivenza van a celebrar la Guerra de las Naranjas con una gran
representación del acontecimiento. Supongo que habrá soldados
españoles que ataquen la fortaleza, ciudadanos oliventinos que la
defiendan, sean soldados, sean civiles, y al final habrá conquista
española, quizás algún saqueo si se quiere ser fieles a las guerras de
antaño y después se celebrará algún evento gastronómico para festejar
la fecha. La celebración se las trae. Los oliventinos celebran que
fueron conquistados y derrotados, algo impensable en otras ciudades,
que suelen celebrar sus victorias y triunfos, nunca sus derrotas. Esta
'Macrorrepresentación de la Guerra de las Naranjas' está levantando
muchas ampollas en Portugal, aunque lo más destacable es la
esquizofrenia que supone celebrar que a tus antepasados se los cargó
un ejército enemigo, aunque tú ahora formes parte del país que te
conquistó y estés encantado de ello. Solo conozco un caso parecido en
Extremadura, se trata de la llamada Torre de Bujaco de Cáceres,
nombrada así en honor del caudillo árabe Abu Jacob, que se cargó en
esa torre a los últimos caballeros cacereños en una de las varias
reconquistas de la ciudad. Aunque en ese caso pudiera haber truco y
llamarse de Bujaco en honor a un 'muñeco' que en ella había. Sería más
lógico pues a nadie se le ocurre ponerle a una torre el nombre del
caudillo que mató a los tuyos. A nadie salvo a los oliventinos, que
han tenido la idea de festejar la guerra que los derrotó y celebrar la
conquista que acabó con tantos de sus antepasados.

OLIVENÇA

CARLOS LUNA JÁ ESTEVE NOS COLÓQUIOS D ALUSOFONIA



"Como é possível o caso de Olivença ser tão ignorado em Portugal? Como é possível que os sucessivos governos do País, desde o princípio do século XIX, nunca tenham reivindicado de forma categórica um território que à luz do Direito Internacional, lhe pertence?

Carlos Luna: - Muitos portugueses nem conhecem a sua História, mas o mais grave é que Portugal se acha tão mau, tão mau, que nem reivindica o que é seu de direito. Em 20 de Maio de 1801, Olivença foi ocupada por Espanha. Curiosamente, foi em 20 de Maio de 2002, que Timor dia da independência de Timor….

O empenhamento que se pôs na causa de Timor, devia ter sido posto na causa de Olivença?

Acho que sim.

Como começou esta sua luta?

Por volta de 1986 lembrei-me de ir à terra de que muito se falava, gostei do que vi mas detestei a profunda desinformação que reina em Olivença entre a população que não tem culpa nenhuma. As autoridades espanholas mascararam e esconderam a verdadeira realidade histórica ao povo de Olivença, fazendo-os acreditar em mitos absurdos, ofensivos e chauvinistas em relação a Portugal e à sua História.

Mesmo depois de 1975, da democratização?

É verdade. Acho inacreditável que uma Espanha democrática continue a ensinar a um povo um passado que não é o seu. Embora parte da culpa de não haver uma definição no caso de Olivença também resida no povo português.

No povo e sobretudo nos sucessivos governos…

Sou essencialmente um lutador pela positiva e há alguns argumentos que eu detesto, os portugueses têm um desprezo tal por si próprios que é quase impossível de explicar. A luta pelo caso de Olivença tem muitas semelhanças com a contenda sobre Gibraltar. Neste caso, os espanhóis insistem ser uma questão de justiça e tratam-no de maneira muito diferente do que acontece com a localidade próxima de Portugal. Aproveitam todas as oportunidades para resolver, ou pelo menos debater, a questão de Gibraltar. Em contrapartida, o Estado Português não fala em Olivença, é quase uma posição clandestina

TÍTULOS INESQUECÍVEIS

de dialogos lusofonos

TÍTULOS INESQUECÍVEIS

Preciosidades & barbaridades

Por Humberto Werneck em 22/11/2011 na edição 669
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 20/11/2011; intertítulos do OI
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Bolar um bom título, capaz de fisgar o leitor e docemente obrigá-lo a ler a matéria, costuma ser um tormento para jornalistas. A isso se deve, aliás, parte dos cabelos brancos na cabeça do sujeito que se vê na foto acima. Colecionar títulos, porém, pode ser um prazer, e, para quem é obrigado a fazê-los, um consolo.
No ofício há um bocado de tempo, vi engordar uma coleção formada por preciosidades e por barbaridades (nenhuma delas, vou avisando, de minha autoria). Quanto a estas, meu colega e amigo Carlos Brickmann bem podia reunir em livro as antipérolas que há anos vem publicando em sua coluna semanal no site Observatório da Imprensa.

Eu poderia falar de títulos felizes – como este de Guilherme Cunha Pinto no Jornal da Tarde: “Morreu Picasso – se é que Picasso morre”. Ou aquele outro, de Marco Antônio Lopes na Playboy, para uma reportagem sobre atores de filmes pornô: “Gente que faz”. Ou, ainda, o de Fernando Paiva, incumbido, na redação da Elle, de botar título num artigo sobre o palpitante tema da... farinha de trigo. Eu estava lá e vi nascer a preciosidade: “A joia do trigo”.

Enigma perene

Mais alguns? 

Vamos lá. No Jornal da Tarde dos primeiros tempos, em reportagem sobre se ainda havia quem acreditasse no chamado Bom Velhinho, o afiado redator Carmo Chagas cravou esta maravilha: “Papai Noel existe. Está até morrendo.” Na IstoÉ, nos anos 80, um disco supostamente repetitivo foi avaliado como “Déjà-Lee”. “Cuidado, tinta fresca”, advertiu Cassiano Elek Machado no topo de reportagem da piauí sobre falsificação de quadros a óleo. Em 1970, no primeiro número da inesquecível Bondinho, revista recheada de estimulantes ousadias jornalísticas e comportamentais, um título conseguiu descrever a sensação vertiginosa de escorregar num brinquedo que era então novidade: “Tobogã, lá vou eu sem mim”. No dia em que a seleção brasileira enfrentaria em casa um adversário vindo do outro lado do mundo, o Correio Braziliense recomendou: “Abre o olho, japonês!” Ante a inesperada derrota, foi preciso ajoelhar no milho na edição seguinte: “Japonês abriu o olho”.

A lista de bons títulos, benza Deus, é extensa – mas desconfio de que você gostaria mais de visitar a outra ala da coleção, a das barbaridades. Inclui clássicos manjados como “Cachorro fez mal à moça”, sobre a senhorita que baixou no hospital depois de comer um cachorro-quente vencido, ou “Violada no auditório”, sobre a célebre noite de 1967 em que, num festival de música, Sérgio Ricardo arremessou o violão na plateia que o vaiava.
Feliz ou infelizmente, há muito mais nessa divertida galeria de horrores jornalísticos. Me lembro de ter lido na capa de um suplemento agrícola: “O porco, esse desconhecido”. Como não li a matéria, pois o título já me bastou, nosso irmão suíno continua a ser, para mim, um enigma que grunhe.
Pé esmagado
Na minha adolescência belorizontina, saiu notícia num jornal de Minas sobre a doença que mataria um dos maiores romancistas brasileiros. O título, em uma coluna, empilhava cinco palavras, e uma delas, por acidente ou dolo, mudou de lugar, daí resultando um desastre que, de quebra, lançou dúvida sobre a natureza da enfermidade: “José Lins enfermo do Rego”. O mesmo jornal, anos mais tarde, ao informar sobre o estado de saúde do homem forte da então Iugoslávia, saiu-se com esta: “Morte de Tito é questão de tempo”.
“Quando menos se espera, chega o Natal”, anunciou um jornal de que já não me lembro. Numa chamada de capa sobre Caetano Veloso e o carnaval, o redator da revista Visão Espírita não teve dúvida: “Atrás do trio elétrico também vai quem já ‘morreu’”. No alto de uma entrevista com a escritora lésbica Cassandra Rios, por muito tempo vítima da censura, a revista TPM lascou: “A perseguida”. Nos anos 90, a imprensa de São Paulo serviu ao leitor bizarrias como “Fala entre sexos é dificultada pelo cérebro”; “Sanguessuga cruza em hipopótamo”; “Sexo reduz expectativa de vida de verme”; “Pássaro tem pênis falso e é o único a ter orgasmo”.

Minha barbaridade predileta, porém, foi obra do falecido Notícias Populares, por ocasião do acidente em que Nelson Piquet teve um pé esmagado. Para reconstituí-lo, os médicos usaram tecido retirado das nádegas do piloto. Você adivinhou: “Piquet dá a bunda para não perder o pé”.
 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

camões

repasso de diálogos lusófonos - muito apropriado a esta fase mundial ---

SETE ANOS DE PASTOR

Sete anos de pastor Jacob servia
A Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

Luiz Vaz de Camões

africanos do Brasil

de diálogos lusófonos
Livros a conhecer sobre os africanos no Brasil

Jaime Rodrigues, De costa a costa: escravos, marinheiros e intermediários do tráfico negreiro de Angola ao Rio de Janeiro (1780-1860), São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
Resenha de Marina de Mello e Souza (Almanack Brasiliense, mai 2006)

Marcelo Mac Cord, O rosário de D. Antônio: irmandades negras, alianças e conflitos na história social do Recife (1848-1872), Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2005.
Resenha de Severino Vicente da Silva (Revista Eletrônica Cadernos de Olinda, Julho 2008)

Silvia Hunold Lara: Legislação sobre escravos africanos na América portuguesa. José Andrés-Gallego (coord.), Nuevas Aportaciones a la Historia Jurídica de Iberoamérica, Colección Proyectos Históricos Tavera, Madrid, 2000.
Resenha de Keila Grinberg (Tempo, n.17)

 Robert Wayne Andrew Slenes, Na senzala uma flor: Esperanças e Recordações na Formação da Família Escrava (Brasil Sudeste, Século XIX), Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999.
Resenha de João José Reis
Resenha de Douglas Libby(Folha de São Paulo, 10/06/2000)
Resenha de Haroldo Ceravolo Sereza / Entrevista com Prof. Slenes (Folha de São Paulo, 12/02/2000)
Resenha de Ênio José da Costa Brito(PUCCviva Revista, out 2001) 
Resenha de Elsa Capron(Cahiers du Brésil Contemporain, n.53/54, 2003)

Silvia Hunold Lara, Fragmentos Setencentistas: Escravidão, cultura e poder na América portuguesa, São Paulo, Companhia das Letras, 2007.
Resenha de Marcia Mendes de Almeida (Carta Capital, Outubro 2007)
Resenha de Walter Fraga Filho (Revista de História da Biblioteca Nacional, Novembro 2007)
Resenha de Nelson Mendes Cantarino (Almanack Braziliense/Portal de Revistas da USP, Maio 2008)
Resenha de Anderson José Machado de Oliveira (História, Ciências, Saúde - Manguinhos, Rio de Janeiro, Dezembro 2008)

João José Reis, Domingos Sobré: Um Sacerdote Africano, São Paulo, Companhia das Letras, 2008.
Resenha de Sylvia Colombo (Folha de São Paulo, Setembro 2008)
Resenha de Mary Del Priore (O Globo, Novembro 2008)


A PALAVRA



"Manuel Maria
 
(Outeiro de Rei, 1929 — Corunha,  2004)
 
A PALAVRA
 
 
Nós, de verdade, unicamente temos
 
a palavra. Só a palavra verdadeira
 
pode traduzir a fecha
 
e insondável soidade do nosso ser.
 
Só a palavra. A própria.
 
A que pertence à nossa língua.
 
A que amamos. A que usa,
 
conhece e reconhece a nossa gente.
 
Sem a palavra seria a pobreza,
 
a miséria total, a impotência
 
a escuridade e o nom ser.
 
Mas hai quem manipula, força,
 
retorce, desfai e prostitui
 
o autêntico senso da palavra.
 
Hai quem mente. E ainda hai
 
o frio, feroz assassino da palavra".
 
(A Luz Ressuscitada_. Corunha: Associaçom Galega da Língua. Carta-Prefácio e edição de António Gil)"

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

açoriano que iletrado até aos 96 anos publicou um livro aos 98 anos...


Illiterate until the age of 96, 98 year-old man writes first book 

pedimos desculpa por não traduzir mas não resistimos a publicar aqui a história do açoriano que iletrado até aos 96 anos publicou um livro aos 98 anos...

Illiterate until the age of 96, 98 year-old man writes first book

A 98-year-old man from Connecticut just wrote his first book. More remarkable, he was illiterateuntil he was 96.
James Arruda Henry, a retired lobster fisherman, recently completed a 29-chapter, short story account of his life, titled "In a Fisherman's Language."
Henry's father made him quit school in the third grade so that he could work odd jobs. Throughout his long life, he worked as a captain, a boxer, a carpenter and a plumber, all the while covering up his illiteracy from family and friends.
It wasn't until he arrived at Academy Point, a seniors' home in Mystic, Connecticut, that his illiteracy became apparent.
"Inspired by a book written by a 98-year-old man who had also lived without literacy, James began quietly practicing his own signature at the dining room table and went on to hand write his first book. From his earliest recollections of his grandfather's farm in the Azores to a snippet of his daily life today, James shows how a life powered by commitment, hard work and determination can redefine a person at any age," states the book's official site.
Until then, he couldn't even sign his name. Today, "he's signing his books."
"It's almost impossible to believe the way I feel. I'm the happiest man in the world," he told CNN.
"I feel so good about doing this. I don't know what to do or what to say," the nonagenarian said at a recent book signing. "I feel like I was just born."