domingo, 6 de novembro de 2011

Dia Nacional da Língua Portuguesa


sábado, 5 de novembro de 2011

Lei nº 11.310/06 institui o Dia Nacional da Língua Portuguesa

Institui o Dia Nacional da Língua Portuguesa.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o É instituído o Dia Nacional da Língua Portuguesa a ser celebrado anualmente no dia 5 de novembro, em todo o território nacional.

Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 12 de junho de 2006; 185o da Independência e 118o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Fernando Haddad
João Luiz Silva Ferreira

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 13.6.2006

sábado, 5 de novembro de 2011

Português é língua oficial da maçonaria regular

in DIALOGOS LUSOFONOS


Ou seja, nas próximas reuniões internacionais, os maçons da lusofonia já não terão de falar em Inglês ou na língua do país anfitrião do encontro.

O elevado número de maçons que já falam a língua portuguesa foi um dos argumentos que levou a que o Português passasse a ser língua oficial da maçonaria regular.
Esta decisão foi tomada na 11.ª Conferência Mundial dos maçons regulares, que se realizou em Cartagena de Indias (Colômbia), em Maio.
Na reunião, onde estiveram os grão-mestres de 70 países, José Moreno diz que foi visível o peso que a lusofonia tem no mundo.
 
A Maçonaria está a instalar-se em força nos países lusófonos. A Grande Loja Legal de Portugal (GLLP), a maçonaria regular, já tem lojas em todos os países e territórios onde se fala a língua portuguesa.
Angola é o país onde se verifica maior crescimento, existindo neste momento três lojas da GLLP, com um total de 150 maçons – adiantou ao SOL o grão-mestre da maçonaria regular, José Moreno.
O mesmo crescimento verifica-se em Cabo Verde, onde a GLLP já tem duas lojas. Timor, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Macau têm, cada um, uma loja maçónica. A última a ser constituída foi a de Macau, no passado mês de Junho: «Fui a Macau consagrar essa loja», refere José Moreno, acrescentando que só neste território haverá maçons da outra maçonaria, a irregular. «Nos outros não há. Só há maçonaria regular», garante.
Já no Brasil e em Moçambique o peso da maçonaria é tal que a organização foi autonomizada da portuguesa. «Nestes países, já há a Grande Loja Legal do Brasil e a Grande Loja Legal de Moçambique», explica José Moreno, acrescentando que no território brasileiro «há milhões de maçons».
Moçambique, por seu lado, obteve a sua ‘independência’ há dois anos, tendo na altura três lojas e 200 membros.
Ou seja, nestes dois países a maçonaria regular não depende da portuguesa: têm um grão-mestre próprio e são reconhecidas internacionalmente. As outras, isto é, a de Angola e dos restantes países, pertencem à Grande Loja Legal de Portugal, sendo o grão-mestre José Moreno.
Angola com novos membros 'do topo'
Mas, segundo José Moreno, os angolanos deverão ser os próximos a ter uma maçonaria própria. «Julgo que dentro de dois anos teremos condições de a autonomizar, isto é, de a consagrar como uma Grande Loja Legal de Angola, reconhecida internacionalmente» – revela o grão-mestre da GLLP, adiantando que, para isso, é necessário que se cumpram alguns requisitos, como o de ter no mínimo três lojas (o que já sucede) e respeitar-se as normas de funcionamento. «As lojas têm de ser observadas durante algum tempo, para se verificar se cumprem e se trabalham bem», esclarece o grão-mestre.
A propósito, José Moreno acredita que, nos próximos anos, a maçonaria vai «crescer mais em Angola, tendo em conta a qualidade dos membros que estão a aderir, que são pessoas do topo». Aliás, duas das três lojas que existem actualmente foram criadas no último ano.
 
FONTE: SOL



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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Galiza Livre publica entrevista ao professor Estraviz


04/11/11

Isaac Alonso Estraviz: “Os inimigos da Galiza são, infelizmente, os próprios galegos”

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Redaçom/ Isaac Alonso Estaviz é alguém que nom necessita apresentaçom no reintegracionismo e galeguismo em geral. No vindouro sábado a AGAL renderá-lhe homenagem, a ele mais a José-Martinho Montero Santalha, com motivo do 30º Aniversário da associaçom. Quigemos falar com ele para a ocasiom. Aqui vos deixamos umha alargada entrevista na que recorda a sua infância marcada pola proibiçom de empregar o galego, nos adianta a próxima publicaçom d o seu Dicionário em papel e adatado ao Acordo Ortográfico, ou recorda o fulcral papel da delegaçom galega nas reunions do Acordo Ortográfico do Rio de Janeiro.

Os começos do reintegracionismo e a Igreja 
  
Fale-nos um pouco da sua infância e juventude, quando começou a tomar consciência de viver num país oprimido com umha língua silenciada que brilhara no passado? 

A minha infância passei-a em Vila Seca até aos doce anos. Com doce anos entrei como oblato no mosteiro de Usseira, como estudante dos primeiros cursos de bacharelato. Ali, como noutros lugares, estava proibido falar galego. A alienação foi tal que cheguei a me confessar de ter quebrantado essa norma. Para ser mais eficaz a proibição cada um de nós convertia-se em polícia do outro. Para isso estava em uso o emprego de uma “cadela” (moeda) de jeito que a aquele que lhe escapava uma palavra galega era-lhe entregue essa moeda. À noite, ao nos ir deitar, o que tinha a cadela enquanto os outros se deitavam e começavam a ressonar, ele ficava de joelhos e braços em cruz até que os encargados davam por terminado o castigo. Por isso, nas horas anteriores cada um procurava entregar-lhe a moeda a outro, servindo-se das mais estranhas estratagemas: beliscá-lo, fazer-lhe uma cambadela, para provocar a fala espontânea, que era sempre o galego. Depois fugias dele como de uma peste.
Em 1952, com 17 anos, rebelei-me e prometi nunca mais falar castelhano. Isto relato-o num conto “Ai, os curas mãe que os pariu”, que Fraga impediu a sua publicação na revista GRIAL. No 1957 celebramos a onomástica do Prior do mosteiro e fizemos tudo em galego: obra teatral de “O Tio Mingos” de Prado Lameiro, cantos... Em 1959 fiz em galego o primeiro recordatório da primeira missa. O conhecimento da literatura medieval é muito posterior, pois na biblioteca só havia alguns livros: Catecismo do Labrego, Espiñas, follas e flores, Cantares e pouco mais.

Você tem a honra de ter escrito o primeiro texto no que depois se chamaria norma AGAL, aquela carta datada em Lisboa que lhe enviou ao seu amigo José-Martinho Montero Santalha lá polo 6 de setembro de 1978. Como recorda aqueles tempos nos que reintegracionismo contemporâneo botava a andar?

Atualmente, lembro-os com muita nostalgia, porque naquela altura era um fervedeiro de gentes por todas as partes que reivindicavam a nossa cultura e a nossa língua e todos procurávamos a escrita ajeitada, ainda que as perspectivas fossem um bocado diferentes. Tinha fé num triunfo a curto prazo e de que os papeis das duas línguas iam mudar radicalmente. Ainda hoje continuo a acreditar, mas já não com aquele entusiasmo.

O “Manifesto dos 13 de Roma”, o trabalho de traduçom dos “Irmandinhos” do que você fazia parte… estavam protagonizados por gente relacionada com a Igreja. Pensa que a historiografia oficial do nacionalismo galego tem, em geral, esquecido o papel da gente da Igreja nas luitas das últimas décadas? No reintegracionismo fôrom fulcrais, assim como nas Comissons Labregas, no nacionalismo no rural, etc.

Não pertenci a esse grupo conhecido como “Irmandinhos de Roma”. Para que todo o mundo conheça melhor a nossa história, estes são os nomes de aqueles que assinaram o “Manifesto para a supervivência da cultura galega”: António Busto Salgado, Maca Cabaleiro, João Curráis, José Manuel García Alvarez, Jesus García Castro, Manuel García Otero, Jorge João Gómez Gude, Ricardo Martínez Valcárcel, José Martinho Montero Santalla, Marcial Portela, Uxío Romero Pose, José António Salgado e João Trillo.
O nacionalismo galego não esqueceu as pessoas que trabalhámos nesse campo. Há que ter em conta que a igreja hierárquica foi contrária –e hoje ainda muito mais- a mergulhar-se no nosso mundo cultural e linguisticamente. (Ora o nacionalismo galego o que foi é raquítico quanto a uma normas salvadoras do galego, não descobriram ainda hoje a utilidade e extensão mundial que tem a nossa língua). Fomos sempre pessoas ou grupos individuais. A hierarquia galega é tudo menos galega. Como tal é alienadora e alienante, de jeito que grupos demasiado moderados como o de Encrucillada e Irimia, quase os consideram heréticos!!!

Lexicologia e a luita com a oficialidade

O reintegracionismo e o independentismo compartem cousas que os fam mui semelhantes: por exemplo, sofrerem a marginaçom das “elites nacionais oficiais”, políticas e académicas, que vem perigar a sua cômoda situaçom de radicalizarem-se as reivindicaçons. Fale-nos um pouco sobre isto, sobre os atrancos que o reintegracionismo tivo que superar nas primeiras fases da andaina. Você tivo relaçom com Ramón Piñeiro e outros vultos da oficialidade.

Tivemos, sim, todos os que defendemos até ao momento atual a nossa língua e a nossa cultura, -que consideramos essencial-, fomos e somos marginados polas elites nacionais oficiais. Fomos amordaçados porque de outro jeito não eram nunca capazes de rebater os nossos argumentos. O reintegracionismo tem hoje mais atrancos do que em anos atrás. Tudo nos está fechado nos níveis oficiais e de massas.
Conheci a Ramón Piñeiro e toda a gente pode comprovar o meu relacionamente com ele através do seu epistolário publicado na revista AGALIA, ns. 95-96. O nosso trato foi sempre correto, mas ele afinal foi um traidor ao nacionalismo e às suas ideias reintegracionistas que defendeu perante mim muitas vezes. Também me relacionei com Jesus Ferro Couselo, com todos os de Galáxia, com Otero Pedrayo, Ben-Cho-Shey, Manuel Vidán, Espiña Gamallo, José Morente, Carlos Casares...

Está a preparar umha ediçom em papel do seu Dicionário, o mais completo e consultado na rede. Pode-nos adiantar algumha informaçom sobre o projeto?

Só em internet consegui cumprir os meus desejos na elaboração do dicionário. Em 2012 vai-se acomodar às normas do Acordo Ortográfico da lusofonia e publicar também em papel em vários volumes. Neste trabalho o oficialismo foi sempre canalhesco chegando ao mais infame. Só num país colonizado, como é Galiza, pode ter acontecido isso. Manuel Alvar, saragoçano, amantíssimo do espanhol e presidente da Real Academia Espanhola, foi dos poucos que valorou devidamente o meu trabalho. Os inimigos da Galiza são, infelizmente, os próprios galegos.

Tem sinalado em várias ocasions a sua surpresa pola dificuldade de encontrar palavras genuinamente galegas, que nom estejam registadas também em Portugal ou outras partes da lusofonia. Quais fôrom as últimas descobertas neste sentido?

Acarão, anaçoado, bardo, naçom, perro..., pronunciar uma à galega no Minho e Tras-os-Montes e em grande parte do Brasil...

Galiza na lusofonia

Como membro da AGLP, que supom para a Galiza a inclusom do seu léxico nos dicionários comuns? Dá a impressom de que todo o trabalho militante da AGLP está a deixar nas últimas datas um cúmulo de fitos históricos dos que nem somos conscientes.

Esse léxico galego que se está a introduzir nos dicionários portugueses e brasileiros, ainda que pareça estranho, existe também em Portugal e no Brasil. Só muito poucas palavras parecem exclusivas da nossa zona.

Viajando no tempo, você participou na reuniom do Acordo Ortográfico do Rio de Janeiro em 1986, graças às gestons de Guerra da Cal. Como lembra aquele acontecimento? Vê mais cumplicidade por parte do Brasil para a entrada da Galiza na lusofonia do que de Portugal?

Aquele acontecimento teve muita mais importância da que se pensa. E a nós, os galegos de Irmandades da Fala, deve-se-nos muito. O Acordo era entre Portugal e Brasil. Os portugueses prescindiam dos países africanos de língua portuguesa. Nós fomos os que prisionamos para que fossem convidados todos os países de língua portuguesa conhecendo as consequências que de não os convidar iam seguir-se. Além disso, eu mesmo lhe recordei ao representante português de como um africano falara no “Congresso da Língua Portuguesa no mundo”, celebrado em Lisboa no ano 1983, depois deuma hora falando, foi aplaudido por todos durante quinze minutos e de como depois ainda continuou por mais de meia hora. Em princípio e como convidados, parecia que nós o íamos ter fácil. Mas não foi assim. A Galiza esteve presente polos brasileiros que aceitaram a nossa Comissão pagando todas as despesas que o tal evento provocava. Numa das primeiras reuniões na sala da Academia de Letras do Rio eu disse que me explicassem porque, sendo nós originários do território onde nasceu a língua cuja normativa estávamos a elaborar não estávamos como  eles com pleno direito. Os portugueses ficaram com a boca aberta e os brasileiros assumiram a realidade ali levantada. Intervimos em todo momento e votamos como todos eles. O de convidados ficou esquecido.
Por parte do Brasil nunca houve problemas em nenhum momento. Mesmo há intelectuais brasileiros que prefirem falar em galegofonia em vez de lusofonia. Mas isso não tem a mínima importância e nesta altura seria embaraçoso andar mudando de nomenclaturas. Acho que todo o mundo conhece como são recebidos Carlos Núñez, Uxia Senlle, etc. Uma língua não tem proprietários individuais, ela é de todos os que a falam.

Para finalizar a entrevista, e nom abusar mais da sua paciência, qual é o futuro que vê para a nossa naçom?

Há uns anos quase se apalpava esse futuro. As cousas mudaram, sobretudo com este governo de alienados e ignorantes. Mas tudo isso tem de se acabar e confio em que mais cedo do que mais tarde, teremos um futuro esplendoroso, porque o galego é mais útil e mais extenso do que o castelhano.

Isaac Alonso Estraviz

Cervelo, 3 de novembro de 2011-11-03

História da Língua Portuguesa: Tempo, vida e espaço | vídeo


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

História da Língua Portuguesa: Tempo, vida e espaço | vídeo


Fonte: portucele


Fonte: portucele

Manuscritos na História


Manuscritos na História

Círculo Vicioso, de Machado
de Assis
Mantida pelo Núcleo de Ação Educativa do Arquivo Público do Estado de São Paulo, Manuscritos na História é uma exposição virtual em dez categorias: documentos manuscritos; análise de documentos; abreviaturas; cartas; documentos de identificação; inventários e testamentos; ofícios; processos/autuações; requerimentos; manuscritos no século XXI.

São textos escritos à mão disponíveis para o deleite e atividades sobre a história brasileira.

Acesse aqui.

1º Ciclo de Conferências do Observatório de Língua Portuguesa


De: Instituto Internacional de Macau <iimlisboa@iim.com.pt>
Data: 3 de Novembro de 2011 17:17
Assunto: FW: 1º Ciclo de Conferências do Observatório de Língua Portuguesa





De: Newsletter Fundação [mailto:newsletter@fundacaocidadedelisboa.pt]
Enviada: quinta-feira, 3 de Novembro de 2011 13:41
Para: iimlisboa@iim.com.pt
Assunto: 1º Ciclo de Conferências do Observatório de Língua Portuguesa

O Observatório da Língua Portuguesa leva a efeito um Ciclo de Conferências para o qual tenho o gosto de convidar V. Ex.ª.

Cumprindo o programa indicado em anexo, o Ciclo pretende ser uma oportunidade de reflexão e debate de ideias sobre questões relevantes e actuais da Língua Portuguesa. 

Pretende, igualmente,  motivar a sociedade civil para a importância da II Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial que terá lugar no nosso País no próximo ano.

Esperando a sua participação - que, desde já agradeço - nesta iniciativa, apresento os meus melhores cumprimentos

Eugénio Anacoreta Correia

judeus no amazonas

de diálogos lusófonos:

LINHA DO TEMPO DA PRESENÇA JUDAICA NA AMAZÔNIA
  • 1810   – Firmados, entre o Brasil e a Grã-Bretanha os tratados de Comércio e Navegação e Aliança e Amizade.                                                                                  -  Tem início a imigração judaica para a Amazônia.
  • 1821   – Extinção da Inquisição em todo o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve.
  • 1822   – Proclamada a Independência do Brasil por D. Pedro I, Imperador do Brasil.
  • 1823   – O judeu-marroquino, José Benjó, requer sua naturalização e licença para comerciar. Estabelece seu comércio na Rua do Pelourinho, atual 7 de Setembro em Belém do Pará.
  • 1824   -  Inauguração da primeira sinagoga no Brasil Império – “Eshel Abraham” em Belém do Pará, por Abraham Acris.
  • 1838   – Marechal Francisco D’Andrea concede licença para comerciar a diversas firmas de judeus marroquinos.
  • 1842   – Inauguração em Belém, do primeiro cemitério israelita do país no período imperial.
  • 1850   – Tem início o Ciclo da Borracha que atraiu um grande número de imigrantes judeus marroquinos para a Região Amazônica.
  • 1866   – D. Pedro II decreta a abertura do Rio Amazonas e seus afluentes à navegação mercante para todas as nações – a Linha Booth foi inaugurada ligando os portos de Manaus e Belém com a Europa.
  • 1889   – Fundação da segunda sinagoga da Amazônia, também  em Belém do Pará – Sinagoga Shaar Hashamaim por Leão Israel.
              - É Proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil em 15 de novembro.
  • 1890 à 1910 – O boom do Ciclo da Borracha e da imigração marroquina para a Amazônia.
  • 1890  - Em Belém do Pará é inauguda a "Sociedade Guemilut Hassadim Shel Ribi Shimon Bar Yochai" a entidade pioneira na organização da comunidade israelita do Pará.                                                                                                                                                                                                                     - Morre em Manaus o Rabino Shalom Muyal z"l.
  • 1909 Nasce em Cametá, Pará, o Rebi Abraham Hamu, primeiro rabino brasileiro e orientador  espiritual da comunidade judaica do Pará por mais de 40 anos.
  • 1917 -   O Maj. Eliezer Levy liderou a comunidade de Belém no apoio a "Declaracao Balfour" em passeata pública. Fundou o jornal "Kol Israel", primeiro jornal judaico-sionista da Amazônia, que circulou por mais de 15 anos.Foi duas vezes prefeito de Macapá.
  • 1918   - Fundado o Comitê Israelita do Pará que absorveu o ógão antecessor, "Sociedade Guemilut Hassadim" e que depois torna-se Centro Israelita do Pará até a atualidade.
  • 1926   – Isaac José Perez é eleito prefeito de Itacoatiara.
  • 1929   – Inauguração do Comitê Israelita do Amazonas em Manaus sendo seu primeiro presidente Raphael Benoliel.
  • 1940   - Inauguração do Templo atual da Sinagoga Shaar Hashamaim em Belém, orgulho do judaísmo amazônida, sendo presidente Jacob Benzecry e  Shaliach Tzibur Marcos Alves.
  • 1948  – O jornalista David Joseph Elias Israel publica o primeiro número do quinzenário Folha Israelita que por mais de uma década serviu à comunidade amazonense.
  • 1962  – É inaugurado o Templo da Sinagoga atual de Manaus denominada "Beit Yacov – Rebi Meyr", resultado da fusão das duas sinagogas alí existentes.
  • 1966 - É Fundada em Petropolis, RJ a primeira Yeshivá do Brasil pelo Rabino Chaim Biniamini. Cerca de 150 jovens da Amazônia frequentaram a Yeshivá nos últimos 40 anos.
  • 1969 - Fundado em Belém o Grupo Kadima, atualmente filiado ao Movimento Juvenil Bnei Akiva.
  • 1974   - Rabino israelense marroquino Yosef Ohana, inaugura e dirige uma Yeshivá para jovens judeus da região, é a segunda do país.
  • 1985 - Fundado em Belém o "Beith Chabad" que se constitui na terceira sinagoga da comunidade.
  • 1998  – Samuel Benchimol z'l, Professor Emérito da UFA lança a obra literária "Eretz  Amazônia – Os Judeus na Amazônia".
  • 2002  – David Salgado lança o Jornal "Amazônia Judaica".
  • 2004  – O Documentário "Eretz Amazônia – Os Judeus na Amazônia", baseado na obra homônima do Professor Samuel Benchimol z'l, produzido por David Salgado e dirigido por Alan Rodrigues, ganha o 1º lugar no I DOC TV - Pará e é exibido em Rede Nacional pela TV Educativa.
  • 2010 – Comemoração dos 200 anos da presença judaica na Amazônia. Os irmãos David e Elias Salgado, lançam o Portal Amazônia Judaica com o apoio das comunidades da Amazônia (Belém, Manaus, Porto Velho e Macapá), da sinagoga Shel Guemilut Hassadim do Rio de Janeiro, formada em grande parte por judeus marroquinos, e por diversos empresários e ativistas comunitários.


 
"Los Nuestros" Os marroquinos na Amazônia 


 A imigração dos judeus marroquinos para a Amazônia, na segunda metade do século 19 e início do século 20, dificilmente seria mais bem compreendida se não nos maravilhássemos com a aventura daqueles milhares de jovens que buscavam vida nova no Novo Mundo ou para cá vieram em busca do Eldorado. Parte da grande epopéia do sefardismo ocidental.
A guerra hispano-marroquina, em 1870, ou a pobreza das comunidades judaicas no Marrocos, espalhadas pelas áreas de influência espanhola, como Tânger, Tetuan ou Casablanca, e árabe, como Rabat, Fez e Marrakesh, entre muitas outras, poderiam ser apontadas como fatores que motivaram a saída dos judeus naquele tempo. Além disso, novas nações independentes se formavam na América, oferecendo plena e igual cidadania a todos, inspiradas pelos princípios das revoluções Americana e Francesa; ou, ainda, a Aliança Israelita Universal, entidade criada por filantropos judeus para levar a cultura francesa a todas as comunidades sefarditas, poderiam, também, ser apontadas como fatores que induziram à emigração.
Mas foi a explosão da borracha como matéria-prima industrial que, efetivamente, atraiu milhares de aventureiros do mundo inteiro para a Amazônia, em busca das riquezas que jorravam dos seringais. E os judeus não estavam excluídos desta corrida. Em outros tempos, o Eldorado era constituído pelo açúcar ou pelo intenso comércio que resultava da exploração da prata na América Espanhola. Foi quando os judeus portugueses, apoiados pela comunidade de Amsterdã, construíram no Caribe importantes comunidades, de onde contribuíram com recursos e congregantes para a formação do nascente judaísmo norte-americano.
Cem anos depois, a corrida pelo ouro extraído da selva tinha seu pólo no Pará e Amazonas e se estendia até o Peru, onde, na longínqua cidade de Iquitos, algumas centenas de judeus, navegando rio-mar acima, lá se estabeleceram. Não que, antes, não houvesse judeus na Amazônia. Cinco décadas antes da independência, algumas centenas de cristãos novos foram trazidos do Marrocos (Mazagão) por iniciativa do então ministro do rei D. José de Portugal, o famoso Marquês de Pombal, para colonizar o Pará. Alguns de seus descendentes, retornados ao judaísmo, teriam-se juntado ao pequeno grupo que chegou logo após a Independência para formar a primeira sinagoga.
Certamente, uma das casas em que aquele primeiro minian se reunia era a de José Banjó, um sobrado onde ele tinha seu comércio, à Rua do Pelourinho (hoje Sete de Setembro). Assim teria surgido a primeira casa de oração, em 1824, a "Shaar Hashamaim", liderada por Abraham Acris. Ainda não era uma sinagoga, pois a Constituição do Império, apesar de facultar o livre exercício da religião, proibia templos não-católicos. Somente anos depois, a sinagoga foi construída. Já na segunda metade do século, surgiu a sinagoga "Eshel Abraham". Não há, contudo, documentação sobre os primeiros tempos de ambas, ficando os registros restritos à tradição oral.
Logo vieram outros judeus sefarditas, tanto ingleses para atuar como representantes comerciais, como magrebianos (do norte da África) para construir nos trópicos um novo lugar. Jacob Gabay e Luiz Manfredo Levy já eram, em meados do século 19, proprietários de fazendas e engenhos no Pará. E, tal como "seu Luis" Levy, no Marajó, eram senhores de escravos. A maioria, no entanto, se dedicava ao comércio, incluindo a exportação das chamadas "drogas do sertão".
A essa época, a comunidade já tinha sua organização bem avançada, tanto que em 1848 inaugurava o primeiro cemitério judeu do Brasil independente, anexo ao da Soledade, em Belém. Ainda hoje se pode visitar os 28 túmulos ali existentes.
Uma aventura que começava com a troca do cáften por um chapéu, ainda no porto de embarque, e a quipá por baixo; o vestuário judeu-marroquino era substituído por um terno flamengo e uma disposição quase heróica para enfrentar uma viagem de dois meses de navio, não raro cheia de imprevistos e desconfortos, até chegar a Belém. E, muitas vezes, de lá seguiam em pequenas embarcações, nos batelões, pelos rios da região até o interior, nas pequenas cidades de Alenquer, Santarém, Parintins e muitas outras, onde, quase sempre, eram esperados por parentes que ali já estavam. Isso quando não ficavam em Belém ou em Cametá, que, então, rivalizava com a capital, e onde se constituiu uma importante comunidade.
Vinham solteiros, nem sempre para ficar, mas para retornar ricos ao nostálgico Marrocos. Afinal, o mellah está, para o marroquino, como o shteitl para o asquenazita do leste europeu: era mais do que um lugar, era a bait (a casa). Essa lembrança acompanhava aqueles jovens e, mesmo nas longas viagens pelo interior dos seringais, comprando pélas de borracha ou a safra dos castanhais e vendendo subsistência à população cabocla - afinal diz-se que foram os primeiros "regatões" pelos rios da Amazônia - jamais esqueceram o mellah. Mas, a realidade era muito diferente dos sonhos e, na maioria, os planos não saíam como previsto. Foram ficando por aqui, chamando irmãos para ajudar no comércio e depois os pais, para reunir a família. Os amigos e outros parentes seguiam os passos dos pioneiros e vinham atrás, em busca do mesmo sonho de "fazer a América".
A preocupação em se adaptar, sem perder a própria identidade, fez com que adotassem estratégias diversas de relacionamento com a sociedade em torno. Alguns traduziram seus nomes para se parecerem menos diferentes, como, por exemplo, Elmaleh para Salgado ou Bar Moshé para Alves; ou rapidamente participaram da vida política local, como o major Eliezer Levy, duas vezes prefeito de Macapá e até hoje lá lembrado com nomes de logradouros públicos; ou Moisés Afatlo, vereador e político de Cametá, e Moysés Levy, filho de Eliezer, prefeito de Igarapé-Mirim. Mas, também, participavam de um quase inédito, até então, e informal diálogo interreligioso. É o caso de Maria (ou Miriam) Sabbá, a mais nova dos seis filhos de Jacob Sabbá, de Cametá, quem, em Belém, era quase que venerada pelo seu trabalho junto a instituições de caridade, conforme depoimento do cronista paraense, Eidorfe Moreira. Em 1917, Eliezer Levy liderou a comunidade de Belém no apoio à Declaração Balfour e editou por muitos anos um jornal comunitário e sionista, o Kol Israel. Apesar do convívio cordial, os judeus foram, eventualmente, alvo de manifestações de intolerância.
A primeira do Brasil independente ocorreu em 1832, durante a revolta paraense conhecida como Cabanagem, quando dois judeus e alguns ingleses foram mortos numa onda de xenofobia contra estrangeiros. Mas o horror, mesmo, ocorreu em 1901, nas localidades de Cametá, Baião, Mocajuba, Araquereruba, Mangabeira, Prainha, avançando pelas margens dos rios, onde os judeus tinham suas casas-armazéns, geralmente nos igarapés do "jacob", do "isaac" ou do "moisés". Foi quando ficou conhecido o episódio do "mata-judeu" e o massacre de Massauari, em Maués. Em Cametá, a anterior tranqüilidade dos Sabbá transformou-se, repentinamente, em pilhagens e saques do comércio judeu, fazendo com que, na época, a comunidade buscasse refúgio em Belém.
Mas, de um modo geral, os judeus marroquinos que vieram para a Amazônia conseguiram se adaptar bem às novas condições. Eliezer Salgado (Elmaleh) trabalhava no regatão, no rio Purus, para sustentar nove filhos. Servia, também, de chazan e mohel, oficiava casamentos e brit-milot e, em sua casa, como em outras ribeirinhas, oficiavam-se os serviços de Rosh Hashaná e Yom Kipur, segundo relato de seus filhos e descendentes.
Para esses judeus marroquinos, a família era o núcleo a partir do qual construíam sua judeidade em plena Amazônia. A identidade judaica não era apenas profundamente enraizada, mas admitida com orgulho e alegria. As histórias contadas pelos descendentes remetem à tradição dos antepassados: os que moravam longe pegavam seus batelões para passar os Yamim Noraim nas cidades maiores, como Alenquer ou Cametá. Na sexta-feira à tarde, depois de fechar a loja, iniciavam-se os preparativos para o Shabat com toda a hiba (pompa), vestindo-se de linho branco, engomado, e gravata. A mãe, numa cadeira de espaldar, punha-se a meldar (rezar) e pitnear (cantar) o Shir Hashirim (Cântico dos Cânticos), mizmorim (canções) e, durante o Arbit (reza da noite), reuniam-se em casa de um ou outro.
Mesmo na ausência de rabinos, os shlichim zelavam pelo rigor ritual, incluindo a lavagem do corpo e providências para o enterro. Ainda hoje sobrevivem como testemunhos da presença judaica na região os cemitérios de Cametá, Óbidos, Itaituba, Santarém, no Pará; e Parintins, Maués, Itacoatiara, Manacapuru, Tefé, no Amazonas; e, ainda, Iquitos, Contamana, Yurimaguas e Caballococha, no Peru. Os mesmos shlichim cuidavam do ensino de hebraico para os jovens, das cerimônias de casamento e brit-milá, além do culto e das orações. E, não raro, consultas aos rabinos e Chachamim que permaneceram no Marrocos. Há até uma responsa solicitada pela comunidade paraense, do rabi Itzchak (Ualid), grão-rabino e Av do Beit Din (chefe do Tribunal Rabínico) de Tetuan, publicada em Livorno nos anos 1855 e 1876.
Os tzadikim eram venerados e dentre eles destacava-se Shimon Bar Iochai. À mesa, a cashrut era adaptada às condições locais, sem ferir a Halachá. Em vez do vinho, a cachaça, as frutas tropicais e peixes para substituir as iguarias marroquinas. Com exceção da dafina e do couscous, de que não abriam mão de forma alguma. Os filhos aos poucos deixavam de falar o Haquitia, uma mistura de árabe, hebraico e ladino, mantendo apenas expressões muito significativas e sem paralelo em português (como traduzir, por exemplo, achlash, fecheado, abu, chosmin e sachorita?), e o ladino ficava como uma segunda língua falada em casa, entre los nuestros e cada vez menos. Com o fim da riqueza propiciada pela borracha, muitos judeus abandonaram o "sertão" e se estabeleceram em Belém ou emigraram para o sul.
As novas gerações se destacaram nas diversas profissões e na vida social de Belém e Manaus. Mas, não poucos permaneceram embrenhados na selva, naquelas pequenas vilas amazônicas, onde constituíram famílias e seus descendentes são conhecidos, hoje, como os "hebraicos", embora poucos guardem ainda as tradições de seus antepassados.
Um típico exemplo do "hebraico" do Amazonas é Paulo Sicsu, que vive em Parintins. Todo ano ele vai ao cemitério judaico local, com suas 66 sepulturas de judeus marroquinos, reverenciar a memória de seu bisavô, Abraham Joseph Sicsu. O jovem fotógrafo Paulo conta que seu bisavô veio de Tânger e, à época, mantinha suas tradições, convivendo na pequena comunidade local; mas, com o tempo, à medida que escasseavam os judeus e o minian já era difícil, ele foi relaxando e abandonando as práticas religiosas.Casou com uma não judia, típica amazonense, tiveram cinco filhos, crescidos fora do judaísmo. No tempo em que seu pai, neto de Abraham, ainda era criança, os contatos com o judaísmo e a comunidade judaica tornaram-se cada vez mais raros, até desaparecerem."Eu continuo vindo aqui, em busca de minhas tradições", disse ele num encontro, em 1986, com o rabino Jacques Cukierhorn que, na ocasião, "ciceroneava" o escritor norte-americano James Ross. E, para surpresa de seus interlocutores, Paulo aprendeu, naquele momento, a ler um kadish.
Um fenômeno que retrata esse casamento entre a cultura judaica e a sociedade local é o caso do rabi Shalom Emanuel Muyal (Morashá nº 53) que veio a Manaus, em 1910, para angariar fundos para uma ieshivá no Marrocos (ou em Jerusalém, não se sabe ao certo) e lá morreu acometido por febre amarela. Foi enterrado no cemitério cristão, pois não havia, então, cemitério judeu em Manaus, e, quando seu sobrinho, ministro de governo do já criado Estado de Israel tentou seu translado, mais de 40 anos depois, o governo do Amazonas pediu-lhe que não o fizesse, pois o referido rabino era considerado um santo pela população local. Embora sua sepultura tenha sido, posteriormente, transladada a um apropriado cemitério judaico, anexo ao católico, o "santo rabi" é, ainda hoje, muito venerado pela população local.
Hoje, a comunidade de Belém conta com cerca de 300 a 400 famílias; a de Manaus, com 200 famílias. Há uma integração completa no novo ambiente, sem perda, contudo, da identidade ancestral. Exemplo mais brasileiro do judeu marroquino, é o atual presidente do mais popular clube de futebol do Pará, o Remo, Raphael Levy, judeu de quarta geração e, ainda, expoente da comunidade local.
por Reginaldo Jonas Heller
 
Fonte : do site Amazonas Judaica :http://www.aj200.com/index.php?type=2&id=11

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