segunda-feira, 5 de novembro de 2012

termos de Angola

in diálogos lusófonos

Expressões de Angola

A B C D E F G I L M P Q R S T V W Z
  • A
    ACA – Expressão que significa, de acordo com a entoação ou situação, enfado, repugnância, surpresa; alegria, alívio, espanto.
    AJINDUNGADO – Temperado com jindungo, picante.
    ALAMBAMENTO – Dote do noivo à família da noiva, regra geral em gado e outros animais domésticos, vestes, mantimentos ou dinheiro. O alambamento, condição fundamental para tramitação do noivado, é tratado entre as famílias dos nubentes, mesmo não se tratando do primeiro matrimónio. As regras variam ligeiramente, de etnia para etnia mas, princípio universal, a família da noiva obriga-se a devolvê-lo caso não se verifique a consumação do casamento ou em caso de divórcio. Também pode ser entendido como “tributo de honra prestado pelo noivo à família da noiva”.
    AMIGO DA ONÇA – Fraco amigo, amigo de “Peniche”.
    ANGOLAR – Antiga moeda que circulou em Angola entre 1928 e 1957 (a sua recolha terminou em 31 de Dezembro de 1959), tendo sido substituída pelo escudo.
    ANGOLENSE – Angolano; o natural, o habitante ou o que pertence ou se refere a Angola.
    ANHARA – Xana, planície arenosa, correspondente africano da charneca, na região central de Angola, atravessada por cursos de água, com vegetação rasteira formada principalmente por gramíneas e arbustos de pequeno porte, podendo apresentar-se alagada. O ongote (planta leguminosa arbustiva, com folhas compostas e flores minúsculas em pequenos cachos, característica da anhara angolana)é a típica personalidade vegetativa da anhara.
    ARMADO EM CARAPAU DE CORRIDAS – Armado em esperto, armado aos cucos.
    APAGAR O MAÇARICO – Morrer, lerpar, bater a caçuleta, fazer uafa.
  • B
    BAILUNDO – Reino do planalto central de Angola, fundado cerca de 1700 por Katiavala. Município e cidade da província do Huambo. Povo Vambalundu pertencente ao grupo etnolinguístico Ovimbundo . A designação Bailundo estendeu-se a todo o grupo. O falante de Umbundo; aquele ou o que pertence ou se refere a este grupo ou região; naturais do Huambo e Bié.
    BALEIZÃO – Gelado, sorvete; “Resultou do apelido de um fabricante desse gelado, o qual, em 1941, se havia estabelecido na cidade de Luanda.”
    BAMBI – (Cephalophus mergens) Pequeno antílope, também conhecido por cabra-do-mato, de pelagem castanha, com uma mancha mais escura ao longo da coluna dorsal; não ultrapassa 1m de comprimento, 55cm de altura ao garrote, 20cm de cauda e chifres direitos e delgados com 9cm de comprimento. Vive em matas fechadas, onde existam cursos de água próximos.
    BANGA – (Di-banga = envaidecer-se) Ostentação, presunção, vaidade; distinção, elegância, garbo. Causar sensação.
    BANZADO – Pensativo, admirado, assombrado, espantado, maravilhado.
    BATUCADA – Acto ou efeito de batucar; percussão do batuque; dança ou festa com batuques; barulho de batuques.
    BATUCAR – Fazer soar ou tocar o batuque; dançar ao som do batuque. Dar pancadas ou bater com as mãos num qualquer objecto a ritmo cadenciado. Bater aceleradamente (o coração).
    BATUQUE – (Ba atuka = local onde se salta e pula)Tuka saltar, pular. Instrumento de percussão; bombo, tambor. Apresenta formas e designações variadas de acordo com a região, aspecto, material utilizado na sua confecção e som produzido. O som produzido pela percussão do instrumento. Dança, divertimento ou festa com acompanhamento de batuques. Esta é a concepção mais moderna de batuque. Pode ter acompanhamento de vocalizações harmónicas, cânticos de cariz social, ou refrães apenas poéticos. Na verdade, o batuque é uma espontaneidade anímica dos povos africanos. Começou por ser uma manifestação que acompanhava os ritos fúnebres, tendente “à satisfação da alma a que se propicia semelhante folguedo, a fim de lhe minorar a tristeza, pelos entes que deixou. Nesta conformidade, as danças obituárias não constituem, como ordinariamente se julga, uma natural manifestação de folia, antes uma forma de expressão religiosa… Os batuques organizam-se de noite, geralmente começando à tardinha. Se respeitam a óbitos, podem durar noites inteiras, mesmo um mês.”
    BICANJOS – subúrbios, aldeias.
    BICHINHO DO MATO – Pessoa muito acanhada.
    BICUATAS – Tarecos.
    BITACAIA – Espécie de pulga criada (nos dedos dos pés).
    BICO-DE-LACRE – ( Estrilda astrild angolensis ) Ave passeriforme da família dos Estrildídeos, é um pequeno pássaro com 11,5 cm de comprimento originário de Angola. Devido à sua grande capacidade de sobrevivência em cativeiro emigrou para Portugal e Brasil, após a descolonização, foi solto na natureza e adaptou-se perfeitamente, integrando hoje a avifauna daqueles países. A plumagem é castanho-amarelada e tons de bege no peito, dorso e asas, peito com listras onduladas de branco e preto, ventre rosado, cauda vermelho-escura e bico cor de lacre. Apresenta uma banda ocular vermelha, larga e escura no macho e desmaiada e mais estreita ou inexistente na fêmea. Esta é mais pequena do que o macho e a plumagem é mais vistosa no macho e desmaiada na fêmea. O bico das crias é negro à nascença, torna-se alaranjado na primeira muda e só em adulto adquire o tom que dá o nome à espécie. Desloca-se em bandos numerosos que chamam a atenção pelos gritos estridentes incessantes. Vive em habitats abertos de silvados, savanas de gramíneas e espaços urbanos ajardinados. Alimenta-se no solo, de grãos, sementes e de toda a espécie de insectos, estes principalmente na altura de alimentação das crias. O ninho é construído no solo no meio do capim alto ou sob arbustos. É redondo e provido de um túnel de acesso, construído com raminhos, penas, palha e ervas. O macho constrói o abrigo e a fêmea dá-lhe o acabamento final, transportando penas e capim para o acolchoamento onde irá fazer a postura de 4-6 ovos que serão chocados pelos dois membros do casal, alternadamente de 2 em 2 horas, passando ambos a noite no ninho, durante cerca de 12 dias. Duas semanas depois de nascer as crias estão aptas a voar, embora continuem a ser alimentadas, durante algum tempo mais, pelos progenitores. Designa-se este por bico-de-lacre-comum já que existe outro bico-de-lacre de Angola; é o Estrilda thomensis , o bico-de-lacre-cinzento-de-angola, que tomou esta designação (thomensis) por se julgar, erradamente, ser originário de São Tomé e Príncipe. Difere do bico-de-lacre-comum essencialmente pelo colorido da plumagem, mais escura e sem as listras onduladas.
    BISSONDE – Formiga gigante que ferroava nas pessoas desprevenidas.
    BOMBÓ – Pedaços de mandioca descascada e demolhada. Depois de fermentada ou seca é moída, ou pisada, dando a fuba de bombó. Também se come assado, como acompanhamento para qualquer tipo de alimento.
    BOTECO – Botequim, bar de fracas qualidades.
  • C
    CABAÇA – Fruto da cabaceira, semelhante à abóbora, em forma de pêra, apresentando na parte superior uma espécie de gargalo pronunciado; pode ter a forma de um 8, em que o bojo inferior é maior do que o superior, estando separados por um estrangulamento. Em Angola tem uma grande importância ancestral pois sempre foi o recipiente por excelência para armazenamento de líquidos, depois de seco e oco.
    CABACEIRA – ( Lagenaria siceraria sin. Cucurbita spp) Planta anual vigorosa, trepadeira ou prostrada, da família das Curcubitáceas, que pode alongar-se por 5m de comprimento. Apresenta flores tubulares com 5 pétalas, brancas ou amareladas, com 4,5cm. É originária de África, embora hoje esteja também presente na Europa, Ásia e América. O fruto, a cabaça, é muito utilizado como recipiente.
    CABEÇA-DE-PEIXE – (ou CABEÇA DE PUNGO) São epítetos por que são conhecidos os naturais ou habitantes do distrito de Moçamedes / província do Namibe. O bairrismo das populações pretende as águas separadas: os alexandrenses (naturais de Porto Alexandre) reivindicam a designação cabeças-de-peixe e os moçamedenses cabeças-de-pungo. As designações derivam do facto destas populações viverem essencialmente da pesca.
    CABRA-DE-LEQUE – ( Antidorcas marsupialis angolensis ) Mamífero artiodáctilo da família dos Bovídeos, a cabra-de-leque, é uma pequena gazela de 75 cm de altura, 1m de comprimento para um peso de 40-50 kg. É uma das gazelas mais velozes, podendo a atingir os 90 km/h e pode, com facilidade, dar saltos de mais de 5 m. A pelagem é castanha-avermelhada, com uma barra castanha-escura nas laterais junto à delimitação do ventre, que é branco. A alvura do ventre prolonga-se pela parte interna das patas. A garganta é branca bem como a face, que apresenta uma lista escura que se prolonga dos olhos ao nariz. No final do dorso onde nasce a cauda, branca, apresenta um triângulo de longos pêlos brancos que se abrem em leque durante a corrida, empreendida sempre que pressente algum predador. O leque destaca-se, brilhante, na poeira levantada pela manada. Esta acção, sempre acompanhada de vistosas cabriolas que mais parecem elegantes passos de ballet, servem para indicar a posição aos companheiros que seguem na retaguarda. O leque abre-se também, dramaticamente, no momento da morte. Os chifres, em forma de lira de pontas convergentes, são pequenos, não ultrapassam os 50 cm, apresentam anéis bastantes vincados e são mais desenvolvidos no macho sendo que na fêmea são mais finos e não apresentam convergência nas pontas. A fêmea atinge a maturidade sexual entre os 7 e os 12 meses, ao passo que o macho a alcança aos 2 anos de idade. O período de gestação é de 6 meses. Vive nas savanas abertas e regiões semidesérticas. Alimenta-se da parte aérea das plantas, de raízes e tubérculos. Se os vegetais de que se alimenta contiverem, no mínimo, 10% de humidade, o animal não necessita de beber.
    CACETE – Pau que serve para dar cacetadas.
    CACIMBA – Cova, lagoa ou poço que recebe água das chuvas; buraco aberto para se procurar ou armazenar água. Estação fria dos trópicos; chuva miudinha, orvalho, relento.
    CACIMBADO – Quem ou o que recebeu cacimbo; húmido, molhado; enevoado, nublado. Neurótico, perturbado, triste, tristonho; aquele que sofre de perturbações psíquicas, mormente dos traumas provocadas pela guerra.
    CACIMBO – É poca das chuvas, Inverno. Humidade própria dos climas tropicais e equatoriais; chuva miudinha, orvalho, relento; época das chuvas.
    CAÇULA – O filho mais novo.
    CADA CARANGUEJO NO SEU LUGAR – Cada macaco no seu galho.
    CAFECO, UFEKO ou UFEKU – Mulher jovem, púbere.
    CAGAÇO – Medo, muito medo.
    CALCINHA – Pessoa toda não-me-toques.
    CALEMA – Fenómeno natural da costa ocidental africana, caracterizado por grandes vagas de mar. A ondulação forma-se no alto-mar e a ressaca origina correntes muito fortes que, dirigindo-se para a costa, rebentam estrondosamente, provocando grandes estragos.
    CALHAU COM OLHOS – Pessoa com muito poucas capacidades intelectuais, pouco inteligente.
    CALONJANDA – Expressão que quer dizer que alguém tem os pés tortos (virados para fora).
    CALULU – R ama da batata-doce. Prato típico de guisado à base de peixe ou carne, tendo como ingredientes (calulu de galinha) cebola, tomate, pau-pimenta, louro, jindungo , couve, quiabo , beringelas, e óleo de palma, engrossando-se o molho com farinha de trigo. Acompanha-se com arroz. Guisado de peixe, fresco e seco, tendo como ingredientes quiabo, abóbora, tomate, cebola, rama de cará ou de mandioca , jimboa e óleo de palma. É acompanhado de pirão ou funje . “Esta designação, usual entre as populações do Sul e Centro de Angola, corresponde, pela identidade da iguaria, à de funje de azeite de palma.
    CAMACOUVE – Comboio de mercadorias que efectuava paragens em todas as estações e apeadeiros transportando correio e materiais diversos.
    CAMANGA – Diamantes.
    CAMANGUISTA – Negociante de diamantes.
    CAMAPUNHO – Pessoa desdentada dos dentes da frente.
    CAMBUTA – Pessoa de baixa estatura, um quase anão.
    CAMUECA – Mal-estar, doença.
    CAMUNDONDO – Natural de Luanda. Rato.
    COMBOIO MALA – Comboio do Caminho de Ferro de Benguela que transportava os passageiros entre a cidade do Lobito e Vila Teixeira de Sousa, mais tarde Dilolo.
    CANDINGOLO – Bebida confeccionada pelos nativos indígenas, sem qualquer qualidade mas com muito álcool, uma espécie de cachaça muito mais forte.
    CANDENGUE – Criança, miúdo, rapaz; o irmão mais novo.
    CANDINGOLO – Bebida licorosa preparada a partir da hortelã-pimenta. “Em sua preparação, entram normalmente as seguintes quantidades de ingredientes: 1 litro de álcool puro, 2 de água, 0,5 de açúcar branco e essência de hortelã-pimenta. Reduzido o açúcar a calda, junta-se esta, depois de esfriada, ao álcool, ministrando-se por fim, a essência.”
    CANDONGA – Permuta, contrabando.
    CANDONGUEIRO – Aquele que faz candonga.
    CANGALHO – Carro velho.
    CANGONHA – Liamba ou Diamba .
    CANGULO – Carrinho de mão.
    CANHANGULO – Arma antiga de fabricação caseira (regra geral).
    CANIÇO – Cana delgada.
    CAPANGA – Esbirro; guarda-costas, indivíduo que faz a segurança pessoal de alguém.
    CAPIM – Nome genérico por que são conhecidas as plantas gramíneas e ciperáceas, geralmente forraginosas; chegam a cobrir enormes extensões de terreno e atingem altura relativamente elevada após as chuvas, formando grandes pastos naturais; erva; relva.
    CAPINA – Capinação, Monda, Sacha. Acto ou efeito de capinar; desbaste do capim.
    CAPINAR – Mondar, Sachar. Cortar o capim, limpar o terreno de capim, mondar.
    CAPINZAL – Terreno coberto de capim.
    CAPOTA – (Numida meleagris) A capota, pintada, galinha-de-angola ou galinha-do-mato é uma ave Galiforme da família Numididae, oriunda de África, que tem a particularidade de apresentar a cabeça nua de penas, com uma crista ou capacete no topo e barbelas por baixo da base do bico. Estes apêndices servem, muito provavelmente, para a ave regular a temperatura do cérebro. A plumagem é cinzenta prateada com pintas brancas. Prefere os habitats semiáridos e a savana, mas também pode ser vista na orla de bosques ou florestas É uma ave monogâmica embora se junte em grandes bandos, fora da época de reprodução. Alimenta-se no solo e abriga-se nas árvores, sempre que isso é possível. O nome específico, bem como as pintas que lhe cobrem as penas por todo o corpo, estão ligadas à mitologia grega: as meleágridas, irmãs do herói Meleagro que morre após matar a própria mãe, ao chorarem a sua morte cobrem-se de lágrimas e são transformadas em aves cuja plumagem se cobre de pintas lacrimais. É uma ave de fácil domesticação.
    CAPUTO – Português; a Língua Portuguesa; aquele ou o que pertence ou se refere a Portugal.
    CARA DE CU À PAISANA – Cara de traseiras de tribunal, cara de poucos amigos.
    CARCAMANO – Sul-africano.
    CARDINA – Bebedeira, pifão, pifoa, piruca, piela.
    CARREIRO – Caminho estreito aberto no mato.
    CARIANGO – Biscato.
    CARÁ – (pomoea batatas) Nome popular porque é conhecida, nas regiões do Sul de Angola, a batata-doce. Utiliza-se na alimentação de duas formas: assado ou cozido, acompanhando uma grande variedade de pratos, ou isoladamente.
    CASA DE PAU-A-PIQUE – Cubata feita com paus e barro.
    CASQUEIRO – Pão
    CASSANJE – (também Ka + sanji = galinha pequena) Vale na região de Malanje, a zona angolana mais produtora de algodão. A “Baixa do Kassanje” é célebre pela cultura intensiva de algodão.
    CATATUA – Arara.
    CATUITUI – ( Uraeginthus angolensis) Pequena ave Passeriforme com 11,5 cm.
    CAVÚLA – Mulher tchingandji.
    CAXIPEMBE – Bebida alcoólica resultante da fermentação de batata-doce ou de cereais e posterior destilação.
    CAZUMBI – Alma de um antepassado, alma penada, espírito errante; feitiço.
    CELHA – Pipo de vinho cortado ao meio, e que servia para se tomar banho ou para lavar roupa.
    CHAFARICA – Pequeno estabelecimento.
    CHICORONHO – Natural de Sá da Bandeira.
    CHINGANJIS – (ou Tchinganjis) Homens vestidos com fatos feitos de palha e outros materiais, com máscaras e que diziam ser sobrenaturais.
    CHINGUE – Cubata, palhota. Nalgumas circunstâncias era uma aldeia de palhotas.
    CHIPALA – Cara, face, rosto.
    CHIPRULENTO – Pessoa ciumenta.
    CHITACA – Fazenda, roça.
    CHITAQUEIRO – Dono da chitaca.
    CHORAR LÁGRIMAS DE CROCODILO – Chorar falsas lágrimas.
    CHURRASCO – Frango assado na brasa.
    CIPAIO – Polícia africano, ordenança adstrito às Administrações de Concelho e aos Postos Administrativos. Pertenceu aos Serviços de Administração Civil e actuava junto da população autóctone. O cargo era desempenhado por naturais.
    CONDUTO – Berera, molho para acompanhar o pirão
    COTÓTÓ – Unha de fome, forreta.
    CUANHAMA – Povo pertencente ao grupo etnolinguístico Ambó, de língua Tchikwanyama uma das línguas étnicas de Angola; o falante desta língua; aquele ou o que pertence ou se refere a este povo. Uma antiga lenda pretende explicar a origem da designação Ova-kwa-nyama, “os da carne”: “Uma pequena fracção da tribo donga deslocou-se para a floresta, à procura de víveres. Encontrou tanta abundância de caça e de peixe que resolveu fixar-se ali. Quando deram esta notícia ao soba, ele enviou emissários, ordenando-lhes que regressassem à terra tribal. A aludida fracção da tribo não quis, porém, obedecer à ordem emitida pelo soba. Este acabou por dizer: “Deixai-os lá com a sua carne”.
    CUANZA – (ou Kuanza) O grande rio de Angola.
    CUBATA – Casebre de barro seco, coberto de capim seco, folhas de palma ou mateba. Pode, também, ser de tábuas de madeira ou de aproveitamento de chapas metálicas. Também pode variar a cobertura, principalmente nas zonas urbanas onde se utiliza muito a folha de chapa zincada.
    CUCA – Marca de cerveja.
    CÚRIA – Comida, refeição.
  • D
    DENDÉM – (ou Dendê ) Fruto (drupa) do dendezeiro, de cor laranja-avermelhado quando maduro, composto por uma capa fibrosa (epicarpo), uma noz e uma amêndoa da qual se extrai o óleo ou azeite de dendém, muito utilizado em culinária. Pode ser consumido como petisco, cozido ou assado. Em doçaria prepara-se uma iguaria macerando o fruto em açúcar e erva-doce. Azeite de dendém, óleo de dendém, azeite de palma ou óleo de palma . O óleo ou azeite preparado a partir do dendém.
    DENDEZEIRO – (Elaeis guineensis) Variedade de palmeira originária da África tropical que atinge 20-25m de a. Do seu fruto, o dendém, prepara-se o azeite ou óleo do mesmo nome. As folhas são utilizadas na cobertura de habitações tradicionais e da sua seiva prepara-se o malavo.
    DIAMBA ou Liamba – (Cannabis sativa) Planta herbácea da família das Canabináceas, variedade de cânhamo, cujas flores e folhas, depois de secas, são utilizadas fumando-se como droga alucinogénia. A droga fabricada a partir desta planta. O seu consumo provoca habituação.
    DÁ-ME LICENÇA QUE O TOPE? – Expressão usada no gozo, pondo os dedos indicador e médio em círculo, no olho
    DOIS E QUINHENTOS – Vinte e cinco tostões.
  • E
    EMBALA – (banza, libata, quimbo ou sanzala) Aldeia ou sanzala do soba; palácio real, morada do chefe supremo. Genericamente na embala vivem o soba, as suas mulheres, filhos, noras e respectiva descendência. As casas estão dispostas em rectângulo ou círculo formando um terreiro interior onde existe, pelo menos, uma árvore, geralmente uma mulemba, à sombra da qual o soba se reúne com o conselho de anciães para resolução de conflitos e administração da justiça.
    ERVA SANTA MARIA – Erva medicinal.
    ESPIRRA CANIVETES – Pessoa muito magra.
  • F
    FAROFA – Farinha-de-pau preparada a frio como salada: cebola picada, azeite, vinagre e água suficiente para descompactar. Original e tradicionalmente o vinagre é substituído por óleo de palma.
    FAZER CAPIANGO – Fazer gamanço, rapinar.
    FEIJÃO KALONGUPA – Feijão encarnado.
    FEIJÃO MACUNDE – Feijão-frade, “ciclistas”.
    FRUTA-PINHA – Variedade de anona ou Sape-sape.
    FUBA – Farinha moída em grão muito fino, a partir de batata-doce, mandioca, massambala, massango ou milho. Farinha de bombó, farinha de mandioca fermentada. Farinha de quindele, farinha de milho.
    FUBEIRO – Comerciante que vende fuba; comerciante reles; pessoa reles.
    FUNJE – Pasta de farinha de mandioca. Prepara-se batendo ou amassando a farinha com o luico, em água a ferver, até adquirir uma consistência pegajosa e sedosa. É acompanhado com caldo de peixe fresco, peixe seco ou muamba de carne, legumes e um molho próprio (para a confecção do funje ver FUNGERARD).
    FUNJADA – Funje com um bom conduto.
  • G
    GABIRU – Malandrão, sacripanta, vígaro.,
    GÂMBIAS – Pernas altas.
    GANDULO – Malandrão.
    GINGUBA – ( Macoca , Quifufutila ou Quitaba) Amendoim, planta da família das Faseoláceas ou Leguminosas, também conhecida por amendoim. As folhas apresentam quatro grandes folíolos ovados. As flores são amarelas e reunidas em espiga nas axilas das folhas. Depois de fecundada, a estrutura que envolve o ovário alonga-se e penetra no solo, onde amadurecem os frutos, vagens oblongas com 1-4 sementes. As sementes são comestíveis e delas se extrai um óleo alimentar. É utilizada na alimentação, torrada ou cozida, em variados pratos e em doçaria.
    GOMA – Instrumento musical de percussão; batuque, bombo, tambor. Tradicionalmente é construído de um tronco escavado de mafumeira, com as duas extremidades abertas. Uma delas é depois coberta com pele de antílope ou veado, apertada sob tensão. O seu tamanho varia de região para região, podendo atingir 1,5 m de comprimento, motivo pelo qual o tocador monta ou se encavalita no instrumento. A afinação é feita por aquecimento da pele. Apresenta formas e designações variadas de acordo com a região, aspecto, material utilizado na sua confecção e som produzido.
    GONGA – Gavião, ave de rapina.
    GUELENGUE – Mamífero artiodáctilo da família dos Bovídeos endémico que atinge 200 kg de peso, com a estatura de 1,20 m e 90 cm ao garrote. A pelagem é de tom castanho-acinzentado muito claro; o ventre, branco, é separado dos flancos por uma barra preta; a face é branca com riscas pretas na zona dos olhos e rodeando a parte alta do focinho; a cauda, de crina longa, é preta bem como as patas, acima dos joelhos. Ambos os sexos apresentam chifres, em forma de lança, anelados, longos e voltados para trás e para o alto, sendo os da fêmea (1m) mais compridos e mais finos do que os do macho (75cm). Habita territórios secos, em zonas semidesérticas de pequena pastagem e savanas abertas fazendo, por vezes, incursões aos bosques abertos em busca de pastagens. Alimenta-se de herbáceas, raízes, tubérculos e rizomas. Passa vários dias sem beber e pode ser encontrado muito longe das fontes de água.
    GULUNGO – (Tragelaphus scriptus) Mamífero artiodáctilo da família dos Bovídeos. O gulungo é um antílope africano de porte médio, com 1-1,5 m de comprimento e pesa de 25 a 80 kg. Distribui-se pelo Leste de Angola. Tímido e desconfiado, emite balidos quando perseguido ou perturbado. Vive, solitário ou aos pares, em bosques densos, pequenas montanhas ou savanas arbustivas, sempre perto de cursos de água permanentes. Alimenta-se de herbáceas, folhas, rebentos e frutos. As hastes do macho são curtas e espiraladas com pontas afiadas. O costado, percorrido por uma crina branca, é arqueado, tem orelhas grandes e cauda espessa. A pelagem é castanho-avermelhada com riscas brancas verticais nas partes laterais do tronco e manchas também brancas nas espáduas, quartos traseiros e face. A fêmea, que não possui armação, é mais pequena do que o macho e a sua pelagem é menos vistosa. Atinge a maturidade sexual dos 11 para os 12 meses, tem um período de gestação de 6 meses, com 1 cria por parto.
  • I
    IMBAMBAS – Tarecos, as coisas de uma casa.
    IMBONDEIRO – (Adansonia digitata) Árvore de porte gigante, da família das Bombacáceas. O tronco é grosso e bojudo, podendo atingir 20 m de altura e 10 m de diâmetro, chegando a armazenar 100.000 litros de água. Há exemplares que atingiram a idade de 3.000 anos. O seu fruto é a múcua. “… o imbondeiro é venerado no Leste de Angola e encarregado pela tradição de albergar determinados espíritos…”
    IMPALA – (Aepicerus melampus) Mamífero artiodáctilo da família dos Bovídeos com 50-60 kg de peso, a impala apresenta pelagem castanho-avermelhada, escurecendo no dorso e rosto, sendo que o ventre, os queixais, a linha dos olhos e a cauda são brancos. Uma zona de pêlos mais compridos do que o normal, de cor preta, cobre-lhe os calcanhares. Os chifres, esbeltos e só existentes no macho, podem atingir 1 m de comprimento e desenvolvem-se em forma de lira. A maturidade sexual é de 1 ano para os machos e 20 meses para as fêmeas com um período de 195 a 200 dias de gestação. É um antílope que vive na savana, em grandes manadas. Prefere zonas onde exista capim de porte baixo ou médio, com uma fonte de água por perto, condição que pode ser desprezada caso a erva seja abundante.
    IPUTA – Pirão.
    IR Á TUJE – Ir “a outra parte”.
    IR AOS GAMBUZINOS – Partida feita a um novo morador.
    IR PASTAR CARACÓIS – Ir pentear macacos, ir chatear outro.
    ISTO NÃO É CONGO ! – Expressão usada aquando das confusões naquele País.
    ISTO NÃO É DA MÃE JOANA ! – Aqui não é a casa da sogra!
  • J
    JINDUNGO – ( ou Gindungo ) Espécie de malagueta muito ardente e aromática, utilizada no tempero dos alimentos e confecção de molhos. Fruto do jindungueiro.
    JINDUNGUEIRO – Planta da família das pimentas, Solanáceas, nativa dos trópicos, que atinge 60-80 cm de altura e cujo fruto, o jindungo, é muito utilizado em culinária.
  • K
    KUANZA , Cuanza, Kwanza ou Quanza – O maior rio nascido em Angola, com uma extensão de 965 km e uma bacia hidrográfica de cerca de 148.000 km2. Nasce junto a Mumbué, no distrito do Bié, a uma altitude de 1.450 m e desagua no Atlântico, 40 km ao Sul de Luanda. É navegável até ao Dondo, a 200 km da foz. São seus afluentes, entre outros, os rios Kuiva, Luando e Lucala.
    KUATA – Agarra, apanha, pega, segura. Guerras de kuata! kuata! Guerras empreendidas, na época da escravatura, quer pelo exército português, quer pelos reinos angolanos mais poderosos, com o intuito de fazer escravos.
  • L
    LARICA – Estar cheio de traça, ter muita fome.
    LAUREAR O QUEIJO – Passear.
    LOMBI – ( LÔMBUAS ou SUANGA) Rama de alguns arbustos para condutos.
    LOSSAKAS E QUIABOS – Frutos verdes que se usam nos condutos.
    LUICO – Espécie de grande colher de pau ou bastão comprido com que se amassa ou bate o funje.
  • M
    MABOQUE – (Maboke ) Fruto do maboqueiro, de aspecto semelhante ao da laranja mas de casca muito dura (pericarpo ósseo) contendo inúmeras sementes envolvidas por uma abundante polpa gelatinosa com sabor agridoce ou sub-ácido. É também conhecido por laranja-do-natal e laranja-dos-macacos. Come-se ao natural ou temperado com açúcar. Pode também ser constituinte de salada de frutos, dando-lhe um sabor especial.
    MABOQUEIRO – ( Strychnos spinosa ) Arbusto de porte arbóreo, da família Lagoniaceae, muito ramificado. As pernadas e ramos são revestidos de uma grossa casca, com aspecto semelhante à cortiça. Produz um fruto muito apreciado, o maboque.
    MAFUMEIRA – ( Ceiba pentandra) (Eriodendron anfractuosum) Árvore frondosa da família das Bombacáceas que pode atingir 35 a 40 m de altura. O tronco é cilíndrico, sólido e grosso e atinge 3 m de diâmetro. A copa, arredondada ou plana, pode apresentar uma cobertura até 50 m. As folhas, caducas, são alternas e aglomeram-se nas extremidades dos ramos. As flores, dispostas em fascículos nas axilas de folhas que tenham caído, são grandes, com cinco pétalas brancas, rosadas ou douradas, muito perfumadas. O fruto é uma cápsula cheia de uma espécie de lã vegetal, designada capoca ou sumaúma, que envolve as sementes. A capoca é utilizada em colchoaria e das sementes extrai-se o óleo de capoca, usado no fabrico de sabões. A madeira é muito leve e suave e é, por isso, utilizada no fabrico de dongos isto é canoas compridas e relativamente largas.
    MACA – ( MAKA ) Conversa, dito, fala. Na tradição oral angolana as maka são “histórias narrativas de acontecimentos reais e verdadeiros ou tidos como tais… Evoca factos e acontecimentos do passado, uns verdadeiros, outros de origem lendária e fruto da imaginação, mas que se foram impondo como se de factos reais se tratasse.” Conversa decisória, conversação, assembleia pública ou familiar. Altercação, confusão, discussão, problema, sarilho.
    MAQUEIRO – Pessoa zaragateira.
    MALUVO – ( Marufo, Maruvo ) Bebida resultante da seiva fermentada das palmeiras, principalmente de palmito, bordão e matebeira. É uma bebida muito apreciada no Norte de Angola onde tem funções sociais precisas, como seja a cerimónia do alambamento, o final de uma maca ou o agradecimento ao voluntariado comunitário nas zonas rurais. Segundo uma lenda, o primeiro homem a extrair o marufo e a preparar o azeite de dendém foi Lenchá, escravo do Rei do Congo. A partir dessas descobertas nunca faltaram estas delícias na mesa do rei. Mas Lenchá levou as suas experiências ao ponto de deixar fermentar a seiva da palmeira, durante três dias. O rei achou o néctar delicioso e bebeu em doses elevadas. Apanhou a primeira bebedeira da sua vida . Com o rei viviam nove sobrinhos. Makongo, o mais velho, vendo o rei em tal estado julgou-o às portas da morte. Fez crer às mulheres do rei que tal situação resultava do veneno que lhe fora ministrado por Lenchá. Chamou os oito irmãos, levaram o escravo para longe de Banza Congo e queimaram-no vivo. O rei, ao acordar da bebedeira, estranhou a presença dos sobrinhos junto ao seu leito. Perguntou por Lenchá, o seu escravo querido. Posto ao corrente da situação proferiu sentença imediata contra a acção estúpida dos sobrinhos: seriam queimados, como o haviam feito ao seu servo. Antes, porém, que a sentença fosse executada, os nove sobrinhos fugiram da cidade e, atravessando o rio Zaire, formaram os nove reinos que passariam a constituir Cabinda.
    MANDA CHUVA – Patrão.
    MANDIOCA – ( Manihot utilíssima) Planta herbácea tuberosa, da família das Euforbiáceas, de grandes folhas divididas, flores pouco vistosas dispostas em cacho, muito utilizada na alimentação. É a base alimentar de muitos povos de Angola. Os tubérculos são utilizados de formas variadas. Expostos ao calor e moídos produzem a farinha de pau e a fuba de bombó com que se confecciona o funje. Também se consome em cru. Com as folhas prepara-se a quizaca. Tiras de mandioca secas ao sol, as macocas
    MANDIOQUEIRA – Termo popular que também designa a mandioca.
    MANGA – Fruto da mangueira. É uma drupa de forma ovóide oblonga com 15-25 cm de comprimento, de cor verde-amarelada, amarela ou avermelhada quando madura. A polpa é amarela, sumarenta e fibrosa.
    MANGA DE CAPOTE – Macarrão.
    MANGONHA – Farsa, mentira. Indolência, moleza, preguiça.
    MANGONHAR – Dar-se à mangonha, mandriar, molengar, preguiçar.
    MANGONHEIRO – Indolente, calaceiro, mandrião, molengão, preguiçoso.
    MANGUEIRA – ( Mangifera indica) Árvore da família das Anacardiáceas de copa densa e arredondada, tronco grosso, que chega a atingir 20 m de altura, com ramos numerosos que lhe dão um porte majestoso. As folhas de cor verde-escuro são perenes, coriáceas, simples, de forma lanceolada ou oblonga, com 15-30 cm de comprimento. As flores, que nascem em panículas piramidais terminais, são pequenas e de cor verde-amarelada. O fruto, a manga, é muito apreciado.
    MANGUITO – Gesto obsceno.
    MARIMBA – Instrumento musical do grupo dos idiofones, semelhante ao xilofone e constituído por uma cadeia de cabaças, servindo de caixa de ressonância, encimada por uma série de faixas de madeira ou metal (teclas) que são percutidas com uma baqueta apropriada. Pode apresentar corpo direito (recto) ou curvo, com quinze a dezanove teclas, havendo notícia de marimbas com mais de vinte teclas. Em cerimónias religiosas é comum uma marimba ter tamanho reduzido, apenas duas a quatro teclas.
    MASSAROCAS – Espigas de milho.
    MATA-BICHO – Pequeno-almoço (de faca e garfo).
    MATABICHAR – Tomar o pequeno-almoço.
    MATACO – Bunda, nádegas, traseiro.
    MATARRUANO – Patego.
    MATETE – Papa de farinha de milho.
    MATRINDINDE – Insecto ortóptero saltador, semelhante ao gafanhoto, com 7-10 cm, de cor arroxeada que, com a vibração das asas, produz um som semelhante ao da cigarra. O seu aparecimento indicia o início da época do cacimbo. Chega, por vezes, a constituir uma praga.
    MATUMBO – Estúpido, tacanho, ignorante, inculto, provinciano.
    MERENGUE – Ritmo de dança muito animado.
    MESSENE – Mestre, mestre de ofício, professor.
    MILONGO – Medicamento, remédio; qualquer fármaco.
    MISSANGA – Pequenas contas de vidro ou outro material com que se confeccionam colares, pulseiras e outros adereços, também utilizadas nas tranças dos penteados tradicionais. Há designações variadas para as missangas usadas em cerimónias tradicionais. Variedades de missangas adoptadas em colares ou relicários consagrados aos espíritos.
    MOKOTÓ – Pé de boi preparado para confeccionar comida.
    MORINGA – Bilha de água de gargalo estreito.
    MORRO – Monte, outeiro.
    MUAMBA ou Moamba – Líquido ou molho oleoso obtido por cozedura de massa de dendém pisado. Prato típico de guisado de galinha ou outras aves, carne de vaca ou peixe, com o referido molho, tendo como temperos e ingredientes azeite, alho, cebola, quiabo e jindungo. Dizendo-se simplesmente Muamba, está a referir-se a de galinha. Sendo de outra carne ou de peixe é necessário especificar, Muamba de… Tradicionalmente é acompanhado de funje ou pirão, mas também o pode ser com arroz. Também designa contrabando, negócio ilegal.
    MUCANDA – Carta, bilhete, papel; qualquer escrito. Recado.
    MÚCUA – Fruto do imbondeiro, constituído por uma massa ácida comestível e um emaranhado de fibras que envolvem as sementes.
    MUCUBAL – Povo Ovakuvale do grupo etnolinguístico Herero , que vive essencialmente da pastorícia.
    MUKENKO – Murro.
    MULEMBA – (Ficus thonningii sin. F. welwitschii) Figueira africana. Árvore sarmentosa da família das Moráceas, de seiva leitosa. Apresenta um porte elevado, chegando a 15-20m de altura, e a copa é volumosa e muito ramificada, sendo muito apreciada pela sombra que produz. Dá-se em terrenos secos e arenosos. Apresenta raízes aéreas, conhecidas popularmente por barbas. Os frutos, figos, que nascem nas axilas das folhas, com 8-12 mm de diâmetro, atraem uma grande variedade de pássaros. É a árvore real angolana, já que à sua sombra se reuniam os chefes e reis. Mulemba-xietu a mulemba da nossa terra.
    MULEQUE – Rapaz, criado, moço de recados. Malandro, preguiçoso, vadio.
    MUSSEQUE – Começou por designar os terrenos agrícolas pobres e arenosos, situados fora da orla marítima e em redor das cidades. A designação tornou-se extensível ao bairro de lata, bairro pobre, na cintura urbana das grandes cidades, principalmente em Luanda.
    MUXIMA – Vila e município da província do Bengo, na margem esquerda do rio Cuanza. É célebre a Igreja de Nossa Senhora da Muxima, ou da Conceição, de culto à Virgem Maria.
    MUXITO – Mata ou bosque denso.
    MUZONGUÊ – Guisado com peixe seco e fresco, com bastante jindungo e farinha de pau.
  • P
    PEITO-CELESTE – Este nome advém do colorido das penas do peito, azul celeste vivo no macho, sendo que as fêmeas além de um colorido menos vivo apresentam o ventre bege. O canto do macho é agradável e vigoroso. Vive em pequenos bandos, preferindo os terrenos cultivados, o campo aberto e a savana, mas também frequenta os limites urbanos desde que haja charcos de água por perto. Embora no campo seja mais fácil ocupar os ninhos abandonados pelos tecelões e outros pássaros, também constrói o seu próprio ninho com pedacinhos de mato seco e capim, chegando a fazê-lo na cobertura de colmo das cubatas. A sua postura é de 3 a 4 ovos. Alimenta-se de insectos, grãos, sementes e verdura fresca.
    PENEIRENTA – Pessoa vaidosa.
    PICADA – Estrada de terra batida de 3.a categoria.
    PILDRA – Prisão, chossa, xilindró.
    PILIM – Dinheiro, taco, carcanhol, bago, kumbú.
    PIPI – Pessoa vaidosa, calcinhas.
    PIRÃO – Iguaria gastronómica. Coze-se, conjuntamente, peixe fresco e seco com batata-doce ou mandioca. A água da cozedura, ainda quente, é temperada com óleo de palma ou azeite de oliveira, cebola e tomate, formando um caldo leve, o muzonguê. Acompanha-se com farinha de mandioca embebida no caldo. Embora o termo se tenha generalizado para o prato em si, é à farinha assim preparada que a designação é devida. Por acomodamento, em Angola deve chamar-se funje a massa confeccionada com fuba de mandioca e pirão a confeccionada com fuba de milho e similares. O pirão é característico das regiões do centro e Sul de Angola.
    PIRAR A ROSCA – Entrar em parafuso, ficar meio choné.
    PITANGA – Fruto comestível da pitangueira, de forma globosa, polarmente achatado, sulcado longitudinalmente e de aspecto brilhante. A polpa, alaranjada ou vermelha quando madura, tem um sabor adocicado, levemente ácido ou agridoce.
    PITANGUEIRA – Planta arbustiva da família das Mirtáceas, originária da América do Sul, muito provavelmente do Brasil. Pode atingir o porte de árvore, com 6 a 10 m de altura, com copa piramidal, tronco de 30 a 50 cm de diâmetro e cujo fruto, a pitanga, é muito apreciado. As folhas variam do vermelho ao verde-brilhante, da juventude à idade madura. As flores, genericamente, são brancas e aromáticas com floração abundante.
    PÓPILAS! – Chissa! Possa! Arre! Porra!
    PUNGO – Peixe perciforme marinho.
  • Q
    QUIABEIRO – (Hibiscus esculentus) Erva anual da família das Malváceas, de porte erecto que atinge cerca de 1m de altura, cultivada pelas folhas, frutos, sementes e fibras. O fruto, o quiabo, é muito utilizado em culinária.
    QUIABO – Fruto do quiabeiro , também designado quingombo , em forma de cápsula cónica, de consistência viscosa quando maduro, muito utilizado em culinária, nomeadamente na muamba.
    QUIMBANDA – (Kimbanda, Kimbandeiro, Quimbandeiro) Curandeiro; aquele que pratica a medicina tradicional. O quimbanda na tradição cultural bantu, como supremo ocultista, tem uma amálgama de poderes: é, simultaneamente, adivinho, curandeiro e feiticeiro.
    QUIMBO – (Embala, Libata, Sanzala) Aldeia rural tradicional, aldeia indígena, povoado, sanzala.
    QUINDA – Cesto sem asas, que servia para transportar cereais.
    QUISSÂNGUA – Bebida fermentada feita com milho ou com fuba.
    QUISSANJE ou Quissange – Instrumento musical do grupo dos lamelofones, constituído por uma tábua ou placa de madeira, onde estão fixadas várias palhetas ou lâminas de bordão, bambu ou metal, presas a um cavalete. Apresenta de sete a dezasseis palhetas, ou mesmo vinte e duas (muito raro). Pode ser-lhe adaptada uma cabaça truncada que serve de caixa de ressonância ou amplificador. O instrumento mantém-se preso entre as duas mãos e os dedos polegares fazem vibrar as palhetas.
    QUITANDA – Banca, tenda ou loja de comércio; negócio, venda; tratava-se, originalmente, de produtos hortícolas frescos, tendo-se esta acepção tornado extensível a qualquer tipo de comércio praticado nas mesmas condições. Tabuleiro, maleta ou quinda onde o vendedor ambulante transporta os produtos.
    QUITANDEIRO – Aquele que faz negócio em quitanda, dono de quitanda, pequeno comerciante, vendedor ambulante.
  • R
    REBITA – ( Massemba ) Farra de sanzala. Embora considerada tipicamente angolana, proveniente da área do quimbundo, resultou da aculturação, provavelmente de grupos étnicos portugueses. Posteriormente à sua formação, este bailado, em nova incorporação lusitana, foi, por esses elementos, designada por rebita. E o termo, antes restrito ao seu meio, generalizou-se à massa popular. Este género de diversão foi muito usado pelas gentes de Benguela, Catumbela e Bié.
    REVIENGA – Finta de corpo, movimento rápido em zig-zag, volteio rápido.
  • S
    SACANA – Malandro, sacariôto, sacripanta.
    SANGA – Cântaro ou pote de barro para transportar ou conservar água. Pote onde cai a água, filtrada por pedra porosa própria para purificá-la, ou o próprio conjunto pedra/pote.
    SANZALA ou SENZALA – Aldeia rural tradicional.
    SAPE-SAPE – ( Annona spp) Árvore da família das Anonáceas, também conhecida por anoneira. A árvore pode atingir 15 m de altura. As folhas, alternas, são perenes e de cor verde-escura. O fruto, cordiforme e coberto de saliências espinhosas, é segmentado, com um diâmetro de 10-12 cm, coloração exterior variando do amarelo-esverdeado ao vermelho quando o fruto está amadurecido e polpa branca de sabor adocicado. As folhas são utilizadas na medicina tradicional.
    SECULO – Ancião, velho; conselheiro do soba; homem respeitável. Corresponde a Cota, entre os quimbundos.
    SEMBA ou REBITA – Dança tradicional angolana caracterizada pelas umbigadas (sembas) dos dançarinos. Na sua forma mais genuína a dança é acompanhada por coros de sátira social a acontecimentos do quotidiano ou políticos.
    SÉTIMO ANO DE PRAIA – 4.a classe.
    SIPAIO – Polícia africano, geralmente adstrito às Administrações de Concelho e aos Postos Administrativos. Pertenceu aos Serviços de Administração Civil e actuava junto da população autóctone. O cargo era desempenhado por naturais.
    SIRIPIPI ou SERIPIPI – ( Colius castanotus) Pássaro frugívero, da família dos Coliídeos, o siripipi-de-benguela, também conhecido por rabo-de-junco-de-rabadilha-vermelha, é uma ave com 35 cm de comprimento e 45-60 g de peso nativa de Angola, característica por apresentar, em ambos os sexos, uma crista e cauda duas vezes superior ao tamanho do corpo. A plumagem é cor-de-canela, a face é negra, o peito e garganta cinzentos, o ventre alourado pálido e a rabadilha vermelha. O ninho, em forma de taça, é construído pelo casal, oculto entre a vegetação e por vezes junto ao solo, com materiais vegetais e penas. A fêmea põe 2-5 ovos que são incubados por ambos, durante 2-3 semanas. A incubação começa no momento da postura do primeiro ovo, o que provoca que o ninho tenha crias em vários estádios de desenvolvimento. Os juvenis estão aptos a voar ao fim de 17 dias. Vive em matas e na orla das florestas. Voa pausadamente, dado o comprimento da cauda, em bandos de 5-8 indivíduos em fila indiana. Alimenta-se de rebentos, folhas e frutos de vegetação variada.
    SOBA – Autoridade tradicional, chefe do quimbo ou sobado; chefe tribal, régulo. O soba, em certas regiões, é escolhido pelo conselho de sobas; noutras a sucessão é matrilinear, sucedendo-lhe um sobrinho, filho de uma irmã.
    SOBADO – Território sob administração de um Soba.
    SUMAÚMA – Enchimento seco mas muito fofo para almofadas e colchões.
    SURRIADA GALINHA ASSADA – Expressão acompanhada de gesto com os dedos, a fazer pouco de outra pessoa
  • T
    TABAIBEIRA – (Opuntia ficus indica) Figueira-da-índia; Piteira.
    TABAIBO – Designação que se dá no Sul de Angola, por influência madeirense, ao fruto da figueira-da-índia ou tabaibeira. De forma ovóide, achatado nos pólos e recoberto de inúmeros espinhos, tem uma polpa muito sumarenta e sabor agridoce.
    TACANHO – Panhonha, patarôco.
    TACULA – (Pterocarpus tinctorius) Árvore de grande porte que chega a atingir 20 m de altura, endémica das matas de Angola. A madeira, de grande dureza e resistência, branca ou vermelha com veios vermelhos, é usada em mobiliário. É uma madeira de enorme beleza.
    TAMARINDEIRO – (Tamarineiro, Tamarinheiro, Tambarineiro) (Tamarindus indica) Árvore de tronco grosso, folhas pinadas e flores amarelo-avermelhadas, que fornece boa madeira e frutos comestíveis, o tamarindo.
    TAMARINDO – Fruto do tamarindeiro, comestível e também utilizado em farmacologia.
    TCHINDELE – Homem branco
    TEMPO DE CAPARANDANDA – Há muito tempo, tempo antigo.
    TIPOIA – Palanquim de tecido p/ transportar pessoas.
    TORTULHOS – Cogumelos grandes.
    TRINCA-ESPINHAS – Pessoa muito magra.
    TUQUEIA – Peixe miúdo (seco) pescado nas anharas de Camacupa e do Moxico.
  • U
    UMBUNDO – Povo do grupo etnolinguístico Ovimbundo e uma das línguas étnicas de Angola. O falante desta língua; aquele ou o que pertence ou se refere a este grupo.
  • V
    VENDER A BANHA DA COBRA – Vender com muita lábia, vender bem aquilo que não presta.
    VIMBAMBAS – Tarecos, as coisas de casa.
    VISSAPA ou Bissapa – Moita, sarça, silvado.
  • W
    WELWITSCHIA – ( Welwitschia mirabilis) Planta descoberta pelo botânico austríaco Frederico Welwitsch no século XIX. “A primeira informação que deste vegetal chegou à Europa transmitiu-a o seu descobridor a Sir William Hooker, reputado homem de ciência, em carta, escrita de Luanda, a 16 de Agosto de 1860… Tem a Welwitschia o tronco obcónico, de cor acastanhado, que se eleva poucas polegadas acima do terreno e é na parte superior achatado, bilobado e deprimido lateralmente, atingindo por vezes catorze pés de circunferência no seu máximo desenvolvimento. Segue-se-lhe, internando-se pelo solo, uma forte raiz, que só muito para a extremidade se ramifica e se divide em radículas. Das origens dos dois lóbulos nascem duas únicas folhas, largas, rijas e persistentes, que se estendem pela superfície da terra, fendendo-se com a idade. E junto à inserção das folhas partem duas hastes ou pedúnculos sustentando pinhas escarlates, em cujas escamas se abrigam flores solitárias. A Welwitschia é curiosíssima, não apenas por invulgar, mas ainda por se apresentar sempre repetida quase exclusivamente de numerosos indivíduos da mesma espécie que dão ao terreno um aspecto especial deveras interessante… A Welwitschia existe, porém, somente no Distrito de Moçâmedes.
  • X
    XANA ou Chana – Planície, savana, charneca africana.
    XINDELE – Branco, indivíduo de raça branca; Amo, senhor, patrão.
    XINGAR – Injuriar, praguejar.
    XITACA ou Chitaca – Pequena propriedade agrícola de subsistência; terreno para plantação; lavra.
  • Z
    Zamberenguenjê – estar com os azeites, estar zangado.Ver mais 

domingo, 4 de novembro de 2012

TRADUTORES NO BRASIL

> Residência traz 16 tradutores ao Brasil

> Programa da Fundação Biblioteca Nacional quer ampliar interesse pela
> tradução de livros nacionais no exterior

> Ministério tem R$ 74 mi até 2020 para promover literatura no
> exterior, por meio de traduções ou propaganda

> DO RIO
> Dezesseis tradutores de editoras estrangeiras virão ao Brasil entre
> janeiro e agosto de 2013 para um intensivão cultural.
> Eles foram selecionados para a primeira edição do programa de
> residência de tradutores da FBN (Fundação Biblioteca Nacional)......

> .... O orçamento do programa é de R$ 154 mil. O valor vai custear a
> permanência dos tradutores no país (hotel e alimentação)
> e as passagens aéreas de ida e volta ao país de origem, além da
> visita a uma das três cidades-sede dos parceiros no programa.

> http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/75551-residencia-traz-16-tradutores-ao-brasil.shtml

sábado, 3 de novembro de 2012

alma açoriana

copiei este bonito artigo publicado no Jornal Açoreano Oriental a 13 de Junho de 2011

Identidade açoriana


Somos de alguma parte, de uma terra, de um país.

Dentro de nós há um lugar, que surge como um filme que se revê, sempre que fechamos os olhos. Cores, cheiros e até sons ou vozes animam a tela da nossa mente, quando recordamos lugares de infância, a casa dos avós ou a freguesia onde ainda temos família, que agora visitamos nas férias. Um lugar onde aprendemos a ser pessoas e onde, quis o destino, aprendêssemos a falar com um determinado sotaque e onde aprendemos a descobrir quem somos e porque estamos aqui.

Dentro de nós há raízes profundas que nos agarram por dentro e, por mais que viajemos, representam um lugar seguro, onde respiramos melhor e nos sentimos em casa.

A identidade é essa forma própria de ser, que não se molda nem se desfigura, que não se verga nem pode ser destruída, mesmo quando os dramas da história comprometem a sua existência, como aconteceu com comunidades da América latina, exterminadas pela colonização, que hoje sobrevivem no seu património e sabedoria ancestrais.

Dentro dos açorianos, há uma fibra que não se verga, uma rocha que não quebra, um cheiro a mar que não se apaga. Dentro de cada açoriano, há a certeza de pertença a estas ilhas, mesmo quando o destino quis que vivessem longe, em terras da emigração ou no continente. Dentro daqueles que, não sendo açorianos, adoptaram esta terra por sua, há um sentimento de pertença. E não é por acaso.

Viver nestas ilhas cria raízes. É difícil escapar à força desta gente que soube transformar pedreiras em terras de pão, enfrentou baleias em mar alto e se defendeu dos ataques da pirataria.

A identidade açoriana dificilmente pode ser entendida fora do universo de crenças que marca a história deste povo, que viu na natureza a força de um Deus que castigava e na oração um laço que transformava o medo em esperança. As romarias, as coroações, os bodos de leite e as promessas são bem a imagem desse povo crente que, perante a desgraça se volta para o outro, reforça a solidariedade e é capaz de mudar de vida.

Somos um povo de crentes, por isso o Espírito Santo não é apenas mais uma festividade, mas a expressão da própria identidade açoriana. Durante semanas, as famílias que aceitam uma “dominga” nas suas casas, rezam em comunidade; os mordomos que se dispõem a organizar a festa, preparam as pensões, as dádivas e fomentam a partilha.

Em dia de festa, a coroação é sem dúvida o seu momento mais importante, mas quem é coroado é sempre o mais humilde, aquele que se dispõe a aceitar a protecção do divino.

Somos um povo de gente humilde que aprendeu, na adversidade, a partilhar a fartura e a se alegrar com isso. Não se recusam convivas à mesa das sopas e ninguém nega um lance nas arrematações, em louvor do Senhor Espírito Santo.

Somos um povo com raízes. Raízes no mar, mas que identificam e nos prendem a estes pedaços de terra onde nos sentimos em casa, envoltos pelo cheiro do incenso que cobre o chão dos quartos, em dia de festa, e veste as ruas em dia de procissão.

Não há melhor traço para unir os açorianos, onde querem que vivam, do que invocar o Espírito Santo, que o povo aprendeu a venerar, fora e dentro das igrejas.

Por isso, o povo se sente identificado por ser na oitava da festa de Pentecostes que a Região festeja o seu dia e reaviva as suas raízes, que afirmam e distinguem a açorianidade.

(publicado no Açoriano Oriental, a 13 Junho 2011 - Dia dos Açores)

se os portugueses votassem

Se os portugueses votassem nas eleições americanas, Obama era eleito
Hoje, 31 de outubro, é Dia de Halloween e os republicanos dizem que este
ano as máscaras de Barack Obama vendem-se mais do que as de Mitt Romney visto
serem “mais aterradoras pela perspetiva de mais quatro anos de crise”.
É uma das muitas piadas a propósito das eleições presidenciais do dia 6 de
novembro nos EUA e que, coisa impensável há trinta anos, são um pleito entre
um milionário mórmon, Mitt Romney e um negro esperto, Barack Obama.
Romney, pertence a uma rica dinastia política mórmon e republicana. O pai,
George Romney, foi governador do Michigan (1963-1969) e, em 1968, tentou a
Casa Branca, mas perdeu nas primárias republicanas para Richard Nixon, que
foi eleito e o nomeou secretário da Habitação e Desenvolvimento Urbano. A mãe.
Leonore Lafount Romney, foi atriz (participou em vários filmes da MGM) e
candidatou-se em 1970 ao Senado pelo Michigan.
O filho, cujo nome completo é Willard Mitt Romney, nasceu há 65 anos em
Detroit e, depois de uma bem sucedida carreira empresarial, foi eleito
governador de Massachusetts. Não se recandidatou para se lançar na corrida à Casa
Branca e, em 2008, gastou do seu próprio bolso 48 milhões de dólares, mas foi
preterido por John McCain. Volta a tentar em 2012, não se sabe quanto terá
gasto desta vez, mas as sondagens sobre as intenções de voto dão-lhe um
empate a 49% com o presidente Obama.
Quanto a Barack Hussein Obama, nasceu em 1961 em Honolulu e era filho de
Ann Dunham, uma antropóloga americana e um estudante queniano, mas foi criado
apenas pela mãe. Foi deputado estadual de Illinois (1967-2004), tornou-se
senador federal em 2005 e, em 2008, o primeiro afro-americano eleito
presidente dos EUA.
A eleição de Obama, recebida como algo de mágico que iria mudar a América e
o mundo, foi sobretudo porque os americanos estavam cansados de Bush Jr.,
que lançou o país na desnecessária guerra do Iraque e na bagunça de Wall
Street com a prática dos subprimes que despoletou uma crise financeira e
económica mundial.
Mas as reformas na saúde e nas finanças propostas por Obama assustaram o
grande capital e, nas eleições legislativas de 2010, os bancos de Wall Street,
as seguradoras e a indústria médico-farmacêutica investiram três biliões de
dólares, qualquer coisa como três mil milhões, nos candidatos republicanos
e o investimento compensou: os republicanos passaram a controlar a Câmara
dos Representantes com 240 lugares e a boicotar as iniciativas da Casa Branca.
Obama caçou Osama bin Laden, o inimigo número um dos EUA, tirou o país da
alhada do Iraque, mas ainda assim os americanos estão desanimados com o
desemprego e, embora a crise não tenha sido da sua responsabilidade, poderá
custar-lhe a reeleição.
Na história das eleições americanas só nove presidentes não conseguiram ser
reeleitos, incluindo três após a II Guerra Mundial: George Bush, 1992;
Jimmy Carter, 1980 e Gerald Ford, 1976. Obama poderá juntar-se ao grupo e por
isso o antigo presidente português Mário Soares decidiu escrever dia 11 de
outubro uma carta aberta dirigida ao 44º presidente dos EUA que saiu em vários
jornais americanos, nomeadamente o PortugueseTimes.
Soares declara-se admirador de Obama e considera-o “um dos grandes
estadistas mundiais”, mesmo “digno de um Roosevelt, de um Churchill, de um Willy
Brandt, de um François Mitterrand, bem como, pela sua estatura moral e
humanitária, de um Nelson Mandela”.
Parece-me exagero comparar Obama a Mandela, que para além da pigmentação da
pele nada têm em comum, e ainda menos a Roosevelt e Churchill, tanto mais
que a Al Qaeda não é (ainda) a Alemanha nazista e nem Osama bin Laden é Adolf
Hitler.
Contudo, surpreendido com a performance dececionante de Obama no primeiro
debate com Romney, Soares decidiu estimulá-lo: “Dê tudo por tudo para ganhar.
É o futuro da Humanidade - não é só a América - que está em jogo.”
Para Soares, a derrota de Obama constituiria “uma verdadeira desgraça para
a América, para a Europa e para o mundo”, uma vez que se “os seus rivais
republicanos voltassem ao poder, teriam resultados muito piores do que os do
mandato de Bush Júnior”.
Tal como a maioria dos governantes europeus, Soares tem certa apreensão se
Romney vier a ser presidente devido ao peso do ultraconservador movimento
Tea Party na sua administração e à escolha de um radical, Paul Ryan, como
candidato a vice-presidente.
Ainda por cima, em 1993, quando concorreu ao Senado, Romney era mais
liberal que Ted Kennedy, mas agora é mais conservador que Newt Gingrich e por isso
até muitos republicanos moderados estão apreensivos.
Por essas e por outras, o mundo prefere Obama. Segundo sondagem
GlobeScan/Pipa, Obama é preferido de 81% da população mundial e apenas 19% prefere
Romney. Por continentes, os europeus são os que dão a maior avaliação positiva a
Obama (42%), seguidos sul-americanos (40%) e asiáticos (39%).
Na Europa, Obama é favorito de 98% dos islandeses e de 97% dos portugueses,
holandeses, franceses e alemães. No continente americano, Obama receberia
66% dos votos dos canadianos e de 65% dos votos dos brasileiros e Romney
apenas 7%.
Os únicos países onde Romney é favorito são a Geórgia (36%), Macedónia
(30%), Israel (65%) e Paquistão (41%).
Nos EUA, nem todos pensam que as nossas vidas - e talvez as nossas mortes -
dependem em grande medida do inquilino da Casa Branca e alguns sentem-se
seduzidos pela promessa de Romney de que vai convencer os seus amigos
milionários a criar milhões de empregos.
Mas quando um político em campanha fala em criar empregos está é a
referir-se ao seu próprio emprego. Os amigos milionários de Romney (e ele próprio),
têm as fortunas a render em paraísos fiscais e pouco investem nos EUA.
Números do Departamento de Comércio revelam que as grandes companhias
americanas cortaram 2,9 milhões de empregos nos EUA entre 2000 e 2009 e criaram
2,4 milhões de empregos no estrangeiro. As pequenas empresas é que são
responsáveis pela maioria (60%) dos novos postos de trabalho nos EUA e são a
espinha dorsal da economia do país.
Quem conhece bem Romney é António Cabral, deputado estadual de
Massachusetts, que fez as seguintes declarações ao jornal Público, de Lisboa: “Na minha
região, no estado de Massachusetts, temos um conhecimento profundo de Mitt
Romney e quando foi governador desse estado foi sem dúvida um dos
governadores mais anti-imigrante das últimas décadas (...) Na minha opinião, se tiver
sucesso em 6 de novembro levará essa maneira de pensar e de abordar o assunto
da imigração a nível nacional e isso não é bom para a comunidade
luso-americana, não é bom para o país”.
Refira-se que Romney foi o 70º governador de Massachusetts (2003-2006), mas
não resolveu o problema do desemprego e a sua principal preocupação foi
privatizar as universidades.
Acresce que faço parte dos 47% de estadunidenses que Romney considera
parasitas.
Portanto, o que vos posso dizer é que não sei quem votará Obama, mas sei
quem não votará Romney.

====================================
Luso-descendentes no Congresso

Há presentemente três luso-descendentes no Congresso dos EUA, um senador e
dois congressistas, todos eles bisnetos de açorianos. São eles o senador Pat
Toomey, republicano da Pennsylvania que não tem eleições este ano e os
congressistas da Califórnia Devin Nunes, republicano e Jim Costa, democrata,
ambos rancheiros no Vale de San Joaquim e que tanto sacam leite às vacas como
votos aos vaqueiros. Há ainda outros dois candidatos, Alex Pires, candidato
ao Senado pelo Delaware e David Valadão, candidato à Câmara de Representantes
pelo 21º Distrito da Califórnia.
O único com o lugar garantido, uma vez que só tem eleições em 2016, é Pat
Toomey, nascido em 1961 em Providence, RI e cuja mãe, Mary Ann Andrews
(Andrade) é neta de açorianos. De 1999 a 2005 foi congressista pelo 15º Distrito
da Pennsylvania e após uma travessia do deserto, foi eleito para o Senado em
2010. É um republicano da linha dura num estado tradicionalmente liberal. A
revista Mother Jones diz que “Pat é tão ultraconservador que mais parece um
candidato do Texas” e o site The Daily Beast considera que “fundou o Tea
Party quando ainda não existia Tea Party”.
Candidato independente ao Senado pelo Delaware, o advogado Alexander J.
Pires, 65 anos, tem raízes em Easton, MA, onde nasceu em 1947, o segundo dos
cinco filhos do casal Alexander J. Pires Sr. e Mary Barros Pires, ambos filhos
de imigrantes. Ainda tem um irmão e duas irmãs em Easton, onde a família
possui a Pires Hardware.
Alex Pires fez fortuna em processos com indemnizações de muitos milhões e
hoje é proprietário de discotecas, restaurantes e hotéis em Washington, DC,
Virginia, Maryland e Delaware. Fundou também o Community Bank Delaware,
seguindo o exemplo de um tio que fundou o North Easton Savings Bank.
Dos lusodescendentes candidatos à Câmara dos Representantes, o republicano
Devin Nunes, 39 anos, a concorrer pelo 21º distrito do estado da Califórnia,
é o que parece ter a reeleição assegurada visto estar num distrito
fortemente republicano. Foi eleito a primeira vez aos 25 anos, um dos congressistas
mais jovens na história dos EUA. Proprietário da Nunes Family Farm, Nunes
foi considerado pela revista Times uma das 40 promessas da política
norte-americana, mas o apoio do movimento conservador Tea Party não é das companhias
mais recomendáveis para os eleitores da Califórnia.
Jim Costa (o verdadeiro nome é Manuel James Costa), esteve 24 anos na
legislatura estadual na Califórnia e foi eleito para o Congresso em 2005 pelo
Distrito 20. A sua reeleição foi complicada em 2010 e a sua derrota pelo
produtor de cerejas Indy Vidak chegou a ser noticiada, mas os eleitores residentes
fora da Califórnia que votaram pelo correio asseguraram-lhe o quarto
mandato. Em 2012, Jim Costa concorre por um novo distrito, o número 16 e as coisas
não estão fáceis. Se a reeleição falhar, Costa vai dedicar-se ao seu rancho
em Kearney.
Dennis Cardoza, um democrata demasiado conservador para os padrões da
Califórnia, representou o Distrito 18 desde 2003 e foi reeleito quatro vezes, mas
decidiu resignar em 12 de agosto último alegando razões familiares, mas que
poderão ter sido as alterações introduzidas no 18º Distrito, que lhe
retirou as áreas com maior tendência democrática. Cardoza trabalha presentemente
para a firma de advogados Manatt, Phelps & Phelps, fundada por Charles Taylor
Manatt, que foi presidente do comité nacional do Partido Democrata.
O provável sucessor de Cardoza no Congresso é o republicano David Valadão,
natural de Hanford e presentemente no primeiro mandato como deputado
estadual pelo 30º Distrito da Califórnia. Neto de açorianos da Terceira (o seu avô
materno era o famoso Tio Zé Grande da Ribeirinha, que media mais de seis
pés), quando não está em Sacramento, Valadão gere a Valadão Dairy de sociedade
com os irmãos.
Com apenas 34 anos, David Valadão está bem posicionado para chegar ao
Congresso em novembro, diferindo dos outros eleitos lusodescendentes por falar
português fluentemente.



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seara democrática da açorianidade

MEMORANDUM
João-Luís de Medeiros
 
(em Portuguese Times, 24 Out 12)
Seara Democrática da Açorianidade

Na (minha) veterana condição de imigrante, com a memória a oscilar entre a
imensidão oceânica do pacífico e a seara democrática da açorianidade,
gostaria de confirmar que cultivo o hábito de oferecer uma ‘olhada’ aos louvores
e aos epitáfios democráticos subscritos pelos habituais comentaristas da
nossa praça intelectual, mormente nesta quadra eleitoral em que o coro dos
deserdados vem à rua gritar: ‘de pé, óh vitimas da fome, não mais, não mais a
servidão’

Ora, o resultado das recentes eleições regionais não me causaram surpresa.
Digo isto sem escorregar no lamaçal da trivialidade. Em democracia, não há
derrotas – há esperas!
Já clarifico o meu lampejar linguístico: à distância de seis mil milhas (e
cerca de 80 horas antes do anúncio do resultado legalmente conferido ao
PS/A), arrisquei adivinhar em linguagem irónica, através de um dos mais
populares programas radiofónicos da diáspora lusófona, que o jovem açoriano, dr.
Vasco Cordeiro, iria ser ‘punido’ com uma vitória absoluta…!
Vejamos: afinal, cavalheiras(os), as eleições acontecem para seleccionar
projectos ou para escolher individualidades? Estou em crer que o que
eleitorado açoriano poderá ser comparado a um idoso em busca de sossego para acender
uma velinha na escuridade. Nada se esgrimir certezas! O medo (perdão! melhor
dizendo, o pavor da tortura repetida) inspira muitos cidadãos a inventar
governos; depois (dentro desses governos) a cultura do medo engrossa a
perpetuidade institucional, a fim de evitar o apagão do desemprego, segundo o novo
evangelho troikista.
De resto, a sabedoria inerente à autonomia pessoal (não estou a falar de
competência tecnocrática) só é possível quando o cidadão aprende a
controlar-se. Neste contexto, vou já socorrer-me da poesia de Sophia de Mello Breyner

Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não…


Adiante. Há cerca de dez anos, o economista Gualter Furtado (um dos poucos
cavalheiros açorianos que não pertence à família socialista mas que merece a
minha consideração democrática) teve valentia de afirmar a diferença entre
o exercício do ‘poder’ e a assunção da ‘responsabilidade’, e entendeu
desabafar na imprensa regional o seguinte:
“ (…) Portugal está a viver dos fundos comunitários e dos empréstimos. O
país está a sofrer dois choques, o interno, devido à baixa produtividade, e o
externo pela situação internacional que não é muito favorável. O sector
público é uma autêntica ruina para o país, que não tem capacidade produtiva e
não tem produção de impostos suficientes para fazer face às necessidades do
sector público, que tem que ser fortemente redimensionado
”… (vide “Correio
dos Acores” - 10 Fev. 2002).
Meus caros: caso fosse apóstolo da Verdade (mas… o que é afinal a Verdade?)
anunciaria não hesitar em apetrechar os autonomistas açorianos com
eficientes asas angélicas; todavia, com uma meiga condição a prori: cada qual teria
de aprender a voar sozinho

Digo isto, porque chegámos ao ponto de nos sentirmos felizes com a boa
gerência da nossa tristeza… Se calhar, morrer é emigrar um pouco. Afinal, quem
anda por aí a repetir que a morte nos torna eternos...?
Vamos até à avenida da Verdade: a partir de1963 (sobretudo a partir de
Abril-74) tive a boa-sorte de usufruir do acesso (gratuito) a mestres valiosos
que me ensinaram a comparar ideias e a compreender noções básicas da ciência
política. A minha ignorância nunca foi retalho escondido no colete da
vaidade.
Clarifico: algum tempo após a minha experiência na ALRA, assentei praça na
bancada parlamentar do PS, em San Bento (Janeiro. 1978), onde me foi dado
conviver com alguns dos veteranos mais ‘sabidos’ da engrenagem política do
tempo – camaradas que depressa notaram o meu sincero (embora tímido) apetite
pelo saber. Refiro-me a Jaime Gama, Medeiros Ferreira, Mário Mesquita, Mário
Cal-Brandão, Teófilo Carvalho dos Santos, Igrejas Caeiro, António Guterres.
Naquele tempo, tive a boa sorte de aprender que o ‘saber’ e a ‘liberdade’
não são adquiríveis pela via decretal das capelitas maçónicas… Ainda hoje,
continuo a aprender que o ‘hímen’ da autonomia politica continua a ser
amarfalhado pelo ceptro do capital internacional. De resto, nunca subscrevi a
portaria de que os Açores são uma região oceânica formada por São Miguel
rodeado por oito ilhas…
Seja-me permitido recordar que cerca de dois anos antes da primeira vitória
do PS/A (já lá vão 18 anos), deixei registado na comunicação social da
diáspora lusófona, o seguinte comentário:
“ (.../…) uma crise é como uma febre: não define claramente a natureza da
doença, mas serve ao menos para alertar quem tem a indeclinável
responsabilidade de diagnosticar e de ministrar a subsequente terapêutica aconselhada
(…) a gritante crise social que grassa nos Açores, embora acelerada na última
década pelo social-narcisismo do PPD/PSD, não deve ser vista como
fatalidade acontecida a um povo mal treinado para suportar penitentes necessidades.”
Ora, para muitos açorianos, a coragem de aprender não é vista como acto da
inteligência, mas sim como admissão pública duma inconfessada enfermidade.
Lamentavelmente, nunca chegou a ser encetada nos Açores uma experiência
autonómica assente num regime (inequivocamente) social-democrata… Assim sendo,
incumbe ao PS/A a tarefa de viabilizar a social-democracia nas ilhas, sem
complexos teocráticos nem teimosias jesuíticas…
Em Outubro de 2012, o povo açoriano ofereceu ao PS/A um grande bolo de
massa-sovada de responsabilidade. Não apreciamos o ‘balho-furado’ celebrativo
da pequena-burguesia socialista. Não desejamos ver os socialistas como
peixinhos vermelhos a nadar em água benta” . Afinal, a inveja comunitária é uma
guerriha inventada pela genética e praticada pelo biologia”. O mundo é
redondo e todos andamos curvados para entender o (des)equilíbrio do momento que
passa…
Há fome nos Açores? Ora vejamos: na edição do “Correio dos Açores”, de 29
e Agosto de 1999, a dra. Luísa César afirmava com invulgar sentido de
oportunidade: “… temos 6.000 bocas com fome em S. Miguel… situações graves que
estamos aquém de dar resposta às necessidades. Temos de ter um máximo rigor na
distribuição, de forma a que os apoios cheguem às pessoas que de facto
precisam…”
Bom dia, estimado camarada, dr. Vasco Cordeiro: se calhar vamos precisar da
Secretaria Regional da Verdade! Não me agrada saturar os olhos do prezado
leitor com louvores ao futuro gestor da administração regional, embora já no
Verão de 2004 mencionasse Vasco Cordeiro como potencial successor de Carlos
César… Felizmente, os actuais governantes da Autonomia não estarão ocupados
em resolver ‘os problemas da evacuação da humanidade para o exterior, antes
da morte do Sol
…’
Caríssimo camarada Vasco Cordeiro: confesso que não recordo de vos ter
visto, na tarde de 27 de Abril de1974, junto às Portas da Cidade, quando por ali
andei com um filho em cada braço, à espera do major Melo Antunes rebentar a
fechadura da entrada da nojenta PIDE/DGS. Mas dado que, na altura, contava
apenas um ano de idade, está desculpado…!
(Hoje, vim aqui para sugerir que não seja mais um gestor da Autonomia a
refrescar o estilo presidencialista, ou seja, imitador dos grandes maestros
musicais que controlam as suas orquestras com o respectivo traseiro voltado
para a assistência)…
P.S. (…) falta referir que este singelo conselho vai assinado pelo modesto
camarada que, em Outubro de 1980, partiu para melhor ficar. Trata-se de um
veterano democrata-imigrante que prefere viver à custa do que é, do que
existir à custa do que tem…


Rancho Mirage, California - USA


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salvar a universidade dos açores

Crónica do Atlântico
(em Portuguese Times, 31 Out 12)

Osvaldo Cabral
Salvar a Universidade

É curioso que, 37 anos depois da nova Autonomia, dois dos seus principais
pilares estejam hoje ameaçados pela sustentabilidade: a Universidade e a
RTP-Açores.
Sobre o futuro da televisão, refletiremos nos próximos dias. Dediquemo-nos
agora à Universidade.
É inegável que a Universidade dos Açores constitui, hoje, o motor regional
do conhecimento, da investigação e da formação. A academia açoriana tem dado
um contributo impagável à fixação de jovens e à qualificação dos nossos
recursos humanos (90% dos seus alunos são açorianos).
Sendo uma instituição estratégica no nosso modelo autonómico, a Região não
pode voltar as costas aos problemas da Universidade dos Açores, sem
menosprezar a sua autonomia académica. E os problemas, pelo que vamos assistindo,
são graves.
Começando pelo seu financiamento, a universidade vai perder no próximo ano
mais de meio milhão de euros nas transferências do Estado e vai ter que
pagar, a breve trecho, 400 mil euros de um empréstimo contraído ao Ministério
das Finanças.
Certamente que a Região não deixará que problemas de subfinanciamento
afetem o funcionamento e a qualidade da universidade, mas a nossa academia também
terá que fazer um esforço para se reestruturar e adaptar-se à nova
realidade deste tempo.
É preciso que a Universidade dos Açores se envolva mais com a sociedade, a
fim de percebermos e nos envolvermos no apoio ao seu funcionamento.
A universidade deveria esclarecer, a todos nós contribuintes, qual a
estratégia que pretende assumir para a sua sobrevivência e como resolve inúmeros
problemas de gestão – exploração e investimentos —, para os quais só se
ouvem interrogações e grandes preocupações. São muitas as questões que a UA
deveria esclarecer publicamente e explicar, serenamente, do que precisa para
resolvê-las.
Eis uma lista delas:
— A UA tem uma estratégia a curto ou longo prazo para o seu funcionamento?
Qual? Como vai aplicá-la?
— O “Plano Estratégico de Desenvolvimento da UA para o período 2012-2015”
que encomendou está a ser aplicado? Com que resultados?
— Os problemas financeiros da UA são de exploração ou de investimento?
— Quanto custa a tripolaridade? Ela está adaptada a esta situação de
restrições? Há ou não sobreposições nos 3 pólos?
— A construção do novo pólo de Angra está na base dos problemas financeiros
da UA? Em que dimensão e que erros se cometeram?
— Quais são os resultados das inúmeras investigações das várias unidades
orgânicas? Elas gerem receitas?
— É verdade que as verbas destinadas aos projectos de investigação são des
viados para pagar custos fixos?
— Como e onde são aplicadas as verbas do IMAR e da Fundação Gaspar Frutuoso?
— A UA tem recorrido a parcerias com empresas e ao financiamento europeu?
— É verdade que há professores que não trabalham, mas recebem o ordenado no
fim do mês?
— É verdade que foram organizados cursos apenas para não dispensar
professores?
— A UA tem cursos a mais? Estão todos adaptados ao mercado de trabalho ou
está-se a formar jovens para o desemprego certo?
— Há alunos que estão a abandonar a universidade porque não lhes resolvem
os problemas e até são obrigados a comprar materiais para os seus trabalhos?
— É verdade que a maioria dos alunos que ingressam na UA é oriunda de
famílias com menores rendimentos? Metade dos matriculados recorrem a bolsas? Que
respostas a UA dá a estes alunos em dificuldades?
— As várias unidades orgânicas da UA são tratadas por igual ou as que
melhor gerem os seus departamentos são incentivadas e premiadas? E aos que gerem
mal, o que acontece? Estas são apenas algumas das preocupações do cidadão
comum. Este contexto de restrição orçamental não pode servir de desculpa para
entraves tradicionais que impedem a melhoria dos índices de desempenho da
nossa Universidade.
Há que reformular atitudes, acabar com “capelinhas”, desmantelar teias
instaladas e impor soluções inovadoras e corajosas em toda a actividade
académica.
Deixar o problema arrastar-se, é pôr em causa a nossa própria Autonomia.

 

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FADO NA UNIVERSIDADE

IN DIÁLOGOS LUSÓFONOS
O Fado é lecionado pela primeira vez numa universidade portuguesa, disse o musicólogo Rui Vieira Nery, que vai reger a disciplina «Culturas Musicais em Portugal: O Fado», no âmbito da Licenciatura em Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa.
Em declarações à Lusa, o musicólogo, que foi um dos responsáveis da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, afirmou que o objetivo da cadeira é "dar aos alunos um panorama geral da emergência do Fado a partir dos processos de mudança nas práticas musicais urbanas em Portugal, na viragem para o século XIX".
A disciplina visa ainda dar a conhecer o desenvolvimento do género fadista até aos nossos dias.
"Propõe-se um modelo de periodização e caracterizam-se as sucessivas etapas do percurso histórico do Fado, procurando abordá-las a partir do respetivo contexto sócio-cultural e detetar em cada uma delas os seus processos de mudança estética e técnica interna em termos dos principais protagonistas, do repertório, das convenções poético-musicais e das práticas performativas", explicou Rui Vieira Nery à Lusa.
A unidade curricular desenvolve-se em oito etapas. A primeira aborda "a música no salão burguês luso-brasileiro, do final do Antigo Regime. A cançoneta, a modinha e o lundum".
Segue-se "o desenvolvimento do Fado dançado afro-brasileiro, a sua chegada a Lisboa nas décadas de 1820 e 1830" e "o Fado nos circuitos boémios e marginais de Lisboa. O mito fundador da [Maria] Severa (1820-1846)".
O quarto ponto é sobre "a expansão social do Fado na segunda metade do século XIX. A Revista e o Teatro Musical. As edições para uso doméstico. A emergência do Fado operário e republicano".
"A transição para o século XX. Renovação poética e musical. O arranque da indústria discográfica. Os novos locais de apresentação profissional", constituem o quinto ponto.
O sexto e sétimo são, respetivamente, "O Fado no Estado Novo. A censura, a carteira profissional e o licenciamento de recinto performativos. A rede das casas de Fado. O debate ideológico e político sobre o género", e "Os processos de internacionalização e a renovação poético-musical das décadas de 1960 e 1970. O impacte do 25 de Abril de 1974. A crise do sector no Portugal democrático".
O oitavo e último ponto corresponde ao "ressurgimento das décadas de 1980 e 1990. O 'Novo Fado', a entrada na World Music e a candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO".
Com esta disciplina, Rui Vieira Nery regressa à docência na Universidade Nova, onde tinha já lecionado e onde é investigador do Instituto de Etnomusicologia - Música e Dança.
Vieira Nery foi secretário de Estado da Cultura entre 1995 e 1997, e é atualmente diretor do Programa de Língua e Cultura Portuguesas da Fundação Calouste Gulbenkian.
O musicólogo é também responsável pela docência na área da História da Música no espaço ibero-americano e por um seminário de doutoramento, em Ciências Musicais Históricas, dedicado aos "Contextos e estruturas da vida musical portuguesa (séculos XVI-XXI)".
Diário Digital com Lusa
[Fonte: diariodigital.sapo.pt]

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

revolução para o euro

Ex-vice da Moody's apela a revolução na zona euro

O tempo para uma discussão "educada" terminou. O que está em causa no "Sul" da Europa é a diferença entre um futuro de prosperidade ou depressão. Palavras duras de Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência Moody's.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
11:37 Sexta feira, 5 de outubro de 2012
"Está na hora de uma revolução na zona euro, o tempo para uma discussão educada terminou. O que está em causa não são um ou dois por cento de crescimento económico no Sul, mas, pelo contrário, a diferença entre um futuro de prosperidade e um de depressão", refere hoje Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência de notação Moody's, num artigo intitulado "Southern Europe Must Revolt Against Price Stability ", publicado no "Project Syndicate".
Essa "revolução" deve ser "liderada pela França, Itália e Espanha", com a França à cabeça, e os seus alvos principais são a Alemanha e o Bundesbank. "O tempo é agora, antes que a Espanha e Itália sejam forçadas a capitular à estricnina e ao arsénio da troika", sublinha.
Mahoney é um veterano de Wall Street que saiu de vice-presidente da Moody's em 2007. Considera-se um "libertário do mercado livre".
"Se o Sul continuar a permitir que o Norte administre o remédio envenenado da deflação monetária e da austeridade orçamental, sofrerá, desnecessariamente, anos e anos", adverte Mahoney, para, depois, apelar à "revolução" do Sul.
"A zona euro é uma república multinacional em que cada país, independentemente da sua notação de crédito, pode atuar como um hegemonista. A Alemanha tem apenas dois votos no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), não tem controlo e não tem poder de veto. A Alemanha é apenas mais outro membro da união e o Bundesbank apenas mais outra sucursal regional do sistema do euro. O Tratado do BCE não pretendeu ser um pacto de suicídio, e pode ser interpretado de um modo suficientemente aberto para permitir que seja feito o que tem de ser feito. Se o Tribunal Constitucional objetar, então a Alemanha pode sair."
E reforça: "O que advogo é uma rutura pública com o Bundesbank e com os seus satélites ideológicos".
A finalizar, diz: "Talvez seja mais prudente conduzir esta revolta em privado, mas o que acho é que só funciona como ultimato público".


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/ex-vice-da-moodys-apela-a-revolucao-na-zona-euro=f758145#ixzz2B4EbOUIp

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

vagas na universidade de pelotas


A UFPel/RS abre vagas para docente em diversas áreas de conhecimento, inclusive tradução.
 
Por favor, ajudem a divulgar.
 
Obrigada.
 

Edital 117/2012 – Prof. Adjunto / Assistente / Auxiliar – Diversas Áreas

Inscrições de 29 de outubro a 22 de novembro de 2012.
Prof. Auxiliar (40h e 40h/DE)
Prof. Assistente (40h e 40h/DE)
Prof. Adjunto (40h e 40h/DE)
Diversas Áreas
 
 
 
Marisa Helena Degasperi
Centro de Letras e Comunicação da UFPel
Área de Tradução
53 3307-2069/53 8128-0956

__._,_.___

humor inglês português







planeta universitário


novo portal sobre Goa


Boxbe Lusophone Goa India (info@lusophonegoa.org) is not on your Guest List | Approve sender | Approve domain


Texto em português mais em baixo

Lusophone Society of Goa (LSG)
Launching of the New Website of LSG

Dear reader,

we are pleased to announce the launching of the bilingual (English and Portuguese) website of the Lusophone Society of Goa (LSG). Please read the news and the articles and write your comment at: www.lusophonegoa.org

We would appreciate any suggestion regarding the society and the new website.

Kind regards
LSG

---------------------------------------------------------------------------------------------------------

Lusophone Society of Goa (LSG)
Lançamento do novo Site da LSG


Prezado Leitor,

Temos o prazer de anunciar o lançamento do Website bilingue (inglês e português) da Sociedade Lusófona de Goa (Lusophone Society of Goa - LSG). Leia por favor as notícias e os artigos e comente-os em www.lusophonegoa.org

Apreciaríamos o envio das suas sugestões em relação à sociedade e ao novo website.

Os melhores cumprimentos
LSG

homenagem a Juscelino


Embaixador de Portugal no Brasil presta homenagem a Juscelino Kubitschek

Brasília - O embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Ribeiro Telles, visitou nesta quarta-feira (31) o Memorial Juscelino Kubitschek (JK), em Brasília. O embaixador manifestou apreço pela amizade com que Juscelino Kubitschek de Oliveira sempre distinguiu Portugal e os portugueses radicados no Brasil. Leia mais

110 anos nascimento de Drummond de Andrade


Brasil e Portugal assinalam 110 anos do nascimento de Carlos Drummond de Andrade

Brasília - Este ano, o Dia D: Dia de Drummond está sendo celebrado em oito cidades brasileiras – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Itabira, Brasília, Porto Alegre, Salvador e Recife – e também na cidade do Porto, no norte de Portugal.  Leia mais

adagiário popular açoriano




Caros,
Recebi do autor e divulgo.
onésimo
_____________________________

Adoro os Açores e tenho uma costelita açoreana — dado ter cumprido parte do meu serviço militar no BAG 1, em Ponta Delgada, em Agosto e Setembro de 1973 —, pelo que resolvi fazer um pequeno trabalho pessoal (sem qualquer outra pretensão, que não seja a divulgação) sobre o Adagiário Popular Açoriano e o Cancioneiro Geral dos Açores, ambos de ARMANDO CORTES-RODRIGUES.

Aqui vão os respectivos "links":


Peço desculpa pelo atrevimento, agradeço antecipadamente a atenção que possa, eventualmente, prestar a este assunto e espero que goste.

Por favor, aceite um abraço e os cumprimentos do
============================================José Augusto Macedo do Couto
Rua de Moçambique, 405-A, Hab- 3-G
4100-349 PORTO
PORTUGAL

Email: jamcouto1@me.com
Bairro da Vilarinha