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segunda-feira, 5 de novembro de 2012
termos de Angola
in diálogos lusófonos
Etiquetas:
ANGOLA
domingo, 4 de novembro de 2012
TRADUTORES NO BRASIL
> Residência traz 16 tradutores ao Brasil
> Programa da Fundação Biblioteca Nacional quer ampliar interesse pela
> tradução de livros nacionais no exterior
> Ministério tem R$ 74 mi até 2020 para promover literatura no
> exterior, por meio de traduções ou propaganda
> DO RIO
> Dezesseis tradutores de editoras estrangeiras virão ao Brasil entre
> janeiro e agosto de 2013 para um intensivão cultural.
> Eles foram selecionados para a primeira edição do programa de
> residência de tradutores da FBN (Fundação Biblioteca Nacional)......
> .... O orçamento do programa é de R$ 154 mil. O valor vai custear a
> permanência dos tradutores no país (hotel e alimentação)
> e as passagens aéreas de ida e volta ao país de origem, além da
> visita a uma das três cidades-sede dos parceiros no programa.
> http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/75551-residencia-traz-16-tradutores-ao-brasil.shtml
> Programa da Fundação Biblioteca Nacional quer ampliar interesse pela
> tradução de livros nacionais no exterior
> Ministério tem R$ 74 mi até 2020 para promover literatura no
> exterior, por meio de traduções ou propaganda
> DO RIO
> Dezesseis tradutores de editoras estrangeiras virão ao Brasil entre
> janeiro e agosto de 2013 para um intensivão cultural.
> Eles foram selecionados para a primeira edição do programa de
> residência de tradutores da FBN (Fundação Biblioteca Nacional)......
> .... O orçamento do programa é de R$ 154 mil. O valor vai custear a
> permanência dos tradutores no país (hotel e alimentação)
> e as passagens aéreas de ida e volta ao país de origem, além da
> visita a uma das três cidades-sede dos parceiros no programa.
> http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/75551-residencia-traz-16-tradutores-ao-brasil.shtml
sábado, 3 de novembro de 2012
alma açoriana
copiei este bonito artigo publicado no Jornal Açoreano Oriental a 13 de Junho de 2011
Identidade açoriana
Somos de alguma parte, de uma terra, de um país.
Dentro de nós há um lugar, que surge como um filme que se revê, sempre
que fechamos os olhos. Cores, cheiros e até sons ou vozes animam a tela
da nossa mente, quando recordamos lugares de infância, a casa dos avós
ou a freguesia onde ainda temos família, que agora visitamos nas férias.
Um lugar onde aprendemos a ser pessoas e onde, quis o destino,
aprendêssemos a falar com um determinado sotaque e onde aprendemos a
descobrir quem somos e porque estamos aqui.
Dentro de nós há
raízes profundas que nos agarram por dentro e, por mais que viajemos,
representam um lugar seguro, onde respiramos melhor e nos sentimos em
casa.
A identidade é essa forma própria de ser, que não se
molda nem se desfigura, que não se verga nem pode ser destruída, mesmo
quando os dramas da história comprometem a sua existência, como
aconteceu com comunidades da América latina, exterminadas pela
colonização, que hoje sobrevivem no seu património e sabedoria
ancestrais.
Dentro dos açorianos, há uma fibra que não se
verga, uma rocha que não quebra, um cheiro a mar que não se apaga.
Dentro de cada açoriano, há a certeza de pertença a estas ilhas, mesmo
quando o destino quis que vivessem longe, em terras da emigração ou no
continente. Dentro daqueles que, não sendo açorianos, adoptaram esta
terra por sua, há um sentimento de pertença. E não é por acaso.
Viver nestas ilhas cria raízes. É difícil escapar à força desta gente
que soube transformar pedreiras em terras de pão, enfrentou baleias em
mar alto e se defendeu dos ataques da pirataria.
A identidade
açoriana dificilmente pode ser entendida fora do universo de crenças que
marca a história deste povo, que viu na natureza a força de um Deus que
castigava e na oração um laço que transformava o medo em esperança. As
romarias, as coroações, os bodos de leite e as promessas são bem a
imagem desse povo crente que, perante a desgraça se volta para o outro,
reforça a solidariedade e é capaz de mudar de vida.
Somos um
povo de crentes, por isso o Espírito Santo não é apenas mais uma
festividade, mas a expressão da própria identidade açoriana. Durante
semanas, as famílias que aceitam uma “dominga” nas suas casas, rezam em
comunidade; os mordomos que se dispõem a organizar a festa, preparam as
pensões, as dádivas e fomentam a partilha.
Em dia de festa, a
coroação é sem dúvida o seu momento mais importante, mas quem é coroado é
sempre o mais humilde, aquele que se dispõe a aceitar a protecção do
divino.
Somos um povo de gente humilde que aprendeu, na
adversidade, a partilhar a fartura e a se alegrar com isso. Não se
recusam convivas à mesa das sopas e ninguém nega um lance nas
arrematações, em louvor do Senhor Espírito Santo.
Somos um
povo com raízes. Raízes no mar, mas que identificam e nos prendem a
estes pedaços de terra onde nos sentimos em casa, envoltos pelo cheiro
do incenso que cobre o chão dos quartos, em dia de festa, e veste as
ruas em dia de procissão.
Não há melhor traço para unir os
açorianos, onde querem que vivam, do que invocar o Espírito Santo, que o
povo aprendeu a venerar, fora e dentro das igrejas.
Por isso,
o povo se sente identificado por ser na oitava da festa de Pentecostes
que a Região festeja o seu dia e reaviva as suas raízes, que afirmam e
distinguem a açorianidade.
(publicado no Açoriano Oriental, a 13 Junho 2011 - Dia dos Açores)
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açores
se os portugueses votassem
Se os portugueses votassem nas eleições
americanas, Obama era eleito
Hoje, 31 de outubro, é Dia de Halloween e os republicanos dizem que este
ano as máscaras de Barack Obama vendem-se mais do que as de Mitt Romney visto
serem “mais aterradoras pela perspetiva de mais quatro anos de crise”.
É uma das muitas piadas a propósito das eleições presidenciais do dia 6 de
novembro nos EUA e que, coisa impensável há trinta anos, são um pleito entre
um milionário mórmon, Mitt Romney e um negro esperto, Barack Obama.
Romney, pertence a uma rica dinastia política mórmon e republicana. O pai,
George Romney, foi governador do Michigan (1963-1969) e, em 1968, tentou a
Casa Branca, mas perdeu nas primárias republicanas para Richard Nixon, que
foi eleito e o nomeou secretário da Habitação e Desenvolvimento Urbano. A mãe.
Leonore Lafount Romney, foi atriz (participou em vários filmes da MGM) e
candidatou-se em 1970 ao Senado pelo Michigan.
O filho, cujo nome completo é Willard Mitt Romney, nasceu há 65 anos em
Detroit e, depois de uma bem sucedida carreira empresarial, foi eleito
governador de Massachusetts. Não se recandidatou para se lançar na corrida à Casa
Branca e, em 2008, gastou do seu próprio bolso 48 milhões de dólares, mas foi
preterido por John McCain. Volta a tentar em 2012, não se sabe quanto terá
gasto desta vez, mas as sondagens sobre as intenções de voto dão-lhe um
empate a 49% com o presidente Obama.
Quanto a Barack Hussein Obama, nasceu em 1961 em Honolulu e era filho de
Ann Dunham, uma antropóloga americana e um estudante queniano, mas foi criado
apenas pela mãe. Foi deputado estadual de Illinois (1967-2004), tornou-se
senador federal em 2005 e, em 2008, o primeiro afro-americano eleito
presidente dos EUA.
A eleição de Obama, recebida como algo de mágico que iria mudar a América e
o mundo, foi sobretudo porque os americanos estavam cansados de Bush Jr.,
que lançou o país na desnecessária guerra do Iraque e na bagunça de Wall
Street com a prática dos subprimes que despoletou uma crise financeira e
económica mundial.
Mas as reformas na saúde e nas finanças propostas por Obama assustaram o
grande capital e, nas eleições legislativas de 2010, os bancos de Wall Street,
as seguradoras e a indústria médico-farmacêutica investiram três biliões de
dólares, qualquer coisa como três mil milhões, nos candidatos republicanos
e o investimento compensou: os republicanos passaram a controlar a Câmara
dos Representantes com 240 lugares e a boicotar as iniciativas da Casa Branca.
Obama caçou Osama bin Laden, o inimigo número um dos EUA, tirou o país da
alhada do Iraque, mas ainda assim os americanos estão desanimados com o
desemprego e, embora a crise não tenha sido da sua responsabilidade, poderá
custar-lhe a reeleição.
Na história das eleições americanas só nove presidentes não conseguiram ser
reeleitos, incluindo três após a II Guerra Mundial: George Bush, 1992;
Jimmy Carter, 1980 e Gerald Ford, 1976. Obama poderá juntar-se ao grupo e por
isso o antigo presidente português Mário Soares decidiu escrever dia 11 de
outubro uma carta aberta dirigida ao 44º presidente dos EUA que saiu em vários
jornais americanos, nomeadamente o PortugueseTimes.
Soares declara-se admirador de Obama e considera-o “um dos grandes
estadistas mundiais”, mesmo “digno de um Roosevelt, de um Churchill, de um Willy
Brandt, de um François Mitterrand, bem como, pela sua estatura moral e
humanitária, de um Nelson Mandela”.
Parece-me exagero comparar Obama a Mandela, que para além da pigmentação da
pele nada têm em comum, e ainda menos a Roosevelt e Churchill, tanto mais
que a Al Qaeda não é (ainda) a Alemanha nazista e nem Osama bin Laden é Adolf
Hitler.
Contudo, surpreendido com a performance dececionante de Obama no primeiro
debate com Romney, Soares decidiu estimulá-lo: “Dê tudo por tudo para ganhar.
É o futuro da Humanidade - não é só a América - que está em jogo.”
Para Soares, a derrota de Obama constituiria “uma verdadeira desgraça para
a América, para a Europa e para o mundo”, uma vez que se “os seus rivais
republicanos voltassem ao poder, teriam resultados muito piores do que os do
mandato de Bush Júnior”.
Tal como a maioria dos governantes europeus, Soares tem certa apreensão se
Romney vier a ser presidente devido ao peso do ultraconservador movimento
Tea Party na sua administração e à escolha de um radical, Paul Ryan, como
candidato a vice-presidente.
Ainda por cima, em 1993, quando concorreu ao Senado, Romney era mais
liberal que Ted Kennedy, mas agora é mais conservador que Newt Gingrich e por isso
até muitos republicanos moderados estão apreensivos.
Por essas e por outras, o mundo prefere Obama. Segundo sondagem
GlobeScan/Pipa, Obama é preferido de 81% da população mundial e apenas 19% prefere
Romney. Por continentes, os europeus são os que dão a maior avaliação positiva a
Obama (42%), seguidos sul-americanos (40%) e asiáticos (39%).
Na Europa, Obama é favorito de 98% dos islandeses e de 97% dos portugueses,
holandeses, franceses e alemães. No continente americano, Obama receberia
66% dos votos dos canadianos e de 65% dos votos dos brasileiros e Romney
apenas 7%.
Os únicos países onde Romney é favorito são a Geórgia (36%), Macedónia
(30%), Israel (65%) e Paquistão (41%).
Nos EUA, nem todos pensam que as nossas vidas - e talvez as nossas mortes -
dependem em grande medida do inquilino da Casa Branca e alguns sentem-se
seduzidos pela promessa de Romney de que vai convencer os seus amigos
milionários a criar milhões de empregos.
Mas quando um político em campanha fala em criar empregos está é a
referir-se ao seu próprio emprego. Os amigos milionários de Romney (e ele próprio),
têm as fortunas a render em paraísos fiscais e pouco investem nos EUA.
Números do Departamento de Comércio revelam que as grandes companhias
americanas cortaram 2,9 milhões de empregos nos EUA entre 2000 e 2009 e criaram
2,4 milhões de empregos no estrangeiro. As pequenas empresas é que são
responsáveis pela maioria (60%) dos novos postos de trabalho nos EUA e são a
espinha dorsal da economia do país.
Quem conhece bem Romney é António Cabral, deputado estadual de
Massachusetts, que fez as seguintes declarações ao jornal Público, de Lisboa: “Na minha
região, no estado de Massachusetts, temos um conhecimento profundo de Mitt
Romney e quando foi governador desse estado foi sem dúvida um dos
governadores mais anti-imigrante das últimas décadas (...) Na minha opinião, se tiver
sucesso em 6 de novembro levará essa maneira de pensar e de abordar o assunto
da imigração a nível nacional e isso não é bom para a comunidade
luso-americana, não é bom para o país”.
Refira-se que Romney foi o 70º governador de Massachusetts (2003-2006), mas
não resolveu o problema do desemprego e a sua principal preocupação foi
privatizar as universidades.
Acresce que faço parte dos 47% de estadunidenses que Romney considera
parasitas.
Portanto, o que vos posso dizer é que não sei quem votará Obama, mas sei
quem não votará Romney.
====================================
Luso-descendentes no Congresso
Há presentemente três luso-descendentes no Congresso dos EUA, um senador e
dois congressistas, todos eles bisnetos de açorianos. São eles o senador Pat
Toomey, republicano da Pennsylvania que não tem eleições este ano e os
congressistas da Califórnia Devin Nunes, republicano e Jim Costa, democrata,
ambos rancheiros no Vale de San Joaquim e que tanto sacam leite às vacas como
votos aos vaqueiros. Há ainda outros dois candidatos, Alex Pires, candidato
ao Senado pelo Delaware e David Valadão, candidato à Câmara de Representantes
pelo 21º Distrito da Califórnia.
O único com o lugar garantido, uma vez que só tem eleições em 2016, é Pat
Toomey, nascido em 1961 em Providence, RI e cuja mãe, Mary Ann Andrews
(Andrade) é neta de açorianos. De 1999 a 2005 foi congressista pelo 15º Distrito
da Pennsylvania e após uma travessia do deserto, foi eleito para o Senado em
2010. É um republicano da linha dura num estado tradicionalmente liberal. A
revista Mother Jones diz que “Pat é tão ultraconservador que mais parece um
candidato do Texas” e o site The Daily Beast considera que “fundou o Tea
Party quando ainda não existia Tea Party”.
Candidato independente ao Senado pelo Delaware, o advogado Alexander J.
Pires, 65 anos, tem raízes em Easton, MA, onde nasceu em 1947, o segundo dos
cinco filhos do casal Alexander J. Pires Sr. e Mary Barros Pires, ambos filhos
de imigrantes. Ainda tem um irmão e duas irmãs em Easton, onde a família
possui a Pires Hardware.
Alex Pires fez fortuna em processos com indemnizações de muitos milhões e
hoje é proprietário de discotecas, restaurantes e hotéis em Washington, DC,
Virginia, Maryland e Delaware. Fundou também o Community Bank Delaware,
seguindo o exemplo de um tio que fundou o North Easton Savings Bank.
Dos lusodescendentes candidatos à Câmara dos Representantes, o republicano
Devin Nunes, 39 anos, a concorrer pelo 21º distrito do estado da Califórnia,
é o que parece ter a reeleição assegurada visto estar num distrito
fortemente republicano. Foi eleito a primeira vez aos 25 anos, um dos congressistas
mais jovens na história dos EUA. Proprietário da Nunes Family Farm, Nunes
foi considerado pela revista Times uma das 40 promessas da política
norte-americana, mas o apoio do movimento conservador Tea Party não é das companhias
mais recomendáveis para os eleitores da Califórnia.
Jim Costa (o verdadeiro nome é Manuel James Costa), esteve 24 anos na
legislatura estadual na Califórnia e foi eleito para o Congresso em 2005 pelo
Distrito 20. A sua reeleição foi complicada em 2010 e a sua derrota pelo
produtor de cerejas Indy Vidak chegou a ser noticiada, mas os eleitores residentes
fora da Califórnia que votaram pelo correio asseguraram-lhe o quarto
mandato. Em 2012, Jim Costa concorre por um novo distrito, o número 16 e as coisas
não estão fáceis. Se a reeleição falhar, Costa vai dedicar-se ao seu rancho
em Kearney.
Dennis Cardoza, um democrata demasiado conservador para os padrões da
Califórnia, representou o Distrito 18 desde 2003 e foi reeleito quatro vezes, mas
decidiu resignar em 12 de agosto último alegando razões familiares, mas que
poderão ter sido as alterações introduzidas no 18º Distrito, que lhe
retirou as áreas com maior tendência democrática. Cardoza trabalha presentemente
para a firma de advogados Manatt, Phelps & Phelps, fundada por Charles Taylor
Manatt, que foi presidente do comité nacional do Partido Democrata.
O provável sucessor de Cardoza no Congresso é o republicano David Valadão,
natural de Hanford e presentemente no primeiro mandato como deputado
estadual pelo 30º Distrito da Califórnia. Neto de açorianos da Terceira (o seu avô
materno era o famoso Tio Zé Grande da Ribeirinha, que media mais de seis
pés), quando não está em Sacramento, Valadão gere a Valadão Dairy de sociedade
com os irmãos.
Com apenas 34 anos, David Valadão está bem posicionado para chegar ao
Congresso em novembro, diferindo dos outros eleitos lusodescendentes por falar
português fluentemente.
Hoje, 31 de outubro, é Dia de Halloween e os republicanos dizem que este
ano as máscaras de Barack Obama vendem-se mais do que as de Mitt Romney visto
serem “mais aterradoras pela perspetiva de mais quatro anos de crise”.
É uma das muitas piadas a propósito das eleições presidenciais do dia 6 de
novembro nos EUA e que, coisa impensável há trinta anos, são um pleito entre
um milionário mórmon, Mitt Romney e um negro esperto, Barack Obama.
Romney, pertence a uma rica dinastia política mórmon e republicana. O pai,
George Romney, foi governador do Michigan (1963-1969) e, em 1968, tentou a
Casa Branca, mas perdeu nas primárias republicanas para Richard Nixon, que
foi eleito e o nomeou secretário da Habitação e Desenvolvimento Urbano. A mãe.
Leonore Lafount Romney, foi atriz (participou em vários filmes da MGM) e
candidatou-se em 1970 ao Senado pelo Michigan.
O filho, cujo nome completo é Willard Mitt Romney, nasceu há 65 anos em
Detroit e, depois de uma bem sucedida carreira empresarial, foi eleito
governador de Massachusetts. Não se recandidatou para se lançar na corrida à Casa
Branca e, em 2008, gastou do seu próprio bolso 48 milhões de dólares, mas foi
preterido por John McCain. Volta a tentar em 2012, não se sabe quanto terá
gasto desta vez, mas as sondagens sobre as intenções de voto dão-lhe um
empate a 49% com o presidente Obama.
Quanto a Barack Hussein Obama, nasceu em 1961 em Honolulu e era filho de
Ann Dunham, uma antropóloga americana e um estudante queniano, mas foi criado
apenas pela mãe. Foi deputado estadual de Illinois (1967-2004), tornou-se
senador federal em 2005 e, em 2008, o primeiro afro-americano eleito
presidente dos EUA.
A eleição de Obama, recebida como algo de mágico que iria mudar a América e
o mundo, foi sobretudo porque os americanos estavam cansados de Bush Jr.,
que lançou o país na desnecessária guerra do Iraque e na bagunça de Wall
Street com a prática dos subprimes que despoletou uma crise financeira e
económica mundial.
Mas as reformas na saúde e nas finanças propostas por Obama assustaram o
grande capital e, nas eleições legislativas de 2010, os bancos de Wall Street,
as seguradoras e a indústria médico-farmacêutica investiram três biliões de
dólares, qualquer coisa como três mil milhões, nos candidatos republicanos
e o investimento compensou: os republicanos passaram a controlar a Câmara
dos Representantes com 240 lugares e a boicotar as iniciativas da Casa Branca.
Obama caçou Osama bin Laden, o inimigo número um dos EUA, tirou o país da
alhada do Iraque, mas ainda assim os americanos estão desanimados com o
desemprego e, embora a crise não tenha sido da sua responsabilidade, poderá
custar-lhe a reeleição.
Na história das eleições americanas só nove presidentes não conseguiram ser
reeleitos, incluindo três após a II Guerra Mundial: George Bush, 1992;
Jimmy Carter, 1980 e Gerald Ford, 1976. Obama poderá juntar-se ao grupo e por
isso o antigo presidente português Mário Soares decidiu escrever dia 11 de
outubro uma carta aberta dirigida ao 44º presidente dos EUA que saiu em vários
jornais americanos, nomeadamente o PortugueseTimes.
Soares declara-se admirador de Obama e considera-o “um dos grandes
estadistas mundiais”, mesmo “digno de um Roosevelt, de um Churchill, de um Willy
Brandt, de um François Mitterrand, bem como, pela sua estatura moral e
humanitária, de um Nelson Mandela”.
Parece-me exagero comparar Obama a Mandela, que para além da pigmentação da
pele nada têm em comum, e ainda menos a Roosevelt e Churchill, tanto mais
que a Al Qaeda não é (ainda) a Alemanha nazista e nem Osama bin Laden é Adolf
Hitler.
Contudo, surpreendido com a performance dececionante de Obama no primeiro
debate com Romney, Soares decidiu estimulá-lo: “Dê tudo por tudo para ganhar.
É o futuro da Humanidade - não é só a América - que está em jogo.”
Para Soares, a derrota de Obama constituiria “uma verdadeira desgraça para
a América, para a Europa e para o mundo”, uma vez que se “os seus rivais
republicanos voltassem ao poder, teriam resultados muito piores do que os do
mandato de Bush Júnior”.
Tal como a maioria dos governantes europeus, Soares tem certa apreensão se
Romney vier a ser presidente devido ao peso do ultraconservador movimento
Tea Party na sua administração e à escolha de um radical, Paul Ryan, como
candidato a vice-presidente.
Ainda por cima, em 1993, quando concorreu ao Senado, Romney era mais
liberal que Ted Kennedy, mas agora é mais conservador que Newt Gingrich e por isso
até muitos republicanos moderados estão apreensivos.
Por essas e por outras, o mundo prefere Obama. Segundo sondagem
GlobeScan/Pipa, Obama é preferido de 81% da população mundial e apenas 19% prefere
Romney. Por continentes, os europeus são os que dão a maior avaliação positiva a
Obama (42%), seguidos sul-americanos (40%) e asiáticos (39%).
Na Europa, Obama é favorito de 98% dos islandeses e de 97% dos portugueses,
holandeses, franceses e alemães. No continente americano, Obama receberia
66% dos votos dos canadianos e de 65% dos votos dos brasileiros e Romney
apenas 7%.
Os únicos países onde Romney é favorito são a Geórgia (36%), Macedónia
(30%), Israel (65%) e Paquistão (41%).
Nos EUA, nem todos pensam que as nossas vidas - e talvez as nossas mortes -
dependem em grande medida do inquilino da Casa Branca e alguns sentem-se
seduzidos pela promessa de Romney de que vai convencer os seus amigos
milionários a criar milhões de empregos.
Mas quando um político em campanha fala em criar empregos está é a
referir-se ao seu próprio emprego. Os amigos milionários de Romney (e ele próprio),
têm as fortunas a render em paraísos fiscais e pouco investem nos EUA.
Números do Departamento de Comércio revelam que as grandes companhias
americanas cortaram 2,9 milhões de empregos nos EUA entre 2000 e 2009 e criaram
2,4 milhões de empregos no estrangeiro. As pequenas empresas é que são
responsáveis pela maioria (60%) dos novos postos de trabalho nos EUA e são a
espinha dorsal da economia do país.
Quem conhece bem Romney é António Cabral, deputado estadual de
Massachusetts, que fez as seguintes declarações ao jornal Público, de Lisboa: “Na minha
região, no estado de Massachusetts, temos um conhecimento profundo de Mitt
Romney e quando foi governador desse estado foi sem dúvida um dos
governadores mais anti-imigrante das últimas décadas (...) Na minha opinião, se tiver
sucesso em 6 de novembro levará essa maneira de pensar e de abordar o assunto
da imigração a nível nacional e isso não é bom para a comunidade
luso-americana, não é bom para o país”.
Refira-se que Romney foi o 70º governador de Massachusetts (2003-2006), mas
não resolveu o problema do desemprego e a sua principal preocupação foi
privatizar as universidades.
Acresce que faço parte dos 47% de estadunidenses que Romney considera
parasitas.
Portanto, o que vos posso dizer é que não sei quem votará Obama, mas sei
quem não votará Romney.
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Luso-descendentes no Congresso
Há presentemente três luso-descendentes no Congresso dos EUA, um senador e
dois congressistas, todos eles bisnetos de açorianos. São eles o senador Pat
Toomey, republicano da Pennsylvania que não tem eleições este ano e os
congressistas da Califórnia Devin Nunes, republicano e Jim Costa, democrata,
ambos rancheiros no Vale de San Joaquim e que tanto sacam leite às vacas como
votos aos vaqueiros. Há ainda outros dois candidatos, Alex Pires, candidato
ao Senado pelo Delaware e David Valadão, candidato à Câmara de Representantes
pelo 21º Distrito da Califórnia.
O único com o lugar garantido, uma vez que só tem eleições em 2016, é Pat
Toomey, nascido em 1961 em Providence, RI e cuja mãe, Mary Ann Andrews
(Andrade) é neta de açorianos. De 1999 a 2005 foi congressista pelo 15º Distrito
da Pennsylvania e após uma travessia do deserto, foi eleito para o Senado em
2010. É um republicano da linha dura num estado tradicionalmente liberal. A
revista Mother Jones diz que “Pat é tão ultraconservador que mais parece um
candidato do Texas” e o site The Daily Beast considera que “fundou o Tea
Party quando ainda não existia Tea Party”.
Candidato independente ao Senado pelo Delaware, o advogado Alexander J.
Pires, 65 anos, tem raízes em Easton, MA, onde nasceu em 1947, o segundo dos
cinco filhos do casal Alexander J. Pires Sr. e Mary Barros Pires, ambos filhos
de imigrantes. Ainda tem um irmão e duas irmãs em Easton, onde a família
possui a Pires Hardware.
Alex Pires fez fortuna em processos com indemnizações de muitos milhões e
hoje é proprietário de discotecas, restaurantes e hotéis em Washington, DC,
Virginia, Maryland e Delaware. Fundou também o Community Bank Delaware,
seguindo o exemplo de um tio que fundou o North Easton Savings Bank.
Dos lusodescendentes candidatos à Câmara dos Representantes, o republicano
Devin Nunes, 39 anos, a concorrer pelo 21º distrito do estado da Califórnia,
é o que parece ter a reeleição assegurada visto estar num distrito
fortemente republicano. Foi eleito a primeira vez aos 25 anos, um dos congressistas
mais jovens na história dos EUA. Proprietário da Nunes Family Farm, Nunes
foi considerado pela revista Times uma das 40 promessas da política
norte-americana, mas o apoio do movimento conservador Tea Party não é das companhias
mais recomendáveis para os eleitores da Califórnia.
Jim Costa (o verdadeiro nome é Manuel James Costa), esteve 24 anos na
legislatura estadual na Califórnia e foi eleito para o Congresso em 2005 pelo
Distrito 20. A sua reeleição foi complicada em 2010 e a sua derrota pelo
produtor de cerejas Indy Vidak chegou a ser noticiada, mas os eleitores residentes
fora da Califórnia que votaram pelo correio asseguraram-lhe o quarto
mandato. Em 2012, Jim Costa concorre por um novo distrito, o número 16 e as coisas
não estão fáceis. Se a reeleição falhar, Costa vai dedicar-se ao seu rancho
em Kearney.
Dennis Cardoza, um democrata demasiado conservador para os padrões da
Califórnia, representou o Distrito 18 desde 2003 e foi reeleito quatro vezes, mas
decidiu resignar em 12 de agosto último alegando razões familiares, mas que
poderão ter sido as alterações introduzidas no 18º Distrito, que lhe
retirou as áreas com maior tendência democrática. Cardoza trabalha presentemente
para a firma de advogados Manatt, Phelps & Phelps, fundada por Charles Taylor
Manatt, que foi presidente do comité nacional do Partido Democrata.
O provável sucessor de Cardoza no Congresso é o republicano David Valadão,
natural de Hanford e presentemente no primeiro mandato como deputado
estadual pelo 30º Distrito da Califórnia. Neto de açorianos da Terceira (o seu avô
materno era o famoso Tio Zé Grande da Ribeirinha, que media mais de seis
pés), quando não está em Sacramento, Valadão gere a Valadão Dairy de sociedade
com os irmãos.
Com apenas 34 anos, David Valadão está bem posicionado para chegar ao
Congresso em novembro, diferindo dos outros eleitos lusodescendentes por falar
português fluentemente.

Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem
seara democrática da açorianidade
MEMORANDUM
João-Luís de
Medeiros
(em Portuguese Times, 24 Out 12)
|
Seara Democrática da
Açorianidade
Na (minha) veterana condição de imigrante, com a memória a oscilar entre a
imensidão oceânica do pacífico e a seara democrática da açorianidade,
gostaria de confirmar que cultivo o hábito de oferecer uma ‘olhada’ aos louvores
e aos epitáfios democráticos subscritos pelos habituais comentaristas da
nossa praça intelectual, mormente nesta quadra eleitoral em que o coro dos
deserdados vem à rua gritar: ‘de pé, óh vitimas da fome, não mais, não mais a
servidão’…
Ora, o resultado das recentes eleições regionais não me causaram surpresa.
Digo isto sem escorregar no lamaçal da trivialidade. Em democracia, não há
derrotas – há esperas!
Já clarifico o meu lampejar linguístico: à distância de seis mil milhas (e
cerca de 80 horas antes do anúncio do resultado legalmente conferido ao
PS/A), arrisquei adivinhar em linguagem irónica, através de um dos mais
populares programas radiofónicos da diáspora lusófona, que o jovem açoriano, dr.
Vasco Cordeiro, iria ser ‘punido’ com uma vitória absoluta…!
Vejamos: afinal, cavalheiras(os), as eleições acontecem para seleccionar
projectos ou para escolher individualidades? Estou em crer que o que
eleitorado açoriano poderá ser comparado a um idoso em busca de sossego para acender
uma velinha na escuridade. Nada se esgrimir certezas! O medo (perdão! melhor
dizendo, o pavor da tortura repetida) inspira muitos cidadãos a inventar
governos; depois (dentro desses governos) a cultura do medo engrossa a
perpetuidade institucional, a fim de evitar o apagão do desemprego, segundo o novo
evangelho troikista.
De resto, a sabedoria inerente à autonomia pessoal (não estou a falar de
competência tecnocrática) só é possível quando o cidadão aprende a
controlar-se. Neste contexto, vou já socorrer-me da poesia de Sophia de Mello Breyner
Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não…
Adiante. Há cerca de dez anos, o economista Gualter Furtado (um dos poucos
cavalheiros açorianos que não pertence à família socialista mas que merece a
minha consideração democrática) teve valentia de afirmar a diferença entre
o exercício do ‘poder’ e a assunção da ‘responsabilidade’, e entendeu
desabafar na imprensa regional o seguinte:
“ (…) Portugal está a viver dos fundos comunitários e dos empréstimos. O
país está a sofrer dois choques, o interno, devido à baixa produtividade, e o
externo pela situação internacional que não é muito favorável. O sector
público é uma autêntica ruina para o país, que não tem capacidade produtiva e
não tem produção de impostos suficientes para fazer face às necessidades do
sector público, que tem que ser fortemente redimensionado”… (vide “Correio
dos Acores” - 10 Fev. 2002).
Meus caros: caso fosse apóstolo da Verdade (mas… o que é afinal a Verdade?)
anunciaria não hesitar em apetrechar os autonomistas açorianos com
eficientes asas angélicas; todavia, com uma meiga condição a prori: cada qual teria
de aprender a voar sozinho…
Digo isto, porque chegámos ao ponto de nos sentirmos felizes com a boa
gerência da nossa tristeza… Se calhar, morrer é emigrar um pouco. Afinal, quem
anda por aí a repetir que a morte nos torna eternos...?
Vamos até à avenida da Verdade: a partir de1963 (sobretudo a partir de
Abril-74) tive a boa-sorte de usufruir do acesso (gratuito) a mestres valiosos
que me ensinaram a comparar ideias e a compreender noções básicas da ciência
política. A minha ignorância nunca foi retalho escondido no colete da
vaidade.
Clarifico: algum tempo após a minha experiência na ALRA, assentei praça na
bancada parlamentar do PS, em San Bento (Janeiro. 1978), onde me foi dado
conviver com alguns dos veteranos mais ‘sabidos’ da engrenagem política do
tempo – camaradas que depressa notaram o meu sincero (embora tímido) apetite
pelo saber. Refiro-me a Jaime Gama, Medeiros Ferreira, Mário Mesquita, Mário
Cal-Brandão, Teófilo Carvalho dos Santos, Igrejas Caeiro, António Guterres.
Naquele tempo, tive a boa sorte de aprender que o ‘saber’ e a ‘liberdade’
não são adquiríveis pela via decretal das capelitas maçónicas… Ainda hoje,
continuo a aprender que o ‘hímen’ da autonomia politica continua a ser
amarfalhado pelo ceptro do capital internacional. De resto, nunca subscrevi a
portaria de que os Açores são uma região oceânica formada por São Miguel
rodeado por oito ilhas…
Seja-me permitido recordar que cerca de dois anos antes da primeira vitória
do PS/A (já lá vão 18 anos), deixei registado na comunicação social da
diáspora lusófona, o seguinte comentário:
“ (.../…) uma crise é como uma febre: não define claramente a natureza da
doença, mas serve ao menos para alertar quem tem a indeclinável
responsabilidade de diagnosticar e de ministrar a subsequente terapêutica aconselhada
(…) a gritante crise social que grassa nos Açores, embora acelerada na última
década pelo social-narcisismo do PPD/PSD, não deve ser vista como
fatalidade acontecida a um povo mal treinado para suportar penitentes necessidades.”
Ora, para muitos açorianos, a coragem de aprender não é vista como acto da
inteligência, mas sim como admissão pública duma inconfessada enfermidade.
Lamentavelmente, nunca chegou a ser encetada nos Açores uma experiência
autonómica assente num regime (inequivocamente) social-democrata… Assim sendo,
incumbe ao PS/A a tarefa de viabilizar a social-democracia nas ilhas, sem
complexos teocráticos nem teimosias jesuíticas…
Em Outubro de 2012, o povo açoriano ofereceu ao PS/A um grande bolo de
massa-sovada de responsabilidade. Não apreciamos o ‘balho-furado’ celebrativo
da pequena-burguesia socialista. Não desejamos ver os socialistas como
“peixinhos vermelhos a nadar em água benta” . Afinal, a inveja comunitária é uma
“guerriha inventada pela genética e praticada pelo biologia”. O mundo é
redondo e todos andamos curvados para entender o (des)equilíbrio do momento que
passa…
Há fome nos Açores? Ora vejamos: na edição do “Correio dos Açores”, de 29
e Agosto de 1999, a dra. Luísa César afirmava com invulgar sentido de
oportunidade: “… temos 6.000 bocas com fome em S. Miguel… situações graves que
estamos aquém de dar resposta às necessidades. Temos de ter um máximo rigor na
distribuição, de forma a que os apoios cheguem às pessoas que de facto
precisam…”
Bom dia, estimado camarada, dr. Vasco Cordeiro: se calhar vamos precisar da
Secretaria Regional da Verdade! Não me agrada saturar os olhos do prezado
leitor com louvores ao futuro gestor da administração regional, embora já no
Verão de 2004 mencionasse Vasco Cordeiro como potencial successor de Carlos
César… Felizmente, os actuais governantes da Autonomia não estarão ocupados
em resolver ‘os problemas da evacuação da humanidade para o exterior, antes
da morte do Sol…’
Caríssimo camarada Vasco Cordeiro: confesso que não recordo de vos ter
visto, na tarde de 27 de Abril de1974, junto às Portas da Cidade, quando por ali
andei com um filho em cada braço, à espera do major Melo Antunes rebentar a
fechadura da entrada da nojenta PIDE/DGS. Mas dado que, na altura, contava
apenas um ano de idade, está desculpado…!
(Hoje, vim aqui para sugerir que não seja mais um gestor da Autonomia a
refrescar o estilo presidencialista, ou seja, imitador dos grandes maestros
musicais que controlam as suas orquestras com o respectivo traseiro voltado
para a assistência)…
P.S. (…) falta referir que este singelo conselho vai assinado pelo modesto
camarada que, em Outubro de 1980, partiu para melhor ficar. Trata-se de um
veterano democrata-imigrante que prefere viver à custa do que é, do que
existir à custa do que tem…
Rancho Mirage, California - USA
Na (minha) veterana condição de imigrante, com a memória a oscilar entre a
imensidão oceânica do pacífico e a seara democrática da açorianidade,
gostaria de confirmar que cultivo o hábito de oferecer uma ‘olhada’ aos louvores
e aos epitáfios democráticos subscritos pelos habituais comentaristas da
nossa praça intelectual, mormente nesta quadra eleitoral em que o coro dos
deserdados vem à rua gritar: ‘de pé, óh vitimas da fome, não mais, não mais a
servidão’…
Ora, o resultado das recentes eleições regionais não me causaram surpresa.
Digo isto sem escorregar no lamaçal da trivialidade. Em democracia, não há
derrotas – há esperas!
Já clarifico o meu lampejar linguístico: à distância de seis mil milhas (e
cerca de 80 horas antes do anúncio do resultado legalmente conferido ao
PS/A), arrisquei adivinhar em linguagem irónica, através de um dos mais
populares programas radiofónicos da diáspora lusófona, que o jovem açoriano, dr.
Vasco Cordeiro, iria ser ‘punido’ com uma vitória absoluta…!
Vejamos: afinal, cavalheiras(os), as eleições acontecem para seleccionar
projectos ou para escolher individualidades? Estou em crer que o que
eleitorado açoriano poderá ser comparado a um idoso em busca de sossego para acender
uma velinha na escuridade. Nada se esgrimir certezas! O medo (perdão! melhor
dizendo, o pavor da tortura repetida) inspira muitos cidadãos a inventar
governos; depois (dentro desses governos) a cultura do medo engrossa a
perpetuidade institucional, a fim de evitar o apagão do desemprego, segundo o novo
evangelho troikista.
De resto, a sabedoria inerente à autonomia pessoal (não estou a falar de
competência tecnocrática) só é possível quando o cidadão aprende a
controlar-se. Neste contexto, vou já socorrer-me da poesia de Sophia de Mello Breyner
Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não…
Adiante. Há cerca de dez anos, o economista Gualter Furtado (um dos poucos
cavalheiros açorianos que não pertence à família socialista mas que merece a
minha consideração democrática) teve valentia de afirmar a diferença entre
o exercício do ‘poder’ e a assunção da ‘responsabilidade’, e entendeu
desabafar na imprensa regional o seguinte:
“ (…) Portugal está a viver dos fundos comunitários e dos empréstimos. O
país está a sofrer dois choques, o interno, devido à baixa produtividade, e o
externo pela situação internacional que não é muito favorável. O sector
público é uma autêntica ruina para o país, que não tem capacidade produtiva e
não tem produção de impostos suficientes para fazer face às necessidades do
sector público, que tem que ser fortemente redimensionado”… (vide “Correio
dos Acores” - 10 Fev. 2002).
Meus caros: caso fosse apóstolo da Verdade (mas… o que é afinal a Verdade?)
anunciaria não hesitar em apetrechar os autonomistas açorianos com
eficientes asas angélicas; todavia, com uma meiga condição a prori: cada qual teria
de aprender a voar sozinho…
Digo isto, porque chegámos ao ponto de nos sentirmos felizes com a boa
gerência da nossa tristeza… Se calhar, morrer é emigrar um pouco. Afinal, quem
anda por aí a repetir que a morte nos torna eternos...?
Vamos até à avenida da Verdade: a partir de1963 (sobretudo a partir de
Abril-74) tive a boa-sorte de usufruir do acesso (gratuito) a mestres valiosos
que me ensinaram a comparar ideias e a compreender noções básicas da ciência
política. A minha ignorância nunca foi retalho escondido no colete da
vaidade.
Clarifico: algum tempo após a minha experiência na ALRA, assentei praça na
bancada parlamentar do PS, em San Bento (Janeiro. 1978), onde me foi dado
conviver com alguns dos veteranos mais ‘sabidos’ da engrenagem política do
tempo – camaradas que depressa notaram o meu sincero (embora tímido) apetite
pelo saber. Refiro-me a Jaime Gama, Medeiros Ferreira, Mário Mesquita, Mário
Cal-Brandão, Teófilo Carvalho dos Santos, Igrejas Caeiro, António Guterres.
Naquele tempo, tive a boa sorte de aprender que o ‘saber’ e a ‘liberdade’
não são adquiríveis pela via decretal das capelitas maçónicas… Ainda hoje,
continuo a aprender que o ‘hímen’ da autonomia politica continua a ser
amarfalhado pelo ceptro do capital internacional. De resto, nunca subscrevi a
portaria de que os Açores são uma região oceânica formada por São Miguel
rodeado por oito ilhas…
Seja-me permitido recordar que cerca de dois anos antes da primeira vitória
do PS/A (já lá vão 18 anos), deixei registado na comunicação social da
diáspora lusófona, o seguinte comentário:
“ (.../…) uma crise é como uma febre: não define claramente a natureza da
doença, mas serve ao menos para alertar quem tem a indeclinável
responsabilidade de diagnosticar e de ministrar a subsequente terapêutica aconselhada
(…) a gritante crise social que grassa nos Açores, embora acelerada na última
década pelo social-narcisismo do PPD/PSD, não deve ser vista como
fatalidade acontecida a um povo mal treinado para suportar penitentes necessidades.”
Ora, para muitos açorianos, a coragem de aprender não é vista como acto da
inteligência, mas sim como admissão pública duma inconfessada enfermidade.
Lamentavelmente, nunca chegou a ser encetada nos Açores uma experiência
autonómica assente num regime (inequivocamente) social-democrata… Assim sendo,
incumbe ao PS/A a tarefa de viabilizar a social-democracia nas ilhas, sem
complexos teocráticos nem teimosias jesuíticas…
Em Outubro de 2012, o povo açoriano ofereceu ao PS/A um grande bolo de
massa-sovada de responsabilidade. Não apreciamos o ‘balho-furado’ celebrativo
da pequena-burguesia socialista. Não desejamos ver os socialistas como
“peixinhos vermelhos a nadar em água benta” . Afinal, a inveja comunitária é uma
“guerriha inventada pela genética e praticada pelo biologia”. O mundo é
redondo e todos andamos curvados para entender o (des)equilíbrio do momento que
passa…
Há fome nos Açores? Ora vejamos: na edição do “Correio dos Açores”, de 29
e Agosto de 1999, a dra. Luísa César afirmava com invulgar sentido de
oportunidade: “… temos 6.000 bocas com fome em S. Miguel… situações graves que
estamos aquém de dar resposta às necessidades. Temos de ter um máximo rigor na
distribuição, de forma a que os apoios cheguem às pessoas que de facto
precisam…”
Bom dia, estimado camarada, dr. Vasco Cordeiro: se calhar vamos precisar da
Secretaria Regional da Verdade! Não me agrada saturar os olhos do prezado
leitor com louvores ao futuro gestor da administração regional, embora já no
Verão de 2004 mencionasse Vasco Cordeiro como potencial successor de Carlos
César… Felizmente, os actuais governantes da Autonomia não estarão ocupados
em resolver ‘os problemas da evacuação da humanidade para o exterior, antes
da morte do Sol…’
Caríssimo camarada Vasco Cordeiro: confesso que não recordo de vos ter
visto, na tarde de 27 de Abril de1974, junto às Portas da Cidade, quando por ali
andei com um filho em cada braço, à espera do major Melo Antunes rebentar a
fechadura da entrada da nojenta PIDE/DGS. Mas dado que, na altura, contava
apenas um ano de idade, está desculpado…!
(Hoje, vim aqui para sugerir que não seja mais um gestor da Autonomia a
refrescar o estilo presidencialista, ou seja, imitador dos grandes maestros
musicais que controlam as suas orquestras com o respectivo traseiro voltado
para a assistência)…
P.S. (…) falta referir que este singelo conselho vai assinado pelo modesto
camarada que, em Outubro de 1980, partiu para melhor ficar. Trata-se de um
veterano democrata-imigrante que prefere viver à custa do que é, do que
existir à custa do que tem…
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açores
salvar a universidade dos açores
Crónica do Atlântico
(em Portuguese Times, 31 Out 12)
Osvaldo Cabral
Salvar a Universidade
É curioso que, 37 anos depois da nova Autonomia, dois dos seus principais
pilares estejam hoje ameaçados pela sustentabilidade: a Universidade e a
RTP-Açores.
Sobre o futuro da televisão, refletiremos nos próximos dias. Dediquemo-nos
agora à Universidade.
É inegável que a Universidade dos Açores constitui, hoje, o motor regional
do conhecimento, da investigação e da formação. A academia açoriana tem dado
um contributo impagável à fixação de jovens e à qualificação dos nossos
recursos humanos (90% dos seus alunos são açorianos).
Sendo uma instituição estratégica no nosso modelo autonómico, a Região não
pode voltar as costas aos problemas da Universidade dos Açores, sem
menosprezar a sua autonomia académica. E os problemas, pelo que vamos assistindo,
são graves.
Começando pelo seu financiamento, a universidade vai perder no próximo ano
mais de meio milhão de euros nas transferências do Estado e vai ter que
pagar, a breve trecho, 400 mil euros de um empréstimo contraído ao Ministério
das Finanças.
Certamente que a Região não deixará que problemas de subfinanciamento
afetem o funcionamento e a qualidade da universidade, mas a nossa academia também
terá que fazer um esforço para se reestruturar e adaptar-se à nova
realidade deste tempo.
É preciso que a Universidade dos Açores se envolva mais com a sociedade, a
fim de percebermos e nos envolvermos no apoio ao seu funcionamento.
A universidade deveria esclarecer, a todos nós contribuintes, qual a
estratégia que pretende assumir para a sua sobrevivência e como resolve inúmeros
problemas de gestão – exploração e investimentos —, para os quais só se
ouvem interrogações e grandes preocupações. São muitas as questões que a UA
deveria esclarecer publicamente e explicar, serenamente, do que precisa para
resolvê-las.
Eis uma lista delas:
— A UA tem uma estratégia a curto ou longo prazo para o seu funcionamento?
Qual? Como vai aplicá-la?
— O “Plano Estratégico de Desenvolvimento da UA para o período 2012-2015”
que encomendou está a ser aplicado? Com que resultados?
— Os problemas financeiros da UA são de exploração ou de investimento?
— Quanto custa a tripolaridade? Ela está adaptada a esta situação de
restrições? Há ou não sobreposições nos 3 pólos?
— A construção do novo pólo de Angra está na base dos problemas financeiros
da UA? Em que dimensão e que erros se cometeram?
— Quais são os resultados das inúmeras investigações das várias unidades
orgânicas? Elas gerem receitas?
— É verdade que as verbas destinadas aos projectos de investigação são des
viados para pagar custos fixos?
— Como e onde são aplicadas as verbas do IMAR e da Fundação Gaspar Frutuoso?
— A UA tem recorrido a parcerias com empresas e ao financiamento europeu?
— É verdade que há professores que não trabalham, mas recebem o ordenado no
fim do mês?
— É verdade que foram organizados cursos apenas para não dispensar
professores?
— A UA tem cursos a mais? Estão todos adaptados ao mercado de trabalho ou
está-se a formar jovens para o desemprego certo?
— Há alunos que estão a abandonar a universidade porque não lhes resolvem
os problemas e até são obrigados a comprar materiais para os seus trabalhos?
— É verdade que a maioria dos alunos que ingressam na UA é oriunda de
famílias com menores rendimentos? Metade dos matriculados recorrem a bolsas? Que
respostas a UA dá a estes alunos em dificuldades?
— As várias unidades orgânicas da UA são tratadas por igual ou as que
melhor gerem os seus departamentos são incentivadas e premiadas? E aos que gerem
mal, o que acontece? Estas são apenas algumas das preocupações do cidadão
comum. Este contexto de restrição orçamental não pode servir de desculpa para
entraves tradicionais que impedem a melhoria dos índices de desempenho da
nossa Universidade.
Há que reformular atitudes, acabar com “capelinhas”, desmantelar teias
instaladas e impor soluções inovadoras e corajosas em toda a actividade
académica.
Deixar o problema arrastar-se, é pôr em causa a nossa própria Autonomia.
É curioso que, 37 anos depois da nova Autonomia, dois dos seus principais
pilares estejam hoje ameaçados pela sustentabilidade: a Universidade e a
RTP-Açores.
Sobre o futuro da televisão, refletiremos nos próximos dias. Dediquemo-nos
agora à Universidade.
É inegável que a Universidade dos Açores constitui, hoje, o motor regional
do conhecimento, da investigação e da formação. A academia açoriana tem dado
um contributo impagável à fixação de jovens e à qualificação dos nossos
recursos humanos (90% dos seus alunos são açorianos).
Sendo uma instituição estratégica no nosso modelo autonómico, a Região não
pode voltar as costas aos problemas da Universidade dos Açores, sem
menosprezar a sua autonomia académica. E os problemas, pelo que vamos assistindo,
são graves.
Começando pelo seu financiamento, a universidade vai perder no próximo ano
mais de meio milhão de euros nas transferências do Estado e vai ter que
pagar, a breve trecho, 400 mil euros de um empréstimo contraído ao Ministério
das Finanças.
Certamente que a Região não deixará que problemas de subfinanciamento
afetem o funcionamento e a qualidade da universidade, mas a nossa academia também
terá que fazer um esforço para se reestruturar e adaptar-se à nova
realidade deste tempo.
É preciso que a Universidade dos Açores se envolva mais com a sociedade, a
fim de percebermos e nos envolvermos no apoio ao seu funcionamento.
A universidade deveria esclarecer, a todos nós contribuintes, qual a
estratégia que pretende assumir para a sua sobrevivência e como resolve inúmeros
problemas de gestão – exploração e investimentos —, para os quais só se
ouvem interrogações e grandes preocupações. São muitas as questões que a UA
deveria esclarecer publicamente e explicar, serenamente, do que precisa para
resolvê-las.
Eis uma lista delas:
— A UA tem uma estratégia a curto ou longo prazo para o seu funcionamento?
Qual? Como vai aplicá-la?
— O “Plano Estratégico de Desenvolvimento da UA para o período 2012-2015”
que encomendou está a ser aplicado? Com que resultados?
— Os problemas financeiros da UA são de exploração ou de investimento?
— Quanto custa a tripolaridade? Ela está adaptada a esta situação de
restrições? Há ou não sobreposições nos 3 pólos?
— A construção do novo pólo de Angra está na base dos problemas financeiros
da UA? Em que dimensão e que erros se cometeram?
— Quais são os resultados das inúmeras investigações das várias unidades
orgânicas? Elas gerem receitas?
— É verdade que as verbas destinadas aos projectos de investigação são des
viados para pagar custos fixos?
— Como e onde são aplicadas as verbas do IMAR e da Fundação Gaspar Frutuoso?
— A UA tem recorrido a parcerias com empresas e ao financiamento europeu?
— É verdade que há professores que não trabalham, mas recebem o ordenado no
fim do mês?
— É verdade que foram organizados cursos apenas para não dispensar
professores?
— A UA tem cursos a mais? Estão todos adaptados ao mercado de trabalho ou
está-se a formar jovens para o desemprego certo?
— Há alunos que estão a abandonar a universidade porque não lhes resolvem
os problemas e até são obrigados a comprar materiais para os seus trabalhos?
— É verdade que a maioria dos alunos que ingressam na UA é oriunda de
famílias com menores rendimentos? Metade dos matriculados recorrem a bolsas? Que
respostas a UA dá a estes alunos em dificuldades?
— As várias unidades orgânicas da UA são tratadas por igual ou as que
melhor gerem os seus departamentos são incentivadas e premiadas? E aos que gerem
mal, o que acontece? Estas são apenas algumas das preocupações do cidadão
comum. Este contexto de restrição orçamental não pode servir de desculpa para
entraves tradicionais que impedem a melhoria dos índices de desempenho da
nossa Universidade.
Há que reformular atitudes, acabar com “capelinhas”, desmantelar teias
instaladas e impor soluções inovadoras e corajosas em toda a actividade
académica.
Deixar o problema arrastar-se, é pôr em causa a nossa própria Autonomia.

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FADO NA UNIVERSIDADE
IN DIÁLOGOS LUSÓFONOS
O
Fado é lecionado pela primeira vez numa universidade portuguesa, disse o
musicólogo Rui Vieira Nery, que vai reger a disciplina «Culturas
Musicais em Portugal: O Fado», no âmbito da Licenciatura em Ciências
Musicais da Universidade Nova de Lisboa.
Em
declarações à Lusa, o musicólogo, que foi um dos responsáveis da
candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, afirmou que o
objetivo da cadeira é "dar aos alunos um panorama geral da emergência do
Fado a partir dos processos de mudança nas práticas musicais urbanas em
Portugal, na viragem para o século XIX".
A disciplina visa ainda dar a conhecer o desenvolvimento do género fadista até aos nossos dias.
"Propõe-se
um modelo de periodização e caracterizam-se as sucessivas etapas do
percurso histórico do Fado, procurando abordá-las a partir do respetivo
contexto sócio-cultural e detetar em cada uma delas os seus processos de
mudança estética e técnica interna em termos dos principais
protagonistas, do repertório, das convenções poético-musicais e das
práticas performativas", explicou Rui Vieira Nery à Lusa.
A
unidade curricular desenvolve-se em oito etapas. A primeira aborda "a
música no salão burguês luso-brasileiro, do final do Antigo Regime. A
cançoneta, a modinha e o lundum".
Segue-se
"o desenvolvimento do Fado dançado afro-brasileiro, a sua chegada a
Lisboa nas décadas de 1820 e 1830" e "o Fado nos circuitos boémios e
marginais de Lisboa. O mito fundador da [Maria] Severa (1820-1846)".
O
quarto ponto é sobre "a expansão social do Fado na segunda metade do
século XIX. A Revista e o Teatro Musical. As edições para uso doméstico.
A emergência do Fado operário e republicano".
"A
transição para o século XX. Renovação poética e musical. O arranque da
indústria discográfica. Os novos locais de apresentação profissional",
constituem o quinto ponto.
O
sexto e sétimo são, respetivamente, "O Fado no Estado Novo. A censura, a
carteira profissional e o licenciamento de recinto performativos. A
rede das casas de Fado. O debate ideológico e político sobre o género", e
"Os processos de internacionalização e a renovação poético-musical das
décadas de 1960 e 1970. O impacte do 25 de Abril de 1974. A crise do
sector no Portugal democrático".
O
oitavo e último ponto corresponde ao "ressurgimento das décadas de 1980
e 1990. O 'Novo Fado', a entrada na World Music e a candidatura a
Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO".
Com
esta disciplina, Rui Vieira Nery regressa à docência na Universidade
Nova, onde tinha já lecionado e onde é investigador do Instituto de
Etnomusicologia - Música e Dança.
Vieira
Nery foi secretário de Estado da Cultura entre 1995 e 1997, e é
atualmente diretor do Programa de Língua e Cultura Portuguesas da
Fundação Calouste Gulbenkian.
O
musicólogo é também responsável pela docência na área da História da
Música no espaço ibero-americano e por um seminário de doutoramento, em
Ciências Musicais Históricas, dedicado aos "Contextos e estruturas da
vida musical portuguesa (séculos XVI-XXI)".
Diário Digital com Lusa
[Fonte: diariodigital.sapo.pt]
Etiquetas:
FADO
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
revolução para o euro
Ex-vice da Moody's apela a revolução na zona euro
|
|
Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
11:37 Sexta feira, 5 de outubro de 2012
|
"Está na
hora de uma revolução na zona euro, o tempo para uma discussão educada
terminou. O que está em causa não são um ou dois por cento de
crescimento económico no Sul, mas, pelo contrário, a diferença entre um
futuro de prosperidade e um de depressão", refere hoje Christopher T.
Mahoney, ex-vice presidente da agência de notação Moody's, num artigo
intitulado "Southern Europe Must Revolt Against Price Stability
", publicado no "Project Syndicate".
Essa "revolução" deve ser "liderada pela França, Itália
e Espanha", com a França à cabeça, e os seus alvos principais são a
Alemanha e o Bundesbank. "O tempo é agora, antes que a Espanha e Itália
sejam forçadas a capitular à estricnina e ao arsénio da troika", sublinha.
Mahoney é um veterano de Wall Street que saiu de
vice-presidente da Moody's em 2007. Considera-se um "libertário do
mercado livre".
"Se o Sul continuar a permitir que o Norte administre
o remédio envenenado da deflação monetária e da austeridade orçamental,
sofrerá, desnecessariamente, anos e anos", adverte Mahoney, para,
depois, apelar à "revolução" do Sul.
"A zona euro é uma república multinacional em que cada
país, independentemente da sua notação de crédito, pode atuar como um
hegemonista. A Alemanha tem apenas dois votos no conselho de
governadores do Banco Central Europeu (BCE), não tem controlo e não tem
poder de veto. A Alemanha é apenas mais outro membro da união e o
Bundesbank apenas mais outra sucursal regional do sistema do euro. O
Tratado do BCE não pretendeu ser um pacto de suicídio, e pode ser
interpretado de um modo suficientemente aberto para permitir que seja
feito o que tem de ser feito. Se o Tribunal Constitucional objetar,
então a Alemanha pode sair."
E reforça: "O que advogo é uma rutura pública com o Bundesbank e com os seus satélites ideológicos".
A finalizar, diz: "Talvez seja mais prudente conduzir
esta revolta em privado, mas o que acho é que só funciona como ultimato
público".
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/ex-vice-da-moodys-apela-a-revolucao-na-zona-euro=f758145#ixzz2B4EbOUIp
Etiquetas:
crise
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
vagas na universidade de pelotas
A UFPel/RS abre vagas para docente em diversas áreas de conhecimento,
inclusive tradução.
Por favor, ajudem a divulgar.
Obrigada.
Edital 117/2012 – Prof. Adjunto / Assistente / Auxiliar – Diversas Áreas
Inscrições de 29 de outubro a 22 de novembro de 2012.
Prof. Auxiliar (40h e 40h/DE)
Prof. Assistente (40h e 40h/DE)
Prof. Adjunto (40h e 40h/DE)
Diversas Áreas
Prof. Auxiliar (40h e 40h/DE)
Prof. Assistente (40h e 40h/DE)
Prof. Adjunto (40h e 40h/DE)
Diversas Áreas
Marisa
Helena Degasperi
Centro de Letras e Comunicação da UFPel
Área de Tradução
53 3307-2069/53 8128-0956
Centro de Letras e Comunicação da UFPel
Área de Tradução
53 3307-2069/53 8128-0956
__._,_.___
planeta universitário
Planeta Universitário (nesta mensagem: 16 notícias)
|
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- Enade: cursos e acadêmicos devem ser parceiros
- Apresentação de fósseis e acervos raros abre Mostra Científica na EXPOULBRA
- Brasil adere à Plataforma Internacional de Informação sobre Biodiversidade
- Nobel de Medicina fala em evento na Unicamp
- PUC-Campinas realiza 1ª Oficina de Marketing de Eventos
- Enem 2012 - Teste com lacre eletrônico no exame vai reforçar segurança
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novo portal sobre Goa
Texto em português mais em baixo
Lusophone Society of Goa
(LSG)
Launching of the New Website of LSG
Dear reader,
we are pleased to announce the launching of the
bilingual (English and Portuguese) website of the Lusophone Society of Goa (LSG).
Please read the news and the articles and write your comment at: www.lusophonegoa.org
We would
appreciate any suggestion regarding the society and the new website.
Kind
regards
LSG
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Lusophone Society of Goa
(LSG)
Lançamento do novo
Site da LSG
Prezado Leitor,
Temos o prazer de anunciar o
lançamento do Website bilingue (inglês e português) da Sociedade Lusófona de
Goa (Lusophone Society of Goa - LSG). Leia por favor as notícias e os artigos e
comente-os em www.lusophonegoa.org
Apreciaríamos o envio das suas
sugestões em relação à sociedade e ao novo website.
Os melhores cumprimentos
LSG
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goa
homenagem a Juscelino
Embaixador de Portugal no Brasil presta homenagem a Juscelino Kubitschek
Brasília - O embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Ribeiro Telles, visitou nesta quarta-feira (31) o Memorial Juscelino Kubitschek (JK), em Brasília. O embaixador manifestou apreço pela amizade com que Juscelino Kubitschek de Oliveira sempre distinguiu Portugal e os portugueses radicados no Brasil. Leia mais
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brasil
110 anos nascimento de Drummond de Andrade
Brasil e Portugal assinalam 110 anos do nascimento de Carlos Drummond de Andrade
Brasília - Este ano, o Dia D: Dia de Drummond está sendo celebrado em oito cidades brasileiras – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Itabira, Brasília, Porto Alegre, Salvador e Recife – e também na cidade do Porto, no norte de Portugal. Leia mais
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brasil
adagiário popular açoriano
Caros,
Recebi do autor e divulgo.
onésimo
_____________________________
Adoro
os Açores e tenho uma costelita açoreana — dado ter cumprido parte do
meu serviço militar no BAG 1, em Ponta Delgada, em Agosto e Setembro de
1973 —, pelo que resolvi fazer um pequeno trabalho pessoal (sem qualquer
outra pretensão, que não seja a divulgação) sobre o Adagiário Popular Açoriano e o Cancioneiro Geral dos Açores, ambos de ARMANDO CORTES-RODRIGUES.
Aqui vão os respectivos "links":
Peço
desculpa pelo atrevimento, agradeço antecipadamente a atenção que
possa, eventualmente, prestar a este assunto e espero que goste.
Por favor, aceite um abraço e os cumprimentos do
============================================José Augusto Macedo do Couto
Bairro da Vilarinha
Rua de Moçambique, 405-A, Hab- 3-G
4100-349 PORTO
PORTUGAL
Email: jamcouto1@me.com
4100-349 PORTO
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açores
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