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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

LIVROS PARA CABO VERDE





---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Pedro Silva <escritorpedrosilva@gmail.com>
Data: 15 de Fevereiro de 2013 à51 21:09
Assunto: Biblioteca



Saudações.

Em primeiro lugar, queria endereçar-vos cordiais saudações. Na verdade, num momento em que a crise é global, as necessidades são incrementadas. Ao mesmo tempo, as ajudas são ainda mais bem-vindas.

Na minha qualidade de Patrono da futura Biblioteca Municipal de Ribeira Grande de Santiago (Cabo Verde), mais conhecida por Cidade Velha, venho, por este meio, apelar ao vosso Apoio, seja na divulgação, na doação ou na organização de alguma campanha de angariação de Livros.

Após algumas doações, a Biblioteca (em espaço inicialmente provisório, até haver a capacidade de criação de edifício de raiz) surgirá, dentro de pouco tempo, com o cariz de dotar a cidade de mais Literatura e Cultura. A opção por abrir em espaço provisório tem o intuito de, o quanto antes, colocar à disposição dos habitantes do espólio já angariado. Mas, tendo em conta ser um projecto bem recente, carece, obviamente, de todas as ajudas que puderem ser facilitadas.

Em caso de interesse e/ou disponibilidade da vossa parte, colocá-los-ei em diálogo directo com a entidade camarária, visto que todas as doações passam, única e exclusivamente, de forma directa entre a entidade doadora e a entidade receptora (Biblioteca Municipal da Cidade Velha). Jamais passarão pela minha pessoa, para evitar qualquer dúvida a respeito do assunto. Sou apenas o Patrono e a minha missão é divulgar e colocar em diálogo as diversas entidades.

Respeitosamente,
Pedro Silva
 
Licenciado em História - Minor Cultura e Religião
Pós-Graduado em Estudos Portugueses Multidisciplinares
Cidadão Honorário de Cidade Velha (Ribeira Grande de Santiago - Cabo Verde)
Medalha de Mérito do Jornal "Audiência" - 4ª Gala (2009)
Representante em Portugal da Asociación Civil de Historiadores Mexicanos - Palabra de Clío
Académico Correspondente da Academia Juiz-Forana de Letras
Académico Correspondente da Academia da Academia de Letras José de Alencar
Académico Correspondente da Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciências
Académico Correspondente da Academia Igarassuense de Cultura e Letras
Académico Correspondente da Academia de Letras Balneário Camboriu
Académico Correspondente da Academia Planaltinense de Letras
Académico Correspondente da Academia Divinopolitana de Letras
Sócio Correspondente da Associação Santa-Rosense de Escritores
Sócio Correspondente da Sociedade de Escritores de Blumenau
Sócio Correspondente da Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes
Sócio Correspondente da Academia Penedense de Letras, Artes, Cultura e Ciências
Membro Vitalício, em Portugal, da Academia de Letras do Brasil
Escritor Amigo da Asociación de Escritores de Mérida - Venezuela

Biografia: Com mais de cinquenta livros publicados, em países tão díspares quanto Portugal, Brasil, Espanha ou Chile, o autor português Pedro Silva (1977) tem, igualmente, produzido títulos em diversas áreas temáticas, tais como o ensaio histórico, a ficção, o roteiro turístico ou mesmo os contos. Para além disso, o escritor, tem-se dedicado igualmente a colaborar com diversos jornais e revista em língua portuguesa e estrangeira.

Bibliografia:
- "Ordem do Templo: Em Nome da Fé Cristã" esgotado (Ulmeiro, Portugal, 2000) Ensaio
- "História e Mistérios dos Templários" 2ª edição esgotada (Ediouro, Brasil, 2001) Ensaio
- "Escritos Errantes (histórias leves como o vento mas tocantes como a tempestade)" esgotado (Publicações Senso, Portugal, 2002) Contos
- "Ku Klux Klan: Pesadelo Branco" esgotado (Magno Edições, Portugal, 2003) Ensaio
- "Tripla Imparável I: Juventude em Acção" esgotado (Magno Edições, Portugal, 2005) Ficção Juvenil
- "Os Templários e o Brasil" esgotado (Flâmula Editora, Brasil, 2005) Ensaio
- "Templários em Portugal (a verdadeira história)" (Ícone Editora, Brasil, 2005) Ensaio
- "Templários em Portugal (a verdadeira história)" esgotado (Dinalivro/Ícone Editora, Portugal, 2005) Ensaio
- "Templários (Ordem Militar e Religiosa)" (Catedral das Letras, Brasil, 2005) Ensaio
- "Confraria Mística Brasileira: a História" (MAP, Brasil, 2006) Ensaio
- "Símbolos e Mitos Templários" (Centauro Editora, Brasil, 2006) Ensaio
- "Mistérios da Humanidade" esgotado (Via Occidentalis, Portugal, 2006) Ensaio
- "O Sol de Rita" (Corpos Editora, Portugal, 2006) Ficção
- "Roteiro Místico de Portugal" (Editora Leitura, Brasil, 2006) Turismo
- "Assassini (uma seita esotérica)" esgotado (Via Occidentalis, Portugal, 2006) Ensaio
- "História dos Lusitanos" esgotado (Editora Prefácio, Portugal, 2006) Ensaio
- "Romance na Net" (Idea Editora, Brasil, 2006) co-autor: Eliete Madureira / Ficção
- "Os Grandes Mistérios da Humanidade" esgotado (Axcel Books, Brasil, 2006) Ensaio
- "Já Passou" (Corpos Editora, Portugal, 2006) Ficção
- "Assassinos" esgotado (Pulso Editorial, Brasil, 2006) Ensaio
- "O Código da Maçonaria" (Universo dos Livros, Brasil, 2007) Ensaio
- "1977" (Pulso Editorial, Brasil, 2007) Crónicas
- "Portugal-Brasil: A Aventura do Descobrimento" (LGE Editora, Brasil, 2007) co-autor: Jean Angelles / Ilustrações: Gleydson Caetano / Ficção Infantil
- "Cátaros (história de uma heresia)" esgotado (Via Occidentalis, Portugal, 2007) Ensaio
- "História Mística de Portugal" (Saída de Emergência, Portugal, 2007) Ensaio
- "Templarios (Cruz y Medialuna)" esgotado (Bajo Los Hielos, Chile, 2007) co-autor: Sergio Fritz Roa / Ensaio
- "Roteiro do Portugal Templário" (Letras e Magia, Brasil, 2007) Turismo
- "História Mística do Brasil" (Centauro Editora, Brasil, 2007) Ensaio
- "Codex Templi (Os Mistérios Templários à Luz da História e da Tradição" (Zéfiro, Portugal, 2007) participação como autor do capítulo XXX "Os Templários e o Brasil (Terra de Vera Cruz)" / Ensaio
- "O dia em que a Corte Portuguesa chegou ao Brasil" (Pulso Editorial, Brasil, 2007) Ensaio
- "Tomar (cidade templária)" esgotado (Edições Outrora, Portugal, 2007) Ensaio
- "As Maiores Personalidades da História" (Universo dos Livros, Brasil, 2007) Primeiro Volume da Colecção "História Extraordinária do Mundo" / Ensaio
- "O Nascimento do Reino de Portugal" (Edições Chimpanzé Intelectual, Portugal, 2007) Ilustrações: Filipa Canhestro / Ficção Infantil
- "Templários (História Integral)" (Letras e Magia, Brasil, 2007) Ensaio
- "Dos Templários à Ordem de Cristo" esgotado (Via Occidentalis, Portugal, 2007) Ensaio
- "As Maiores Civilizações da História" (Universo dos Livros, Brasil, 2008) Segundo Volume da Colecção "História Extraordinária do Mundo" / Ensaio
- "Aljubarrota: da Independência à Grande Batalha" (Edições Chimpanzé Intelectual, Portugal, 2008) Ilustrações: Filipa Canhestro / Ficção Infantil
- "Los Templarios en España y Portugal" esgotado (Editorial Europa Viva, Espanha, 2008) Tradução: Maiquel da Costa Brito / Ensaio
- "Os mais belos lugares para se conhecer (antes que eles acabem)" (Universo dos Livros, Brasil, 2008) Ensaio
- "A Magia das Palavras" (LGE Editora, Brasil, 2008) Ilustrações: Fernando Reis / Ficção Infantil
- "Grandes Enigmas do Passado (Desvendando o Inexplicável)" (Pulso Editorial, Brasil, 2008) Ensaio
- "A Lança Sagrada de Hitler" (Universo dos Livros, Brasil, 2008) Ensaio
- "Baphomet: um enigma templário" (Letras e Magia, Brasil, 2008) Ficção
- "Ordem dos Assassini: os primeiros terroristas da humanidade" 1ª reimpressão (Pulso Editorial, Brasil, 2009) Ensaio
- "Historia Misteriosa de España y Portugal" esgotado (Editorial Europa Viva, Espanha, 2009) co-autor: Jordi Buch Oliver / Tradução: Maiquel da Costa Brito / Ensaio
- "Portugal (país de tradição)" (Ramiro Leão, Portugal, 2010) Ensaio
- "Portugal Ancestral (Mitos e Mistérios)" esgotado (Prefácio, Portugal, 2010) Ensaio
- "História Mítica de Portugal" (Editora Porto de Idéias, Brasil, 2010) Ensaio
- "Mitos y Misterios del Mundo" (Ediciones Corona Borealis, Espanha, 2010) Ensaio
- "Historia y Misterios de los Templarios" edição não venal (Euedito, Portugal, 2011) Ensaio
- "Mitos e Mistérios Templários" (Editora Inverso, Brasil, 2011) Ensaio
- "Eu Mesmo" edição não venal (Euedito, Portugal, 2011) Ensaio
- "Primórdios Místicos de Portugal" esgotado (Ministério dos Livros, Portugal, 2011) Ensaio
- "Portugal - Apologia Humana e Lusitana" esgotado (Thebooksonthetable, Brasil, 2011) Ensaio
- "Enigmas de la Humanidad" (Ediciones Corona Borealis, Espanha, 2012) Ensaio
- "Enciclopédia Pedro Silva" edição não venal (Euedito, Portugal, 2012) Ensaio
 
Prefácios)

* Annabel Sampaio, «Missão Birkenau»
* Dimythryus, «Geografia em Si»
* Monica Di Camargo, «O Apanhador de Bolinhas»
* Luiz Lorhans, «A Trilha de um Destino»
* Valdeck Almeida de Jesus, Dye Kassembe, Walter S e Eduardo Quive, «Antologia Poética sobre África»
 
Participação)

* Capítulo 2 (Entrevista) da obra «A Fé em Debate», de Johnny Torralbo Bernardo (2010)
 
Colaborações)

Impresso: Revista Aventuras na História; Revista História Viva; Revista Desvendando a História; Revista Leituras da História; Jornal O Almonda; Jornal O Templário; Jornal Audiência; Revista Viana Social e Cultural; Jornal de Oleiros; Jornal O Conquistador; Jornal Litoral Alentejano; Diário do Minho; Revista Bons Vicius; Revista Definitivamente Jueves; Revista En Sentido Figurado; Revista Dada; Revista Plenitude; Revista Sexto Sentido; Jornal Povo de Portugal; Jornal O Milênio; Revista Adega; Jornal Feira Hoje; Jornal de Barcelos; Jornal de Lousada; Jornal do Enéas; Jornal Trevim; Notícias de Figueiró; Revista Ponte; Revista Santa Catarina; Revista Crase; Revista Inverso; Portugal Ilustrado; Cuadernos de Iberia; Notícias do Paiva; Revista Vale Ver; Revista Platina; Comércio do Seixal e Sesimbra; Notícias Ribeirinhas; Jornal O Alvaiazerense; Tribuna da Marinha Grande; Jornal de Abrantes; Região de Rio Maior; Revista Angelia; Revista A Torre; Jornal O Mensageiro; O Jornal Alagoas; Jornal Entre Vilas; Jornal Serrano; Jornal do Barreiro; Jornal Agora Paraná; Jornal O Primeiro de Janeiro; Jornal O Baluarte; Jornal do Pinhal Novo; Gazeta do Arroio; Tribuna do Povo.

Em Linha: Argumento; Caminho das Letras; Palavras de Seda; Teia Cultural; Substantivo Cultural; Clarín; Colmeia Literária; Lobulo Temporal; Singrando Horizontes; Verbo 21; Revista Vida Brasil; Portal Messejana; La Cruzada del Saber; Revista Maioridade; Palabras Diversas; Revista Cronópio; O Jornaleiro; Italia Medievale; Mundo Lusíada; Jornal da Mulher; Blog Feng Shui Lógico; El Libre Pensador; Revista Andros; Gaveta do Autor; João do Rio; Argila da Palavra; Dubito Ergo Sum; O Jornalzinho; Prosa em Verso; Kaalash; Tudo Lorota; LigOnline; Autoria.net; Revista Interativa; O Teorema da Feira; Conexão Maringá; Revista Lusofonia; Cronica Viva; Tiro de Letra; Literatura sem Fronteiras; Pinhal Digital; Jornal Dia-a-Dia; El Sonido 13; Grupo Literario Signos; Quaderns Digital; Escritores de Chihuhua; Revista Papirola; Los Enigmas; Círculo de Poesia; Kiliedro; Letras de Chile; El Quinto Hombre; Altiplano; Blog Templars Wordpress; Literatura em Foco; Revista Literária; Duelos Literários; Vivientos; Palpitar; Biblioteca Imaginária; Poemas e Textos Especiais; O Voo da Gralha Azul; Coluna Ponto de Vista; Tribunal do Sisal; Revista Capitu; Rumo Cultural; Leitura e Reflexão; Novos Livros Online; Centro Literário de Piracicaba (CLIP); Jornal O Rebate; Livros Literatura; Caminho das Letras; Fanzine Episódio Cultural; Revista Vaga Lume; Amigo das Letras; Sabedoria Mística; Bons Ventos; Guruweb; História.net; Argumentos; Literatos Literatos; Casa da Cultural; Mistérios Antigos; O Guaruçá; Blocos Online; Jornal Tinta Fresca; Panorama da Palavra; A Trincheira; Verborrágicos; Barilochenyt; Mundo Cultural; Zero Hum; Meio Tom.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O EXEMPLO DE CABO VERDE

Cabo Verde só fala português na CAN

A seleção de Cabo Verde na Taça das Nações Africanas só dá entrevistas em português, seguindo as instruções do presidente Jorge Carlos Fonseca.

O objetivo é incentivar o uso da língua portuguesa, de acordo com os responsáveis da seleção, citados hoje no jornal A Bola.
«Uma das razões que levam a que o português não seja tão conhecido internacionalmente é o facto de sermos tão educados com os estrangeiros e falarmos com eles outras línguas», disse o porta-voz Gerson de Matos ao jornal.

«Somos mais de 200 milhões de falantes de português no mundo. Se fizermos questão de falar português, talvez mais pessoas encarem a nossa língua de outra forma», acrescentou ainda Gerson de Matos.


Cabo Verde só fala português na CAN

Cabo Verde passou pela primeira vez na história aos quartos-de-final da Taça das Nações Africanas (CAN).
A decisão de Cabo Verde já motivou uma notícia da agência internacional Reuters, com o título: «Cape Verde players speak up for Portuguese language».

[Fonte: www.tsf.pt]

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

cabo verde

Cabo Verde acolhe primeira feira internacional de música

Praia - A capital cabo-verdiana vai acolher, entre 8 e 10 de abril, a primeira edição da Atlantic Music Expo – Cabo Verde (AME), uma feira internacional de música organizada pelo Ministério da Cultura do arquipélago.  Leia mais

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

CABO VERDE VÍTIMA DA CRISE EUROPEIA

IN DIÁLOGOS LUSÓFONOS

Crise europeia reduz crescimento de Cabo Verde01 Julho 2012

As exportações cabo-verdianas deverão baixar consideravelmente, com claros reflexos na economia nacional. De acordo com um estudo do Instituto britânico de Desenvolvimento Externo, Cabo Verde, que coloca 90 por cento dos seus produtos nos mercados europeus, é um dos seis países que mais serão afectados pela crise financeira na Europa. O nosso arquipélago, estima o documento, deverá abrandar o seu crescimento em 0,5 por cento, dado já avançado pelo Banco de Cabo Verde no seu relatório sobre a política monetária de Maio último.

Crise europeia reduz crescimento de Cabo Verde
Um relatório do Instituto para o Desenvolvimento Externo, do Reino Unido, concluiu que pelo menos seis países no mundo, que mantêm fortes trocas comerciais com a Europa, correm sérios riscos de vir a sentir já, já os efeitos da crise financeira no Velho Continente. Cabo Verde, Moçambique, Quénia, Niger, Camarões e Paraguai são apontados como os mercados que, por arrastamento da crise da dívida soberana europeia, mais irão ficar prejudicados, com reduções nas ajudas ao orçamento, no comércio e nos investimentos.
O nosso país, segundo o documento a que A Semana teve acesso, está no topo dessa lista, já que 90 por cento das suas exportações tem como mercado principal a Europa que, entretanto, começa a incentivar a produção local e a reduzir as importações como forma de redinamizar a economia na zona Euro.   “As nações em desenvolvimento (como Cabo Verde e Paraguai) estão mais vulneráveis a uma recessão prolongada na Europa, provocada por temores de uma dissolução da união monetária”, perspectiva o Instituto britânico, acrescentado que “os efeitos do fraco crescimento e austeridade na zona da moeda única vão afectar o comércio, ajuda ao investimento, e as remessas dos emigrantes em Cabo Verde”.
A pesquisa sustenta essa tese “numa demanda mais fraca da Europa na hora de importar produtos de países de baixa renda, o que teria um forte impacto sobre o crescimento desses países. Isto é uma ‘bomba’ para as nações pobres”, avisa o IDE, que calcula uma perda acumulada para os países em desenvolvimento de 238 biliões de dólares entre 2012 e 2013. É que a Europa é o maior mercado de exportação para os países em desenvolvimento, daí que uma queda de 1 por cento nas importações europeias irá afectar até 0,5%, o crescimento de países exportadores como Cabo Verde, Moçambique, Quénia, Níger, Camarões e Paraguai.
Isabella Massa, uma das autoras do relatório do Instituto britânico para o Desenvolvimento Externo, entende que “há três maneiras gerais em que a crise da zona euro irá afectar os países em desenvolvimento: por meio de contágio financeiro; como um efeito de arrastamento da consolidação fiscal na Europa para atender às necessidades de austeridade; e através de uma queda no valor das moedas indexadas ao euro” – como sucede com o nosso país.
Robert Zoellick, presidente cessante do Banco Mundial, chegou mesmo a alertar os países em desenvolvimento para a necessidade de se prepararem para uma nova onda de turbulência financeira global decorrente da Europa, e que todos deveriam colocar suas finanças em ordem para conter os impactos da crise. “Os países pobres são vulneráveis à crise do euro, não só por causa de sua exposição (devido à dependência de fluxos de comércio, remessas, fluxos de capitais privados e de ajuda), mas também devido à sua fraca resistência em relação a 2007, antes do início da crise financeira global”, acrescentou.
A fim de superar a crise, o Instituto para o Desenvolvimento Externo britânico aconselha os países em desenvolvimento a continuar a privilegiar os objectivos de finanças públicas sólidas e a estabilidade económica como metas de longo prazo. Mas também sugere as nações em causa a “estimular a demanda interna, promover a diversificação das exportações tanto nos mercados como nos produtos, melhorar a regulação financeira, aprovar políticas de longo prazo de crescimento e fortalecer redes de segurança social. Por seu lado, as instituições parceiras devem garantir que os fundos adequados para conter as ondas de choque são postas em prática de forma coordenada, para prestar assistência eficaz e atempada à crise nos países afectados”.
O relatório daquele instituto sublinha ainda que a capacidade dos países em desenvolvimento responder às ondas de choque provenientes da crise na zona Euro dependerá tanto dos fluxos de finanças internacionais como do comportamento da economia global, que tende a tomar outro rumo. “A escalada da crise do euro e o facto de as taxas de crescimento nas economias emergentes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), que têm sido o motor da recuperação global após a crise financeira 2008/09, estarem agora a abrandar torna a situação actual realmente preocupante para os países em desenvolvimento”, alerta.

http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article77925

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CABO VERDE PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Cabo Verde cria Alta Curadoria para gerir Património da Humanidade

Praia - O governo de Cabo Verde criou uma Alta Curadoria, entidade que vai coordenar as intervenções para melhorar a qualidade e a gestão da Cidade Velha, o único sítio histórico do arquipélago com estatuto de Património da Humanidade.  Leia mais

terça-feira, 25 de setembro de 2012

cidade francesa homenageia cesária évora


CABO VERDE

Cidade francesa dá nome da cantora cabo-verdiana Cesária Évora a rua do município

O nome da cantora cabo-verdiana Cesária Évora será atribuído a uma rua da cidade francesa de Saint Denis, na região metropolitana de Paris.
Praia - O nome da cantora cabo-verdiana Cesária Évora será atribuído a uma rua da cidade francesa de Saint Denis, na região metropolitana de Paris.
Depois do líder histórico da luta anti-colonial de Cabo Verde e Guiné Bissau, Amílcar Cabral, cujo nome foi dado, em 2008, a uma rua de Saint Denis, agora é a "diva dos pés descalços" que recebe a distinção.
Uma rua em Saint-Denis, na França, será baptizada com o nome da diva dos pés descalços, Cesária Évora, natural do Mindelo.
Saint Denis é conhecida em França por acolher tradicionalmente migrantes de diversas nacionalidades, entre eles portugueses e dos países africanos lusófonos. Várias ruas e avenidas da cidade têm o nome de personalidades que se destacaram nas lutas pelos direitos humanos, como Myriam Makeba, Rosa Park, Fatlima Bledhar, Simone Bernier e Amílcar Cabral, entre outras.
Grande parte da carreira artística de Cesária Évora, falecida em 17 de dezembro de 2011, aos 70 anos, foi feita em França, onde recebeu diversas homenagens, tendo sido condecorada pelo governo.
Em 2004 conquistou um prémio Grammy de melhor álbum de world music contemporânea e o ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy, distinguiu-a, em 2009, com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da Cultura francesa Christine Albanel.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

cabo verde ano escolar


CABO VERDE

Começa em Cabo Verde o novo ano lectivo

Enquanto o número de alunos do ensino pré-escolar aumentou, este ano registou-se uma diminuição de efetivos no ensino básico e manteve-se estável no secundário, tendência que se vem registando nos últimos cinco anos.
Praia - O novo ano letivo em Cabo Verde arranca oficialmente esta segunda-feira com um total de 143.747 alunos nos três primeiros níveis de ensino (pré-escolar¸ básico e secundário) e um corpo docente constituído por 6.903 professores.
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação e Desporto (MED), do total, quase 24.000 alunos estão inscritos no ensino pré-escolar, 65.000 no básico e 54.000 no secundário.
Em relação ao ano letivo anterior, regista-se um aumento de mais 477 alunos, devido essencialmente a um crescimento de 16,6 porcento registado na educação pré-escolar, ou seja aproximadamente mais dois mil alunos face ao letivo de 2011-2012 (21.833).
Ao apresentar os dados relativos ao ano letivo 2012-2013, o diretor-geral do Planeamento, Orçamento e Gestão do MED, Pedro Brito, explicou que este aumento demonstra uma inversão da tendência nesse nível de ensino, tendo em conta que, nos últimos anos, havia reduções nas entradas no pré-escolar.
Enquanto o número de alunos do ensino pré-escolar aumentou, este ano registou-se uma diminuição de efetivos no ensino básico e manteve-se estável no secundário, tendência que se vem registando nos últimos cinco anos.
Com o lema "Juntos por uma Educação e um Desporto de Qualidade", o ano letivo que ora inicia vai, nas palavras de Pedro Brito, ser marcado pela consolidação das inovações introduzidas nos anos anteriores, assim como pela introdução de outras alicerçadas em quatro pilares fundamentais para o reforço da ualidade nos sistemas educativo e desportivo, designadamente "a responsabilidade, a honestidade intelectual,  a transparência e a excelência".
O MED lançou também neste ano letivo, que termina a 20 de julho de 2013, novos manuais escolares para o primeiro ano do ensino básico, assim como foram introduzidos novos programas.
Segundo o diretor-geral do Planeamento, Orçamento e Gestão do MED, a generalização de novos programas de ensino, de guias do professor e de manuais do aluno insere-se no âmbito da reforma curricular que o Ministério tem em curso na sequência da aprovação do decreto legislativo que revê as bases do sistema educativo.
De acordo com o MED, os novos manuais apresentam uma ilustração apelativa, com cores vivas e agradáveis e imagens extraídas da realidade sociocultural cabo-verdiana. Os mesmos utilizam ainda uma abordagem interativa que estimula a autoaprendizagem e a autonomia do aluno.
Até o ano passado, os alunos do primeiro ano de escolaridade estudavam com apenas dois livros, sendo um de Matemática e outro de Língua Portuguesa. Com os novos programas de ensino, vão ter mais um manual, o das Ciências Integradas.
O Governo pretende também continuar a implementar o Programa "Mundu Novu" (Mundo Novo) nas escolas do país, estando previstas ações de formação para os professores e a disponibilização de mais "kits" tecnológicos, com vista a alargar a "experiência piloto" de informatização dos estabelecimentos de ensino do país.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

mim' delo



Caros amigos, 
“mim'delo” é um documentário em construção, uma reflexão sobre a juventude marginalizada da periferia da cidade do Mindelo em Cabo Verde. 

Mas “mim'delo” é uma boa estória que precisa de ajuda para ser contada. De forma a obter os fundos necessários à sua finalização, o projeto “mim'delo” 

lançou uma campanha de angariação de fundos via CROWDFUNDING ou FINANCIAMENTO COLETIVO. 

Só com a ajuda de todos poderemos contar estas "estórias na periferia da ilha-festa"

APOIA e DIVULGA MIM'DELO em www.indiegogo.com/docmimdelo

www.10pt.org/docmimdelo — 10pt - Criação Lusófona || projeto mim'delo

Obrigado!





COMUNICADO 
Projeto Cultural Lusófono MIM'DELO une parceiros de 3 continentes
... e inicia campanha de CROWDFUNDING / FINANCIAMENTO COLETIVO
MIM’DELO É UMA CO-PRODUÇÃO 10PT – CRIAÇÃO LUSÓFONA



mim'delo” é uma plataforma criativa que se serve da arte para contactar e engajar a juventude dos espaços urbanos marginalizados das comunidades lusófonas e crioulas. “mim'delo” é também um documentário em construção, uma reflexão sobre a juventude marginalizada da periferia da cidade do Mindelo em Cabo Verde.

mim'delo”é um projeto de intervenção cultural consagrado pelo Governo de Cabo Verde com uma Declaração de Interesse Cultural e que foi convidado pela Fundação Americana Creative Visions Foundation (EUA) para o restrito grupo de projetos de Ativismo Criativo, ou seja, que fazem uso da arte para positivamente influenciar a sociedade. A ONG finlandesa Shiffa e a Plataforma de ONGs de Cabo Verde, completam o grupo de parceiros que se uniram em torno deste projeto da 10pt – Criação Lusófona, que conta ainda com o apoio do cineasta finlandês Pena Turunen e do músico e compositor caboverdiano Tito Paris.

Para mais informação visite:                    www.10pt.org/docmimdelo

Mas mim'delo” é uma boa estória que precisa de ajuda para ser contada. De forma a obter os fundos necessários à sua finalização, o projeto “mim'delo” lançou uma campanha de angariação de fundos via CROWDFUNDING ouFINANCIAMENTO COLETIVO. O financiamento coletivo é “o ato de arrecadar dinheiro, em troca de recompensas, para realizar projetos por meio da agregação de múltiplas fontes de financiamento: amigos, família, fãs, empresas, associações... É uma nova tendência mundial para financiar projetos artísticos. Graças ao financiamento coletivo, cada vez mais pessoas poderão expressar-se, democratizando  o mercado da cultura.

Para doações VIA FINANCIAMENTO COLETIVO, 
visite:         www.indiegogo.com/docmimdelo

mim'delo” quer ser uma saga, um retrato de África narrado por um dos seus povos periféricos, através de estórias quenão caem na armadilha tendenciosa dos média do Ocidente, que espalham uma imagem ubíqua de fome e desencanto num continente sem ideias nem esperança, define o ator e encenador de teatro Miguel Pinheiro, que aqui também realiza. mim'delo incorpora a ficção e o mito, cruza-os com experiências de vida, e coloca-os em palco para assim desocultar as histórias de uma periferia, pela primeira vez contada de dentro para fora, trazendo o fora para dentro de todos nós”, resume Ana Cordeiro, Diretora do Centro Cultural Português/Instituto de Camões, polo do Mindelo.

MIM’DELO transformando estórias de vida periféricas numa emocionante saga.
mim é MIM’DELO = eu sou MIM’DELO
 

 Imagem intercalada 1
                                                                                                                               © mim’delo
               

10PT – CRIAÇÃO LUSÓFONA é uma Associação sem fins lucrativos e tem como objetivo a criação, a produção e divulgação de atividades artísticas que contribuam ativamente para o surgimento e afirmação de novas dinâmicas culturais e sociais de âmbito lusófono. 
+INFO. WWW.10PT.ORG  


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10pt - Criação Lusófona
Rua de S. Dionísio, 17
Fontaínhas. Porto
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DoC MIM'DELO . CROWDFUNDING até 24 Setembro
 

terça-feira, 24 de julho de 2012

china e cabo verde

José Maria Neves parte na segunda-feira para Cabo Verde depois de uma visita à China com a garantia de um apoio ao desenvolvimento do seu país de 21 milhões de dólares americanos (17,2 milhões de euros) dada por Pequim e com a ambição de reforçar as relações com a segunda economia mundial. 

"O pacote de 21 milhões é um donativo de cerca de 8,5 milhões e um empréstimo sem juros de cerca de 12,5 milhões", explicou o chefe do executivo cabo-verdiano aos jornalistas em Macau, à margem de um encontro com a comunidade de Cabo Verde radicada na Região Administrativa Especial chinesa, salientando que a sua visita à China "ultrapassou todas as expectativas".

Ao indicar que este financiamento será investido em "áreas como o ensino superior, a formação profissional, a construção de algumas infra-estruturas na área cultural e no domínio da administração", José Maria Neves realçou que o objectivo do seu Governo "é alargar [os apoios para] muito mais do que os 21 milhões".

"Estamos a falar em grandes infra-estruturas que poderão ultrapassar os 500 milhões de dólares no domínio dos portos, aeroportos, estradas, telecomunicações, energias renováveis, portanto há áreas muito grandes e a nossa ambição também é grande de reforçarmos as relações com a China", sustentou.

Os projectos em carteira no arquipélago, apontou, passam pela construção do porto de águas profundas no Mindelo, de outros portos, "designadamente nas ilhas do Maio e São Nicolau", do terminal de cruzeiros na ilha de São Vicente, o desenvolvimento do porto da Cabnave do Mindelo e de "uma importante base logística das pescas".

"Estamos a falar entre 500 milhões (411 milhões de euros) e 600 milhões de dólares (493 milhões de dólares) que Cabo Verde precisará para desenvolver essas infra-estruturas. Para Cabo Verde, um pequeno país, são muitos recursos, mas a nossa ambição é de podermos chegar lá com esta parceria com a China", disse.

José Maria Neves lembrou a "relação muito forte" que Cabo Verde tem com a China desde a independência do arquipélago, em 1975, salientando que agora se pretende "elevar o patamar deste relacionamento, construir uma parceira estratégica em domínios muito importantes do desenvolvimento" do arquipélago.

"Cabo Verde é hoje um país emergente, de rendimento médio, queremos acelerar o ritmo de crescimento da nossa economia e temos necessidades no domínio da infra-estruturação e precisamos de recursos para esse financiamento com o contributo da China", concluiu.

O primeiro-ministro cabo-verdiano disse ainda que o objectivo é também "reforçar as relações económicas e empresariais [com Macau] para continuar a levar mais investimentos para Cabo Verde e sobretudo procurar que haja parcerias entre empresas cabo-verdianas e de Macau".

quinta-feira, 19 de julho de 2012

santiago cidade velha

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Cidade Velha, viveiro de mestiçagem

 
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Cidade Velha, viveiro de mestiçagem
Na ilha cabo-verdiana de Santiago, a Cidade Velha passou a integrar a lista de património da UNESCO com merecimento, sobretudo por aquilo que significa em termos de berço de um caldeamento de povos das mais díspares origens e culturas que ali se encontraram e se misturaram e se miscigenaram


Ribeira Grande de Santiago, em Cabo Verde, foi recentemente elevada  à dignidade de património da Humanidade. É de se admitir que a UNESCO, instituição prestigiada que é, não tenha tomado essa importante deliberação eventualmente como um reconhecimento e exaltação do legado arquitectónico da cidade, na realidade hoje praticamente desaparecido ou em ruínas.
É facto que a Cidade Velha, como é nostálgica e carinhosamente conhecida e tratada, teve fortes, muitos fortes, todos com nomes dos santos mais diversos. Teve a imponente fortaleza de São Filipe, arrasada pela acção do tempo e do pirata francês Jacques Cassard mas felizmente reconstruída por obra do governo espanhol; tem ainda as chamadas “ruínas consolidadas” do que foi a grandiosidade da Catedral, e tem também o renovado convento de São Francisco e a igreja que foi de Nossa Senhora dos Escravos, sem contar as muitas reminiscências ou resíduos de umas quantas igrejinhas e capelas que pareciam surgir do chão ao sabor de cada promessa feita a um qualquer santo.
Não obstante, não é por nada disso que a Cidade Velha merece ser tida como património da Humanidade e como tal venerada. É sobretudo por aquilo que significa em termos de berço de um caldeamento de povos das mais díspares origens e culturas que ali se encontraram e se misturaram e se miscigenaram, acabando por criar uma espécie de “raça humana” feita em todas as cores. Os seus elementos reconhecem-se e identificam-se como o mesmo povo, não apenas pela língua comum, o crioulo de Cabo Verde, mas especialmente na particular forma de estar e enfrentar o mundo nunca encarado como hostil e cujo centro não pode ser outro senão o arquipélago onde nos encontramos.
E, no entanto, a história leva-nos a acreditar numa simples obra de acaso a possibilitar o surgimento da sociedade cabo-verdiana. É que inicialmente terá sido ambição de Portugal proceder à colonização de Cabo Verde nos mesmos moldes que tinha acontecido relativamente às ilhas ditas adjacentes, isto é, com povos predominantemente de raça branca. Porém, com as ilhas do Cabo Verde tão próximas da África e a necessidade de “desmamar” os cativos da sua terra-mãe antes de serem enviados para novas paragens, era inevitável servirmos de entreposto no comércio de escravos. A isso acresceu que os colonos mandados para Cabo Verde preferiam de longe trabalhar com escravos africanos que com trabalhadores vindos de Portugal cheios de exigências, queixavam-se aqueles, vontade de rapidamente enriquecer e regressar à terra antes de serem mortos pelas doenças dos trópicos e os maus ares que a ilha de Santiago era acusada de possuir.
 Acresce que a pobreza das ilhas não atraía europeus em busca de fortuna, ficando reservadas quase exclusivamente para os degredados e outros criminosos desterrados. Assim, quando no reinado de D. Maria I, e certamente por causa dos desmandos de governação do arquipélago pela Companhia do Grão Pará e Maranhão, a Coroa olhou finalmente para Cabo Verde e encontrou as ilhas praticamente povoadas de pretos.
Ou é história ou simples lenda, mas o que se diz é que a ideia encarada inicialmente pelo poder foi a de os devolver a todos à África-Mãe. E depois de abandonada por de todo impraticável, pois já se tinham passado mais de 300 anos sobre a chegada das primeiras levas de escravos, houve que cuidar da sua efectiva cristianização. Tanto mais que, conforme anunciava o cronista João de Barros, vivido entre 1496-1570 e tido como o primeiro grande historiador português, a finalidade dos descobrimentos não era outro senão “atrair as bárbaras nações ao jugo de Cristo”. Ideia essa confirmada em 1611 por um padre jesuíta residindo na ilha de Santiago, onde aliás a sua congregação desempenhou importante papel a nível da educação dos indígenas, que escreveu que, “com as pregações, doutrinas, confissões e práticas espirituais, se vão desarreigando desta terra as muito e mui grandes superstições que nela há” todas trazidas da mãe África pelos povos dela desenraizados.
No entanto, essa tarefa, a princípio considerada simples e fácil de executar, revelou-se de todo impossível. Isso porque as “muito e mui grandes superstições que nela há” só na aparência foram sendo desarreigadas, camufladas que ficaram, e depois a pouco e pouco sincretizadas com elementos e ritos e ornamentos colhidos da dominante religião católica oficial, única cuja prática era livremente permitida e consentida.
 Assim, por exemplo, em 1762, um escandalizado ouvidor-geral das ilhas, de nome João Vieira de Andrade, queixava-se em carta dirigida ao rei de Portugal, D. José, dos muitos erros que aqui vinha observando no que dizia respeito à religião católica e seus dogmas, e que cuja necessidade de sanar considerava de grande urgência.
Entre diversos erros notórios, mas eventualmente menos chocantes, Vieira de Andrade identificou e privilegiou como bárbaros e ofensivos dos hábitos cristãos, primeiro o que chamou de “o costume da Esteira”, que descreveu em pormenor: morre alguém numa casa (ou mesmo fora dela sendo parente consanguíneo), e logo o dono da casa, e portanto do morto, manda estender a esteira perto da porta, o que significa franquear a entrada na casa a toda e qualquer pessoa. Este convite é iniciado no dia em que acontece a morte e prolonga-se por 15 dias, às vezes até 30, tudo conforme as posses do enlutado. E durante esse período encarregam o defunto de levar recados aos que antes dele faleceram, entregar cartas que lhe metem no interior da mortalha, tudo no meio de grande alarido que incomoda toda a vizinhança. E assim passam todos esses dias, que terminam com grandes banquetes que fazem ao jantar, com muita gula, muito álcool e também muita luxúria que se prolonga pela noite adentro.
Mas o que mais espantou e escandalizou o ouvidor, foi constatar que esse primitivo costume era observado por todos os moradores da ilha de Santiago, a começar pelos eclesiásticos, passando pelos seculares nobres, até chegar aos plebeus mais insignificantes.
Houve uma segunda aberração que muito impressionou Vieira de Andrade e que era a festa do Reynado. O Reynado, conta ele, é uma festa anual que começa recatadamente com uma solene e devota missa católica, mas que termina numa verdadeira orgia pagã, onde as mulheres, sejam casadas, solteiras, donzelas ou corruptas, se fecham numa casa e ali são procuradas e escolhidas pelos homens que, a troco de uma garrafa de aguardente, ficam autorizados a sair com elas para o exterior com vista à consumação do “torpíssimo exercício” longe de olhares indiscretos. Falou também o ouvidor da quarta-feira de Cinzas, chamada de foro ou mel, dia em que todos os homens, casados, solteiros, libertos, cativos, graves ou vis, tinham por indispensável obrigação oferecer uma porção de mel à sua mulher ou concubina, mel esse a que chamam foro; e a seguir com ela dormir, sob pena de irremissível divórcio ou repúdio.
Bem, passados quase 300 anos sobre as invectivas do ouvidor que se vangloria de pessoalmente muito ter contribuído para reprimir essas práticas indecorosas, a verdade é que com mais ou menos matizes esses costumes continuam presentes em quase todas as ilhas do arquipélago, ainda que já esvaziados dos conteúdos descritos e repudiados por Vieira de Andrade. De modo que se quisermos começar a aproximar da actual realidade cultural cabo-verdiana, um bom caminho será acompanhar Bentley Duncan quando sintetiza com sabedoria e fino espírito de análise que do ponto de vista social, as ilhas de Cabo Verde tiveram na sua formação a grande influência do tráfico de escravos, instrumento que fez das dispersas ilhas um campo de coligação e também de cooperação entre africanos e europeus que acabaram entrando numa série de interacções complexas envolvendo opressão e colaboração, crueldade e concubinagem e também ligações por casamento, mas que a final viriam a dar origem a uma sociedade miscigenada, se não completamente na cor da pele, pelo menos nas diversas expressões da cultura.
Preto e branco deu castanho, escreveu alguém ao falar de Cabo Verde, e é verdade que a cultura cabo-verdiana, particularmente quando expressa pelo seu maior instrumento, o crioulo, representa um eloquente acordo entre os elementos africanos e europeus. “A língua crioula, embebida na formação emocional e psicológica do cabo-verdiano, apesar de essencialmente portuguesa quanto ao vocabulário, sintaxe e gramática, é também africana na entonação e no sentimento interior, tendo tido a sua origem e desenvolvimento nas exigências da situação do africano da costa  ocidental”, escreve Duncan.
Um exemplo expressivo pode ser encontrado na nossa panaria, uma amálgama da cultura cabo-verdiana no próprio e perfeito sentido do termo, pois que formada ninguém sabe exactamente com elementos provenientes de que partes do mundo, mas que aqui acabaram adquirindo uma como que unidade à volta da pobreza das ilhas. Para caracterizar essa fusão de elementos europeus e africanos que desde cedo nos identificou, Duncan refere com graça que o cabo-verdiano cultiva o milho, uma planta americana, com métodos africanos mas em terrenos preparados de acordo com as técnicas portuguesas, e pila-o com instrumentos europeus e africanos; marca ritmos africanos com ferrinhos portugueses e nas suas estórias populares, o lobo da lenda europeia aparece com uma máscara semi-africana.
Mas se é verdade que o africano foi europeizado no arquipélago, não deixa de ser igualmente verdade, como bem mostram os lamentos do ouvidor Vieira de Andrade, que também o europeu acabou sendo africanizado. E dessa miscigenação, desse encontro biológico e cultural, resultou o mulato que viria a ser o homem cabo-verdiano, produto de uma terra inóspita, temperado pelas agruras das secas mas alegre e eternamente crente num amanhã de fartura que não é menos certo pelo facto de continuar retardado.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

ALUOPEC, o que é?

in diálogos lusófonos
Aprendemos sempre?

Mas o que é o ALUPEC,  perguntarão alguns? A seguir, uma breve explicação sobre as duas línguas de Cabo Verde: o Português, o Crioulo e o Alfabeto unificado para a escrita do crioulo.

Em Cabo Verde, segundo o  Decreto-Lei n.º 67/98    de 31 de Dezembro ,
http://alupec.kauberdi.org/decreto-lei-67-98.html,  define-se

A situação linguística em Cabo Verde caracteriza-se pela existência de duas línguas com estatutos e funções diferenciados: o Português é língua oficial e internacional e o Cabo-verdiano (ou o Crioulo) é língua nacional e materna. Ao primeiro estão reservadas as funções de comunicação formal: administração, ensino, literatura, justiça, mass-média. Ao segundo, pelo seu lado, estão reservadas as funções de comunicação informal, particularmente o domínio da oralidade.
Sendo o Crioulo a língua do quotidiano em Cabo Verde e elemento essencial da identidade nacional, o desenvolvimento harmonioso do País passa necessariamente pelo desenvolvimento e valorização da língua materna. Porém, esse desenvolvimento e valorização não serão possíveis sem a estandardização da escrita do Crioulo ou seja da Língua Cabo-verdiana. Ora, a estandardização do alfabeto constitui o primeiro passo para a estandardização da escrita.

Onde se definiu o ALUPEC » o Alfabeto Unificado para a Escrita da Língua Cabo-verdiana (o Crioulo) 
Artigo 1º É aprovado, a título experimental, o Alfabeto Unificado para a Escrita da Língua Cabo-verdiana (o Crioulo), adiante designado ALUPEC, cujas Bases são publicadas em anexo ao presente diploma.

e  na  BASE III  do Decreto determina-se   (Da Composição do ALUPEC)
O ALUPEC é de base latina e compõe-se de vinte e três letras e quatro dígrafos, com a representação maiúscula e minúscula, na seguinte ordem de apresentação:
A B D DJ E F G H I J K L LH M N NH O P R S T TX U V X Z
a b d dj e f g h i j k l lh m n nh o p r s t tx u v x z

quinta-feira, 31 de maio de 2012

sons e sabores de CABO VERDE

PORTUGAL

Sons, sabores e saberes de Cabo Verde animam Lisboa

Festival organizado pelo Fundo de Apoio Social de Cabo-verdianos em Portugal começa hoje e prossegue até domingo, para promover a valorização da cultura cabo-verdiana, com música, dança, gastronomia e conferências, entre outras actividades.
Lisboa - Lisboa - Começa hoje em Lisboa, e seguirá até ao próximo domingo, 3 de junho, a iniciativa “Sons, Sabores e Saberes de Cabo Verde” promovida pelo Fundo de Apoio Social de Cabo-verdianos em Portugal. O evento vai decorrer na Alameda D. Afonso Henriques, na capital portuguesa, e conta com o apoio da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa).
"Esta iniciativa pretende promover a valorização da cultura cabo-verdiana, contribuindo para a sua divulgação junto da comunidade. Pretende, igualmente, proporcionar o acompanhamento das dinâmicas culturais contemporâneas, facultando o contato direto com algumas das mais significativas expressões", informou a UCCLA em comunicado.
O evento cabo-verdiano em Lisboa terá música, dança, gastronomia, conferências e diversas actividades culturais. Na sexta-feira, sábado e domingo o festival começa logo de manhã e prolonga-se até à noite.