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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

racismo, por Mia Couto

Impedir a periferia de ter pensamento próprio é forma de racismo, diz Mia Couto

São Paulo - O escritor moçambicano Mia Couto disse, em São Paulo, que impedir a população mais pobre de pensar por si mesma é uma prática racista. "Acredita-se que a periferia pode dar futebolista, cantor, dançarino. Mas, poeta? No sentido que o poeta não produz só uma arte, mas pensamento. Isso acho que é o grande racismo, a grande maneira de excluir o outro. É dizer: o outro pode produzir o que quiser, até o bonito. Mas, pensamento próprio, isso não".  Leia mais

sábado, 9 de junho de 2012

MIA COUTO E AO1990

O QUE DIZ MIA COUTO (08-06-2012):

http://visao.sapo.pt/mocambique-mia-couto-diz-que-governo-fez-bem-ao-ratificar-acordo-ortografico=f669057

Moçambique: Mia Couto diz que Governo "fez bem" ao ratificar Acordo Ortográfico.

Maputo, 07 jun (Lusa) - O escritor moçambicano Mia Couto saudou hoje o Governo moçambicano por ter ratificado o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, defendendo que "o país não podia ficar uma ilha e à margem" da nova situação gerada pelo tratado.

Em sessão extraordinária, o Conselho de Ministros de Moçambique ratificou quinta-feira o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, informou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi.

"Fez bem o Conselho de Ministros ao ratificar o acordo, porque o país não podia ficar uma ilha e à margem da nova situação provocada pela vigência da ortografia aprovada pela maior parte dos países da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)", afirmou Mia Couto.

Ler mais: http://visao.sapo.pt/mocambique-mia-couto-diz-que-governo-fez-bem-ao-ratificar-acordo-ortografico=f669057#ixzz1xEzCxIeX

O QUE DIZ VASCO GRAÇA MOURA (04-06-2012):

http://www.tvi.iol.pt/noticia/sociedade/acordo-ortografico-angola-mocambique-ratificado-tvi24/noticia/aa---videos---sociedade/graca-moura-acordo-ortografico-tvi24/1353066-5795.html

Graça Moura: «Acordo é manifestação colonialista»

O Presidente do Centro Cultural de Belém continua a afirmar-se frontalmente contra o Acordo Ortográfico. Em entrevista no programa «Olhos nos Olhos», da TVI24, Vasco Graça Moura considerou que o Acordo deveria ser revogado.

«Este acordo é uma manifestação perfeitamente colonialista e fez tábua rasa de quaisquer regras para os vocábulos nativos», frisou, lembrando que «para estar em vigor seria necessário que fosse assinado por todos os países, mas Angola e Moçambique não subscreveram».

«É uma forma de transferir a perda do império para o plano da língua, o que não faz sentido nenhum», disse, acrescentando: «Estamos a fabricar um atentado à língua portuguesa. O acordo devia ser suspenso».

O QUE DIZ CAVACO SILVA (22-05-2012):

http://www.tvi.iol.pt/noticia/sociedade/acordo-ortografico-angola-mocambique-ratificado-tvi24/noticia/iol-push---politica/acordo-ortografico-tvi24-ultimas-noticias-cavaco/1349952-6185.html

O Presidente da República, Cavaco Silva, salientou hoje a sua participação na ratificação do Acordo Ortográfico em Portugal, mas confessou que em casa ainda escreve como aprendeu na escola.

Durante a inauguração da Feira do Livro de Díli, Cavaco Silva visitou as várias bancas e, numa delas, destacou os livros já adaptados ao novo Acordo Ortográfico (AO).
Questionado se já se adaptou à nova grafia, o Presidente da República lembrou que o AO já foi ratificado pela Assembleia da República e entrou em vigor para os serviços públicos em 2012.

«Todos os meus discursos saem com o acordo ortográfico mas eu quando estou a escrever em casa tenho alguma dificuldade e mantenho aquilo que aprendi na escola. Mas isso é algo privado em casa, coisa diferente é a divulgação oficial de todos os documentos da Presidência», sublinhou, salientando que não só concorda com este Acordo como participou ativamente na sua ratificação.

terça-feira, 29 de maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mia Couto lança “A Confissão da Leoa”


diálogos lusófonos escreve:

Mia Couto lança “A Confissão da Leoa” em Lisboa

“A Confissão da Leoa” é a mais recente obra do escritor moçambicano, lançada recentemente na Feira do Livro de Lisboa. A apresentação do livro foi pelo escritor José Eduardo Agualusa.

Mia Couto contou à Antena1 que estava a trabalhar na aldeia moçambicana de Palma, na província de Cabo Delgado, quando presenciou ataques de leões que mataram dezenas de pessoas:

É uma situação recorrente nos dois lados da margem do rio Rovuma, porque os camponeses matam os pequenos animais que serviam para alimentar os leões e estes começam a atacar pessoas.

Em entrevista ao jornalista Ricardo Alexandre, Mia Couto afirmou que é a primeira vez que um fenómeno real lhe suscita de uma forma tão presente uma narrativa. O autor considera que as situações extremas como esta têm o condão de fazer despertar aquilo que normalmente está adormecido.

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=549904&tm=4&layout=123&visual=61

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

MIA COUTO E O AO1990


Muito interessante a entrevista de Mia Couto ao iDestaco, aqui, a resposta a uma pergunta sobre o acordo ortográfico:
Não sou um militante contra o acordo. Não me reconheci em algumas da razões que foram invocadas para chegar a este acordo, como por exemplo que este acordo facilitaria um melhor entendimento entre a língua. Sempre li livros do Brasil e com o maior prazer, pelo facto de eles terem uma grafia ligeiramente diferente. Os meus livros e os de Saramago são publicados com a grafia original e nunca ninguém se queixou. Acho inclusivamente que há uma diferença na grafia que só traz valor. Mas não faço guerra ao acordo. As nossas guerras são outras, é perceber porque é que nós, países de língua portuguesa como Portugal ou Moçambique, estamos tão distantes do Brasil, porque é que o Brasil está tão distante de nós. Por que razão é que um filme português no Brasil tem de ser legendado. Porque é que quando eu chego ao Brasil e digo que sou de Moçambique, ninguém sabe onde é ou o que é Moçambique.

domingo, 28 de agosto de 2011

O May be man MIA COUTO


O May be man MIA COUTO
Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.
O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Sim­plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.
A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior.
Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniên­cia. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideolo­gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”.
Há quem lhe chame de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma na­ção muito gaseificada.
Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer. Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enqua­dra-se no combate contra a pobreza.
Mas a corrupção, em Moçambique, tem uma dificuldade: o corrup­tor não sabe exactamente a quem subornar. Devia haver um manual, com organograma orientador. Ou como se diz em workshopês: os guidelines. Para evitar que o suborno seja improdutivo. Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opi­nião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém.
O May be man entendeu mal a máxima cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois, vendeu-a ao portu­guês, ao indiano. E está agora a vender ao chinês, que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem.
O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa parábola mais recen­te: o não deixar. Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito corrup­to: em nome da lei, assalta o cidadão.
Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele e sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cau­tela, os do chefe do chefe.
O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigen­te: esse é o principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem no­meá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir.
Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma for­tuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio.
O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de-conta. Para um país a sério não serve.