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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
PEPETELA OS SAUDOSISTAS
Revista África21
"Os saudosistas do tráfico", por Pepetela
Redação revista África21
12/11/2012 14:00
"Eis
a nova matéria prima, depois do escravo, da madeira rara, o algodão, o
petróleo ou o diamante, vem agora o doutor de exportação"
"África está bem posicionada e pode potencialmente fornecer mão de obra ao resto do mundo (...) devemos reexaminar os nossos sistemas educativos e as competências que eles criam, para saber se são suficientemente competitivos e responderem às normas internacionais, satisfazendo assim as exigências desses países».
Mais terá dito o douto senhor, mas para mim basta.
Numa altura em que se debate e trabalha em África para vencer a pobreza e se criar um desenvolvimento sustentável, e com muito poucos países se aproximando das metas apontadas, vem este crânio, certamente Ph.D por muitas e prestigiadas universidades, dizer que devemos continuar a ser um continente de exportação.
Primeiro foram matérias primas, ouro, marfim, ao mesmo tempo milhões de trabalhadores na forma de escravos, depois trabalhadores na forma de emigrantes esfomeados, muitos dos quais morrendo no caminho, sempre acompanhados pelas matérias-primas de que se alimenta a indústria do norte. Quando agora se tenta a via do desenvolvimento e começa a vislumbrar-se alguns tímidos sucessos, surge a ideia de que o futuro do continente será de novo, na mente brilhante deste africano (?), a exportação de pessoas, mas, batam palmas!, desta vez não emigrantes analfabetos e aceitando as mais ultrajantes condições de trabalho e vida, mas cérebros bem formados, com todas as garantias de qualificação dadas pelas instituições de avaliação do norte.
Leia versão integral na edição impressa da revista África21 (N.º 69, novembro 2012). Para assinar a revista contacte: jbelisario.movimento@gmail.com
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
passou o tempo dos partidos
REVISTA ÁFRICA21
"Passou o tempo dos partidos?", por Pepetela
Redação revista África21
20/09/2012 10:11
"Os partidos são cada vez mais aparelhos desumanos, constituídos de instrumentos e peças, sem sangue nem nervo".
Brasília - Um humorista italiano, Beppe Grillo, ganhou algumas câmaras municipais em Itália. Já antes o excêntrico Berlusconi fartou-se de reinar em Roma, criando e desfazendo partidos da noite para o dia. Na Grécia, um antissistema de esquerda ameaçou ganhar as eleições, pondo de parampas toda a União Europeia.
Já há tempos um palhaço foi eleito para deputado no Brasil (nunca mais ouvi falar dele, talvez por ter deixado de usar o nariz vermelho). Na circunspecta Alemanha, o Partido dos Piratas vai crescendo e pode mudar os equilíbrios do poder (eles só querem ter a liberdade de copiar e fazerem downloads na Internet sem serem chateados). Alguns exemplos de como a política já não é a secura a que estávamos habituados e enveredou pela imaginação libertária. Ao menos, uma nota de pimenta na rigidez do fato e gravata.
Não escondo a admiração que nutro pelos que rompem os sistemas e têm a coragem de parecer extravagantes para, pelo menos, animarem a maralha. A vida seria uma monotonia intragável sem eles. Agora, por culpa dos mesmos de sempre, essa tendência vem ganhando a política. E me divirto a ver os aparelhísticos (isto é, aqueles que vivem dos aparelhos partidários, género um jotinha que não estuda nada e vai fazendo a sua vidinha na Juventude do Partido, esperando ter idade para ser promovido para o Partido, aos pulos e gritos de apoio ao chefe nas manifestações de boné na cabeça, de preferência com uma estrela, até conseguir uma ascensão no próprio Partido e acabando por morrer, sem dentes, mas membro do Comité Central, uma vida recheada de vitórias e felicidade pelo dever cumprido!).
Os partidos são cada vez mais aparelhos desumanos, constituídos de instrumentos e peças, sem sangue nem nervo. Por isso, quando se vislumbra no horizonte qualquer coisa como uma máquina de reciclar ou compactar os instrumentos, eu fico com esperanças, um partido a menos.
Leia versão integral na edição impressa da revista África21 (N.º 67, setembro 2012). Para assinar a revista contacte: jbelisario.movimento@gmail.com
quinta-feira, 5 de julho de 2012
pepetela ladrões honrados
"Ainda há ladrões honrados", por Pepetela
Redação revista África21
05/07/2012 09:14
"É pena que certos banqueiros, especuladores de agências de ratos, e outros ladrões de casaca e lacinho preto, não sejam apanhados da mesma maneira"
Brasília - "É pena que certos banqueiros, especuladores de agências de ratos, e outros ladrões de casaca e lacinho preto, não sejam apanhados da mesma maneira"
Quando uma pessoa ouve ou lê uma boa estória, fica com saudades de um tempo que talvez nunca tenha existido. Por exemplo, o tempo dos ladrões honestos, género Robin dos Bosques ou Ali Babá. Os tais que só roubavam os grandes ladrões. Infelizmente, na realidade, deparamo-nos sobretudo com os grandes ladrões que não são castigados, nem sequer pelos pequenos lhes aliviando um pouco o bolso. É mesmo de acreditar na ausência da justiça.
De repente, no entanto, surge uma notícia e lá voltamos nós a ter esperança, talvez a Humanidade não esteja perdida definitivamente para os liberalismos de nome, os tais que enriquecem os ricos e mais empobrecem os pobres, o tal liberalismo que só autoriza os grandes latrocínios, tão grandes que até mudam de designação e se tornam respeitáveis. O capitalismo que estamos com ele.
Mas vamos lá acender a réstia de esperança. Num desses países avançados do Sul, Austrália ou Nova Zelândia, um larápio roubou a carteira e um telemóvel de um cidadão. Ao analisar os resultados da bem sucedida operação, descobriu no telemóvel furtado fotografias de pornografia infantil. O gatuno entrou numa daquelas situações de encruzilhada, como os grandes caminhantes dos nossos matos. Que faço eu, vou pela direita, pela esquerda, sigo em frente? Porque tinha descoberto um criminoso maior que ele próprio.
Embora fosse reincidente, com vários julgamentos e mesmo prisão por ladroagem, se considerava pessoa de princípios, talvez (não pude confirmar) até de formação religiosa. Em época de crise, mesmo em país rico, há alguns que têm de recorrer a métodos menos corretos para se manterem vivos. Esta seria a sua justificativa para as aventuras mais ou menos perigosas em que incorria. Nada comparáveis a um miserável que abusa de crianças e ainda pode ganhar dinheiro com isso, vendendo vídeos ou fotos a outros tão malucos como ele (os doidos que me desculpem a força de expressão, mas este tipo de gente não é só «perturbada mental», é maluca mesmo, maluca furiosa).
Leia versão integral na edição impressa da revista África21 (N.º 65, JULHO 2012). Para assinar a revista contacte: jbelisario.movimento@gmail.com
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domingo, 8 de abril de 2012
PEPETELA AO 1990 E LUSOFONIA
IN DIÁLOGOS LUSÓFONOS
A construção da lusofonia- há que ouvir as vozes discordantes e a não unanimidade de opiniões
A construção da lusofonia- há que ouvir as vozes discordantes e a não unanimidade de opiniões
Para entendemos o caminho a percorrer e as dificuldades a enfrentar na construção da lusofonia, há que conhecer as vozes discordantes e a não unanimidade de opiniões. Não temos um mar de rosas pela frente.
Numa entrevista recente ao Jornalirismo o escritor angolano Pepetela levantou algumas dúvidas sobre a lusofonia e sobre o conceito de que o que nos une é a língua comum! Eu concordo.Só a língua? E Pepetela também questiona o acordo ortográfico, porque não o considera ainda relacionado com todos os seus falantes......mais das terras dos tapuias...
. 
Autor de mais de 20 obras, Pepetela é
grande nome da literatura lusófona.
grande nome da literatura lusófona.
Nascido Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, a 29 de outubro de 1941, na cidade de Benguela, capital da província de Benguela, de onde se embarcou boa parte dos escravos trazidos ao Brasil, foi um dos guerrilheiros a se levantarem contra Portugal por uma Angola livre. Era 1969. Ali nascia Pepetela, conversão de fé do sobrenome Pestana ao seu vocábulo equivalente em umbundo, uma das línguas nacionais de Angola. Nome de guerra, efetivamente.
Pepetela, ao lado do camarada Agostinho Neto, o médico-guerrilheiro-poeta, primeiro presidente da Angola independente, fez da Utopia um lugar possível, e acessível. Seu nome era Luanda.
Aos 70 anos, o escritor, vencedor, entre outros, do prestigiado Prêmio Camões (1997), pelo conjunto da obra, tornou-se crítico dos rumos de seu país, que, apesar da independência, celebrada a 11 de novembro de 1975, considera cativo, entretanto. Seu livro mais recente (romance) é A Sul. O Sombreiro, lançado no fim do ano passado, em que retrata mais uma vez a formação de Angola, desta feita com foco nos ardis originais da cidade de Benguela, nos séculos XVI e XVII.
Na entrevista ao Jornalirismo, Pepetela diz desconfiar da propalada lusofonia, a união dos países falantes do português (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau e Timor-Leste). Para o autor, “é um mito forjado há pouco e que não vai ter grandes frutos se se continuar em insistir que o que nos une é só a língua”.
O escritor também fala – em seu português castiço, sem concessões ao “acordo ortográfico” adotado apenas em terras tapuias – de racismo, de liberdades individuais e aprisionamentos econômicos e de literatura.
leia a entrevista na integra em http://www.jornalirismo.com.br/literatura/17/1406-pepetela-pelo-amor-reciproco-entre-africa-e-brasil
quinta-feira, 1 de março de 2012
crónica de PEPETELA
REVISTA ÁFRICA21
“Luta incerta”, por Pepetela
“Estranho a atração fatal de alguns ricalhaços cá da banda que querem agora comprar castelos na Europa”
Redação revista África21
Angop
Hoje assistimos de novo a uma luta incerta, mas agora entre «austeros» e «crescendistas». De um lado, economistas, governantes e alguns comentaristas (esses que estão sempre a mandar bocas por todo o lado, muitas vezes sem estudo nem fundamento), os quais defendem a austeridade financeira para os países endividados para lá de limites considerados decentes. Do outro lado, os que apostam no crescimento económico, com os respetivos governos (ou os alheios, se os seus estiverem quase falidos) a investirem no desenvolvimento, única forma de obterem dinheiro extra para pagar as dívidas. Se não houvesse pelo meio tantos dramas individuais, tanta miséria e frustração, era caso para se dizer que o combate, além de incerto, é extremamente interessante de seguir. Como se pudéssemos nos alhear dele, resguardados numa redoma de insensibilidade.
A maka é que toca a todos o resultado das asneiras que andam a fazer lá pelo Norte, com a senhora Merkel querendo recuperar para a Alemanha a glória do Império Germânico e conquistando todos os castelos a leste e a oeste, e alguns mais prudentes a dizer que assim não dá, vai provocar uma bronca danada, com gregos a queimarem bandeiras nazis hoje e amanhã a aperfeiçoarem espadas e catapultas, seguidos pelos exaltados espanhóis, machos de puxar logo pela faca e talvez até de barulhentos italianos, sempre prontos a cantarem tragédias.
No outro lado do tabuleiro, neste momento, curiosamente, o governo de Obama, apoiado por muitos prémios Nobel, defende para a economia mundial um sistema próximo do que se poderia chamar uma social-democracia, pelo menos as teorias recuperadas de Keynes; logo contrariado pelos austeros do Congresso, que lhe cortam as vazas quando se fala em aumentar impostos dos ricos e distribuir melhor os proventos pelos pobres, considerados preguiçosos e incompetentes e por isso mesmo, pobres.
Como vai acabar a luta? Os «austeros» conseguirão mais uma vez dominar o que lhes vai restando de poder? Ou os «crescendistas» poderão evitar por algum tempo o que parece inevitável, o declínio do chamado Ocidente?
Leia na íntegra a crónica do escritor angolano, na edição de março da revista África21
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
pepetela novo livro
LITERATURA
Pepetela lança em Luanda "A sul. O sombreiro"
O romance em como pano de fundo a fundação da cidade de Benguela ( litoral sul de Angola), em 1617, com destaque para o trajecto de vida conturbado do português Manuel Cerveira Pereira.
Da Redação, com agência
Com 360 páginas, o livro retrata a história de Manuel Cerveira Pereira, governador de Angola de 1615 a 1617, conduzindo o leitor à Angola dos séculos XVI e XVII, enquanto Portugal vivia sob domínio filipino.
O romance, publicado sob chancela da Textos Editores, tem como pano de fundo a fundação da cidade de Benguela ( litoral sul de Angola), em 1617, com destaque para o trajecto de vida conturbado do português Manuel Cerveira Pereira e o papel da Igreja Católica na altura.
Artur Pestana "Pepetela" nasceu em Benguela, em 1941, tem no mercado, entre outras, as obras "Muana Puo, em 1978"; "Mayombe, 1980, (prémio nacional de literatura)"; "O cão e os calús, 1985"; "Yaka, 1985"; "Lueji - o nascimento de um império, 1990"; "A geração da utopia, 1992"; "Parábola do cágado velho, 1996"; "A gloriosa família, 1997"; "A montanha da água lilás, (fábula) 2000"; e "Predadores, 2005". Em 1997, Pepetela foi vencedor do Prémio Camões de Literatura.
Licenciado em sociologia em Argel, Pepetela foi guerrilheiro do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), político e governante. Desde 1984 é professor na Universidade Agostinho Neto, em Luanda. Com informações da Angop.
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