domingo, 4 de março de 2012

EU AVISEI-VOS aqui primeiro não se admirem se o AO1990 for a referendo?????

O GOVERNO PORTUGUÊS VAI LEVAR A REFERENDO O ACORDO ORTOGRÁFICO E COMO É SABIDO VAI SER VETADO PELA MAIORIA DOS IGNORANTES DA NAÇÃO....QUE MAL SABEM LER E ESCREVER ANTES OU DEPOIS DO ACORDO DE 1911 QUANTO MAIS DEPOIS DO DE 1990
EU AVISEI-VOS AQUI PRIMEIRO...chrys


VotoExpresso: Acordo Ortográfico deve ser referendado

Maioria dos utilizadores da app do Expresso gostaria de ver referendada a aplicação do Acordo Ortográfico.

www.expresso.pt
11:00 Sexta feira, 2 de março de 2012
 112  0 
 
 
Clique na imagem para ver o PDF 
VotoExpresso: Acordo Ortográfico deve ser referendado
As respostas dos leitores às questões levantadas pelo último votoExpresso, relacionadas com a aplicação do Acordo Ortográfico, revelam que a maioria (54%) considera aceitável a introdução de alterações, mesmo que estas sejam feitas agora, já com o Acordo em uso. A percentagem dos que não concordam é de 40%, pelo que "sobram" 6% de leitores - os que optaram por responder à questão com a opção "não sei".
Percentagem bem mais esmagadora (70%) confessa não achar bem que cada um escreva como lhe apetece. A ideia agrada a 28% dos leitores, enquanto 2% disseram não saber.
Quanto ao futuro, 52% manifestaram vontade de ver referendada a aplicação do Acordo Ortográfico, desejo não partilhado por 42% dos leitores. As respostas "não sei" somaram 5%.


Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/votoexpresso-acordo-ortografico-deve-ser-referendado=f708640#ixzz1oB7ysj9L

sábado, 3 de março de 2012

última flor do Lácio

in diálogos lusófonos


"Última flor do Lácio, inculta e bela"
(primeiro verso de seu célebre soneto "Língua portuguesa"  
de Olavo Bilac,poeta, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras)

 "Última flor do Lácio, inculta e bela"  que saudades da língua portuguesa do ano de 1365!

" Em nome de Deus Amen, Sabham quantos este stromento virem que na era de mil quatrocentos e tres annos oyto dias d' Agosto na aldea da Falaguyra da Alem Benfica termho da cidade de Lixbõa[...] dũu casal de herdade que hé no dicto logo de Falagueyra em que ora mora Stevam Dominguez dicto da Guarda o qual foi da dicta Costança Gomez leixara em seu testamento ao dicto Moesteyro de Sam Vicente de Fora convem a saber per telhas e terra e erva e chaves e portas e casa do dicto casal..."

in ANTT-Mosteiro de São Vicente de Fora(1ª incorporação), maço º 14, doc, nº 5, 1365.

não há AO1990


ornalismo

"Árvore caiu sobre automóvel que circulava perto de Mafra há um ano" - este elucidativo exemplo, de fino recorte estilístico, fazia parte, há minutos, do texto de uma notícia da SIC.

Anda por aí muita gente preocupada com as consequência da entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico. Não os vejo, contudo, tão pressurosos em denunciar a iliteracia de quantos, com calinadas deste jaez, põem em perigo a salubridade da escrita pública.

Aproximamo-nos a passos largos dos tempos, recordados pelo João Paulo Guerra, num almoço que há meses tivémos com Baptista-Bastos, em que um inspirado plumitivo escrevia: "Era meia noite e, no entanto, chovia..."

a língua espanhola pode te sacanear


http://www.testosterona.blog.br/2012/02/29/a-lingua-espanhola-pode-te-sacanear/

"Tenha cuidado com o degrau ao entrar numa buseta, que na Venezuela significa Micro-ônibus. Comedor é apenas uma sala de jantar, seu malandro. Rico em espanhol é gostoso (pensando bem, pras brasileiras também). Pelado nada mais é do que careca. Você pode ter orgulho de seu saco, pois na verdade é um paletó. Se por acaso te chamarem tarado no Chile, na verdade estão te chamando idiota. Não deixe uma mulher embarazada, use camisinha. Você não poderá urinar no vaso, que significa nada mais que copo." CARLOS DURAN, AGLP
__._,_.___

sexta-feira, 2 de março de 2012

viajar rio douro acima

Andamos a brincar às palavras


IN DIÁLOGOS LUSÓFONOS

Andamos a brincar às palavras;  “Afinam-se” as palavras como quem afina um motor velho e desgastado
 
Filed under: acordo ortográfico — O. Braga @ 7:17 pm
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“Depois da decisão de Vasco Graça Moura de ignorar o Acordo Ortográfico nas comunicações do CCB, foi a vez de o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, vir olhar com cautelas para os imperativos da nova escrita do Português. A três anos da implementação definitiva da nova ortografia unificada às nações da Língua, Viegas diz que há trabalho a fazer para afinar as palavras.”
Andamos a brincar às palavras; a língua portuguesa parece ser alvo de brincadeira de mau gosto. “Afinam-se” as palavras como quem afina um motor velho e desgastado. E depois, temos esta ideia peregrina segundo a qual “até 2015 cada um escreve como quiser”, só para se salvar a face da classe política em relação a um fiasco lesa-cultura.
 

quinta-feira, 1 de março de 2012

baptista-bastos defende valores


CRÓNICA

A grande ofensiva contra os nossos valores

O caso da supressão do 5 de Outubro do calendário das nossas efemérides parece ter caído num inquietante silêncio. As próprias associações cívicas, que ainda as há, nada disseram, nada protestaram.
Baptista Bastos *
 
A ofensiva do Executivo de Pedro Passos Coelho não se restringe ao Estado Social. Possui um violento conteúdo ideológico, sem paralelo na nossa história próxima recente. E chega a atingir a simbólica da própria Resistência, configurando características acentuadamente filofascistas. A supressão do feriado do 5 de Outubro é, provavelmente, o facto mais significativo dessa avançada.

Como que para amenizar a circunstância, o pobreministro Santos Pereira, o Álvaro, tentou remendar a decisão dizendo que o 5 de Outubro não desaparecia - passava a ser comemorado no domingo seguinte. Além do dislate, a declaração toca as raias do ridículo. Aliás, este Governo, sobre ter atitudes e comportamentos assustadores, está envolvido no ridículo mais avassalador.

O caso da supressão do 5 de Outubro do calendário das nossas efemérides parece ter caído num inquietante silêncio. As próprias associações cívicas, que ainda as há, nada disseram, nada protestaram, nada se indignaram. A mansuetude com que a população se aquieta faz reviver a famosa frase salazarista: "país de costumes brandos e hábitos morigerados."

Salazar e os seus sicários tinham do 5 de Outubro a ideia de uma data quase demoníaca. E a Resistência portuguesa interpretava-a como uma das bandeiras das nossas causas. Nesse dia, como que impulsionados por um desafio, alguns dos homens e mulheres antifascistas reuniam-se em frente da estátua do Dr. António José de Almeida, depunham ramos de flores e entoavam a Portuguesa. Imediatamente a seguir, vindos das ruas circundantes, a GNR e a polícia política avançava, lançava bombas lacrimogéneas e agredia os presentes. Estes não desistiam. Encaminhavam-se para o cemitério do Alto de São João e homenageavam os heróis republicanos. Mais pancadaria, prisões e feridos. Por vezes, a brutalidade chegava ao Rossio, onde grupos antiregime se concentravam.

É esta data e a memória dos acontecimentos que a rodeiam, que o dr. Passos Coelho quer apagar, em nome de uma falaciosa necessidade de competição e de equilíbrio das contas. A Igreja foi ouvida nesta emergência. Num inacreditável jogo de compensações, teria sido decidido que, por dois feriados cívicos extinguidos, dois religiosos seriam abolidos. Não estamos, somente, nos domínios do delírio: assistimos a uma manobra malabar sem precedentes, que envergonha e desacredita quem nela se cumpliciou. A Igreja é uma das partes envolvidas, e sai do caso muito enlameada.

A mudança de paradigma social, económico, político e cultural é evidente. E, por arrasto, uma certa ideia de democracia, senão a própria democracia, está ameaçada. Já vivíamos numa democracia de superfície, na qual os princípios fundamentais do regime estavam a ser tripudiados. Com a extensão da ofensiva, o problema torna-se perturbador. Pouco a pouco, ou não tão lentamente quanto parece, a requalificação do ideal democrático e a recomposição das forças de Direita e de Extrema-Direita tornam-se manifestos.

Impostos, aumento do horário de trabalho, abolição de subsídios, congelamento de salários, despedimentos em massa, redução das pensões, acréscimo das taxas moderadoras nos hospitais - eis alguns aspectos da política obscena deste Executivo, que tende a agravar-se cada vez mais. Depois, há a presença da troika e a questão da perda da autoridade de Estado em favor de uns senhores que chegam, fazem, podem e mandam, à revelia das nossas características culturais, históricas e de identidade. Adicione-se ao panorama os vencimentos extraordinários que auferem.

A pátria tornou-se num regabofe. Enquanto as classes trabalhadoras são oneradas com o peso de uma vida que se lhes afigura sem direcção nem sentido, continua a haver ordenados e reformas insultuosos. Na Europa, uma senhora notoriamente ignara e um senhor sem qualidades apreciáveis dominam países e populações, sem que para isso tivessem sido mandatados pelo voto. A miséria alastra. E, apesar de alguns povos, o grego, por exemplo, demonstrar que não deseja ser escravo, a verdade é que parece uma situação inalterável. Periodicamente, uma que outra "cimeira" (há, agora, esta, recente) custa rios de dinheiro aos contribuintes - e tudo fica na mesma, senão pior. A senhora alemã e o senhor francês são fotografados e filmados aos beijinhos muito afectuosos, e, já se sabe!, as coisas vão piorar no dia seguinte.

A leitura exclusivamente económica do mundo, a inércia conivente das elites, o silêncio compulsivo ou deliberado da inteligência europeia está a conduzir-nos para a catástrofe. Sem que nada façamos para nos opor?

Baptista Bastos, jornalista e escritor português, assina coluna no Jornal de Negócios

crónica de PEPETELA


REVISTA ÁFRICA21

“Luta incerta”, por Pepetela

“Estranho a atração fatal de alguns ricalhaços cá da banda que querem agora comprar castelos na Europa”
Redação revista África21
 
Angop
Angop
“Estranho a atração fatal de alguns ricalhaços cá da banda que querem agora comprar castelos na Europa”. O título remete a um livro de John Steinbeck nos tempos da Grande Depressão, primeira metade do século XX. 

Hoje assistimos de novo a uma luta incerta, mas agora entre «austeros» e «crescendistas». De um lado, economistas, governantes e alguns comentaristas (esses que estão sempre a mandar bocas por todo o lado, muitas vezes sem estudo nem fundamento), os quais defendem a austeridade financeira para os países endividados para lá de limites considerados decentes. Do outro lado, os que apostam no crescimento económico, com os respetivos governos (ou os alheios, se os seus estiverem quase falidos) a investirem no desenvolvimento, única forma de obterem dinheiro extra para pagar as dívidas. Se não houvesse pelo meio tantos dramas individuais, tanta miséria e frustração, era caso para se dizer que o combate, além de incerto, é extremamente interessante de seguir. Como se pudéssemos nos alhear dele, resguardados numa redoma de insensibilidade.

A maka é que toca a todos o resultado das asneiras que andam a fazer lá pelo Norte, com a senhora Merkel querendo recuperar para a Alemanha a glória do Império Germânico e conquistando todos os castelos a leste e a oeste, e alguns mais prudentes a dizer que assim não dá, vai provocar uma bronca danada, com gregos a queimarem bandeiras nazis hoje e amanhã a aperfeiçoarem espadas e catapultas, seguidos pelos exaltados espanhóis, machos de puxar logo pela faca e talvez até de barulhentos italianos, sempre prontos a cantarem tragédias. 

No outro lado do tabuleiro, neste momento, curiosamente, o governo de Obama, apoiado por muitos prémios Nobel, defende para a economia mundial um sistema próximo do que se poderia chamar uma social-democracia, pelo menos as teorias recuperadas de Keynes; logo contrariado pelos austeros do Congresso, que lhe cortam as vazas quando se fala em aumentar impostos dos ricos e distribuir melhor os proventos pelos pobres, considerados preguiçosos e incompetentes e por isso mesmo, pobres. 

Como vai acabar a luta? Os «austeros» conseguirão mais uma vez dominar o que lhes vai restando de poder? Ou os «crescendistas» poderão evitar por algum tempo o que parece inevitável, o declínio do chamado Ocidente?

Leia na íntegra a crónica do escritor angolano, na edição de março da revista África21

TIAGO ANACLETO-MATIAS DEFENDE O AO1990

Caro Amigo Chrys,
 
É claro que é inacreditável e inaceitável, inconcebível e incompreensível – e todos os adjetivos que encontrarmos –, tal como impossível o que estão a fazer ou a querer fazer à nossa língua e sobretudo à Lusofonia no seu todo; e já lá vão mais de vinte anos!
 
Não me tenho pronunciado, porque o meu tempo escasseia já que ando exacerbado com tanto trabalho, mas até tenho andado com problemas de sono devido a esta questão e à situação insustentável que alguns pseudoilustres da elite política portuguesa têm criado.
 
Infelizmente o anterior Governo, a meu ver, não se aguentou e, por isso, devido àquele ignóbil do Vasco Graça Moura, e até da FLUL, estamos neste imbróglio horrível e o atual Governo, em vez de respeitar uma convenção legal, assinada entre os 8 países de Língua Oficial Portuguesa, e ir em frente com o AO 1990, faz precisamente o contrário e declara-se pronto a fazer uma revisão a um Tratado que é comum a todos os países lusófonos.
 
Estou deveras assustado e a Helena, a qual já se encontrava desde 2008 a fazer a sua tese de Doutoramento segundo o atual AO, ainda está mais! Claro que continuará, mas não sabemos até que ponto não se verá obrigada a alterar tudo, caso a FLUP resolva ir atrás da sua congénere em Lisboa.
 
Sinceramente, espero que o AO 1990 vá para a frente, mas agora começo a ter dúvidas. É repugnante como este Governo se deixa influenciar por ideias pacóvias e conservadoras, sob a égide do Patriotismo bacoco, sem saberem respeitar o que os linguistas e os diversos países lusófonos acordaram há imensos anos.
 
Não podemos deixar que isto aconteça, mas com este Governo no poder tudo poderá acontecer. Pensava que já tínhamos ultrapassado este impasse, mas agora encontrarmo-nos num ainda pior.
 
Como é possível querer enterrar uma língua una e colocar em questão a evolução da nossa língua, que é de todos os que a falam, e comprometer a ascensão e a aceitação do Português como  língua oficial da ONU, sabendo que querem continuar a diferenciá-la cada vez mais.
 
Tenho vergonha de ser português e tenho pena do povo que se deixa enganar e levar por ditadores que querem continuar a ser/estar "orgulhosamente sós". A língua portuguesa vai sofrer terrivelmente com a revisão deste Acordo, se aquela for em frente, mas posso aqui afirmar que continuarei a escrever conforme o AO 1990, algo que já faço desde 2008. Gostaria igualmente de louvar a atitude do Brasil, o qual soube honrar os seus compromissos, adotando o AO 1990, mostrando que não é pobre de espírito.
 
Portugal ainda não entendeu, porque é tão "pequenino" a todos os níveis, que só perderá com a decisão de rever o AO e de querer criar uma Anarquia Linguística aquém fronteiras, pois, segundo algumas opiniões, poder-se-á escrever conforme se quiser até 2015!!! Para além do facto – sim, tanto se pode escrever "de facto", como "de fato", as duas formas estão corretas – de Portugal não perceber que as grandes potências mundiais do momento, são precisamente aquelas que também compraram partes da nossa dívida, isto é, Angola, Brasil e China (através de Macau), os quais serão as alavancas principais para o desenvolvimento e divulgação da língua portuguesa.
 
Felizmente habito longe dessas mentalidades serôdias e até nas Instituições Europeias, assim como na EuroNews, o AO 1990 já estar a ser aplicado; no primeiro caso desde o início de 2012 e no caso do canal de notícias europeu, desde o início de 2011.
 
Ficarmos isolados do mundo lusófono é o mesmo que negarmos as nossas origens lusófonas. Será um revés para a terceira língua europeia mais falada no mundo. Se os quase 11 milhões de portugueses pensam que o português se manterá vivo em todo o mundo devido à influência de Portugal, então estão muito enganados.
 
Não quero apenas pertencer a um retângulo tão minúsculo, quero continuar a sentir-me e a ser um cidadão do mundo, com orgulho na sua língua, espalhada por todo o mundo e ouvir qualquer pronúncia do português, sabendo que ela se rege pela mesma forma de escrever e sob um Acordo válido e assinado pelos vários países lusófonos.
 
Chegou a hora de Portugal aceitar um erro histórico crasso de ter "inventado" um Acordo Ortográfico em 1911 e não ter consultado o maior país lusófono: o Brasil. Não preciso de consoantes mudas e foi aquilo que o Brasil quis transmitir a Portugal, quando em 1945 não adotou o então existente Acordo Ortográfico. Seria ridículo, e foi ridículo, pedir ao Brasil que reintroduzisse as consoantes mudas nos seus vocábulos, única e exclusivamente com a ideia de Portugal querer, de novo, apoderar-se da língua portuguesa, subjugando os outros países de língua oficial portuguesa às suas vontades.
 
Viva a Lusofonia, viva a língua portuguesa e viva a grafia unificada. Espero bem que Angola, Moçambique e Guiné-Bissau adotem o AO 1990 quanto antes, para Portugal perder a vontade obtusa de querer revê-lo até 2015.
 
Ansiando que melhores tempos venham, envio-te aquele forte e sincero abraço: Tiago Anacleto-Matias

DANIEL DE SÁ responde a HENRIQUE MONTEIRO


Acordo ortográfico: o entusiasmo de Henrique Monteiro

Posted on 25/02/2012por António Fernando Nabais


Henrique Monteiro publicou, no sábado passado, um texto dedicado ?a  
Vasco Graça Moura e a todos os opositores do Acordo Ortográfico?. Uma  
vez que pertenço ao segundo grupo, decidi, sem me alongar, retribuir a  
gentileza da dedicatória, deixando, hoje, alguns comentários,  
começando por remeter os leitores para um outro texto do incansável  
João Roque Dias.

Henrique Monteiro começa por se referir à sua ?adesão pessoal ao  
Acordo Ortográfico (AO)?, expressão algo infeliz pelo que contém de  
entusiasmo, num assunto que exigiria ponderação. Logo a seguir,  
explica que essa adesão se baseia em ?confiança e humildade?, uma vez  
que confia na ?sabedoria de quem o fez? e é ?suficientemente humilde?  
para reconhecer que lhe escapam muitos aspectos ?que dizem respeito à  
etimologia e à fonética, tais como outros menos relevantes para este  
caso?, o que prenuncia algo de bom, uma vez que parece reconhecer  
importância à etimologia e à fonética.

No que se refere à confiança que deposita nos autores do AO, seria  
interessante que Henrique Monteiro tivesse aprofundado os motivos que  
o levam a desconfiar de quem critica o dito AO. De qualquer modo, isso  
fica resolvido de uma penada, porque os opositores são classificados  
como ?pessoas que apenas se opõem ao Acordo ?porque sim? ? sem  
quaisquer argumentos.? Talvez por distracção, Henrique Monteiro ignora  
a existência de várias críticas consistentes feitas por linguistas  
competentes, ao longo dos últimos vinte anos.

Apesar da humildade com que confessa um desconhecimento generalizado  
de etimologia e de fonética, Henrique Monteiro não se coíbe de chamar 
?pai tirano? ao Latim e acaba a defender que a escrita não tem  
influência nenhuma na aprendizagem da fala, como se esta se fizesse  
exclusivamente à custa daquilo que se ouve. A aprendizagem de uma  
língua é um processo complexo que implica a interdependência de vários  
factores: a cruzada de muitos acordistas que defendem que não há  
nenhuma influência da escrita sobre a fonética é de um simplismo  
desmentido pela realidade.

A existência de características regionais pode servir para provar o  
efectivo peso da audição e do meio em que se aprende a falar, mas não 
serve como argumento para desvalorizar a importância da escrita como  
elemento de uniformização da própria fala, ou não contivesse sinais 
diacríticos e várias regras que servem para indicar o timbre de  
determinadas vogais ou a acentuação das palavras. Aliás, Henrique  
Monteiro parece viver num país em que a aprendizagem da língua é feita  
sem recurso à escola, com os aprendizes entregues àquilo que ouvem nas  
ruas. Assim, será graças à frequência da escola que, por exemplo, um  
aluno portuense ficará a perceber que é legítimo dizer baca, mas que é  
errado pronunciar voi.

Prosseguindo um percurso delirante, defende, ainda, que não tem  
importância criar mais homografias, recorrendo ao costumeiro argumento  
do contexto para resolução de dúvidas, como se a compreensão de um  
texto não dependesse de um sistema ortográfico consistente que, no  
mínimo, não aumente o número de homografias, fonte inevitável de ruído  
na comunicação, como o próprio AO admite, nos raros acessos de bom  
senso, quando, por exemplo, defende a manutenção do acento circunflexo  
em ?pôr?.

Apesar da ignorância confessa, Henrique Monteiro não prescinde do  
direito a explicar que o desaparecimento das consoantes mudas não  
contribuirá para aprofundar o fechamento das vogais, dando alguns  
exemplos e contrariando Rebelo Gonçalves e, mais recentemente,  
Francisco Miguel Valada, autor de um artigo na Diacrítica, uma revista  
que não está propriamente aberta à colaboração de amadores nestes 
assuntos da língua.

O texto continua penosamente, com Henrique Monteiro a tentar  
demonstrar a importância de aproximar ?uma série de palavras da  
fonética?, o que é importante porque não quer uma língua que o  
distinga do Brasil, preferindo uma que o aproxime, como se o AO  
tivesse criado essa língua. É claro que o cronista queria referir-se à  
aproximação das ortografias, mas, se pensasse um pouco, facilmente  
concluiria que, ao basear-se na fonética, diferente em Portugal e no  
Brasil, o AO cria diferenças que não existiam antes, mantendo outras  
que já existiam, contribuindo para a confusão.

Já se sabe que o jornalista Henrique Monteiro escreveu um texto de  
opinião, mas nunca hei-de perceber que se possa vestir a pele de um  
cronista, despindo o salutar hábito da investigação jornalística que  
deveria estar subjacente ao tratamento de um assunto que está para  
além de entusiasmos ou de emoções.

DANIEL DE SÁ

HENRIQUE MONTEIRO O AO 20 ANOS DEPOIS



O Acordo 20 anos depois

Henrique Monteiro (expresso.pt)
19:00 Quarta feira, 22 de fevereiro de 2012

Duas décadas depois de concluído, quatro anos depois de aprovado por ampla maioria noParlamento, milhões de euros de investimentos depois, renasce a ofensiva contra o Acordo Ortográfico. Vamos falar de forma diferente? Claro que não! O que há é muita teimosia e alguma ignorância.

Henrique Monteiro - O Acordo 20 anos depois
Dedicado a Vasco Graça Moura e a todos os opositores do Acordo Ortográfico
A minha adesão pessoal ao Acordo Ortográfico (AO) tem a ver simultaneamente com confiança e humildade. Confio na sabedoria de quem o fez (não na sua infalibilidade) e sou suficientemente humilde para reconhecer que muitos aspetos que dizem respeito à etimologia e à fonética, tais como outros menos relevantes para este caso, me escapam. Além da confiança e respeito por nomes como Lindley Cintra ou António Houaiss, de que não vejo muita gente comungar, mas antes desprezar, dediquei eu próprio algum tempo ao assunto. E, uma vez que faço da escrita a minha profissão há mais de 30 anos, penso ter algo a dizer.
Rodrigues Lapa, que foi um mestre da língua portuguesa, filólogo distinto, sustinha que as mudanças de ortografia eram sempre violentas. Esta asserção é hoje inteiramente justificada pela quantidade de pessoas que apenas se opõem ao Acordo 'porque sim' - sem quaisquer argumentos.
A verdade é que ninguém se conforma, depois de ter sido obrigado a pôr um p em ótimo, agora lhe dizerem que afinal esse p (no qual nunca encontrou utilidade) não faz falta. Há quem argumente com esse pai tirano, o latim, e com a etimologia da palavra optimus. A palavra sem o p perderá a identidade. Alguns enxofram-se e dizem que lhes matamos o português! Mas qual português, Santo Deus (ou melhor diria Sancto Deus?). O português do assucar ou do açúcar? O de Viseu ou Vizeu?
Philosophia, pharmacia ou phleugma também terão perdido essa identidade (para filosofia, farmácia e fleuma)? Ora, o facto de o phi grego deixar de se distinguir do f na grafia não me parece ter provocado dano ao idioma. Mas há, insistem, o problema do fechamento das vogais. Ou seja, a mania portuguesa (que não brasileira, angolana ou moçambicana) de comer as vogais. Este argumento é o que afirma que passaremos a dizer aspêto em vez de aspéto, uma vez que a retirada do c fecha a vogal. Pode parecer um argumento poderoso, mas não é. Não dizemos Mêlodesde que o apelido deixou de se escrever Mello (Vasconcellos ou Sampayo também se dizem do mesmo modo).
Reparem - e repare o excelente poeta e tradutor, a quem o texto é dedicado - que a forma de acentuar nada ou pouco tem a ver com o modo de escrever, mas sim com o modo de ouvir. Logo ele, que nasceu na Foz do Douro, bastava-lhe andar até à Ribeira para ouvir dizer Puârto e muitas outras coisas que foram morrendo com a voragem unificadora fonética da televisão. No norte dizia-se baca sendo a palavra com v; e o macho da baca era o voi apesar de lá estar um b. Mais estranho: em Lisboa sempre se disse contiúdo apesar do e, ao contrário de Coimbra e Porto onde se dizcontêúdo. Em Lisboa, ôito, dezóito, vinte e ôito; no Porto, óito, dezôito e vinte e óito. E sempre se escreveu da mesma forma... Aliás, segundo a professora Maria Helena da Rocha Pereira, o fechamento das vogais pré-tónicas começou em Portugal em finais do século XVII ou princípios do século XVIII - ainda não havia acordos nenhuns.
Agora, se me perguntarem por que razão em 1911 pae passou a pai e mãi passou a mãe (como até hoje se escreve) não sei dizer, do mesmo modo que me irrita o espetador no acordo atual. Mas a propósito daqueles que juram que 'espetador' não distingue o que assiste a um espetáculo de um picador de gelo, refiro a frase: senti os pelos eriçarem-se pelos braços. E eis que toda a gente compreende onde está o quê. Ainda sobre confusões e fechamentos e aberturas de vogais, vejam a frase: 'Gosto particularmente do teu gosto' - quando a leem dizem (pelo menos os cultos, como o presidente do CCB) gósto e gôsto instintivamente. Como em 'Faz força e força aquela porta' sabem que primeiro é fôrça e depois fórça.
Permitam-me, ainda, referir que, durante a minha vida, sòzinho ou sòmente perderam o acento. Pois bem, nunca notei qualquer inflexão (para suzinho ou sumente) no modo de pronunciar aquelas e muitas outras palavras (advérbios de modo e diminutivos) a que aconteceu o mesmo.
Há ainda os que afirmam não gostar do acordo por razões estéticas. É aceitável. Mas a ortografia, sendo uma representação, não pode agradar a todos, e menos ainda reproduzir a pluralidade (e até pessoalidade) de pronúncias e modos de dizer. Exigi-lo seria como pedir a um pintor que pintasse o céu não como ele o vê, mas como cada um de nós, pessoalmente, o vê. Tarefa impossível.
Posto isto, o AO é importante porque aproxima da fonética uma série de palavras. E fá-lo, pela primeira vez, em função de um idioma que, sendo português, é também propriedade, matriz e identidade de outros povos e de outras latitudes. Cedemos? Não sei, nem me importa. Não quero uma língua para me distinguir do Brasil. Prefiro uma que me aproxime. E quem diz Brasil, que tem 200 milhões de falantes, diz naturalmente Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Timor.
Respeito o argumento de que a língua deve evoluir por ela, sem intervenção governamental. Creio, no entanto, que deve haver uma única e determinada ortografia nos manuais escolares e nos documentos. Ainda que cada escritor (como cada editora ou jornal) prefira o seu modo de escrever (Pessoa nunca respeitou o acordo de 1911), a ortografia escolar e oficial não pode ser espontânea nem à vontade do freguês. Acrescento que, curiosamente, nenhum de nós (ou quase) lê Pessoa (nem Eça, nem Camilo, nem sequer Aquilino ou Nemésio) na ortografia que os autores escolheram, assim como, apesar de usarmos a língua de Camões, há muito que não grafamos as palavras como ele ("Armas & os barões" ou "Occidental praya"). Quero com isto dizer que um jornal, uma editora, um escritor ou um Centro Cultural de Belém que não adira ao AO, ver-se-á, a breve prazo, a braços com uma escrita anacrónica... E um dia, tal como Pessoa ou Camões, será lido com a ortografia que então estiver em vigor.
Eis porque fui um dos entusiastas, na altura como diretor do Expresso, da utilização do AO nas publicações do Grupo Impresa. Eis porque não aceito que uma lei discutida durante mais de 20 anos seja constantemente colocada em causa. Ou que os opositores do AO esqueçam sistematicamente que a forma como escrevem resulta também de um AO imposto por lei.
Não vale a pena pensarmos que cada geração tem a pureza da grafia. O que pensar de Marco Túlio Tiro que, para poder transcrever os discursos de Cícero, abreviou diversas palavras com sinalética que até hoje usamos (etc., v.g., e.g.). Talvez o mesmo que muitos pensam das abreviaturas feitas pelos jovens nos telemóveis e redes sociais. E, no entanto, é a grafia que tem de estar ao serviço da comunicação - não o contrário.
Acirrar ânimos, insultar adversários, fazer juras solenes em torno de uma simples representação do nosso idioma faz-me lembrar aquele padre tio de Brás Cubas que o genial Machado de Assis (e não por acaso cito um autor brasileiro que devia ser mais lido em Portugal) descreve assim: "Não era homem que visse a parte substancial da igreja; via o lado externo, a hierarquia, as preeminências, as sobrepelizes, as circunflexões. Vinha antes da sacristia do que do altar. Uma lacuna no ritual excitava-o mais do que uma infração dos mandamentos". (E aqui, a palavra infração segue o modo como ele a escreveu... em 1881).
Defender que o fim das consoantes mudas altera o modo de acentuar as palavras é desconhecer que dizemos as palavras tal e qual as ouvimos dizer e não como as vemos grafadas. Só assim se explica a forma diferente de dizer inúmeras palavras, (como conteúdo, dezoito) a troca dos vês pelos bês ou a diferença entre lixo e fixo

Não lemos os autores portugueses com a ortografia que eles escolheram. De Camões a Pessoa, de Bernardim Ribeiro a Eça, todos são vulgarmente lidos na ortografia atualmente em vigor (e que vem essencialmente de 1911). A guerra em torno do Acordo é inútil, anacrónica e, sobretudo, nada tem a ver com uma mítica pureza da língua que é algo que nunca existiu

Texto publicado na revista Atual da edição impressa do Expresso de 18 de fevereiro de 2012



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angola e a língua portuguesa


Artigos
Belarmino Van-Dúnem |

A Língua Portuguesa como instrumento de trabalho na ONU

01 de Março, 2012
 A Organização das Nações Unidas é o maior centro diplomático e de concertação do mundo. Sobretudo depois da organização desenvolver organismos adjacentes para intervir em sectores como o do desenvolvimento, saúde, agricultura, educação ou direitos humanos.
Portanto, quase toda dinâmica do desenvolvimento dos Estados passa obrigatoriamente pelas agências da ONU. Apesar das fragilidades que a organização enfrenta devido à sua dependência, relativamente aos Estados que venceram a II Guerra Mundial, a ONU continua a ser a única organização de carácter universal e universalista com grande credibilidade.
Não é nenhum exagero afirmar que os Estados com uma representação medíocre na Assembleia-Geral da ONU são sempre ultrapassados nas questões mais cadentes das relações internacionais. Dai a necessidade dos Estados terem quadros devidamente treinados junto das suas representações na ONU. Uma boa imagem na ONU, também pode significar abertura de financiamentos para o desenvolvimento, compreensão na dinâmica da política interna e boas parcerias para a política externa. A condição indispensável para que os técnicos possam representar condignamente o seu Estado é o domínio de uma das línguas oficiais da organização sob sua responsabilidade. No caso concreto da ONU, estão em uso seis línguas de trabalho: inglês, francês, russo, espanhol, chinês e árabe.
No entanto, nas reuniões plenárias dos Chefes de Estado e de Governo existe sempre uma tradução caso o titular decida expressar-se na sua língua oficial, ainda que não seja nenhuma das seis.
A língua portuguesa não faz parte das línguas oficiais da ONU. Esta situação constitui um paradoxo e tem graves consequências para os Estados falantes da língua portuguesa.
É um paradoxo porque a língua portuguesa tem um historial que é do conhecimento geral. Durante alguns séculos serviu de língua franca entre os cinco continentes. O número de falantes da língua portuguesa tem vindo a crescer, sobretudo por influência do Brasil e dos países africanos que têm a língua portuguesa como língua oficial.
Na ONU vários Estados têm orientado os seus técnicos a fazerem cursos de língua portuguesa. No Senegal, o português está entre as línguas que acolhe a simpatia dos estudantes. Na África do Sul e na Namíbia acontece o mesmo. Na América Latina, há cada vez mais candidatos para aprender português.
Portanto, as perspectivas da expansão da língua portuguesa são reais. O facto da língua portuguesa não fazer parte das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas causa constrangimentos aos países de língua oficial portuguesa.
A maior parte dos cidadãos fica limitada no acesso às vagas para trabalhar ou fazer carreira na ONU, uma vez que o primeiro critério de elegibilidade é o domínio de uma das línguas oficiais.
Os técnicos que são enviados pelos Estados acabam por ter necessidade de passar por um período de adaptação, mas, no caso dos técnicos que não dominem uma das línguas oficiais a situação torna-se mais complicada porque têm que retirar parte do seu tempo para se dedicar à aprendizagem de uma das línguas de trabalho.
Em muitos casos, para não dizer na maior parte, as traduções não têm o mesmo impacto na audiência que o discurso directo.
Há inclusive casos caricatos em que o tradutor ou intérprete faz questão de omitir ou fazer acréscimos, deturpando a mensagem. Por exemplo, é vulgar ouvir a anedota em que um Chefe de Estado disse ao outro: “I`ll ring you up later”. O tradutor resolver dizer: “eu dar-te-ei um anel mais tarde”.
A oficialização da língua portuguesa na ONU só depende da CPLP. Se existir uma concertação, no que diz respeito às cotas e à padronização das traduções, não há grandes constrangimentos em negociar com a Assembleia-Geral da ONU.
Neste momento, tudo depende de Portugal e do Brasil porque esses dois Estados estão interessados nos pormenores da tradução e da escrita.
Ao contrário do inglês e do francês em que não é possível discutir a escrita, na língua portuguesa o principal problema está na escrita. Angola já tem o português como língua oficial em todas as organizações do continente africano de que é parte.
O português é indiscutivelmente a língua de unidade nacional, mas também não deixa de ser verdade que os técnicos nacionais têm tido dificuldades em participar nos fóruns internacionais por constrangimentos da língua. As vagas para Angola na ONU estão todas por preencher. Neste momento Angola conta com cidadãos nacionais que estão na ONU a fazer carreira, mas tiveram acesso à organização por recrutamento e não por concurso.
Portanto, interessa ao Estado angolano e aos angolanos que o português seja uma das línguas oficiais da ONU.