terça-feira, 8 de maio de 2012

outra visão do (meu país) Austrália

in diálogos lusófonos
Na Diáspora da língua portuguesa encontram-se milhões de cidadãos, e não refiro neste número os que se encontram nos países de língua oficial portuguesa. Muito interessante escutar a voz dos que emigram para lugares distantes. Passo para vocês o depoimento de uma jovem portuguesa que foi para a Austrália.
Revelador o olhar dela sobre terras distantes e o seu desabafo das saudades do país de origem. Aprendemos e ampliamos os intercâmbios "chegando" lá virtualmente !


O blog www.coracaoluso.com/2012/05/historia-completa-andreia-rocha-nas.html  email : coracaoluso@gmail.com ,   publicou o depoimento da imigrante portuguesa May  8

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Ao fim, de sete anos a trabalhar em Portugal na mesma empresa, Andreia Rocha,  sentiu que estaria na altura de mudar. Diz não ter sido motivada pela crise ou instabilidade económica do país, mas mais pela procura de um novo desafio.  Sete anos passaram e a Austrália foi o destino há muito desejado.
A vontade de “descobrir o mundo”, de sair de Portugal em busca de uma nova experiência de vida, foi desde cedo um objetivo para esta portuguesa que já descobriu o Reino Unido e agora vive a experiência de viver nas antípodas de Portugal, Andreia Rocha  é arquiteta e vive na Austrália.
“A Austrália começou há alguns anos atrás, mais precisamente no final da minha formação académica. É um país com elevados índices de qualidade de vida, sol, praias e por estar talvez nos antípodas do mundo… acho que faz parte do imaginário de qualquer um”, refere.
Na altura que essa ideia australiana começou a ter forma, Andreia Rocha, tomou também a consciência da complexidade do processo de emigração, “era complexo e precisaria de comprovar no mínimo 3 anos de experiência profissional. Algo, que naquele momento da minha vida era impossível”.


No entanto,  sete anos passaram e aí voltou o “bichinho” da Austrália. Aí, Andreia Rocha, voltou a pesquisar sobre os requisitos necessários para avançar com o processo de emigração e assim deu início àquela que diz ter sido uma “saga”. “Foi um processo desgastante, burocrático, extremamente dispendioso e lento. Ao fim de quase 2 anos obtive o “Skilled Visa”, conta.

Antes da Austrália, a Inglaterra

“Tive a minha experiência fora da zona de conforto, melhorei o inglês e posso dizer que foi uma experiência extremamente gratificante”.



O sonho das antípodas

Andreia Rocha, está a viver na Austrália, há alguns meses, as dificuldades, principalmente burocráticas, ainda existem.

“A dificuldade maior é mesmo a inserção no mercado de trabalho australiano. Por me ter sido atribuído um “Skilled Visa” - obtido apenas porque a minha profissão estava em demanda no país - achei que seria relativamente fácil inserir-me no mercado de trabalho”.

A falta de experiência local, a falta de “networking” na sua área profissional e também algumas dificuldades de entendimento relativamente aos parâmetros utilizados pelos recursos humanos australianos, ditam as maiores dificuldades vividas por Andreia Rocha. Mais adianta,  “a realidade Portuguesa é muita distinta da Australiana. Aqui, temos de aprender a vender-nos como produto, explicar porque somos o melhor dos melhores e convencer as empresas”.

O bom e ou menos bom
Andreia Rocha, destaca a facilidade como se faz amigos no distante continente, como uma das coisas mais positivas, desta experiência vivida até agora.

“ É incrível como se consegue fazer amigos por aqui. O clima, a vida social a multiculturalidade são sem dúvida fatores preponderantes. Conheço imensas pessoas com diferentes backgrounds e talvez por todos termos a necessidade de criar raízes, a amizade é algo que fluí de uma forma muito natural. Sou capaz de conhecer pessoas no autocarro ou numa fila de supermercado. É isso que adoro na Austrália”, refere.
O menos positivo, Andreia Rocha, refere a falta de evolução tecnológica que se faz sentir, “os ATM´s são péssimos, netbanking está a anos-luz de Portugal e a internet parece não ter ouvido falar em século XXI. Será o preço de viver numa ilha?”, questiona retoricamente.
Todavia, de um modo geral, Andreia Rocha, afirma que a Austrália corresponde às suas expectativas iniciais, embora assuma algumas desilusões, como é exemplo, a rede de transportes públicos e o sistema de saúde público, que posteriormente, acreditava serem mais eficazes. Contudo, faz um balanço até agora muito positivo,  pois os aspetos negativos “são quase apagados quando me sento na Opera House e aprecio a Harbour Bridge… ainda não encontrei no mundo enquadramento tão belo”, refere.






Portugal e as saudades

“Resposta cliché mas extremamente verdadeira: a minha família e os meus amigos!!! Se pudesse, fretava um avião e enfiava-os lá dentro com destino a Sydney… aí sim, a Austrália seria perfeita!”
Uma nova visão de Portugal

Andreia Rocha, considera que Portugal ainda tem que se desenvolver em muitas áreas, sendo que, a área mais preocupante, em sua opinião, é também a “mais difícil de contornar”, a educação.

“O crescimento de um país é responsabilidade de cada um de nós e enquanto houver pessoas que, não votam porque é melhor ir para a praia, não pagam os seus impostos, porque “se ninguém paga porque é que eu vou ser diferente”, ou contornam sistematicamente as regras, ou dificilmente iremos progredir. A raiz do problema está na base e a base tem de mudar”, afirma. “Temos um país fantástico, cheio de talento, pessoas especiais mas, há questões – arriscar-me-ia até a dizer “geracionais”- que dificilmente serão resolvidas a curto médio prazo”, remata.




Uma frase para definir esta sua experiência

“A vida é um desafio diário… só precisamos encontrar as armas certas o superar”.

Mais do que tudo um coração luso

“Serei sempre um coração luso! Ainda assim, e tendo eu um grande coração, guardo um espacinho para o resto do mundo… que no fim das contas, não é assim tão grande”, conclui. 

1 comentário:

  1. Cheguei no seu blogue por casualidade e gostei da sua perspetiva. Acho que é uma necessidade descobrir paises diversos para perceber o atraso notavel de Portugal em muitas areas. Sendo Lusofrancês levo comigo a minha biculturalidade em qualquer sitio (claro isso estranha muito os "franceses"). Existem diasporas lusas no mundo enteiro sempre muito bem integradas, que nos possam ajudar a nos adaptar aos novos costumes. See ya !

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